Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Excesso de hormônio tireoidiano (T3), obesidade, hipertensão e diabetes podem fazer a massa do coração crescer em até 20%, podendo levar à morte.
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) descobriu um dos mecanismos pelos quais o T3 atua nesse processo contribuindo para que futuros medicamentos possam ser produzidos para bloquear o crescimento cardíaco.
“Descobrimos que o T3 provoca o crescimento do coração por meio de uma via bioquímica conhecida pela sigla WNT. Quando essa via é inibida, o hormônio não consegue fazer o coração crescer”, disse o biólogo Anselmo Sigari Moriscot, professor associado do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do Instituto de Ciências Biomédicas.
Moriscot coordena o projeto “Papel da beta-catenina na resposta cardíaca promovida pelo hormônio tireoidiano”, apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, e o Projeto Temático “Aspectos celulares e moleculares da plasticidade muscular”, entre outros projetos apoiados pela Fundação.
A WNT é classicamente considerada uma via envolvida em proliferação celular. Quando funciona bem, ela é fundamental para a reposição e renovação das células do organismo. Seu funcionamento anormal constitui, porém, uma notória causa do câncer. “Descobrimos que essa via intermedeia também o efeito do hormônio tireoidiano no crescimento do coração”, disse à Agência FAPESP.
A técnica utilizada pela equipe foi a do rastreamento por microarray, uma estratégia de busca avançada que permite mapear o comportamento de aproximadamente 30 mil genes ao mesmo tempo. “O rastreamento por microarray é parecido com uma pescaria de largo espectro. Você lança apenas uma rede e colhe milhares de peixes de uma só vez”, comparou Moriscot.
Por meio do rastreamento por microarray, os pesquisadores conseguiram adquirir as pistas necessárias para identificar a associação entre a via WNT e o T3 no coração.
A pesquisa feita na USP traz a esperança de que, em um futuro próximo, inibidores farmacológicos capazes de interromper o crescimento do coração sejam desenvolvidos.
Mas não se trata de bloquear diretamente a via WNT, porque, possuindo essa uma expressão sistêmica, tal ação provocaria uma série de indesejáveis efeitos colaterais. O aumento da massa cardíaca seria interrompido, mas a capacidade de reposição e renovação celular também ficaria comprometida.
“A tática é atuar diretamente nas proteínas internas das células cardíacas, fazendo com que essas deixem de responder ao estímulo recebido pela via WNT. Essa é a forma de conferir especificidade ao tratamento”, disse Moriscot.
A busca por procedimentos terapêuticos cada vez mais específicos – portanto, com um leque cada vez menor de efeitos colaterais – é uma forte tendência da medicina contemporânea, amparada nos avanços da genômica e da biologia celular e molecular.
A equipe liderada por Moriscot, que reúne três pesquisadores principais, quatro pós-doutores, 12 pós-graduandos e vários estudantes em nível de iniciação científica, atua em pesquisa básica na área de saúde. O desenvolvimento de remédios não faz parte do escopo de atividades do time, mas nada impede que suas descobertas venham a ser aproveitadas por outros grupos de estudiosos e pela indústria farmacêutica.
Blog de recolha e divulgação de artigos e opiniões de interesse generalizado na área de Saúde Pública, além de divulgação de noticiário variado na área cientifica, sobretudo , para além de analises criticas e construtivas aos Serviços Nacionais de Saúde. Artigos de opinião critica e construtiva sobre a temativa em analise, a responsabilidade do autor do Blog, e convidados.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Alzheimer mais cedo
Agência FAPESP – Cientistas dos Estados Unidos e da Itália identificaram variações genéticas associadas com o desenvolvimento precoce do mal de Alzheimer. O estudo publicado no site e na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
A doença se caracteriza pela presença de anomalias no citoplasma dos neurônios, conhecidas como novelos neurofibrilares, e por placas beta-amilóides duras e insolúveis, que se acumulam entre as células nervosas no cérebro. Esses novelos são compostos de agregados das chamadas proteínas tau.
Estudos anteriores haviam tentado estabelecer uma ligação entre variações na seqüência da proteína tau com o risco de adquirir a doença, mas sem resultados conclusivos.
Agora, o grupo coordenado por John Kauwe, da Faculdade de Medicina da Universidade Washington, em Saint Louis, descreve que certas variantes no gene tau, apesar de não estarem diretamente ligadas com o risco de Alzheimer, podem indicar um desenvolvimento da doença mais cedo do que nos casos típicos.
Os pesquisadores analisaram DNA de 313 pessoas, voltando a atenção especialmente para 21 regiões da proteína tau que variam de pessoa a pessoa.
O grupo verificou que diversas variações nas seqüências estavam associadas com elevados níveis da proteína em fluído cerebrospinal (líquido cefalorraquidiano), mas somente quando acompanhadas da evidência de que as placas beta-amilóides estavam presentes no cérebro, o que, por sua vez, indicava que o voluntário era portador de Alzheimer.
Os autores do estudo sugerem que as pessoas que têm tais variantes estão mais propensas a experimentar um início precoce do desenvolvimento de características associadas à doença, como declínio da capacidade cognitiva e demência.
O artigo Variation in MAPT is associated with cerebrospinal fluid tau levels in the presence of amyloid-beta deposition, de John Kauwe e outros, poderá ser lido em www.pnas.org.
A doença se caracteriza pela presença de anomalias no citoplasma dos neurônios, conhecidas como novelos neurofibrilares, e por placas beta-amilóides duras e insolúveis, que se acumulam entre as células nervosas no cérebro. Esses novelos são compostos de agregados das chamadas proteínas tau.
Estudos anteriores haviam tentado estabelecer uma ligação entre variações na seqüência da proteína tau com o risco de adquirir a doença, mas sem resultados conclusivos.
Agora, o grupo coordenado por John Kauwe, da Faculdade de Medicina da Universidade Washington, em Saint Louis, descreve que certas variantes no gene tau, apesar de não estarem diretamente ligadas com o risco de Alzheimer, podem indicar um desenvolvimento da doença mais cedo do que nos casos típicos.
Os pesquisadores analisaram DNA de 313 pessoas, voltando a atenção especialmente para 21 regiões da proteína tau que variam de pessoa a pessoa.
O grupo verificou que diversas variações nas seqüências estavam associadas com elevados níveis da proteína em fluído cerebrospinal (líquido cefalorraquidiano), mas somente quando acompanhadas da evidência de que as placas beta-amilóides estavam presentes no cérebro, o que, por sua vez, indicava que o voluntário era portador de Alzheimer.
Os autores do estudo sugerem que as pessoas que têm tais variantes estão mais propensas a experimentar um início precoce do desenvolvimento de características associadas à doença, como declínio da capacidade cognitiva e demência.
O artigo Variation in MAPT is associated with cerebrospinal fluid tau levels in the presence of amyloid-beta deposition, de John Kauwe e outros, poderá ser lido em www.pnas.org.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Nutrientes desperdiçados
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – A rotina agitada faz com que cada vez mais pessoas optem por alimentos industrializados, o que tem levado a um constante aumento na produção. Com isso, cresce também um problema ainda pouco estudado no país, o desperdício industrial.
Mieko Kimura, professora do Departamento de Engenharia e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto, encontrou importantes substâncias nutricionais, chamadas bioativas, nos lixos das empresas.
Os resíduos industriais analisados mostraram ser fontes ricas de carotenoides, compostos fenólicos, fibras e vitamina C, substâncias que poderiam ser aproveitadas pelas indústrias farmacêutica e cosmética e pelo próprio ramo alimentício.
“Descartados, esses resíduos geram ônus para as empresas, que muitas vezes pagam para terceiros fazerem o descarte, além de criar problemas ambientais e aumentar o valor do produto fabricado”, afirmou durante o 8º Simpósio Latino-Americano de Ciência de Alimentos, realizado na semana passada na Universidade Estadual de Campinas.
A pesquisadora recolheu resíduos de pequenas e médias indústrias oriundos de diferentes matérias-primas, como tomate, abóbora e goiaba. Em apenas uma empresa, como resultado do processamento do tomate, Mieko contabilizou o desperdício de 24 quilos de licopeno e cerca de 250 gramas de betacaroteno no período de um mês.
“Parece pouco, mas não é. Basta considerar que 1 miligrama de betacaroteno vale US$ 25 no mercado norte-americano”, apontou. Betacaroteno é uma pró-vitamina que, ao ser processada pelo organismo, auxilia na produção de substâncias nutricionais importantes, especialmente a vitamina A. A triste ironia, lembra, é que muitas empresas de alimentos compram pró-vitaminas para enriquecer os seus produtos.
Mieko listou vários fatores que têm estimulado o aumento do consumo de alimentos industrializados, entre os quais o fato de os vegetais in natura serem mais perecíveis em contraponto ao período de validade dos industrializados, maior devido ao uso de conservantes.
Também há o problema da falta de tempo para preparar os alimentos e a melhora da qualidade sensorial, ou seja, no gosto dos produtos industrializados. “Esses fatores têm feito a produção crescer bastante, em especial a de sucos prontos, que está entre os ramos que mais têm prosperado”, disse.
Como solução para o desperdício, a professora da Unesp preconiza a pesquisa científica no setor. “Precisamos incentivar os estudantes a trabalhar com resíduos industriais”, afirmou.
Segundo Mieko, o Brasil tem perdido recursos valiosos nos processos industriais de alimentos. Se a fábrica está tomando cada vez mais o papel do consumidor na hora de espremer um suco, fazer uma compota de doce ou extrair molho de tomate, ela também deve investir no aproveitamento total das matérias-primas para que todos saiam ganhando.
Agência FAPESP – A rotina agitada faz com que cada vez mais pessoas optem por alimentos industrializados, o que tem levado a um constante aumento na produção. Com isso, cresce também um problema ainda pouco estudado no país, o desperdício industrial.
Mieko Kimura, professora do Departamento de Engenharia e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto, encontrou importantes substâncias nutricionais, chamadas bioativas, nos lixos das empresas.
Os resíduos industriais analisados mostraram ser fontes ricas de carotenoides, compostos fenólicos, fibras e vitamina C, substâncias que poderiam ser aproveitadas pelas indústrias farmacêutica e cosmética e pelo próprio ramo alimentício.
“Descartados, esses resíduos geram ônus para as empresas, que muitas vezes pagam para terceiros fazerem o descarte, além de criar problemas ambientais e aumentar o valor do produto fabricado”, afirmou durante o 8º Simpósio Latino-Americano de Ciência de Alimentos, realizado na semana passada na Universidade Estadual de Campinas.
A pesquisadora recolheu resíduos de pequenas e médias indústrias oriundos de diferentes matérias-primas, como tomate, abóbora e goiaba. Em apenas uma empresa, como resultado do processamento do tomate, Mieko contabilizou o desperdício de 24 quilos de licopeno e cerca de 250 gramas de betacaroteno no período de um mês.
“Parece pouco, mas não é. Basta considerar que 1 miligrama de betacaroteno vale US$ 25 no mercado norte-americano”, apontou. Betacaroteno é uma pró-vitamina que, ao ser processada pelo organismo, auxilia na produção de substâncias nutricionais importantes, especialmente a vitamina A. A triste ironia, lembra, é que muitas empresas de alimentos compram pró-vitaminas para enriquecer os seus produtos.
Mieko listou vários fatores que têm estimulado o aumento do consumo de alimentos industrializados, entre os quais o fato de os vegetais in natura serem mais perecíveis em contraponto ao período de validade dos industrializados, maior devido ao uso de conservantes.
Também há o problema da falta de tempo para preparar os alimentos e a melhora da qualidade sensorial, ou seja, no gosto dos produtos industrializados. “Esses fatores têm feito a produção crescer bastante, em especial a de sucos prontos, que está entre os ramos que mais têm prosperado”, disse.
Como solução para o desperdício, a professora da Unesp preconiza a pesquisa científica no setor. “Precisamos incentivar os estudantes a trabalhar com resíduos industriais”, afirmou.
Segundo Mieko, o Brasil tem perdido recursos valiosos nos processos industriais de alimentos. Se a fábrica está tomando cada vez mais o papel do consumidor na hora de espremer um suco, fazer uma compota de doce ou extrair molho de tomate, ela também deve investir no aproveitamento total das matérias-primas para que todos saiam ganhando.
Café e chá ajudam na prevenção de diabetes
O consumo de café e chá pode reduzir os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, segundo uma revisão de estudos publicada na revista Archives of Internal Medicine.
A cafeína não é a principal responsável por essa proteção, já que o café descafeinado apresentou os maiores efeitos nessas pesquisas avaliadas.
A pesquisa, que avaliou 18 estudos independentes, num total de 500 mil pessoas, mostrou que pessoas que tomam de três a quatro xícaras de café ou chá diariamente têm reduzidos em um quinto ou mais seus riscos de desenvolver diabetes.
O consumo da mesma quantidade de café descafeinado foi associado a efeitos ainda maiores, reduzindo o risco em até um terço. A cada xícara de café consumida, há redução de 7% nas chances de ter a doença.
A cafeína não é a principal responsável por essa proteção, já que o café descafeinado apresentou os maiores efeitos nessas pesquisas avaliadas.
A pesquisa, que avaliou 18 estudos independentes, num total de 500 mil pessoas, mostrou que pessoas que tomam de três a quatro xícaras de café ou chá diariamente têm reduzidos em um quinto ou mais seus riscos de desenvolver diabetes.
O consumo da mesma quantidade de café descafeinado foi associado a efeitos ainda maiores, reduzindo o risco em até um terço. A cada xícara de café consumida, há redução de 7% nas chances de ter a doença.
Substância cancerígena tem atuação desvendada
Agência FAPESP – A aflatoxina, substância tóxica produzida por alguns tipos de fungos em nozes, amendoim e outras sementes oleosas, pode causar câncer do fígado se ingerida em grandes quantidades, reforça estudo feito nos Estados Unidos e publicado na revista Nature.
O novo estudo revela o processo por meio do qual ocorre esse papel cancerígeno, o que pode levar ao desenvolvimento de métodos de controle. Segundo a pesquisa, a toxina destrói um gene que atua na prevenção de câncer em humanos, conhecido como p53.
O trabalho aponta que, sem a proteção do p53, a aflatoxina pode comprometer a imunidade, interferindo com o metabolismo e causando grave desnutrição e, finalmente, câncer.
Shiou-Chuan (Sheryl) Tsai, da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), e colegas da mesma instituição e da Universidade Johns Hopkins descobriram também que uma proteína chamada PT é fundamental para que a aflatoxina se forme em fungos. Até então, não se sabia o que disparava o crescimento da toxina.
“A proteína PT é a chave para fazer o veneno. Com esse conhecimento, talvez possamos combatê-la com drogas, inibindo a capacidade do fungo de fazer a aflatoxina”, disse Sheryl.
Destruir o fungo é o método tradicional de descontaminação, mas se trata de um processo caro. Eliminar a proteína seria uma alternativa muito mais eficiente.
“Essa descoberta levará a um aumento no conhecimento de como a aflatoxina causa câncer de fígado em humanos. Ela deverá permitir o desenvolvimento de inibidores e de, assim esperamos, uma nova abordagem de prevenção química contra essa doença mortal”, disse Frank Meyskens, diretor do Centro de Pesquisa do Câncer da UCI.
O estudo aponta que, por causa da legislação insuficiente, cerca de 4,5 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento estão criticamente expostas a alimentos com grandes quantidades de aflatoxina, em alguns casos centenas de vezes as quantidades consideradas seguras.
Em países como China, Vietnã e África do Sul, a combinação de aflatoxina com a exposição ao vírus da hepatite B aumenta os riscos de ocorrência de câncer de fígado em 60 vezes.
“É realmente chocante como esses fungos podem afetar a saúde pública”, disse Sheryl. A aflatoxina forma colônias e contamina grãos antes da colheita ou durante a estocagem. A Food & Drug Administration do governo norte-americano considera inevitável a contaminação de alimentos por essa toxina, mas estipula limites toleráveis.
O novo estudo revela o processo por meio do qual ocorre esse papel cancerígeno, o que pode levar ao desenvolvimento de métodos de controle. Segundo a pesquisa, a toxina destrói um gene que atua na prevenção de câncer em humanos, conhecido como p53.
O trabalho aponta que, sem a proteção do p53, a aflatoxina pode comprometer a imunidade, interferindo com o metabolismo e causando grave desnutrição e, finalmente, câncer.
Shiou-Chuan (Sheryl) Tsai, da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), e colegas da mesma instituição e da Universidade Johns Hopkins descobriram também que uma proteína chamada PT é fundamental para que a aflatoxina se forme em fungos. Até então, não se sabia o que disparava o crescimento da toxina.
“A proteína PT é a chave para fazer o veneno. Com esse conhecimento, talvez possamos combatê-la com drogas, inibindo a capacidade do fungo de fazer a aflatoxina”, disse Sheryl.
Destruir o fungo é o método tradicional de descontaminação, mas se trata de um processo caro. Eliminar a proteína seria uma alternativa muito mais eficiente.
“Essa descoberta levará a um aumento no conhecimento de como a aflatoxina causa câncer de fígado em humanos. Ela deverá permitir o desenvolvimento de inibidores e de, assim esperamos, uma nova abordagem de prevenção química contra essa doença mortal”, disse Frank Meyskens, diretor do Centro de Pesquisa do Câncer da UCI.
O estudo aponta que, por causa da legislação insuficiente, cerca de 4,5 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento estão criticamente expostas a alimentos com grandes quantidades de aflatoxina, em alguns casos centenas de vezes as quantidades consideradas seguras.
Em países como China, Vietnã e África do Sul, a combinação de aflatoxina com a exposição ao vírus da hepatite B aumenta os riscos de ocorrência de câncer de fígado em 60 vezes.
“É realmente chocante como esses fungos podem afetar a saúde pública”, disse Sheryl. A aflatoxina forma colônias e contamina grãos antes da colheita ou durante a estocagem. A Food & Drug Administration do governo norte-americano considera inevitável a contaminação de alimentos por essa toxina, mas estipula limites toleráveis.
Viver mais sem comer menos
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP– Na década de 1930, cientistas demonstraram que uma dieta com poucas calorias retardava o envelhecimento, aumentando a longevidade dos animais. Agora, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram promover em camundongos os mesmos efeitos benéficos da dieta de restrição calórica sem precisar diminuir a quantidade de alimento.
A estratégia consistiu em tratar os animais com uma droga que diminui o aproveitamento energético das mitocôndrias. Além de aumentar em cerca de 10% a longevidade, o tratamento reduziu os índices ligados à síndrome metabólica – o conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui diabetes, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos e obesidade.
O estudo, coordenado por Alicia Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica da USP, foi publicado no site e em breve sairá na edição impressa da revista Aging Cell.
A mitocôndria é uma organela celular que, com o uso do oxigênio da respiração, converte a energia dos alimentos em energia química, ou trifosfato de adenosina (ATP), vital às atividades celulares.
De acordo com Alicia, a estratégia utilizada se baseou no mecanismo conhecido como desacoplamento mitocondrial. "O desacoplamento consiste em diminuir a síntese de ATP mantendo a mesma quantidade de alimento", disse à Agência FAPESP. O estudo tem apoio da FAPESP na modalidade Projeto Temático.
Segundo a cientista, para sintetizar o ATP, a mitocôndria gera um gradiente de prótons – isto é, fica mais positiva do lado de fora do que em seu interior. Esse gradiente serve como fonte de energia para a síntese de ATP.
"A droga que utilizamos, o dinitrofenol, diminui esse gradiente de prótons, deixando que alguns deles voltem para dentro da mitocôndria sem que haja síntese de ATP", explicou.
O dinitrofenol é conhecido há muito tempo e, na década de 1930, já era utilizado como droga para o emagrecimento. Mas, apesar de eficaz, seu uso causava controvérsias, uma vez que a dose terapêutica estava muito próxima da dose tóxica.
"O que fizemos foi utilizar o dinitrofenol em uma dose muito menor para mostrar que a diminuição do aproveitamento de energia da mitocôntria é capaz de prevenir os efeitos do envelhecimento", afirmou Alicia.
O estudo teve participação da professora Marisa Medeiros e das estudantes Camille Caldeira da Silva, Fernanda Cerqueira e Lívea Barbosa, que realizaram os experimentos.
Segundo Alicia, o grupo já havia realizado um estudo semelhante, em 2004, em um modelo de envelhecimento de leveduras. "A partir daquele estudo em células in vitro resolvemos testar a estratégia em animais", disse.
O objetivo da pesquisa foi mimetizar os efeitos de uma dieta de restrição de calorias para diminuir o aproveitamento energético, mas sem reduzir a quantidade de comida ingerida.
"Assim como os humanos, os camundongos tendem a engordar quando envelhecem. Os que foram tratados com o dinitrofenol, no entanto, ganharam menos peso à medida que envelheciam, apesar de comerem a mesma quantidade do que os outros", afirmou.
O ganho de peso, segundo a pesquisadora, está associado ao aumento dos níveis de glicemia, triglicérides e insulina, características da síndrome metabólica. "Nos camundongos submetidos à estratégia todos esses indicadores estavam diminuídos."
Lesões por radicais livres
Segundo a professora do Departamento de Bioquímica da USP, o estudo não pretende sugerir o dinitrofenol como opção terapêutica, devido a seus efeitos tóxicos. "A idéia foi demonstrar que a manipulação das funções da mitocôndria é muito eficaz para controlar o envelhecimento e o ganho de peso", disse.
O estudo demonstrou também que a estratégia é eficiente para diminuir as lesões provocadas por radicais livres – outra das causas do envelhecimento.
"À medida que envelhecemos, acumulamos lesões por radicais livres nas moléculas. Sabemos que a restrição calórica diminui a geração de radicais livres na mitocôndria, diminuindo também essas lesões. Comprovamos que o tratamento com o dinitrofenol também é eficiente para diminuí-las, configurando uma estratégia antioxidante muito mais eficaz que o uso de vitaminas, por exemplo", disse.
Um dos objetivos do grupo, a partir de agora, é modificar o dinitrofenol para gerar novas drogas que possam ser utilizadas para o desacoplamento mitocondrial.
"Outra possibilidade é ativar vias naturais de desacoplamento presente nas mitocôndrias, como os canais para potássio, ou certas proteínas desacopladoras. Uma droga que ativasse essas vias seria muito interessante para promover, sem depender de nenhuma proteína, os efeitos que conseguimos produzir quimicamente", destacou.
Alicia salienta que a FAPESP acaba de aprovar novo pedido de bolsa de pós-doutorado para o Projeto Temático que coordena, de modo a dar continuidade a essa linha de pesquisa. "Estou selecionando candidatos. Além de continuar essa pesquisa aplicada, com fins farmacêuticos, queremos estudar os mecanismos e os processos celulares envolvidos no envelhecimento", disse.
Agência FAPESP– Na década de 1930, cientistas demonstraram que uma dieta com poucas calorias retardava o envelhecimento, aumentando a longevidade dos animais. Agora, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram promover em camundongos os mesmos efeitos benéficos da dieta de restrição calórica sem precisar diminuir a quantidade de alimento.
A estratégia consistiu em tratar os animais com uma droga que diminui o aproveitamento energético das mitocôndrias. Além de aumentar em cerca de 10% a longevidade, o tratamento reduziu os índices ligados à síndrome metabólica – o conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui diabetes, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos e obesidade.
O estudo, coordenado por Alicia Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica da USP, foi publicado no site e em breve sairá na edição impressa da revista Aging Cell.
A mitocôndria é uma organela celular que, com o uso do oxigênio da respiração, converte a energia dos alimentos em energia química, ou trifosfato de adenosina (ATP), vital às atividades celulares.
De acordo com Alicia, a estratégia utilizada se baseou no mecanismo conhecido como desacoplamento mitocondrial. "O desacoplamento consiste em diminuir a síntese de ATP mantendo a mesma quantidade de alimento", disse à Agência FAPESP. O estudo tem apoio da FAPESP na modalidade Projeto Temático.
Segundo a cientista, para sintetizar o ATP, a mitocôndria gera um gradiente de prótons – isto é, fica mais positiva do lado de fora do que em seu interior. Esse gradiente serve como fonte de energia para a síntese de ATP.
"A droga que utilizamos, o dinitrofenol, diminui esse gradiente de prótons, deixando que alguns deles voltem para dentro da mitocôndria sem que haja síntese de ATP", explicou.
O dinitrofenol é conhecido há muito tempo e, na década de 1930, já era utilizado como droga para o emagrecimento. Mas, apesar de eficaz, seu uso causava controvérsias, uma vez que a dose terapêutica estava muito próxima da dose tóxica.
"O que fizemos foi utilizar o dinitrofenol em uma dose muito menor para mostrar que a diminuição do aproveitamento de energia da mitocôntria é capaz de prevenir os efeitos do envelhecimento", afirmou Alicia.
O estudo teve participação da professora Marisa Medeiros e das estudantes Camille Caldeira da Silva, Fernanda Cerqueira e Lívea Barbosa, que realizaram os experimentos.
Segundo Alicia, o grupo já havia realizado um estudo semelhante, em 2004, em um modelo de envelhecimento de leveduras. "A partir daquele estudo em células in vitro resolvemos testar a estratégia em animais", disse.
O objetivo da pesquisa foi mimetizar os efeitos de uma dieta de restrição de calorias para diminuir o aproveitamento energético, mas sem reduzir a quantidade de comida ingerida.
"Assim como os humanos, os camundongos tendem a engordar quando envelhecem. Os que foram tratados com o dinitrofenol, no entanto, ganharam menos peso à medida que envelheciam, apesar de comerem a mesma quantidade do que os outros", afirmou.
O ganho de peso, segundo a pesquisadora, está associado ao aumento dos níveis de glicemia, triglicérides e insulina, características da síndrome metabólica. "Nos camundongos submetidos à estratégia todos esses indicadores estavam diminuídos."
Lesões por radicais livres
Segundo a professora do Departamento de Bioquímica da USP, o estudo não pretende sugerir o dinitrofenol como opção terapêutica, devido a seus efeitos tóxicos. "A idéia foi demonstrar que a manipulação das funções da mitocôndria é muito eficaz para controlar o envelhecimento e o ganho de peso", disse.
O estudo demonstrou também que a estratégia é eficiente para diminuir as lesões provocadas por radicais livres – outra das causas do envelhecimento.
"À medida que envelhecemos, acumulamos lesões por radicais livres nas moléculas. Sabemos que a restrição calórica diminui a geração de radicais livres na mitocôndria, diminuindo também essas lesões. Comprovamos que o tratamento com o dinitrofenol também é eficiente para diminuí-las, configurando uma estratégia antioxidante muito mais eficaz que o uso de vitaminas, por exemplo", disse.
Um dos objetivos do grupo, a partir de agora, é modificar o dinitrofenol para gerar novas drogas que possam ser utilizadas para o desacoplamento mitocondrial.
"Outra possibilidade é ativar vias naturais de desacoplamento presente nas mitocôndrias, como os canais para potássio, ou certas proteínas desacopladoras. Uma droga que ativasse essas vias seria muito interessante para promover, sem depender de nenhuma proteína, os efeitos que conseguimos produzir quimicamente", destacou.
Alicia salienta que a FAPESP acaba de aprovar novo pedido de bolsa de pós-doutorado para o Projeto Temático que coordena, de modo a dar continuidade a essa linha de pesquisa. "Estou selecionando candidatos. Além de continuar essa pesquisa aplicada, com fins farmacêuticos, queremos estudar os mecanismos e os processos celulares envolvidos no envelhecimento", disse.
Transcriptoma do diabetes será mapeado
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – A cada ano, 7 milhões de pessoas desenvolvem diabetes e se somam aos mais de 250 milhões que sofrem da doença no mundo, de acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema já é considerado uma epidemia que tende a afetar principalmente os países em desenvolvimento.
Um passo importante para a compreensão das bases moleculares dessa enfermidade foi dado em setembro, quando pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo iniciaram o Projeto Temático “Controle do transcriptoma no diabetes mellitus”, apoiado pela FAPESP.
“O transcriptoma é o conjunto dos RNAs [ácido ribonucleico] da célula, incluindo os RNAm e os microRNAs. O objetivo de sua análise é descobrir como e quando os genes funcionam. É uma espécie de 'fisiologia genética', explicou o professor Geraldo Passos, coordenador do projeto.
Segundo ele, ao saber como um gene atua numa doença, poderemos pensar em desenvolver drogas específicas para tentar atenuar sua expressão, se for o caso. Ou, por outro lado, estimular a expressão de outros genes na tentativa de controlar a manifestação da doença.
Formada pelos professores Elza Sakamoto Hojo e Eduardo Antonio Donadi, além de alunos de pós-graduação, a equipe de Passos terá um longo trabalho pela frente.
Semelhanças e diferenças
A pesquisa começou com a seleção de pacientes dos três tipos de diabetes (DM-1, DM-2 ou DMG). Essa fase é supervisionada pelos médicos Milton César Foss e Maria Cristina Foss-Freitas, do Hospital das Clínicas da FMRP.
Das mostras de sangue periférico coletadas desses pacientes serão separados os linfócitos, nos quais se encontram os RNAs. A equipe então aplicará a técnica de microarrays para avaliar a expressão gênica da amostra incluindo os RNAm e os microRNAs.
A enorme quantidade de dados obtidos será então processada por softwares de bioinformática. Outro detalhe da pesquisa é que o material humano será comparado ao de camundongos NOD, que possuem semelhança genética significativa com o ser humano e também desenvolvem o diabetes do tipo 1 (DM-1).
“Há tipos de estudos que só podem ser feitos nos camundongos. Um gene ligado à doença pode iniciar sua manifestação na fase fetal, por exemplo, o que só podemos analisar nos animais”, explicou Passos.
O grande diferencial desse projeto, de acordo com o coordenador, é o fato de ele analisar simultaneamente os três tipos de diabetes: DM1 (de caráter autoimune e herdado geneticamente), DM2 (provocado por hábitos como ingestão de calorias em demasia e sedentarismo) e DMG (ou diabetes gestacional, desenvolvido pela mulher durante a gravidez).
Com isso, será possível levantar semelhanças e diferenças na expressão gênica nos três tipos da doença, dando uma visão mais ampla do diabetes, do ponto de vista genético.
“Trata-se de um ramo de pesquisa que depende de altos investimentos, pois exige equipamentos importados de última geração que conseguimos graças ao apoio da FAPESP”, salientou Passos.
O Projeto Temático para estudar o transcriptoma do diabetes vai até 2013 e é, em parte, continuação de outro Temático da FAPESP, o “Projeto transcriptoma: análise da expressão gênica em larga escala usando DNA-arrays”, que a mesma equipe trabalhou de 2001 a 2005 e avançou o conhecimento do grupo nesse tipo de análise funcional do genoma em doenças complexas.
Agência FAPESP – A cada ano, 7 milhões de pessoas desenvolvem diabetes e se somam aos mais de 250 milhões que sofrem da doença no mundo, de acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema já é considerado uma epidemia que tende a afetar principalmente os países em desenvolvimento.
Um passo importante para a compreensão das bases moleculares dessa enfermidade foi dado em setembro, quando pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo iniciaram o Projeto Temático “Controle do transcriptoma no diabetes mellitus”, apoiado pela FAPESP.
“O transcriptoma é o conjunto dos RNAs [ácido ribonucleico] da célula, incluindo os RNAm e os microRNAs. O objetivo de sua análise é descobrir como e quando os genes funcionam. É uma espécie de 'fisiologia genética', explicou o professor Geraldo Passos, coordenador do projeto.
Segundo ele, ao saber como um gene atua numa doença, poderemos pensar em desenvolver drogas específicas para tentar atenuar sua expressão, se for o caso. Ou, por outro lado, estimular a expressão de outros genes na tentativa de controlar a manifestação da doença.
Formada pelos professores Elza Sakamoto Hojo e Eduardo Antonio Donadi, além de alunos de pós-graduação, a equipe de Passos terá um longo trabalho pela frente.
Semelhanças e diferenças
A pesquisa começou com a seleção de pacientes dos três tipos de diabetes (DM-1, DM-2 ou DMG). Essa fase é supervisionada pelos médicos Milton César Foss e Maria Cristina Foss-Freitas, do Hospital das Clínicas da FMRP.
Das mostras de sangue periférico coletadas desses pacientes serão separados os linfócitos, nos quais se encontram os RNAs. A equipe então aplicará a técnica de microarrays para avaliar a expressão gênica da amostra incluindo os RNAm e os microRNAs.
A enorme quantidade de dados obtidos será então processada por softwares de bioinformática. Outro detalhe da pesquisa é que o material humano será comparado ao de camundongos NOD, que possuem semelhança genética significativa com o ser humano e também desenvolvem o diabetes do tipo 1 (DM-1).
“Há tipos de estudos que só podem ser feitos nos camundongos. Um gene ligado à doença pode iniciar sua manifestação na fase fetal, por exemplo, o que só podemos analisar nos animais”, explicou Passos.
O grande diferencial desse projeto, de acordo com o coordenador, é o fato de ele analisar simultaneamente os três tipos de diabetes: DM1 (de caráter autoimune e herdado geneticamente), DM2 (provocado por hábitos como ingestão de calorias em demasia e sedentarismo) e DMG (ou diabetes gestacional, desenvolvido pela mulher durante a gravidez).
Com isso, será possível levantar semelhanças e diferenças na expressão gênica nos três tipos da doença, dando uma visão mais ampla do diabetes, do ponto de vista genético.
“Trata-se de um ramo de pesquisa que depende de altos investimentos, pois exige equipamentos importados de última geração que conseguimos graças ao apoio da FAPESP”, salientou Passos.
O Projeto Temático para estudar o transcriptoma do diabetes vai até 2013 e é, em parte, continuação de outro Temático da FAPESP, o “Projeto transcriptoma: análise da expressão gênica em larga escala usando DNA-arrays”, que a mesma equipe trabalhou de 2001 a 2005 e avançou o conhecimento do grupo nesse tipo de análise funcional do genoma em doenças complexas.
Risco precoce
Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – Com as mudanças nos hábitos de vida, como alimentação inadequada e ausência de atividade física regular, cada vez mais crianças e adolescentes estão sujeitos à aterosclerose, de acordo com uma pesquisa feita na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, constatou valores alterados de colesterol, LDL-colesterol ("colesterol ruim") e triglicérides, respectivamente, em 44%, 36% e 56% das crianças de 2 a 9 anos avaliadas. A alteração apareceu em 44%, 36% e 50% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos.
A pesquisa envolveu 1.937 crianças e adolescentes de 2 a 19 anos, de ambos os sexos, de diferentes classes socioeconômicas, atendidos nos ambulatórios do Hospital de Clínicas da Unicamp, no período de 2000 a 2007.
De acordo com a autora principal do estudo, Eliana Cotta de Faria, professora da FCM da Unicamp, o objetivo era estabelecer a prevalência de dislipidemias, o aumento anormal da taxa de lipídios no sangue, em uma amostra populacional brasileira ambulatorial de crianças e adolescentes.
Segundo ela, a dislipidemia nessa faixa etária está cada vez mais prevalente, provavelmente devido às mudanças nos hábitos alimentares, à obesidade e ao sobrepeso associados à redução na prática de atividades físicas regulares com o estabelecimento de vida sedentária.
"Deve-se sempre enfatizar que existe uma associação entre fatores ambientais e genéticos na etiologia das dislipidemias. Outro aspecto a destacar é o fato de o estudo ter envolvido uma amostra populacional que procurou o serviço hospitalar, o que naturalmente seleciona os casos que espelham a realidade da população geral", disse à Agência FAPESP.
A pesquisadora afirma que diversos estudos demonstram que a doença arterial coronariana (DAC) se inicia na infância de forma silenciosa, progredindo significativamente com o decorrer dos anos. "O diagnóstico precoce da dislipidemia, cada vez mais freqüente em crianças e adolescentes, é essencial para a prevenção dessa doença, especialmente quando existem na família antecedentes de fatores de risco para a DAC", salientou.
Os índices encontrados podem ser explicados tanto por fatores ambientais como genéticos. Pode ocorrer uma associação entre fatores ambientais e genéticos na etiologia das dislipidemias. Em alguns casos, existem deficiências genéticas familiares em enzimas, proteínas e receptores celulares responsáveis pelo catabolismo dos lípides e lipoproteínas circulantes, o que leva a graves elevações de suas concentrações e que constituem as dislipidemias primárias que são independentes dos fatores ambientais.
"Em crianças, pode ocorrer o quadro grave de pancreatite aguda secundária à elevação de triglicérides. Ressalto que o tratamento e acompanhamento medicamentoso, nessa faixa etária, devem ser reservados aos casos muito graves, aqueles com complicações, e os sem resposta ao tratamento inicial de mudanças de estilo de vida, pois a experiência maior na literatura com os fármacos hipolipemiantes se restringe a adultos", afirmou Eliana.
Os resultados apontaram ainda uma combinação de vários problemas como aumento do colesterol total (hipercolesterolemia), aumento de triglicérides (hipertrigliceridemia) e redução da HDL-colesterol (hipoalfalipoproteinemia, o "colesterol bom"), a lipoproteína que retira colesterol dos tecidos e leva para o fígado para excreção biliar.
"A combinação desses resultados demonstrou a gravidade do problema e um aumento do risco de desenvolver DAC, pois, além de a criança ter uma elevação nos níveis de colesterol e triglicérides, ela tem uma redução da HDL", disse Eliana.
A pesquisadora da Unicamp ressalta que a prevalência da síndrome metabólica (dislipidemia, obesidade e glicose alta) em crianças e adolescentes cresceu muito na última década com aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade em crianças entre 2 e 5 anos.
Hábitos saudáveis
Há poucos estudos sobre a prevalência de dislipidemias entre crianças e adolescentes no país, segundo a autora. Os estudos são raros, mas a maioria demonstra alta taxa nessa faixa etária. "Como não é comum a análise do perfil lipídico no sangue entre crianças e adolescentes, poucos centros têm uma amostragem significativa para a realização de um estudo como este", disse Eliana.
De acordo com a professora da FCM, o estudo prosseguirá com a avaliação dos lípides circulantes de diferentes comunidades de crianças e adolescentes na região e no país para quantificar o impacto sobre eles da condição socioeconômica, dos hábitos alimentares e de atividade física sobre o perfil lipídico.
"Precisamos implantar programas educacionais nas escolas que enfatizem a importância de hábitos alimentares saudáveis, abolir a obesidade e sobrepeso e da prática de atividades físicas regulares, além de proceder às análises periódicas dos lípides sangüíneos sempre que houver um ou mais fatores de risco cardiovasculares associados e procurar orientação médica especializada para tratamento quando necessário", destacou.
Agência FAPESP – Com as mudanças nos hábitos de vida, como alimentação inadequada e ausência de atividade física regular, cada vez mais crianças e adolescentes estão sujeitos à aterosclerose, de acordo com uma pesquisa feita na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, constatou valores alterados de colesterol, LDL-colesterol ("colesterol ruim") e triglicérides, respectivamente, em 44%, 36% e 56% das crianças de 2 a 9 anos avaliadas. A alteração apareceu em 44%, 36% e 50% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos.
A pesquisa envolveu 1.937 crianças e adolescentes de 2 a 19 anos, de ambos os sexos, de diferentes classes socioeconômicas, atendidos nos ambulatórios do Hospital de Clínicas da Unicamp, no período de 2000 a 2007.
De acordo com a autora principal do estudo, Eliana Cotta de Faria, professora da FCM da Unicamp, o objetivo era estabelecer a prevalência de dislipidemias, o aumento anormal da taxa de lipídios no sangue, em uma amostra populacional brasileira ambulatorial de crianças e adolescentes.
Segundo ela, a dislipidemia nessa faixa etária está cada vez mais prevalente, provavelmente devido às mudanças nos hábitos alimentares, à obesidade e ao sobrepeso associados à redução na prática de atividades físicas regulares com o estabelecimento de vida sedentária.
"Deve-se sempre enfatizar que existe uma associação entre fatores ambientais e genéticos na etiologia das dislipidemias. Outro aspecto a destacar é o fato de o estudo ter envolvido uma amostra populacional que procurou o serviço hospitalar, o que naturalmente seleciona os casos que espelham a realidade da população geral", disse à Agência FAPESP.
A pesquisadora afirma que diversos estudos demonstram que a doença arterial coronariana (DAC) se inicia na infância de forma silenciosa, progredindo significativamente com o decorrer dos anos. "O diagnóstico precoce da dislipidemia, cada vez mais freqüente em crianças e adolescentes, é essencial para a prevenção dessa doença, especialmente quando existem na família antecedentes de fatores de risco para a DAC", salientou.
Os índices encontrados podem ser explicados tanto por fatores ambientais como genéticos. Pode ocorrer uma associação entre fatores ambientais e genéticos na etiologia das dislipidemias. Em alguns casos, existem deficiências genéticas familiares em enzimas, proteínas e receptores celulares responsáveis pelo catabolismo dos lípides e lipoproteínas circulantes, o que leva a graves elevações de suas concentrações e que constituem as dislipidemias primárias que são independentes dos fatores ambientais.
"Em crianças, pode ocorrer o quadro grave de pancreatite aguda secundária à elevação de triglicérides. Ressalto que o tratamento e acompanhamento medicamentoso, nessa faixa etária, devem ser reservados aos casos muito graves, aqueles com complicações, e os sem resposta ao tratamento inicial de mudanças de estilo de vida, pois a experiência maior na literatura com os fármacos hipolipemiantes se restringe a adultos", afirmou Eliana.
Os resultados apontaram ainda uma combinação de vários problemas como aumento do colesterol total (hipercolesterolemia), aumento de triglicérides (hipertrigliceridemia) e redução da HDL-colesterol (hipoalfalipoproteinemia, o "colesterol bom"), a lipoproteína que retira colesterol dos tecidos e leva para o fígado para excreção biliar.
"A combinação desses resultados demonstrou a gravidade do problema e um aumento do risco de desenvolver DAC, pois, além de a criança ter uma elevação nos níveis de colesterol e triglicérides, ela tem uma redução da HDL", disse Eliana.
A pesquisadora da Unicamp ressalta que a prevalência da síndrome metabólica (dislipidemia, obesidade e glicose alta) em crianças e adolescentes cresceu muito na última década com aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade em crianças entre 2 e 5 anos.
Hábitos saudáveis
Há poucos estudos sobre a prevalência de dislipidemias entre crianças e adolescentes no país, segundo a autora. Os estudos são raros, mas a maioria demonstra alta taxa nessa faixa etária. "Como não é comum a análise do perfil lipídico no sangue entre crianças e adolescentes, poucos centros têm uma amostragem significativa para a realização de um estudo como este", disse Eliana.
De acordo com a professora da FCM, o estudo prosseguirá com a avaliação dos lípides circulantes de diferentes comunidades de crianças e adolescentes na região e no país para quantificar o impacto sobre eles da condição socioeconômica, dos hábitos alimentares e de atividade física sobre o perfil lipídico.
"Precisamos implantar programas educacionais nas escolas que enfatizem a importância de hábitos alimentares saudáveis, abolir a obesidade e sobrepeso e da prática de atividades físicas regulares, além de proceder às análises periódicas dos lípides sangüíneos sempre que houver um ou mais fatores de risco cardiovasculares associados e procurar orientação médica especializada para tratamento quando necessário", destacou.
Problema moderno e antigo
Agência FAPESP – Um grupo internacional de cientistas descobriu que problemas cardiovasculares eram conhecidos dos antigos egípcios, indicando que é preciso olhar além dos fatores de risco modernos para compreender adequadamente as doenças do coração.
Os pesquisadores identificaram a formação de arteriosclerose em múmias com cerca de 3,5 mil anos. O endurecimento da parede arterial, causada pelo depósito de gordura, cálcio ou outras substâncias na parede das artérias, pode provovar infarto ou derrame.
O estudo foi apresentado em reunião da American Heart Association em Orlando, nos Estados Unidos, por Randall Thompson, professor de medicina do Mid America Heart Institute.
O grupo usou tomografia computadorizada para examinar em raio X 20 múmias do Museu de Antiguidades Egípcias, no Cairo. As múmias datam de 1981 a.C. a 364 d.C.
Os cientistas encontraram evidência de vasos sanguíneos e de tecido do coração em 13 múmias. Em quatro, o coração estava intacto. O grupo confirmou em três delas sinais inequívocos de arteriosclerose, com outras três consideradas como prováveis portadoras de endurecimento arterial.
Segundo o estudo, a calcificação se mostrou significativamente mais comum em múmias de indivíduos que morreram com idade estimada de 45 anos ou mais. Não foi verificada diferenças no endurecimento nas artérias entre homens e mulheres.
Da múmias analisadas, a mais antiga com arteriosclerose morreu entre 1570 a.C. e 1530 a.C. De acordo com o grupo, o trabalho é novo indicador de que a doença não é exclusiva do homem moderno, uma vez que se fazia presente há mais de 3 mil anos.
Os pesquisadores identificaram a formação de arteriosclerose em múmias com cerca de 3,5 mil anos. O endurecimento da parede arterial, causada pelo depósito de gordura, cálcio ou outras substâncias na parede das artérias, pode provovar infarto ou derrame.
O estudo foi apresentado em reunião da American Heart Association em Orlando, nos Estados Unidos, por Randall Thompson, professor de medicina do Mid America Heart Institute.
O grupo usou tomografia computadorizada para examinar em raio X 20 múmias do Museu de Antiguidades Egípcias, no Cairo. As múmias datam de 1981 a.C. a 364 d.C.
Os cientistas encontraram evidência de vasos sanguíneos e de tecido do coração em 13 múmias. Em quatro, o coração estava intacto. O grupo confirmou em três delas sinais inequívocos de arteriosclerose, com outras três consideradas como prováveis portadoras de endurecimento arterial.
Segundo o estudo, a calcificação se mostrou significativamente mais comum em múmias de indivíduos que morreram com idade estimada de 45 anos ou mais. Não foi verificada diferenças no endurecimento nas artérias entre homens e mulheres.
Da múmias analisadas, a mais antiga com arteriosclerose morreu entre 1570 a.C. e 1530 a.C. De acordo com o grupo, o trabalho é novo indicador de que a doença não é exclusiva do homem moderno, uma vez que se fazia presente há mais de 3 mil anos.
Anti-inflamatório laser
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Um estudo realizado por um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, demonstrou que a terapia com laser de baixa potência é altamente eficaz para o tratamento de dores de pescoço causadas por lesão muscular.
A pesquisa, que foi publicada no site da revista médica The Lancet – e sairá em breve na edição impressa –, consistiu em uma revisão sistemática e uma metanálise de 16 ensaios controlados realizados com mais de 800 pacientes.
De acordo com um dos autores, Rodrigo Lopes Martins, do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), o laser de baixa potência é uma terapia não invasiva que, por não causar dor ou efeitos colaterais, pode ser uma boa alternativa para substituir os tratamentos com drogas anti-inflamatórias.
“No estudo, trabalhamos especificamente com a dor cervical, mas os dados obtidos indicam que a terapia é clinicamente eficaz para o tratamento de qualquer dor miofascial – isto é, decorrente de lesões musculares causadas por traumas”, disse à Agência FAPESP.
Para dar continuidade às pesquisas que geraram o artigo, Martins, que é chefe do Laboratório de Farmacologia e Terapêutica Experimental do ICB, recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. O projeto, intitulado “Efeito da terapia laser de baixa potência na lesão muscular induzida por estiramento passivo em ratos”, teve início em setembro.
Segundo Martins, a comprovação da eficácia do laser de baixa potência no tratamento de dores musculares é um passo importante para que a terapia seja adotada, no futuro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), substituindo o uso de fármacos e resultando em uma considerável economia.
“Só com o tratamento dos efeitos adversos causados pelas drogas anti-inflamatórias, os Estados Unidos gastam mais de US$ 25 bilhões ao ano, de acordo com dados divulgados em 2004. A adoção em grande escala de uma terapia sem esses efeitos colaterais seria uma economia imensa”, afirmou.
Martins explica que, apesar da comprovação da eficácia da terapia, ainda há dúvidas sobre o mecanismo de ação do laser de baixa potência, embora existam cerca de 5 mil artigos sobre o assunto na literatura científica internacional.
“Ainda não desvendamos o mecanismo de ação e estamos investindo muito nisso. No entanto, o uso clínico vem sendo feito há alguns anos, em especial na área de odontologia, além de ortopedia e fisioterapia. Mesmo assim, acreditamos que, com a comprovação da eficácia da terapia, ela poderá ter seu uso expandido, inclusive sendo adotada pelo SUS”, disse Martins, que é secretário científico da Associação Mundial de Terapia Laser.
O investimento no equipamento, explica, é feito uma única vez – diferentemente do que ocorre com os medicamentos – e a terapia pode ser utilizada até mesmo em centros de baixa complexidade como as Unidades Básicas de Saúde, contanto que seja feito um treinamento mínimo.
Além de Martins, participaram do estudo pesquisadores da Noruega, Austrália e Inglaterra. O grupo avaliou 16 ensaios randômicos – que totalizavam 820 pacientes – comparando à aplicação de um placebo a eficácia do laser de baixa potência para tratamento da dor cervical.
Os dados mostraram que, na maioria dos casos, a terapia reduziu a dor imediatamente após o tratamento da dor cervical aguda e em até 22 semanas depois do início do tratamento em pacientes com dor cervical crônica.
O artigo na The Lancet, segundo Martins, não é uma revisão simples da literatura sobre a terapia com laser de baixa potência. Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise de estudos clínicos considerados de alto padrão. Por conta disso, o estudo fornece aos médicos um suporte decisivo para utilização clínica.
“Demonstramos que todos esses estudos efetivamente comprovam que a terapia funciona. Para isso, usamos um procedimento sistemático de revisão de artigos, descartando os que não se encaixavam em padrões rigorosos. Era preciso ter escolha aleatória de pacientes e comparação com um grupo de placebo, por exemplo, para que cada estudo fosse aceitável”, explicou.
Uma vez selecionados os artigos, os autores realizaram testes estatísticos a fim de garantir a homogeneidade das amostras utilizadas nos estudos clínicos de base. “Comprovando a homogeneidade de diversos estudos, pudemos somar o número de voluntários em cada um deles para avaliar a probabilidade de eficácia da terapia. Com isso, ganhamos um poder estatístico de evidência muito grande”, afirmou Martins.
Agência FAPESP – Um estudo realizado por um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, demonstrou que a terapia com laser de baixa potência é altamente eficaz para o tratamento de dores de pescoço causadas por lesão muscular.
A pesquisa, que foi publicada no site da revista médica The Lancet – e sairá em breve na edição impressa –, consistiu em uma revisão sistemática e uma metanálise de 16 ensaios controlados realizados com mais de 800 pacientes.
De acordo com um dos autores, Rodrigo Lopes Martins, do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), o laser de baixa potência é uma terapia não invasiva que, por não causar dor ou efeitos colaterais, pode ser uma boa alternativa para substituir os tratamentos com drogas anti-inflamatórias.
“No estudo, trabalhamos especificamente com a dor cervical, mas os dados obtidos indicam que a terapia é clinicamente eficaz para o tratamento de qualquer dor miofascial – isto é, decorrente de lesões musculares causadas por traumas”, disse à Agência FAPESP.
Para dar continuidade às pesquisas que geraram o artigo, Martins, que é chefe do Laboratório de Farmacologia e Terapêutica Experimental do ICB, recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. O projeto, intitulado “Efeito da terapia laser de baixa potência na lesão muscular induzida por estiramento passivo em ratos”, teve início em setembro.
Segundo Martins, a comprovação da eficácia do laser de baixa potência no tratamento de dores musculares é um passo importante para que a terapia seja adotada, no futuro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), substituindo o uso de fármacos e resultando em uma considerável economia.
“Só com o tratamento dos efeitos adversos causados pelas drogas anti-inflamatórias, os Estados Unidos gastam mais de US$ 25 bilhões ao ano, de acordo com dados divulgados em 2004. A adoção em grande escala de uma terapia sem esses efeitos colaterais seria uma economia imensa”, afirmou.
Martins explica que, apesar da comprovação da eficácia da terapia, ainda há dúvidas sobre o mecanismo de ação do laser de baixa potência, embora existam cerca de 5 mil artigos sobre o assunto na literatura científica internacional.
“Ainda não desvendamos o mecanismo de ação e estamos investindo muito nisso. No entanto, o uso clínico vem sendo feito há alguns anos, em especial na área de odontologia, além de ortopedia e fisioterapia. Mesmo assim, acreditamos que, com a comprovação da eficácia da terapia, ela poderá ter seu uso expandido, inclusive sendo adotada pelo SUS”, disse Martins, que é secretário científico da Associação Mundial de Terapia Laser.
O investimento no equipamento, explica, é feito uma única vez – diferentemente do que ocorre com os medicamentos – e a terapia pode ser utilizada até mesmo em centros de baixa complexidade como as Unidades Básicas de Saúde, contanto que seja feito um treinamento mínimo.
Além de Martins, participaram do estudo pesquisadores da Noruega, Austrália e Inglaterra. O grupo avaliou 16 ensaios randômicos – que totalizavam 820 pacientes – comparando à aplicação de um placebo a eficácia do laser de baixa potência para tratamento da dor cervical.
Os dados mostraram que, na maioria dos casos, a terapia reduziu a dor imediatamente após o tratamento da dor cervical aguda e em até 22 semanas depois do início do tratamento em pacientes com dor cervical crônica.
O artigo na The Lancet, segundo Martins, não é uma revisão simples da literatura sobre a terapia com laser de baixa potência. Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise de estudos clínicos considerados de alto padrão. Por conta disso, o estudo fornece aos médicos um suporte decisivo para utilização clínica.
“Demonstramos que todos esses estudos efetivamente comprovam que a terapia funciona. Para isso, usamos um procedimento sistemático de revisão de artigos, descartando os que não se encaixavam em padrões rigorosos. Era preciso ter escolha aleatória de pacientes e comparação com um grupo de placebo, por exemplo, para que cada estudo fosse aceitável”, explicou.
Uma vez selecionados os artigos, os autores realizaram testes estatísticos a fim de garantir a homogeneidade das amostras utilizadas nos estudos clínicos de base. “Comprovando a homogeneidade de diversos estudos, pudemos somar o número de voluntários em cada um deles para avaliar a probabilidade de eficácia da terapia. Com isso, ganhamos um poder estatístico de evidência muito grande”, afirmou Martins.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Protetor do câncer do fígado
Agência FAPESP – Um grupo formado por pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos descobriu um mecanismo que atua na prevenção de problemas no fígado, como inflamações, fibrose ou câncer. O estudo será publicado em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
O mecanismo se baseia em uma determinada proteína, denominada TAK1, que seria um “regulador mestre” da função hepática. “Compreender melhor o papel da TAK1 nas doenças do fígado e no câncer poderá nos ajudar a desenvolver novas estratégicas terapêuticas”, disse David Brenner, diretor da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos autores do trabalho.
A TAK1 é uma cínase (ou quinase), um tipo de enzima de sinalização envolvida em diversas atividades celulares, entre as quais o próprio crescimento das células.
A TAK1 ativa duas proteínas específicas, NF-kappaB e JNK. A primeira ajuda a proteger células do fígado do desenvolvimento do câncer e da morte celular. Por outro lado, a JNK promove os dois processos.
Até então, não se sabia se a TAK1 promovia ou ajudaria a evitar o desenvolvimento do câncer de fígado. Brenner e colegas desenvolveram um modelo em camundongos no qual as células do fígado não tinham o gene Tak1, responsável pela produção da proteína TAK1.
Nos experimentos seguintes, eles observaram uma alta taxa de morte de células do fígado em animais jovens que não tinham a proteína. Os fígados dos camundongos modificados entraram em pane, produzindo células demais e causando danos: inflamação, fibrose e, eventualmente, câncer.
“Nosso estudo é o primeiro a demonstrar o papel da TAK1 no desenvolvimento do câncer e indica fortemente que essa proteína também contribui para a manifestação de tumores em outros órgãos”, disse o japonês Ekihiro Seki, atualmente na Universidade da Califórnia na equipe de Brenner.
Outra conquista da pesquisa é o próprio modelo animal desenvolvido, que sustentou inflamação e fibrose, pontos importantes no desenvolvimento de câncer de fígado em humanos. O modelo, apontam, será útil para investigar se a fibrose influencia o câncer no fígado.
“Também podemos usar o modelo para testar se uma droga ou uma terapia potencial contra o câncer atua na fibrose, no câncer ou nos dois. O estudo abre um novo potencial terapêutico que tem como alvo o estudo da expressão da TAK1”, disse Seki.
O artigo Disruption of TAK1 in hepatocytes causes hepatic injury, inflammation, fibrosis, and carcinogenesis, de David Brenner e outros, poderá ser lido em breve em www.pnas.org.
O mecanismo se baseia em uma determinada proteína, denominada TAK1, que seria um “regulador mestre” da função hepática. “Compreender melhor o papel da TAK1 nas doenças do fígado e no câncer poderá nos ajudar a desenvolver novas estratégicas terapêuticas”, disse David Brenner, diretor da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos autores do trabalho.
A TAK1 é uma cínase (ou quinase), um tipo de enzima de sinalização envolvida em diversas atividades celulares, entre as quais o próprio crescimento das células.
A TAK1 ativa duas proteínas específicas, NF-kappaB e JNK. A primeira ajuda a proteger células do fígado do desenvolvimento do câncer e da morte celular. Por outro lado, a JNK promove os dois processos.
Até então, não se sabia se a TAK1 promovia ou ajudaria a evitar o desenvolvimento do câncer de fígado. Brenner e colegas desenvolveram um modelo em camundongos no qual as células do fígado não tinham o gene Tak1, responsável pela produção da proteína TAK1.
Nos experimentos seguintes, eles observaram uma alta taxa de morte de células do fígado em animais jovens que não tinham a proteína. Os fígados dos camundongos modificados entraram em pane, produzindo células demais e causando danos: inflamação, fibrose e, eventualmente, câncer.
“Nosso estudo é o primeiro a demonstrar o papel da TAK1 no desenvolvimento do câncer e indica fortemente que essa proteína também contribui para a manifestação de tumores em outros órgãos”, disse o japonês Ekihiro Seki, atualmente na Universidade da Califórnia na equipe de Brenner.
Outra conquista da pesquisa é o próprio modelo animal desenvolvido, que sustentou inflamação e fibrose, pontos importantes no desenvolvimento de câncer de fígado em humanos. O modelo, apontam, será útil para investigar se a fibrose influencia o câncer no fígado.
“Também podemos usar o modelo para testar se uma droga ou uma terapia potencial contra o câncer atua na fibrose, no câncer ou nos dois. O estudo abre um novo potencial terapêutico que tem como alvo o estudo da expressão da TAK1”, disse Seki.
O artigo Disruption of TAK1 in hepatocytes causes hepatic injury, inflammation, fibrosis, and carcinogenesis, de David Brenner e outros, poderá ser lido em breve em www.pnas.org.
Polónia - Anti-Gripal, Anti-biótico e Anti-Corrupção: Ministra da Saúde Ewa Kopacz
A antiga médica de família e actual Ministra da Saúde da Polónia, a Sra Ewa Kopacz, viu-se, no dia 5 de Novembro, confrontada com protestos da oposição a propósito da demora do governo em adquirir as vacinas necessárias para proteger a população contra a gripe A.
O recente surto da doença na vizinha Ucrânia levou o antigo Ministro da Saúde a pedir celeridade na aquisição das vacinas, mas encontrou pela frente uma forte resistência na figura da, mais prudente, actual detentora do cargo.
A polémica tornou-se no principal assunto do país e levou o programa televisivo Teraz My, do mais visto canal da Polónia, a TVN, a fazer um especial sobre toda esta questão. Entre outros factos menos conhecidos da maioria do público europeu, o programa abordou o incidente da Baxter e também a curiosidade de 2/3 dos fundos da Agência Médica Europeia, que apela à vacinação, virem da indústria farmacêutica.
http://www.youtube.com/watch?v=RhZesZe33cw
Sem mais comentários, da sessão parlamentar do dia 5 publicamos a transcrição da intervenção da Sra Kopacz -- a primeira política a adoptar publicamente uma posição de cautela face à aquisição de vacinas e à sua administração (ver vídeo acima):
"Gostaria de dizer que a minha prioridade durante os 20 anos em que pratiquei medicina foi: "Antes de tudo, não faças mal". E trouxe essa regra comigo para o Ministério da Saúde. Numa situação em que tivesse que receitar medicação a alguém, como acredito que qualquer outro médico faria, eu perguntava-me: daria eu isto à minha mãe? ou à minha criança?
"E esse exacto pensamento fez-me tomar a precaução de verificar duplamente a informação acerca de uma medicação que pode vir a ser recomendada a todos os polacos - a milhões de polacos que não têm a educação médica que um Ministro tem; e que um especialista - o professor Brydak - tem, um especialista que trabalha em gripes desde há 40 anos.
"Ele trabalha num dos 189 centros de pesquisa de gripe que existem no mundo, um deles na Polónia. Podemos hoje ser acusados de falta de conhecimento acerca da gripe? Pode uma pessoa questionar a opinião de um professor que trabalha com gripes desde há 40 anos, e não apenas em um tipo de gripe, e que publicou centenas de artigos sobre a matéria?
"Coloco apenas uma questão fundamental: queremos combater a pandemia da gripe?
"Hoje temos conhecimento acerca de cláusulas nos acordos que muitos outros governos de países ricos assinaram com os produtores de vacinas. [1]
Sabemos também o que foi proposto à Polónia.
Devido às negociações, que ainda decorrem, não posso dizer tudo hoje, mas posso dizer o seguinte: o nosso departamento jurídico encontrou pelo menos 20 pontos que levantam dúvidas no acordo.
"Qual é, então, o dever da Ministra da Saúde? Assinar acordos no melhor interesse do povo polaco, ou assinar acordos no melhor interesse das companhias farmacêuticas?
"Sei que hoje existem três vacinas disponíveis no mercado, de três produtores diferentes. Cada uma tem uma quantidade diferente de substância activa e, no entanto, elas são estranhamente tratadas da mesma maneira?
"Assim sendo, é legítimo que a Ministra da Saúde e os especialistas tenham dúvidas acerca dela.
"Talvez a que tem tal quantidade de substância activa seja a "água benta" que, supomos, talvez possa curar a gripe? É suposto pagarmos por isso?
"Temos o exemplo da Alemanha que comprou 50 milhões de doses e só 10% foram administradas até agora. 13% dos alemães querem tomar hoje esta "cura milagrosa".
Mas é peculiar porque os alemães têm uma grande percentagem de toma de vacinas, assim enquanto na Polónia por cada mil habitantes apenas 52 tomam a vacina da gripe sazonal (5,2%), na Alemanha há 238 pessoas em cada mil a fazer o mesmo (23%).
Então, porque é que apenas 13% dos alemães querem tomar a vacina da gripe A contra os 23% que tomam a da gripe sazonal?
O governo alemão comprou as vacinas e ofereceu-as e eles não as querem tomar? O que se passou?
"Podem estes factos fazer-nos ter segundos pensamentos sobre a compra destas vacinas, ou não? Segundos pensamentos sobre introduzir um medicamento que é meio secreto?
"Existem websites nos quais os produtores de vacinas têm a obrigação de publicar os, assim chamados, efeitos secundários indesejados pós-vacinação.
A vacinação na Europa começou a 1 de Outubro de 2009.
Convido-vos a visitarem qualquer um desses websites e a encontrarem um qualquer efeito secundário. A mais pequena coisa, apenas uma, nem que seja uma pequena alergia na pele. Isso pode acontecer até usando o mais seguro dos remédios.
"Não existe nenhum nesses websites. Um remédio "perfeito".
"E já que é tão miraculoso, então porque é que a companhia produtora não quer introduzir o seu produto no mercado livre e acarretar com a responsabilidade de fazê-lo? Porque não dizem, "Fantástico remédio, e seguro também, tomo responsabilidade por ele, coloco-o no mercado e é tudo claro e transparente", em vez de depositarem esse peso em nós - os compradores?
"Não temos resultados dos testes clínicos, não temos informação detalhada sobre os ingredientes ou os efeitos secundários. As vacinas estão agora na quarta fase de testes, testes muito curtos, e continuamos a não ter esta informação. Além disso a amostra tem sido muito pequena, um tipo de vacina foi testado em apenas 160 voluntários com idades entre os 20 e os 60 anos, todos saudáveis, nenhum infectado.
Outro tipo de vacina foi testado em 600 voluntários com idades entre os 18 e os 60 anos, todos saudáveis. Será isto o suficiente, especialmente para os médicos presentes nesta câmara? Não é o suficiente para mim.
"Quero ter a certeza suficiente para recomendar esta vacina. Não estamos fora de tempo no que respeita à vacina, durante as negociações queremos usar esse tempo para sabermos tudo o que pudermos acerca dela.
Se depois disso o comité para a pandemia aceitar a vacina então comprá-la-emos.
"Há, para além disso, mil milhões de pessoas por ano a contrair a gripe sazonal em todo o mundo, e um milhão dessas pessoas morre em consequência dessa gripe. E isto não é de há um ou dois anos, mas de há muito mais tempo.
Alguém em algum lado declarou uma pandemia por causa da gripe sazonal? E a gripe sazonal é muito mais perigosa do que a gripe A, chegando a provocar a morte e complicações severas.
E houve alguma declaração de pandemia?
"Aos que me pressionam para comprar a vacina, pergunto-vos: Porque não fizeram barulho no ano passado, há dois anos e em 2003? Em 2003 um milhão e duzentos mil polacos apanharam a gripe sazonal!
Alguém aqui nesta câmara gritou, "vamos comprar vacinas para toda a gente!"? Não me recordo de tal coisa.
"Finalmente gostava de dizer apenas mais uma coisa: A nação polaca é muito perspicaz, os polacos sabem distinguir uma verdade de uma mentira com precisão. E também sabem dizer o que é uma situação objectiva e o que é apenas um jogo."
---
Esta trancrição foi traduzida do inglês e posteriormente revista a partir do original, em polaco - cortesia do padre Ricardo, a quem deixamos o nosso agradecimento.
Notas:
[1] Em referência aos acordos estabelecidos por alguns governos europeus, e também pelo governo americano, que ilibam os produtores de vacinas de quaisquer responsabilidades por quaisquer efeitos secundários adversos que possam vir a surgir na população em consequência da sua toma.
Fonte: http://gripeh1n1.ning.com/profiles/blogs/polonia-antigripal
O recente surto da doença na vizinha Ucrânia levou o antigo Ministro da Saúde a pedir celeridade na aquisição das vacinas, mas encontrou pela frente uma forte resistência na figura da, mais prudente, actual detentora do cargo.
A polémica tornou-se no principal assunto do país e levou o programa televisivo Teraz My, do mais visto canal da Polónia, a TVN, a fazer um especial sobre toda esta questão. Entre outros factos menos conhecidos da maioria do público europeu, o programa abordou o incidente da Baxter e também a curiosidade de 2/3 dos fundos da Agência Médica Europeia, que apela à vacinação, virem da indústria farmacêutica.
http://www.youtube.com/watch?v=RhZesZe33cw
Sem mais comentários, da sessão parlamentar do dia 5 publicamos a transcrição da intervenção da Sra Kopacz -- a primeira política a adoptar publicamente uma posição de cautela face à aquisição de vacinas e à sua administração (ver vídeo acima):
"Gostaria de dizer que a minha prioridade durante os 20 anos em que pratiquei medicina foi: "Antes de tudo, não faças mal". E trouxe essa regra comigo para o Ministério da Saúde. Numa situação em que tivesse que receitar medicação a alguém, como acredito que qualquer outro médico faria, eu perguntava-me: daria eu isto à minha mãe? ou à minha criança?
"E esse exacto pensamento fez-me tomar a precaução de verificar duplamente a informação acerca de uma medicação que pode vir a ser recomendada a todos os polacos - a milhões de polacos que não têm a educação médica que um Ministro tem; e que um especialista - o professor Brydak - tem, um especialista que trabalha em gripes desde há 40 anos.
"Ele trabalha num dos 189 centros de pesquisa de gripe que existem no mundo, um deles na Polónia. Podemos hoje ser acusados de falta de conhecimento acerca da gripe? Pode uma pessoa questionar a opinião de um professor que trabalha com gripes desde há 40 anos, e não apenas em um tipo de gripe, e que publicou centenas de artigos sobre a matéria?
"Coloco apenas uma questão fundamental: queremos combater a pandemia da gripe?
"Hoje temos conhecimento acerca de cláusulas nos acordos que muitos outros governos de países ricos assinaram com os produtores de vacinas. [1]
Sabemos também o que foi proposto à Polónia.
Devido às negociações, que ainda decorrem, não posso dizer tudo hoje, mas posso dizer o seguinte: o nosso departamento jurídico encontrou pelo menos 20 pontos que levantam dúvidas no acordo.
"Qual é, então, o dever da Ministra da Saúde? Assinar acordos no melhor interesse do povo polaco, ou assinar acordos no melhor interesse das companhias farmacêuticas?
"Sei que hoje existem três vacinas disponíveis no mercado, de três produtores diferentes. Cada uma tem uma quantidade diferente de substância activa e, no entanto, elas são estranhamente tratadas da mesma maneira?
"Assim sendo, é legítimo que a Ministra da Saúde e os especialistas tenham dúvidas acerca dela.
"Talvez a que tem tal quantidade de substância activa seja a "água benta" que, supomos, talvez possa curar a gripe? É suposto pagarmos por isso?
"Temos o exemplo da Alemanha que comprou 50 milhões de doses e só 10% foram administradas até agora. 13% dos alemães querem tomar hoje esta "cura milagrosa".
Mas é peculiar porque os alemães têm uma grande percentagem de toma de vacinas, assim enquanto na Polónia por cada mil habitantes apenas 52 tomam a vacina da gripe sazonal (5,2%), na Alemanha há 238 pessoas em cada mil a fazer o mesmo (23%).
Então, porque é que apenas 13% dos alemães querem tomar a vacina da gripe A contra os 23% que tomam a da gripe sazonal?
O governo alemão comprou as vacinas e ofereceu-as e eles não as querem tomar? O que se passou?
"Podem estes factos fazer-nos ter segundos pensamentos sobre a compra destas vacinas, ou não? Segundos pensamentos sobre introduzir um medicamento que é meio secreto?
"Existem websites nos quais os produtores de vacinas têm a obrigação de publicar os, assim chamados, efeitos secundários indesejados pós-vacinação.
A vacinação na Europa começou a 1 de Outubro de 2009.
Convido-vos a visitarem qualquer um desses websites e a encontrarem um qualquer efeito secundário. A mais pequena coisa, apenas uma, nem que seja uma pequena alergia na pele. Isso pode acontecer até usando o mais seguro dos remédios.
"Não existe nenhum nesses websites. Um remédio "perfeito".
"E já que é tão miraculoso, então porque é que a companhia produtora não quer introduzir o seu produto no mercado livre e acarretar com a responsabilidade de fazê-lo? Porque não dizem, "Fantástico remédio, e seguro também, tomo responsabilidade por ele, coloco-o no mercado e é tudo claro e transparente", em vez de depositarem esse peso em nós - os compradores?
"Não temos resultados dos testes clínicos, não temos informação detalhada sobre os ingredientes ou os efeitos secundários. As vacinas estão agora na quarta fase de testes, testes muito curtos, e continuamos a não ter esta informação. Além disso a amostra tem sido muito pequena, um tipo de vacina foi testado em apenas 160 voluntários com idades entre os 20 e os 60 anos, todos saudáveis, nenhum infectado.
Outro tipo de vacina foi testado em 600 voluntários com idades entre os 18 e os 60 anos, todos saudáveis. Será isto o suficiente, especialmente para os médicos presentes nesta câmara? Não é o suficiente para mim.
"Quero ter a certeza suficiente para recomendar esta vacina. Não estamos fora de tempo no que respeita à vacina, durante as negociações queremos usar esse tempo para sabermos tudo o que pudermos acerca dela.
Se depois disso o comité para a pandemia aceitar a vacina então comprá-la-emos.
"Há, para além disso, mil milhões de pessoas por ano a contrair a gripe sazonal em todo o mundo, e um milhão dessas pessoas morre em consequência dessa gripe. E isto não é de há um ou dois anos, mas de há muito mais tempo.
Alguém em algum lado declarou uma pandemia por causa da gripe sazonal? E a gripe sazonal é muito mais perigosa do que a gripe A, chegando a provocar a morte e complicações severas.
E houve alguma declaração de pandemia?
"Aos que me pressionam para comprar a vacina, pergunto-vos: Porque não fizeram barulho no ano passado, há dois anos e em 2003? Em 2003 um milhão e duzentos mil polacos apanharam a gripe sazonal!
Alguém aqui nesta câmara gritou, "vamos comprar vacinas para toda a gente!"? Não me recordo de tal coisa.
"Finalmente gostava de dizer apenas mais uma coisa: A nação polaca é muito perspicaz, os polacos sabem distinguir uma verdade de uma mentira com precisão. E também sabem dizer o que é uma situação objectiva e o que é apenas um jogo."
---
Esta trancrição foi traduzida do inglês e posteriormente revista a partir do original, em polaco - cortesia do padre Ricardo, a quem deixamos o nosso agradecimento.
Notas:
[1] Em referência aos acordos estabelecidos por alguns governos europeus, e também pelo governo americano, que ilibam os produtores de vacinas de quaisquer responsabilidades por quaisquer efeitos secundários adversos que possam vir a surgir na população em consequência da sua toma.
Fonte: http://gripeh1n1.ning.com/profiles/blogs/polonia-antigripal
A limpeza é muito mais útil do que a Banca
As empregadas de limpeza dos hospitais são muito mais úteis à sociedade do que, por exemplo, os banqueiros ou gestores, e por isso deveriam ter salários equiparados aos benefícios que trazem, afirma um estudo elaborado pela New Economics Foundation no Reino Unido.
As funcionárias de limpeza criam uma riqueza de 11 euros por cada euro que ganham, ao passo que os banqueiros destroem 7,7 euros por cada euro que ganham.
As funcionárias de limpeza criam uma riqueza de 11 euros por cada euro que ganham, ao passo que os banqueiros destroem 7,7 euros por cada euro que ganham.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Novo método ajuda a diagnosticar depressão pós-parto
Um novo método, desenvolvido por pesquisadores espanhóis, promete identificar precocemente até 80% dos casos de depressão pós-parto, aumentando as chances de sucesso do tratamento e diminuindo o impacto do distúrbio na mulher e em toda a família.
O diagnóstico precoce deste tipo de depressão é essencial não só para evitar um quadro mais sério do distúrbio, mas também para evitar que mulheres no grupo de risco desenvolvam a depressão pós-parto - explica o médico Salvador Tortajada, coordenador do estudo que está disponível na revista "Methods of Information in Medicine".
Os pesquisadores avaliaram o histórico de 1,397 mulheres que tiveram filhos entre dezembro de 2003 e outubro de 2004 em sete hospitais da Espanha. Com base nos dados, criaram um modelo de avaliação que ajuda a prever, com 80% de acerto, que mães estão mais vulneráveis à depressão nas quatro primeiras semanas após o parto.
Segundo Tortajada, o teste mede a intensidade de fatores de risco como a falta de um grupo de apoio, o histórico de problemas psiquiátricos na família, a quantidade e a intensidade das oscilações emocionais durante a gravidez, uma tendência a comportamentos neuróticos e variações na taxa de serotonina. Outros fatores já conhecidos que podem aumentar as chances da depressão são os problemas financeiros, desemprego na família, parto prematuro, parto difícil, ter perdido a própria mãe e já ter tido um ou mais episódios depressivos na vida.
Já fatores de proteção incluem a idade com que a mulher teve o primeiro filho e se a mulher continuou trabalhando até o fim da gravidez, pois quanto mais velha a mulher, menor o risco de depressão e o trabalho parece ter efeito protetor contra a depressão. A avaliação deve ser feita pelo obstetra, durante a gravidez, para identificar a chance do distúrbio e indicar o tratamento adequado.
Atualmente, vários testes ajudam a identificar quais mulheres correm mais risco de ter a depressão pós-parto. Os testes são importantes, já que até 80% das novas mães sofrem algum tipo de tristeza após o nascimento do bebê, também conhecida como tristeza materna ou baby blues, cujos sintomas mais comuns são tristeza constante, dificuldade para dormir, ansiedade e irritabilidade, sensação de exaustão, sensação de culpa, falta de vontade de sair de casa e socializar-se, ansiedade excessiva por causa do bebê e sensação de não reconhecer o próprio filho.
Fonte: O Globo
O diagnóstico precoce deste tipo de depressão é essencial não só para evitar um quadro mais sério do distúrbio, mas também para evitar que mulheres no grupo de risco desenvolvam a depressão pós-parto - explica o médico Salvador Tortajada, coordenador do estudo que está disponível na revista "Methods of Information in Medicine".
Os pesquisadores avaliaram o histórico de 1,397 mulheres que tiveram filhos entre dezembro de 2003 e outubro de 2004 em sete hospitais da Espanha. Com base nos dados, criaram um modelo de avaliação que ajuda a prever, com 80% de acerto, que mães estão mais vulneráveis à depressão nas quatro primeiras semanas após o parto.
Segundo Tortajada, o teste mede a intensidade de fatores de risco como a falta de um grupo de apoio, o histórico de problemas psiquiátricos na família, a quantidade e a intensidade das oscilações emocionais durante a gravidez, uma tendência a comportamentos neuróticos e variações na taxa de serotonina. Outros fatores já conhecidos que podem aumentar as chances da depressão são os problemas financeiros, desemprego na família, parto prematuro, parto difícil, ter perdido a própria mãe e já ter tido um ou mais episódios depressivos na vida.
Já fatores de proteção incluem a idade com que a mulher teve o primeiro filho e se a mulher continuou trabalhando até o fim da gravidez, pois quanto mais velha a mulher, menor o risco de depressão e o trabalho parece ter efeito protetor contra a depressão. A avaliação deve ser feita pelo obstetra, durante a gravidez, para identificar a chance do distúrbio e indicar o tratamento adequado.
Atualmente, vários testes ajudam a identificar quais mulheres correm mais risco de ter a depressão pós-parto. Os testes são importantes, já que até 80% das novas mães sofrem algum tipo de tristeza após o nascimento do bebê, também conhecida como tristeza materna ou baby blues, cujos sintomas mais comuns são tristeza constante, dificuldade para dormir, ansiedade e irritabilidade, sensação de exaustão, sensação de culpa, falta de vontade de sair de casa e socializar-se, ansiedade excessiva por causa do bebê e sensação de não reconhecer o próprio filho.
Fonte: O Globo
Negros podem ter tipo mais agressivo de câncer de pele
O câncer de pele é o câncer de maior incidência no Brasil, segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O seu tipo mais grave, o melanoma, mata milhares de pessoas por ano. Trata-se do tipo de câncer mais comum no homem e é o terceiro na mulher.
E, atualmente, um falso mito sobre a doença vem sendo derrubado. Segundo a dermatologista Daniela Schmidt Pimentel, embora com uma incidência muito menor, ao contrário do que muitos imaginam, o câncer de pele também se manifesta em pessoas da raça negra, que costumam apresentar com maior frequência do que os brancos um tipo mais agressivo de câncer, chamado melanoma acral, que acomete as extremidades do corpo como mãos e pés.
O maior problema nos melanomas, de acordo com a Dra. Daniela é a falta do diagnóstico precoce, uma vez que nem sempre o tratamento radio, quimio ou imunoterápico são efetivos. O diagnóstico precoce por meio da dermatoscopia e o mapeamento corporal das lesões pigmentadas, além da cirurgia feita de modo correto e precoce ainda são as melhores armas contra a doença.
E, atualmente, um falso mito sobre a doença vem sendo derrubado. Segundo a dermatologista Daniela Schmidt Pimentel, embora com uma incidência muito menor, ao contrário do que muitos imaginam, o câncer de pele também se manifesta em pessoas da raça negra, que costumam apresentar com maior frequência do que os brancos um tipo mais agressivo de câncer, chamado melanoma acral, que acomete as extremidades do corpo como mãos e pés.
O maior problema nos melanomas, de acordo com a Dra. Daniela é a falta do diagnóstico precoce, uma vez que nem sempre o tratamento radio, quimio ou imunoterápico são efetivos. O diagnóstico precoce por meio da dermatoscopia e o mapeamento corporal das lesões pigmentadas, além da cirurgia feita de modo correto e precoce ainda são as melhores armas contra a doença.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Epidemia de “globesidade”
Agência FAPESP – Estima-se que um quinto da população mundial esteja com excesso de peso. Entre esses, há 300 milhões que são considerados obesos. Pior: esses números têm aumentado nas últimas décadas.
Essas informações abriram a palestra “Atualização da epidemia global de obesidade”, proferida pela professora Mary Schmidl, do Departamento de Nutrição e Ciência dos Alimentos da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. A apresentação fez parte da programação do 8º Simpósio Latino-Americano de Ciências de Alimentos, realizado no mês passado na Universidade Estadual de Campinas.
A pesquisadora levantou eventuais motivos para explicar o crescimento da epidemia em todo o mundo e quem seriam os responsáveis. “Inicialmente considerada um mal de países desenvolvidos, hoje a obesidade tem sido encontrada também nas nações em desenvolvimento, paradoxalmente ao lado da subnutrição”, disse.
“É uma doença que está em todas as faixas etárias, grupos éticos e classes sociais. Ela também atinge tanto homens como mulheres. Essa espécie de onipresença motivou a criação do termo ‘globesidade’ (globesity, em inglês)”, contou.
Segundo Mary não há um vilão único para a epidemia. A escalada da obesidade teria muitos responsáveis, como a indústria alimentícia, políticas públicas, escolas, restaurantes, comunidades, pais e os próprios indivíduos.
A pesquisadora apontou exemplos. A indústria e os comerciantes de alimentos estariam habituando os consumidores a porções cada vez maiores. Garrafas de refrigerante, hambúrgueres, pacotes de salgadinhos, caixas de cereais, entre outros produtos industrializados, têm aumentado de tamanho nos Estados Unidos desde a década de 1970.
O mesmo ocorreu com os restaurantes. “A porção recomendada de batatas fritas por pessoa é de cerca de seis unidades (palito) por dia e a porção que estamos servindo é essa”, disse ao apontar a foto de um prato com cerca de 500 gramas de fritas, comum nos restaurantes norte-americanos.
Os países em desenvolvimento, como o Brasil, não ficam de fora. Segundo a professora da Universidade de Minnesota, os países emergentes representam os mercados mais promissores para as indústrias de refrigerantes, por exemplo, cujas vendas se encontram estabilizadas nos países mais ricos.
Os governos também têm a sua parte de culpa. As políticas públicas teriam muito ainda a avançar. Uma ideia é sobretaxar alimentos menos saudáveis e estimular o consumo de vegetais. “Se o governo estipulasse um imposto de US$ 0,01 para cada onça (28,3 gramas) de refrigerante vendido, só na cidade de Nova York seriam arrecadados US$ 1,2 bilhão por ano”, disse.
A pesquisadora também coloca parte da responsabilidade nos próprios consumidores. Segundo ela, cada um teria que ter um compromisso com a sua saúde, não só procurando melhorar a qualidade e adequar a quantidade dos alimentos consumidos como também criar hábitos de fazer exercícios físicos.
“Precisamos dar cerca de 10 mil passos por dia. Parece muito, mas não é”, disse. Pelos mesmos motivos, as comunidades também são culpadas pelo sobrepeso de seus integrantes. Bairros, clubes, igrejas e outras associações deveriam estimular a prática de exercícios físicos de modo a auxiliar na criação de uma cultura saudável.
Os resultados das pesquisas feitas pela cientista também sugerem outras soluções, como fazer campanhas focadas nas crianças, que têm alto grau de influência sobre os pais.
Mary também propõe a rotulagem de alimentos explicitando a sua caloria e composição nutricional (o que já ocorre no Brasil) e a proibição das máquinas automáticas de guloseimas, que são mais comuns nos Estados Unidos. Para ela, essas máquinas deveriam vender somente água mineral, um produto cujo consumo, segundo ela, deveria ser mais incentivado de maneira geral.
Por Fábio Reynol
Essas informações abriram a palestra “Atualização da epidemia global de obesidade”, proferida pela professora Mary Schmidl, do Departamento de Nutrição e Ciência dos Alimentos da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. A apresentação fez parte da programação do 8º Simpósio Latino-Americano de Ciências de Alimentos, realizado no mês passado na Universidade Estadual de Campinas.
A pesquisadora levantou eventuais motivos para explicar o crescimento da epidemia em todo o mundo e quem seriam os responsáveis. “Inicialmente considerada um mal de países desenvolvidos, hoje a obesidade tem sido encontrada também nas nações em desenvolvimento, paradoxalmente ao lado da subnutrição”, disse.
“É uma doença que está em todas as faixas etárias, grupos éticos e classes sociais. Ela também atinge tanto homens como mulheres. Essa espécie de onipresença motivou a criação do termo ‘globesidade’ (globesity, em inglês)”, contou.
Segundo Mary não há um vilão único para a epidemia. A escalada da obesidade teria muitos responsáveis, como a indústria alimentícia, políticas públicas, escolas, restaurantes, comunidades, pais e os próprios indivíduos.
A pesquisadora apontou exemplos. A indústria e os comerciantes de alimentos estariam habituando os consumidores a porções cada vez maiores. Garrafas de refrigerante, hambúrgueres, pacotes de salgadinhos, caixas de cereais, entre outros produtos industrializados, têm aumentado de tamanho nos Estados Unidos desde a década de 1970.
O mesmo ocorreu com os restaurantes. “A porção recomendada de batatas fritas por pessoa é de cerca de seis unidades (palito) por dia e a porção que estamos servindo é essa”, disse ao apontar a foto de um prato com cerca de 500 gramas de fritas, comum nos restaurantes norte-americanos.
Os países em desenvolvimento, como o Brasil, não ficam de fora. Segundo a professora da Universidade de Minnesota, os países emergentes representam os mercados mais promissores para as indústrias de refrigerantes, por exemplo, cujas vendas se encontram estabilizadas nos países mais ricos.
Os governos também têm a sua parte de culpa. As políticas públicas teriam muito ainda a avançar. Uma ideia é sobretaxar alimentos menos saudáveis e estimular o consumo de vegetais. “Se o governo estipulasse um imposto de US$ 0,01 para cada onça (28,3 gramas) de refrigerante vendido, só na cidade de Nova York seriam arrecadados US$ 1,2 bilhão por ano”, disse.
A pesquisadora também coloca parte da responsabilidade nos próprios consumidores. Segundo ela, cada um teria que ter um compromisso com a sua saúde, não só procurando melhorar a qualidade e adequar a quantidade dos alimentos consumidos como também criar hábitos de fazer exercícios físicos.
“Precisamos dar cerca de 10 mil passos por dia. Parece muito, mas não é”, disse. Pelos mesmos motivos, as comunidades também são culpadas pelo sobrepeso de seus integrantes. Bairros, clubes, igrejas e outras associações deveriam estimular a prática de exercícios físicos de modo a auxiliar na criação de uma cultura saudável.
Os resultados das pesquisas feitas pela cientista também sugerem outras soluções, como fazer campanhas focadas nas crianças, que têm alto grau de influência sobre os pais.
Mary também propõe a rotulagem de alimentos explicitando a sua caloria e composição nutricional (o que já ocorre no Brasil) e a proibição das máquinas automáticas de guloseimas, que são mais comuns nos Estados Unidos. Para ela, essas máquinas deveriam vender somente água mineral, um produto cujo consumo, segundo ela, deveria ser mais incentivado de maneira geral.
Por Fábio Reynol
Câncer é mais comum em homens por causa do estilo de vida
Mais homens que mulheres fumam. Eles também exageram com mais frequência no consumo de álcool.
Médicos fazem um alerta: o estilo de vida pode ser o responsável pela maior incidência de câncer nos homens do que nas mulheres. O resultado está em uma pesquisa feita aqui no Brasil.
Segundo a pesquisa, a genética tem pouca influência. O determinante mesmo é o estilo de vida. Os homens se expõem mais a riscos para a saúde. E quando ficam doentes, demoram para procurar um médico.
O agricultor Amauri dos Santos, de 64 anos, nunca tinha entrado em um consultório médico. A primeira vez que precisou passar por uma consulta, recebeu um diagnóstico preocupante: câncer. “Eu vou tratar, se Deus quiser dá jeito”, diz Amauri.
Uma pesquisa do Inca, o Instituto Nacional do Câncer, mostra que os homens têm 77% mais risco de desenvolver um câncer do que as mulheres. No estudo, pesquisadores não conseguiram identificar nenhum aspecto biológico para essa diferença. Os médicos suspeitam, então, que a maior incidência de câncer no sexo masculino se deve ao estilo de vida, os homens se cuidam menos e se expõem mais aos fatores de risco.
Segundo a pesquisa, o número de homens que fumam é quase três vezes maiores que o de mulheres. Eles também exageram com mais frequência no consumo de bebidas alcoólicas e nas porções de carnes vermelhas e alimentos gordurosos. Pior, dão menos importância às orientações médicas, inclusive, a de fazer exame de sangue e de toque retal a partir dos 45 anos para prevenir o câncer de próstata.
“É ignorante, nós homens somos meio ignorantes para isso”, reconhece o agricultor Luís Carlos de Assis.
Na luta contra o preconceito, equipes do Hospital de Câncer de Barretos rodam o país. Setenta por cento dos pacientes com câncer de próstata diagnosticados fora do hospital nunca tinham procurado um médico antes.
“Quando o paciente, que foi fazer o exame de sangue, que foi fazer o toque, chega para nós com o tumor pequeno, ou seja, no estágio inicial, para nós é muito melhor e para o paciente também. Nós conseguimos oferecer a ele, inclusive, chance de cura”, justifica o médico urologista Elinei Faria.
O exame de seu Luís Carlos detectou um tumor inicial. As chances de tratamento são animadoras: “Noventa e cinco por cento de possibilidade de um sucesso absoluto pelo tratamento. Isso é ótimo, é excelente”, conclui o agricultor.
Os médicos ainda consideram o exame de toque a principal maneira de detectar precocemente o câncer de próstata. Alguns homens preferem fazer o exame de sangue, mas ele não é tão preciso.
Mas, como admitem os próprios pacientes o preconceito ainda é grande. A incidência da doença é maior no Sul e Sudeste, o câncer tem relação com o estresse.
Médicos fazem um alerta: o estilo de vida pode ser o responsável pela maior incidência de câncer nos homens do que nas mulheres. O resultado está em uma pesquisa feita aqui no Brasil.
Segundo a pesquisa, a genética tem pouca influência. O determinante mesmo é o estilo de vida. Os homens se expõem mais a riscos para a saúde. E quando ficam doentes, demoram para procurar um médico.
O agricultor Amauri dos Santos, de 64 anos, nunca tinha entrado em um consultório médico. A primeira vez que precisou passar por uma consulta, recebeu um diagnóstico preocupante: câncer. “Eu vou tratar, se Deus quiser dá jeito”, diz Amauri.
Uma pesquisa do Inca, o Instituto Nacional do Câncer, mostra que os homens têm 77% mais risco de desenvolver um câncer do que as mulheres. No estudo, pesquisadores não conseguiram identificar nenhum aspecto biológico para essa diferença. Os médicos suspeitam, então, que a maior incidência de câncer no sexo masculino se deve ao estilo de vida, os homens se cuidam menos e se expõem mais aos fatores de risco.
Segundo a pesquisa, o número de homens que fumam é quase três vezes maiores que o de mulheres. Eles também exageram com mais frequência no consumo de bebidas alcoólicas e nas porções de carnes vermelhas e alimentos gordurosos. Pior, dão menos importância às orientações médicas, inclusive, a de fazer exame de sangue e de toque retal a partir dos 45 anos para prevenir o câncer de próstata.
“É ignorante, nós homens somos meio ignorantes para isso”, reconhece o agricultor Luís Carlos de Assis.
Na luta contra o preconceito, equipes do Hospital de Câncer de Barretos rodam o país. Setenta por cento dos pacientes com câncer de próstata diagnosticados fora do hospital nunca tinham procurado um médico antes.
“Quando o paciente, que foi fazer o exame de sangue, que foi fazer o toque, chega para nós com o tumor pequeno, ou seja, no estágio inicial, para nós é muito melhor e para o paciente também. Nós conseguimos oferecer a ele, inclusive, chance de cura”, justifica o médico urologista Elinei Faria.
O exame de seu Luís Carlos detectou um tumor inicial. As chances de tratamento são animadoras: “Noventa e cinco por cento de possibilidade de um sucesso absoluto pelo tratamento. Isso é ótimo, é excelente”, conclui o agricultor.
Os médicos ainda consideram o exame de toque a principal maneira de detectar precocemente o câncer de próstata. Alguns homens preferem fazer o exame de sangue, mas ele não é tão preciso.
Mas, como admitem os próprios pacientes o preconceito ainda é grande. A incidência da doença é maior no Sul e Sudeste, o câncer tem relação com o estresse.
FUMANTE PASSIVO - O QUE É???
O fumante passivo é o indivíduo que não fuma, mas está exposto à fumaça de cigarros de parentes, amigos ou colegas de trabalho. O cigarro é o maior poluidor ambiental doméstico, segundo a Organização Mundial da Saúde. Como as pessoas passam 80% de seu tempo em locais fechados no trabalho, nas residências ou em locais de lazer há grande risco de exposição excessiva a esta fumaça.
Os efeitos nocivos de fumar ativamentesão conhecidos há muitas décadas. Atualmente se reconhece que os não fumantes têm muitas das doenças que os fumantes costumam apresentar, justamente por estarem expostos à fumaça do cigarro.
QUEM SÃO FUMANTES PASSIVOS?
As pessoas com maior risco de sofrerem as conseqüências do fumo passsivo são aquelas que moram com fumantes ou as que trabalham em ambientes em que é permitido fumar. O local de trabalho é a principal fonte de exposição à fumaça do cigarropara profissionais que não moram com fumantes, principalmente os que trabalham em restaurantes, bares, bingos, cassinos.
Estima-se que aproximadamente 700 milhões de crianças, ou seja, quase a metade das crianças de todo o mundo são fumantes passivas, principalmente devido ao hábito de fumar de seus pais.
CONSTITUINTES DA FUMAÇA DO CIGARRO
Na queima de um cigarro são liberadas mais de 4000 substâncias na forma de gases e partículas. Algumas têm propriedades irritativas e mais de 60 são conhecidas como carcinogênicas (que podem provocar câncer) em humanos e animais. Os componentes gasosos da fumaça são o monóxido de carbono (principal constituinte), o dióxido de carbono, a amônia, o formaldeído, a acroleína, a dimetilnitrosamina e o hidróxido de cianeto. A porção particulada da fumaça é constituída de nicotina, alcatrão, benzeno e benzopireno.
O fumante passivo fica exposto à fumaça do cigarro que é exalada pelo fumante e à fumaça da queima final do cigarro. A fumaça, exalada pelo fumante, é mais concentrada, contém maior umidade e mais substâncias voláteis, porém é menos tóxica do que a fumaça exalada do cigarro, produzida pela sua queima entre as tragadas ou quando este é abandonado ainda aceso, possui maior quantidade de compostos tóxicos como por exemplo, N-nitrosaminas, benzopirenos, monóxido de carbono, nicotina e metais pesados.
A quantidade de substâncias tóxicas absorvidas pelo fumante passivo depende da:
• duração da exposição;
• quantidade e qualidade de ventilação do ambiente;
• número de cigarros e de fumantes no local;
• qualidade do filtro de alcatrão do cigarro.
Causas do cigarro no fumante ativo e passivo
Recentemente uma pesquisa mostrou que a pessoa fumante passiva, ou seja, aquela que inala a fumaça causada por uma pessoa ativa, tem mais risco de sofrer doenças respiratórias, pulmonares, do que de fato o próprio fumante ativo.
Exames e pesquisas mostraram que o fumante passivo possui 30% de chances de ter algum tipo de doença causada pelo cigarro, já o ativo tem chances menores que são de10%. Bom você acredite ou não é verdade, onde quem infelizmente não fuma é obrigado a conviver ou dividir os mesmo espaços com pessoas fumantes, que além de autodestruírem sua saúde também causam riscos a terceiros. Mas em São Paulo o uso de cigarro em lugares coletivos, vias públicas, enfim foi estipulado como lei estadual, onde o criador da lei e Governador do estado José Serra em conjunto com câmera sancionaram essa lei, que visa diminuir o número de fumantes em lugares inapropriados e assim fazendo um bem para a saúde de quem não quer nem saber de cigarro.
Ser fumante passivo é inalar a fumaça do cigarro, cachimbo, charuto ou cigarrilha, apenas pelo simples ato de respirar; é poluir-se com a fumaça produzida pelo outro e jogada num ambiente partilhado por todos. Usa-se também o termo fumante involuntário ou fumante de segunda mão, com o mesmo significado. Entretanto, ser fumante passivo é, basicamente, ser uma pessoa com extrema dificuldade de expressar a sua vontade, de defender os seus direitos.
O próprio fumante ativo também é um fumante passivo quando está num ambiente fechado, ou seja, ele aspira involuntariamente a fumaça que acabou de expelir e aquela da ponta do seu próprio cigarro que queima. Esta fumaça chama-se poluição ambiental. Portanto, o fumante ativo deveria ser o primeiro a optar por fumar apenas ao ar livre.
As substâncias inaladas pelo fumante passivo permanecem em seu sangue por 48 horas.
Os efeitos nocivos de fumar ativamentesão conhecidos há muitas décadas. Atualmente se reconhece que os não fumantes têm muitas das doenças que os fumantes costumam apresentar, justamente por estarem expostos à fumaça do cigarro.
QUEM SÃO FUMANTES PASSIVOS?
As pessoas com maior risco de sofrerem as conseqüências do fumo passsivo são aquelas que moram com fumantes ou as que trabalham em ambientes em que é permitido fumar. O local de trabalho é a principal fonte de exposição à fumaça do cigarropara profissionais que não moram com fumantes, principalmente os que trabalham em restaurantes, bares, bingos, cassinos.
Estima-se que aproximadamente 700 milhões de crianças, ou seja, quase a metade das crianças de todo o mundo são fumantes passivas, principalmente devido ao hábito de fumar de seus pais.
CONSTITUINTES DA FUMAÇA DO CIGARRO
Na queima de um cigarro são liberadas mais de 4000 substâncias na forma de gases e partículas. Algumas têm propriedades irritativas e mais de 60 são conhecidas como carcinogênicas (que podem provocar câncer) em humanos e animais. Os componentes gasosos da fumaça são o monóxido de carbono (principal constituinte), o dióxido de carbono, a amônia, o formaldeído, a acroleína, a dimetilnitrosamina e o hidróxido de cianeto. A porção particulada da fumaça é constituída de nicotina, alcatrão, benzeno e benzopireno.
O fumante passivo fica exposto à fumaça do cigarro que é exalada pelo fumante e à fumaça da queima final do cigarro. A fumaça, exalada pelo fumante, é mais concentrada, contém maior umidade e mais substâncias voláteis, porém é menos tóxica do que a fumaça exalada do cigarro, produzida pela sua queima entre as tragadas ou quando este é abandonado ainda aceso, possui maior quantidade de compostos tóxicos como por exemplo, N-nitrosaminas, benzopirenos, monóxido de carbono, nicotina e metais pesados.
A quantidade de substâncias tóxicas absorvidas pelo fumante passivo depende da:
• duração da exposição;
• quantidade e qualidade de ventilação do ambiente;
• número de cigarros e de fumantes no local;
• qualidade do filtro de alcatrão do cigarro.
Causas do cigarro no fumante ativo e passivo
Recentemente uma pesquisa mostrou que a pessoa fumante passiva, ou seja, aquela que inala a fumaça causada por uma pessoa ativa, tem mais risco de sofrer doenças respiratórias, pulmonares, do que de fato o próprio fumante ativo.
Exames e pesquisas mostraram que o fumante passivo possui 30% de chances de ter algum tipo de doença causada pelo cigarro, já o ativo tem chances menores que são de10%. Bom você acredite ou não é verdade, onde quem infelizmente não fuma é obrigado a conviver ou dividir os mesmo espaços com pessoas fumantes, que além de autodestruírem sua saúde também causam riscos a terceiros. Mas em São Paulo o uso de cigarro em lugares coletivos, vias públicas, enfim foi estipulado como lei estadual, onde o criador da lei e Governador do estado José Serra em conjunto com câmera sancionaram essa lei, que visa diminuir o número de fumantes em lugares inapropriados e assim fazendo um bem para a saúde de quem não quer nem saber de cigarro.
Ser fumante passivo é inalar a fumaça do cigarro, cachimbo, charuto ou cigarrilha, apenas pelo simples ato de respirar; é poluir-se com a fumaça produzida pelo outro e jogada num ambiente partilhado por todos. Usa-se também o termo fumante involuntário ou fumante de segunda mão, com o mesmo significado. Entretanto, ser fumante passivo é, basicamente, ser uma pessoa com extrema dificuldade de expressar a sua vontade, de defender os seus direitos.
O próprio fumante ativo também é um fumante passivo quando está num ambiente fechado, ou seja, ele aspira involuntariamente a fumaça que acabou de expelir e aquela da ponta do seu próprio cigarro que queima. Esta fumaça chama-se poluição ambiental. Portanto, o fumante ativo deveria ser o primeiro a optar por fumar apenas ao ar livre.
As substâncias inaladas pelo fumante passivo permanecem em seu sangue por 48 horas.
Exercícios e câncer de próstata
Agência FAPESP – Apenas 15 minutos diários de exercícios físicos foram suficientes para reduzir a taxa de mortalidade em pacientes com câncer de próstata, aponta estudo apresentado em conferência da Associação de Fronteiras de Pesquisa em Câncer nos Estados Unidos, que decorreu em Houston.
“Identificamos benefícios com níveis de atividade facilmente atingíveis. Os resultados sugerem que homens com câncer de próstata deveriam fazer alguma atividade física para sua saúde”, disse Stacey Kenfield, da Escola de Saúde Pública Harvard, autora principal do estudo.
Os pesquisadores avaliaram os níveis de atividade física de 2.686 pacientes, tanto antes como depois de terem sido diagnosticados com câncer. Pacientes com diagnóstico de metástase não foram incluídos no estudo.
Homens que mantiveram três horas ou mais dos chamados equivalentes metabólicos por semana – que equivalem a correr, andar de bicicleta, nadar ou jogar tênis por meia hora por semana – apresentaram risco 35% menor de mortalidade geral do que os demais.
Com relação a caminhadas, os pesquisadores observaram que os pacientes que andaram mais de quatro horas por semana tiveram um risco 23% menor de mortalidade por qualquer causa quando comparados com os que andaram menos de 20 minutos por semana.
Não foi apenas o tempo: a velocidade também contou bastante. Aqueles que andaram mais de 90 minutos em um ritmo normal para acelerado apresentaram risco de morte 51% menor do que aqueles que andaram menos e em ritmo menos intenso.
Mas a caminhada não mostrou efeito específico na mortalidade por câncer de próstata. Entretanto, o cenário foi outro com exercícios mais vigorosos. Homens que mantiveram pelo menos cinco horas semanais de atividades físicas vigorosas tiveram redução no risco de mortalidade pela doença.
“Esse é o primeiro grande estudo populacional a examinar os exercícios em relação à mortalidade em sobreviventes de câncer de próstata. Não conhecemos os efeitos moleculares exatos que a atividade física tem sobre a doença, mas sabemos que os exercícios influenciam um número de hormônios que se estima estarem envolvidos com a doença, além de melhorar a função imunológica e reduzir inflamações”, disse Stacey.
“Como esses fatores atuam em conjunto para afetar o câncer de próstata do ponto de vista biológico é algo que ainda teremos que descobrir. Mas, por enquanto, os dados obtidos permitem indicar que cinco horas ou mais de exercícios vigorosos por semana podem diminuir a taxa de mortalidade devido à doença”, afirmou.
“Identificamos benefícios com níveis de atividade facilmente atingíveis. Os resultados sugerem que homens com câncer de próstata deveriam fazer alguma atividade física para sua saúde”, disse Stacey Kenfield, da Escola de Saúde Pública Harvard, autora principal do estudo.
Os pesquisadores avaliaram os níveis de atividade física de 2.686 pacientes, tanto antes como depois de terem sido diagnosticados com câncer. Pacientes com diagnóstico de metástase não foram incluídos no estudo.
Homens que mantiveram três horas ou mais dos chamados equivalentes metabólicos por semana – que equivalem a correr, andar de bicicleta, nadar ou jogar tênis por meia hora por semana – apresentaram risco 35% menor de mortalidade geral do que os demais.
Com relação a caminhadas, os pesquisadores observaram que os pacientes que andaram mais de quatro horas por semana tiveram um risco 23% menor de mortalidade por qualquer causa quando comparados com os que andaram menos de 20 minutos por semana.
Não foi apenas o tempo: a velocidade também contou bastante. Aqueles que andaram mais de 90 minutos em um ritmo normal para acelerado apresentaram risco de morte 51% menor do que aqueles que andaram menos e em ritmo menos intenso.
Mas a caminhada não mostrou efeito específico na mortalidade por câncer de próstata. Entretanto, o cenário foi outro com exercícios mais vigorosos. Homens que mantiveram pelo menos cinco horas semanais de atividades físicas vigorosas tiveram redução no risco de mortalidade pela doença.
“Esse é o primeiro grande estudo populacional a examinar os exercícios em relação à mortalidade em sobreviventes de câncer de próstata. Não conhecemos os efeitos moleculares exatos que a atividade física tem sobre a doença, mas sabemos que os exercícios influenciam um número de hormônios que se estima estarem envolvidos com a doença, além de melhorar a função imunológica e reduzir inflamações”, disse Stacey.
“Como esses fatores atuam em conjunto para afetar o câncer de próstata do ponto de vista biológico é algo que ainda teremos que descobrir. Mas, por enquanto, os dados obtidos permitem indicar que cinco horas ou mais de exercícios vigorosos por semana podem diminuir a taxa de mortalidade devido à doença”, afirmou.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Polónia - Anti-Gripal, Anti-biótico e Anti-Corrupção: Ministra da Saúde Ewa Kopacz
A antiga médica de família e actual Ministra da Saúde da Polónia, a Sra Ewa Kopacz, viu-se, no dia 5 de Novembro, confrontada com protestos da oposição a propósito da demora do governo em adquirir as vacinas necessárias para proteger a população contra a gripe A.
O recente surto da doença na vizinha Ucrânia levou o antigo Ministro da Saúde a pedir celeridade na aquisição das vacinas, mas encontrou pela frente uma forte resistência na figura da, mais prudente, actual detentora do cargo.
A polémica tornou-se no principal assunto do país e levou o programa televisivo Teraz My, do mais visto canal da Polónia, a TVN, a fazer um especial sobre toda esta questão. Entre outros factos menos conhecidos da maioria do público europeu, o programa abordou o incidente da Baxter e também a curiosidade de 2/3 dos fundos da Agência Médica Europeia, que apela à vacinação, virem da indústria farmacêutica.
http://www.youtube.com/watch?v=RhZesZe33cw
Sem mais comentários, da sessão parlamentar do dia 5 publicamos a transcrição da intervenção da Sra Kopacz -- a primeira política a adoptar publicamente uma posição de cautela face à aquisição de vacinas e à sua administração (ver vídeo acima):
"Gostaria de dizer que a minha prioridade durante os 20 anos em que pratiquei medicina foi: "Antes de tudo, não faças mal". E trouxe essa regra comigo para o Ministério da Saúde. Numa situação em que tivesse que receitar medicação a alguém, como acredito que qualquer outro médico faria, eu perguntava-me: daria eu isto à minha mãe? ou à minha criança?
"E esse exacto pensamento fez-me tomar a precaução de verificar duplamente a informação acerca de uma medicação que pode vir a ser recomendada a todos os polacos - a milhões de polacos que não têm a educação médica que um Ministro tem; e que um especialista - o professor Brydak - tem, um especialista que trabalha em gripes desde há 40 anos.
"Ele trabalha num dos 189 centros de pesquisa de gripe que existem no mundo, um deles na Polónia. Podemos hoje ser acusados de falta de conhecimento acerca da gripe? Pode uma pessoa questionar a opinião de um professor que trabalha com gripes desde há 40 anos, e não apenas em um tipo de gripe, e que publicou centenas de artigos sobre a matéria?
"Coloco apenas uma questão fundamental: queremos combater a pandemia da gripe?
"Hoje temos conhecimento acerca de cláusulas nos acordos que muitos outros governos de países ricos assinaram com os produtores de vacinas. [1]
Sabemos também o que foi proposto à Polónia.
Devido às negociações, que ainda decorrem, não posso dizer tudo hoje, mas posso dizer o seguinte: o nosso departamento jurídico encontrou pelo menos 20 pontos que levantam dúvidas no acordo.
"Qual é, então, o dever da Ministra da Saúde? Assinar acordos no melhor interesse do povo polaco, ou assinar acordos no melhor interesse das companhias farmacêuticas?
"Sei que hoje existem três vacinas disponíveis no mercado, de três produtores diferentes. Cada uma tem uma quantidade diferente de substância activa e, no entanto, elas são estranhamente tratadas da mesma maneira?
"Assim sendo, é legítimo que a Ministra da Saúde e os especialistas tenham dúvidas acerca dela.
"Talvez a que tem tal quantidade de substância activa seja a "água benta" que, supomos, talvez possa curar a gripe? É suposto pagarmos por isso?
"Temos o exemplo da Alemanha que comprou 50 milhões de doses e só 10% foram administradas até agora. 13% dos alemães querem tomar hoje esta "cura milagrosa".
Mas é peculiar porque os alemães têm uma grande percentagem de toma de vacinas, assim enquanto na Polónia por cada mil habitantes apenas 52 tomam a vacina da gripe sazonal (5,2%), na Alemanha há 238 pessoas em cada mil a fazer o mesmo (23%).
Então, porque é que apenas 13% dos alemães querem tomar a vacina da gripe A contra os 23% que tomam a da gripe sazonal?
O governo alemão comprou as vacinas e ofereceu-as e eles não as querem tomar? O que se passou?
"Podem estes factos fazer-nos ter segundos pensamentos sobre a compra destas vacinas, ou não? Segundos pensamentos sobre introduzir um medicamento que é meio secreto?
"Existem websites nos quais os produtores de vacinas têm a obrigação de publicar os, assim chamados, efeitos secundários indesejados pós-vacinação.
A vacinação na Europa começou a 1 de Outubro de 2009.
Convido-vos a visitarem qualquer um desses websites e a encontrarem um qualquer efeito secundário. A mais pequena coisa, apenas uma, nem que seja uma pequena alergia na pele. Isso pode acontecer até usando o mais seguro dos remédios.
"Não existe nenhum nesses websites. Um remédio "perfeito".
"E já que é tão miraculoso, então porque é que a companhia produtora não quer introduzir o seu produto no mercado livre e acarretar com a responsabilidade de fazê-lo? Porque não dizem, "Fantástico remédio, e seguro também, tomo responsabilidade por ele, coloco-o no mercado e é tudo claro e transparente", em vez de depositarem esse peso em nós - os compradores?
"Não temos resultados dos testes clínicos, não temos informação detalhada sobre os ingredientes ou os efeitos secundários. As vacinas estão agora na quarta fase de testes, testes muito curtos, e continuamos a não ter esta informação. Além disso a amostra tem sido muito pequena, um tipo de vacina foi testado em apenas 160 voluntários com idades entre os 20 e os 60 anos, todos saudáveis, nenhum infectado.
Outro tipo de vacina foi testado em 600 voluntários com idades entre os 18 e os 60 anos, todos saudáveis. Será isto o suficiente, especialmente para os médicos presentes nesta câmara? Não é o suficiente para mim.
"Quero ter a certeza suficiente para recomendar esta vacina. Não estamos fora de tempo no que respeita à vacina, durante as negociações queremos usar esse tempo para sabermos tudo o que pudermos acerca dela.
Se depois disso o comité para a pandemia aceitar a vacina então comprá-la-emos.
"Há, para além disso, mil milhões de pessoas por ano a contrair a gripe sazonal em todo o mundo, e um milhão dessas pessoas morre em consequência dessa gripe. E isto não é de há um ou dois anos, mas de há muito mais tempo.
Alguém em algum lado declarou uma pandemia por causa da gripe sazonal? E a gripe sazonal é muito mais perigosa do que a gripe A, chegando a provocar a morte e complicações severas.
E houve alguma declaração de pandemia?
"Aos que me pressionam para comprar a vacina, pergunto-vos: Porque não fizeram barulho no ano passado, há dois anos e em 2003? Em 2003 um milhão e duzentos mil polacos apanharam a gripe sazonal!
Alguém aqui nesta câmara gritou, "vamos comprar vacinas para toda a gente!"? Não me recordo de tal coisa.
"Finalmente gostava de dizer apenas mais uma coisa: A nação polaca é muito perspicaz, os polacos sabem distinguir uma verdade de uma mentira com precisão. E também sabem dizer o que é uma situação objectiva e o que é apenas um jogo."
---
Esta trancrição foi traduzida do inglês e posteriormente revista a partir do original, em polaco - cortesia do padre Ricardo, a quem deixamos o nosso agradecimento.
Notas:
[1] Em referência aos acordos estabelecidos por alguns governos europeus, e também pelo governo americano, que ilibam os produtores de vacinas de quaisquer responsabilidades por quaisquer efeitos secundários adversos que possam vir a surgir na população em consequência da sua toma.
Fonte: http://gripeh1n1.ning.com/profiles/blogs/polonia-antigripal
O recente surto da doença na vizinha Ucrânia levou o antigo Ministro da Saúde a pedir celeridade na aquisição das vacinas, mas encontrou pela frente uma forte resistência na figura da, mais prudente, actual detentora do cargo.
A polémica tornou-se no principal assunto do país e levou o programa televisivo Teraz My, do mais visto canal da Polónia, a TVN, a fazer um especial sobre toda esta questão. Entre outros factos menos conhecidos da maioria do público europeu, o programa abordou o incidente da Baxter e também a curiosidade de 2/3 dos fundos da Agência Médica Europeia, que apela à vacinação, virem da indústria farmacêutica.
http://www.youtube.com/watch?v=RhZesZe33cw
Sem mais comentários, da sessão parlamentar do dia 5 publicamos a transcrição da intervenção da Sra Kopacz -- a primeira política a adoptar publicamente uma posição de cautela face à aquisição de vacinas e à sua administração (ver vídeo acima):
"Gostaria de dizer que a minha prioridade durante os 20 anos em que pratiquei medicina foi: "Antes de tudo, não faças mal". E trouxe essa regra comigo para o Ministério da Saúde. Numa situação em que tivesse que receitar medicação a alguém, como acredito que qualquer outro médico faria, eu perguntava-me: daria eu isto à minha mãe? ou à minha criança?
"E esse exacto pensamento fez-me tomar a precaução de verificar duplamente a informação acerca de uma medicação que pode vir a ser recomendada a todos os polacos - a milhões de polacos que não têm a educação médica que um Ministro tem; e que um especialista - o professor Brydak - tem, um especialista que trabalha em gripes desde há 40 anos.
"Ele trabalha num dos 189 centros de pesquisa de gripe que existem no mundo, um deles na Polónia. Podemos hoje ser acusados de falta de conhecimento acerca da gripe? Pode uma pessoa questionar a opinião de um professor que trabalha com gripes desde há 40 anos, e não apenas em um tipo de gripe, e que publicou centenas de artigos sobre a matéria?
"Coloco apenas uma questão fundamental: queremos combater a pandemia da gripe?
"Hoje temos conhecimento acerca de cláusulas nos acordos que muitos outros governos de países ricos assinaram com os produtores de vacinas. [1]
Sabemos também o que foi proposto à Polónia.
Devido às negociações, que ainda decorrem, não posso dizer tudo hoje, mas posso dizer o seguinte: o nosso departamento jurídico encontrou pelo menos 20 pontos que levantam dúvidas no acordo.
"Qual é, então, o dever da Ministra da Saúde? Assinar acordos no melhor interesse do povo polaco, ou assinar acordos no melhor interesse das companhias farmacêuticas?
"Sei que hoje existem três vacinas disponíveis no mercado, de três produtores diferentes. Cada uma tem uma quantidade diferente de substância activa e, no entanto, elas são estranhamente tratadas da mesma maneira?
"Assim sendo, é legítimo que a Ministra da Saúde e os especialistas tenham dúvidas acerca dela.
"Talvez a que tem tal quantidade de substância activa seja a "água benta" que, supomos, talvez possa curar a gripe? É suposto pagarmos por isso?
"Temos o exemplo da Alemanha que comprou 50 milhões de doses e só 10% foram administradas até agora. 13% dos alemães querem tomar hoje esta "cura milagrosa".
Mas é peculiar porque os alemães têm uma grande percentagem de toma de vacinas, assim enquanto na Polónia por cada mil habitantes apenas 52 tomam a vacina da gripe sazonal (5,2%), na Alemanha há 238 pessoas em cada mil a fazer o mesmo (23%).
Então, porque é que apenas 13% dos alemães querem tomar a vacina da gripe A contra os 23% que tomam a da gripe sazonal?
O governo alemão comprou as vacinas e ofereceu-as e eles não as querem tomar? O que se passou?
"Podem estes factos fazer-nos ter segundos pensamentos sobre a compra destas vacinas, ou não? Segundos pensamentos sobre introduzir um medicamento que é meio secreto?
"Existem websites nos quais os produtores de vacinas têm a obrigação de publicar os, assim chamados, efeitos secundários indesejados pós-vacinação.
A vacinação na Europa começou a 1 de Outubro de 2009.
Convido-vos a visitarem qualquer um desses websites e a encontrarem um qualquer efeito secundário. A mais pequena coisa, apenas uma, nem que seja uma pequena alergia na pele. Isso pode acontecer até usando o mais seguro dos remédios.
"Não existe nenhum nesses websites. Um remédio "perfeito".
"E já que é tão miraculoso, então porque é que a companhia produtora não quer introduzir o seu produto no mercado livre e acarretar com a responsabilidade de fazê-lo? Porque não dizem, "Fantástico remédio, e seguro também, tomo responsabilidade por ele, coloco-o no mercado e é tudo claro e transparente", em vez de depositarem esse peso em nós - os compradores?
"Não temos resultados dos testes clínicos, não temos informação detalhada sobre os ingredientes ou os efeitos secundários. As vacinas estão agora na quarta fase de testes, testes muito curtos, e continuamos a não ter esta informação. Além disso a amostra tem sido muito pequena, um tipo de vacina foi testado em apenas 160 voluntários com idades entre os 20 e os 60 anos, todos saudáveis, nenhum infectado.
Outro tipo de vacina foi testado em 600 voluntários com idades entre os 18 e os 60 anos, todos saudáveis. Será isto o suficiente, especialmente para os médicos presentes nesta câmara? Não é o suficiente para mim.
"Quero ter a certeza suficiente para recomendar esta vacina. Não estamos fora de tempo no que respeita à vacina, durante as negociações queremos usar esse tempo para sabermos tudo o que pudermos acerca dela.
Se depois disso o comité para a pandemia aceitar a vacina então comprá-la-emos.
"Há, para além disso, mil milhões de pessoas por ano a contrair a gripe sazonal em todo o mundo, e um milhão dessas pessoas morre em consequência dessa gripe. E isto não é de há um ou dois anos, mas de há muito mais tempo.
Alguém em algum lado declarou uma pandemia por causa da gripe sazonal? E a gripe sazonal é muito mais perigosa do que a gripe A, chegando a provocar a morte e complicações severas.
E houve alguma declaração de pandemia?
"Aos que me pressionam para comprar a vacina, pergunto-vos: Porque não fizeram barulho no ano passado, há dois anos e em 2003? Em 2003 um milhão e duzentos mil polacos apanharam a gripe sazonal!
Alguém aqui nesta câmara gritou, "vamos comprar vacinas para toda a gente!"? Não me recordo de tal coisa.
"Finalmente gostava de dizer apenas mais uma coisa: A nação polaca é muito perspicaz, os polacos sabem distinguir uma verdade de uma mentira com precisão. E também sabem dizer o que é uma situação objectiva e o que é apenas um jogo."
---
Esta trancrição foi traduzida do inglês e posteriormente revista a partir do original, em polaco - cortesia do padre Ricardo, a quem deixamos o nosso agradecimento.
Notas:
[1] Em referência aos acordos estabelecidos por alguns governos europeus, e também pelo governo americano, que ilibam os produtores de vacinas de quaisquer responsabilidades por quaisquer efeitos secundários adversos que possam vir a surgir na população em consequência da sua toma.
Fonte: http://gripeh1n1.ning.com/profiles/blogs/polonia-antigripal
Escondem dos utentes do SNS os seus direitos
Os utentes do SNS desconhecem os seus direitos em termos de regras por tempo de espera.
Surgem a divulgar a situação publicamente nos órgãos de Comunicação Social, criticando e bramando contra os serviços, o ministério, a ministra, os médicos, e os serviços e tudo o mais que se lhes passar pela cabeça, mas muito raramente usam os seus direitos em termos de apresentação de queixas para a Entidade Reguladora da Saúde.
A infracção por excesso de tempo legal de espera no atendimento pode levar a multas entre mil e 45 mil euros.
Estas regras estão definidas na Portaria nº 1529/2008 e aplicam-se a todo o tipo de prestações de cuidados de saúde sem carácter de urgência.
A lei estabelece que em caso de doença aguda, o paciente deve ser atendido no centro de saúde no próprio dia em que fizer o pedido, o que muitas vezes não acontece, mas acontece que ninguém reclama pelos meios legais ao dispor.
O que deveria ser dito, é que realmente existe muito pouca divulgação dos direitos dos utentes, e neste caso, importava uma informação bem divulgada, e não escondida como tem vindo a acontecer.
Surgem a divulgar a situação publicamente nos órgãos de Comunicação Social, criticando e bramando contra os serviços, o ministério, a ministra, os médicos, e os serviços e tudo o mais que se lhes passar pela cabeça, mas muito raramente usam os seus direitos em termos de apresentação de queixas para a Entidade Reguladora da Saúde.
A infracção por excesso de tempo legal de espera no atendimento pode levar a multas entre mil e 45 mil euros.
Estas regras estão definidas na Portaria nº 1529/2008 e aplicam-se a todo o tipo de prestações de cuidados de saúde sem carácter de urgência.
A lei estabelece que em caso de doença aguda, o paciente deve ser atendido no centro de saúde no próprio dia em que fizer o pedido, o que muitas vezes não acontece, mas acontece que ninguém reclama pelos meios legais ao dispor.
O que deveria ser dito, é que realmente existe muito pouca divulgação dos direitos dos utentes, e neste caso, importava uma informação bem divulgada, e não escondida como tem vindo a acontecer.
Hospitais EPE agravam prejuízos
Afinal a gestão empresarial é uma verdadeira treta, e os resultados são prova disso mesmo.
Quando o Estado responsabilizar de outra forma os gestores dos Hospitais EPE, a realidade deve ser totalmente diferente, uma vez que lhes vai sair do ‘coiro’ o efeitos da má gestão.
Os hospitais públicos com gestão empresarial (EPE) registaram um agravamento dos prejuízos em 22,4 por cento nos primeiros nove meses do ano, para 218 milhões de euros, segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).
O resultado líquido negativo de 218 milhões de euros dos hospitais EPE compara com um prejuízo de 178 milhões de euros registado em igual período do ano passado. Desta comparação exclui-se o hospital Amadora-Sintra, que regressou à gestão estatal a 1 de Janeiro deste ano.
O resultado operacional melhorou 4,3 por cento, com um desagravamento do resultado negativo de 232,9 milhões de euros o ano passado para 222,9 milhões de euros até Setembro deste ano.
Por outro lado, os custos dos hospitais EPE aumentaram 5,8 por cento para 3.673 milhões de euros, face aos 3.472 milhões de euros de período homólogo.
As receitas aumentaram 4,9 por cento para 3.459 milhões de euros.
Os hospitais do Sector Público Administrativo (SPA) registaram um resultado positivo de 19,7 milhões de euros até Setembro face a um prejuízo de 27,3 milhões de euros em igual período do ano passado.
O resultado operacional também melhorou, passando de 25,7 milhões de euros negativos no ano passado, para 22,3 milhões de euros positivos nos primeiros nove meses deste ano.
As receitas subiram 20,1 por cento para 398,3 milhões de euros e os custos subiram 5,5 por cento para 378,6 milhões de euros.
Nas Administrações Regionais de Saúde, o resultado líquido caiu 1,8 por cento para 102,3 milhões de euros e o resultado operacional manteve-se estável face aos primeiros nove meses de 2008 nos 146 milhões de euros.
As receitas aumentaram 3,7 por cento para 2,919 milhões de euros e os custos totais subiram 4,2 por cento para 2.731 milhões de euros.
Quando o Estado responsabilizar de outra forma os gestores dos Hospitais EPE, a realidade deve ser totalmente diferente, uma vez que lhes vai sair do ‘coiro’ o efeitos da má gestão.
Os hospitais públicos com gestão empresarial (EPE) registaram um agravamento dos prejuízos em 22,4 por cento nos primeiros nove meses do ano, para 218 milhões de euros, segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).
O resultado líquido negativo de 218 milhões de euros dos hospitais EPE compara com um prejuízo de 178 milhões de euros registado em igual período do ano passado. Desta comparação exclui-se o hospital Amadora-Sintra, que regressou à gestão estatal a 1 de Janeiro deste ano.
O resultado operacional melhorou 4,3 por cento, com um desagravamento do resultado negativo de 232,9 milhões de euros o ano passado para 222,9 milhões de euros até Setembro deste ano.
Por outro lado, os custos dos hospitais EPE aumentaram 5,8 por cento para 3.673 milhões de euros, face aos 3.472 milhões de euros de período homólogo.
As receitas aumentaram 4,9 por cento para 3.459 milhões de euros.
Os hospitais do Sector Público Administrativo (SPA) registaram um resultado positivo de 19,7 milhões de euros até Setembro face a um prejuízo de 27,3 milhões de euros em igual período do ano passado.
O resultado operacional também melhorou, passando de 25,7 milhões de euros negativos no ano passado, para 22,3 milhões de euros positivos nos primeiros nove meses deste ano.
As receitas subiram 20,1 por cento para 398,3 milhões de euros e os custos subiram 5,5 por cento para 378,6 milhões de euros.
Nas Administrações Regionais de Saúde, o resultado líquido caiu 1,8 por cento para 102,3 milhões de euros e o resultado operacional manteve-se estável face aos primeiros nove meses de 2008 nos 146 milhões de euros.
As receitas aumentaram 3,7 por cento para 2,919 milhões de euros e os custos totais subiram 4,2 por cento para 2.731 milhões de euros.
Fibrilação ventricular durante atividade esportiva tratada com sucesso
Um trabalho de:
Maria Margarita Gonzalez; Flávio Rocha Brito Marques; Caio Brito Vianna; Carlos Alberto Eid; Gilson Soares Feitosa-Filho; Sergio Timerman
RESUMO
A sobrevida após parada cardio-respiratória extra-hospitalar é estimada em menos de 5%. Apresentamos um caso de fibrilação ventricular, durante atividade esportiva. Ressuscitação cardio-pulmonar foi iniciada precocemente por pessoa leiga, e desfibrilação foi realizada em menos de três minutos, com desfibrilador externo automático, com sucesso. O programa de acesso público à desfibrilação tem aumentado a sobrevida após fibrilação ventricular extra-hospitalar. Devemos estimular o treinamento de pessoas leigas com relação ao uso de desfibriladores externos automáticos e o programa Suporte Básico de Vida, incentivando a implementação deste em locais com grande afluxo de pessoas e locais com risco elevado de ocorrer morte súbita, a exemplo de centros esportivos.
Palavras-chave: Fibrilação ventricular, exercício, ressuscitação cardiopulmonar, desfibriladores.
________________________________________
Introdução
Aproximadamente 250 mil pessoas morrem subitamente nos Estados Unidos a cada ano em ambiente extra-hospitalar1. Em 40% das vítimas o ritmo inicial é fibrilação ventricular (FV)2. Na realidade, maior proporção de pessoas deve apresentar FV no início do colapso, pois o atraso no atendimento da parada cardio-respiratória (PCR) faz com que muitos casos evoluam para assistolia no momento do primeiro atendimento, porque FV inicial não tratada precocemente pode degenerar para assistolia2.
Relato de caso
Homem, negro, 53 anos, com antecedente de hipertensão arterial, ex-profissional de basquete, durante partida de veteranos, em um tradicional Clube Esportivo, sofreu perda súbita de consciência. Um funcionário do clube, recentemente treinado em Suporte Básico de Vida, realizou o primeiro atendimento: constatou PCR, solicitou prontamente desfibrilador externo automático (DEA) e que fosse chamada a equipe médica do clube. O DEA recomendou aplicação de choque, que foi aplicado 3 minutos após o colapso. O equipamento não recomendou choques subsequentes, mas como a vítima ainda não apresentava sinais de circulação, as manobras de ressuscitação cardio-pulmonar (RCP) foram mantidas; obtendo-se retorno à circulação espontânea após 3 minutos. Alguns minutos depois, a frequência cardíaca era 140 bpm, a pressão arterial 220/120 mmHg, quando amiodarona e nitroglicerina foram aplicadas por via endovenosa.
O paciente foi transferido para hospital próximo, onde permaneceu por 12 horas. Após estabilização foi transferido para Hospital Universitário, especializado em Cardiologia. Na admissão o exame físico foi normal. Dosagens enzimáticas revelaram: CK total 1750 U/L, CKMB 11,6 ng/ml e Troponina 0,95 ng/ml.
Foram recuperados os traçados eletrocardiográficos do DEA. Observou-se que o ritmo inicial era FV. Após o choque, notava-se assistolia (figura 1A). Progressivamente, foram surgindo batimentos cardíacos, evidenciando-se ritmo de fibrilação atrial (figura 1B).
O eletrocardiograma realizado no Hospital Universitário evidenciou ritmo sinusal, sobrecarga ventricular esquerda e alterações de repolarização ventricular (figura 1C). Ecocardiograma trans-torácico mostrou hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo e disfunção sistólica, com fração de ejeção de 38%. O paciente realizou cinecoronariografia que evidenciou artérias coronária direita e esquerda com irregularidades. A primeira diagonal da descendente anterior estava obstruída. No ramo atrioventricular da artéria circunflexa havia 70% de obstrução, após a emergência da artéria marginal esquerda e nesta havia 80% de obstrução no óstio (figura 2A).
Foram realizadas angioplastias, com stents, nas artérias circunflexa e marginal esquerda, com sucesso (figura 2B). Foi implantado cardioversor-desfibrilador, e o paciente evoluiu sem intercorrências. Um ano após o evento, o paciente encontra-se assintomático, com vida ativa. Ecocardiograma trans-torácico de controle revelou função sistólica normal do ventrículo esquerdo, com fração de ejeção de 67%.
Discussão
Chances de sobrevivência após PCR extra-hospitalar aumentam se manobras de RCP e desfibrilação são realizadas precocemente por pessoas que presenciam o evento. A American Heart Association tem usado tradicionalmente a metáfora da corrente de sobrevivência com quatro elos que ilustram a importância destas ações3. Os elos são:
1) Reconhecimento imediato e ativação do sistema médico de emergência ;
2) RCP imediata;
3) Desfibrilação imediata;
4) Suporte Avançado de Vida em Cardiologia imediato.
O sucesso das ações é tempo dependente. Para cada minuto entre o colapso e a desfibrilação, as chances de sobrevivência diminuem de 7% a 10% se a RCP não for iniciada4. Pessoas leigas podem realizar os três primeiros elos. Na maior parte das comunidades, o intervalo entre o colapso e a chegada do sistema médico de emergência é de 7 a 8 minutos, ou mais. Isto significa que as vítimas dependem muito de socorristas leigos durante os primeiros minutos da PCR. A RCP fornece fluxo sanguíneo ao coração e ao cérebro e aumenta a chance de retorno a um ritmo organizado após a desfibrilação. Isto parece particularmente importante se o choque não for fornecido até 4 minutos após o colapso5.
Socorristas leigos podem usar os desfibriladores externos automáticos, dispositivos que, por meio de comandos vocais e visuais, orientam passos a serem seguidos e recomendam choques quando o ritmo é FV ou Taquicardia Ventricular. O Conselho Federal de Medicina permite que qualquer pessoa realize RCP e utilize DEA na ausência de um médico, desde que seja treinada em curso específico promovido por sociedades afins.
Programas de Acesso Público à Desfibrilação, que distribuem desfibriladores externos automáticos pela comunidade, além de treinar grande número de pessoas em Suporte Básico de Vida, aumentam o número de vítimas com PCR que recebem RCP, e diminuem o tempo até a desfibrilação, aumentando o número de sobreviventes. Estudos em pequenas comunidades, como aereportos6 e cassinos7 têm demonstrado excelente sobrevivência por FV, 49% e 74%, respectivamente. O presente caso é excelente exemplo da importância destes programas. Não é apenas a aquisição de equipamentos, mas sobretudo planejamento e treinamento com simulações que faz com que as pessoas tomem a iniciativa de atendimento, demonstrando que morte súbita não é necessariamente morte biológica definitiva, mas situação potencialmente reversível. Várias leis e projetos de leis sobre estes programas estão em fase de implantação no Brasil. As cidades de Londrina e São Paulo já possuem algumas leis aprovadas, mas o que se espera é o reconhecimento nacional de sua relevância, por meio de legislações nacionais de larga escala.
Entre as causas de morte súbita, doença arterial coronária é responsável por 80% dos eventos e miocardiopatias por 10% a 15%. Entre outras etiologias, estão cardiomiopatias hipertróficas congênitas ou secundárias (hipertensão arterial, doenças valvares, etc), cardiopatias congênitas diversas, doenças que causam alterações dos mecanismos eletrofisiológicos, bem como processos infiltrativos, neoplásicos e degenerativos do miocárdio. Importante comentar que a causa desencadeante mais provável da PCR neste paciente foi cardiomiopatia hipertensiva, causa reconhecida de isquemia miocárdica durante exercícios físicos. Embora não possa ser totalmente afastada como causa da FV, a doença coronariana do paciente comprometia pequena proporção de massa ventricular e não houve elevação de Troponina.
As paradas cardio-respiratórias podem causar miocárdio atordoado e disfunção ventricular8, o que pode persistir por dias ou mesmo semanas, e pode melhorar com o uso de vasopressores9. Assim, podem ser necessários, para o tratamento, volume, drogas vaso-ativas, ou vasodilatadores, para manter a pressão arterial, índice cardíaco e perfusão sistêmica. Pressão arterial ideal e parâmetros hemodinâmicos associados com melhor sobrevida não estão ainda bem estabelecidos. Neste paciente, houve hipertensão arterial significativa após PCR, sendo necessária infusão de vasodilatadores. Da mesma forma, verificou-se disfunção sistólica ventricular moderada, sem sinais de baixo débito cardíaco ou necessidade de drogas vaso-ativas. Talvez estes parâmetros clínicos e hemodinâmicos caracterizem pacientes com melhor prognóstico após PCR.
Potencial Conflito de Interesses
Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.
Fontes de Financiamento
O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.
Vinculação Acadêmica
Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.
Referências
1. Rea TD, Eisenberg MS, Sinibaldi G, White RD. Incidence of EMS treated out-of-hospital cardiac arrest in the United States. Resuscitation. 2004; 63: 17-24.
2. Cobb LA, Fahrenbruch CE, Olsufka M, Copass MK. Changing incidence of out-of-hospital ventricular fibrillation, 1980-2000. JAMA. 2002; 288: 3008-13.
3. Cummins RO, Ornato JP, Thies WH, Pepe PE. Improving survival from sudden cardiac arrest: the "chain of survival" concept: a statement for health professionals from the Advanced Cardiac Life Support Subcommittee and the Emergency Cardiac Care Committee, American Heart Association. Circulation. 1991; 83: 1832-47.
4. Larsen MP, Eisenberg MS, Cummins RO, Hallstrom AP. Predicting survival from out-of-hospital cardiac arrest: a graphic model. Ann Emerg Med. 1993; 22: 1652-8.
5. Cobb LA, Fahrenbruch CE, Walsh TR, Copass MK, Olsufka M, Breskin M, et al. Influence of cardiopulmonary resuscitation prior to defibrillation in patients with out-hospital ventricular fibrillation. JAMA. 1999; 281: 1182-8.
6. Caffrey SL, Willoughby PJ, Pepe PE, Becker LB. Public use of automated external defibrillators. N Engl J Med. 2002; 347: 1242-7.
7. Valenzuela TD, Roe DJ, Nichol G, Clark LL, Spaite DW, Hardman RG. Outcomes of rapid defibrillation by security officers after cardiac arrest in casinos. N Engl J Med. 2000; 343: 1206-9.
8. Kern KB. Postresuscitation myocardial dysfunction. Cardiol Clin. 2002; 20: 89-101.
9. Vasquez A, Kern KB, Hilwig RW, Heidenreich J, Berg RA, Ewy GA. Optimal dosing of dobutamine for treating post-resuscitation left ventricular dysfunction. Resuscitation. 2004; 61: 199-207.
Maria Margarita Gonzalez; Flávio Rocha Brito Marques; Caio Brito Vianna; Carlos Alberto Eid; Gilson Soares Feitosa-Filho; Sergio Timerman
RESUMO
A sobrevida após parada cardio-respiratória extra-hospitalar é estimada em menos de 5%. Apresentamos um caso de fibrilação ventricular, durante atividade esportiva. Ressuscitação cardio-pulmonar foi iniciada precocemente por pessoa leiga, e desfibrilação foi realizada em menos de três minutos, com desfibrilador externo automático, com sucesso. O programa de acesso público à desfibrilação tem aumentado a sobrevida após fibrilação ventricular extra-hospitalar. Devemos estimular o treinamento de pessoas leigas com relação ao uso de desfibriladores externos automáticos e o programa Suporte Básico de Vida, incentivando a implementação deste em locais com grande afluxo de pessoas e locais com risco elevado de ocorrer morte súbita, a exemplo de centros esportivos.
Palavras-chave: Fibrilação ventricular, exercício, ressuscitação cardiopulmonar, desfibriladores.
________________________________________
Introdução
Aproximadamente 250 mil pessoas morrem subitamente nos Estados Unidos a cada ano em ambiente extra-hospitalar1. Em 40% das vítimas o ritmo inicial é fibrilação ventricular (FV)2. Na realidade, maior proporção de pessoas deve apresentar FV no início do colapso, pois o atraso no atendimento da parada cardio-respiratória (PCR) faz com que muitos casos evoluam para assistolia no momento do primeiro atendimento, porque FV inicial não tratada precocemente pode degenerar para assistolia2.
Relato de caso
Homem, negro, 53 anos, com antecedente de hipertensão arterial, ex-profissional de basquete, durante partida de veteranos, em um tradicional Clube Esportivo, sofreu perda súbita de consciência. Um funcionário do clube, recentemente treinado em Suporte Básico de Vida, realizou o primeiro atendimento: constatou PCR, solicitou prontamente desfibrilador externo automático (DEA) e que fosse chamada a equipe médica do clube. O DEA recomendou aplicação de choque, que foi aplicado 3 minutos após o colapso. O equipamento não recomendou choques subsequentes, mas como a vítima ainda não apresentava sinais de circulação, as manobras de ressuscitação cardio-pulmonar (RCP) foram mantidas; obtendo-se retorno à circulação espontânea após 3 minutos. Alguns minutos depois, a frequência cardíaca era 140 bpm, a pressão arterial 220/120 mmHg, quando amiodarona e nitroglicerina foram aplicadas por via endovenosa.
O paciente foi transferido para hospital próximo, onde permaneceu por 12 horas. Após estabilização foi transferido para Hospital Universitário, especializado em Cardiologia. Na admissão o exame físico foi normal. Dosagens enzimáticas revelaram: CK total 1750 U/L, CKMB 11,6 ng/ml e Troponina 0,95 ng/ml.
Foram recuperados os traçados eletrocardiográficos do DEA. Observou-se que o ritmo inicial era FV. Após o choque, notava-se assistolia (figura 1A). Progressivamente, foram surgindo batimentos cardíacos, evidenciando-se ritmo de fibrilação atrial (figura 1B).
O eletrocardiograma realizado no Hospital Universitário evidenciou ritmo sinusal, sobrecarga ventricular esquerda e alterações de repolarização ventricular (figura 1C). Ecocardiograma trans-torácico mostrou hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo e disfunção sistólica, com fração de ejeção de 38%. O paciente realizou cinecoronariografia que evidenciou artérias coronária direita e esquerda com irregularidades. A primeira diagonal da descendente anterior estava obstruída. No ramo atrioventricular da artéria circunflexa havia 70% de obstrução, após a emergência da artéria marginal esquerda e nesta havia 80% de obstrução no óstio (figura 2A).
Foram realizadas angioplastias, com stents, nas artérias circunflexa e marginal esquerda, com sucesso (figura 2B). Foi implantado cardioversor-desfibrilador, e o paciente evoluiu sem intercorrências. Um ano após o evento, o paciente encontra-se assintomático, com vida ativa. Ecocardiograma trans-torácico de controle revelou função sistólica normal do ventrículo esquerdo, com fração de ejeção de 67%.
Discussão
Chances de sobrevivência após PCR extra-hospitalar aumentam se manobras de RCP e desfibrilação são realizadas precocemente por pessoas que presenciam o evento. A American Heart Association tem usado tradicionalmente a metáfora da corrente de sobrevivência com quatro elos que ilustram a importância destas ações3. Os elos são:
1) Reconhecimento imediato e ativação do sistema médico de emergência ;
2) RCP imediata;
3) Desfibrilação imediata;
4) Suporte Avançado de Vida em Cardiologia imediato.
O sucesso das ações é tempo dependente. Para cada minuto entre o colapso e a desfibrilação, as chances de sobrevivência diminuem de 7% a 10% se a RCP não for iniciada4. Pessoas leigas podem realizar os três primeiros elos. Na maior parte das comunidades, o intervalo entre o colapso e a chegada do sistema médico de emergência é de 7 a 8 minutos, ou mais. Isto significa que as vítimas dependem muito de socorristas leigos durante os primeiros minutos da PCR. A RCP fornece fluxo sanguíneo ao coração e ao cérebro e aumenta a chance de retorno a um ritmo organizado após a desfibrilação. Isto parece particularmente importante se o choque não for fornecido até 4 minutos após o colapso5.
Socorristas leigos podem usar os desfibriladores externos automáticos, dispositivos que, por meio de comandos vocais e visuais, orientam passos a serem seguidos e recomendam choques quando o ritmo é FV ou Taquicardia Ventricular. O Conselho Federal de Medicina permite que qualquer pessoa realize RCP e utilize DEA na ausência de um médico, desde que seja treinada em curso específico promovido por sociedades afins.
Programas de Acesso Público à Desfibrilação, que distribuem desfibriladores externos automáticos pela comunidade, além de treinar grande número de pessoas em Suporte Básico de Vida, aumentam o número de vítimas com PCR que recebem RCP, e diminuem o tempo até a desfibrilação, aumentando o número de sobreviventes. Estudos em pequenas comunidades, como aereportos6 e cassinos7 têm demonstrado excelente sobrevivência por FV, 49% e 74%, respectivamente. O presente caso é excelente exemplo da importância destes programas. Não é apenas a aquisição de equipamentos, mas sobretudo planejamento e treinamento com simulações que faz com que as pessoas tomem a iniciativa de atendimento, demonstrando que morte súbita não é necessariamente morte biológica definitiva, mas situação potencialmente reversível. Várias leis e projetos de leis sobre estes programas estão em fase de implantação no Brasil. As cidades de Londrina e São Paulo já possuem algumas leis aprovadas, mas o que se espera é o reconhecimento nacional de sua relevância, por meio de legislações nacionais de larga escala.
Entre as causas de morte súbita, doença arterial coronária é responsável por 80% dos eventos e miocardiopatias por 10% a 15%. Entre outras etiologias, estão cardiomiopatias hipertróficas congênitas ou secundárias (hipertensão arterial, doenças valvares, etc), cardiopatias congênitas diversas, doenças que causam alterações dos mecanismos eletrofisiológicos, bem como processos infiltrativos, neoplásicos e degenerativos do miocárdio. Importante comentar que a causa desencadeante mais provável da PCR neste paciente foi cardiomiopatia hipertensiva, causa reconhecida de isquemia miocárdica durante exercícios físicos. Embora não possa ser totalmente afastada como causa da FV, a doença coronariana do paciente comprometia pequena proporção de massa ventricular e não houve elevação de Troponina.
As paradas cardio-respiratórias podem causar miocárdio atordoado e disfunção ventricular8, o que pode persistir por dias ou mesmo semanas, e pode melhorar com o uso de vasopressores9. Assim, podem ser necessários, para o tratamento, volume, drogas vaso-ativas, ou vasodilatadores, para manter a pressão arterial, índice cardíaco e perfusão sistêmica. Pressão arterial ideal e parâmetros hemodinâmicos associados com melhor sobrevida não estão ainda bem estabelecidos. Neste paciente, houve hipertensão arterial significativa após PCR, sendo necessária infusão de vasodilatadores. Da mesma forma, verificou-se disfunção sistólica ventricular moderada, sem sinais de baixo débito cardíaco ou necessidade de drogas vaso-ativas. Talvez estes parâmetros clínicos e hemodinâmicos caracterizem pacientes com melhor prognóstico após PCR.
Potencial Conflito de Interesses
Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.
Fontes de Financiamento
O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.
Vinculação Acadêmica
Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.
Referências
1. Rea TD, Eisenberg MS, Sinibaldi G, White RD. Incidence of EMS treated out-of-hospital cardiac arrest in the United States. Resuscitation. 2004; 63: 17-24.
2. Cobb LA, Fahrenbruch CE, Olsufka M, Copass MK. Changing incidence of out-of-hospital ventricular fibrillation, 1980-2000. JAMA. 2002; 288: 3008-13.
3. Cummins RO, Ornato JP, Thies WH, Pepe PE. Improving survival from sudden cardiac arrest: the "chain of survival" concept: a statement for health professionals from the Advanced Cardiac Life Support Subcommittee and the Emergency Cardiac Care Committee, American Heart Association. Circulation. 1991; 83: 1832-47.
4. Larsen MP, Eisenberg MS, Cummins RO, Hallstrom AP. Predicting survival from out-of-hospital cardiac arrest: a graphic model. Ann Emerg Med. 1993; 22: 1652-8.
5. Cobb LA, Fahrenbruch CE, Walsh TR, Copass MK, Olsufka M, Breskin M, et al. Influence of cardiopulmonary resuscitation prior to defibrillation in patients with out-hospital ventricular fibrillation. JAMA. 1999; 281: 1182-8.
6. Caffrey SL, Willoughby PJ, Pepe PE, Becker LB. Public use of automated external defibrillators. N Engl J Med. 2002; 347: 1242-7.
7. Valenzuela TD, Roe DJ, Nichol G, Clark LL, Spaite DW, Hardman RG. Outcomes of rapid defibrillation by security officers after cardiac arrest in casinos. N Engl J Med. 2000; 343: 1206-9.
8. Kern KB. Postresuscitation myocardial dysfunction. Cardiol Clin. 2002; 20: 89-101.
9. Vasquez A, Kern KB, Hilwig RW, Heidenreich J, Berg RA, Ewy GA. Optimal dosing of dobutamine for treating post-resuscitation left ventricular dysfunction. Resuscitation. 2004; 61: 199-207.
sábado, 5 de dezembro de 2009
A negociata da Gripe A: Venda de anti-virais disparou para 150 mil este ano
Não sou só eu quem o diz, e desde o inicio desta novela, que começou; não este ano, mas já a cerca de 5 anos, com as verdadeiras campanhas de vacinação (tipo porta a porta) dos velhinhos e criancinhas.
Quem já não se recorda das multidões nos Centros de Saúde, com a chegada do Outono, para requerer uma receita clinica para adquirir as vacinas.
Os médicos passavam receitas a esmo...
Esta historia da Gripe A, é sem duvida uma grande negociata a nível internacional, e Portugal é apenas um pequeno elo na imensa máquina de fabricar dinheiro para os laboratórios.
Obviamente que o Ministério da Saúde tem grande colaboração no assunto, pois este ano até retirou a ‘trabalheira’ aos médicos, e passou a negociar diretamente com os laboratórios, mas deixou ainda a porta aberta a um novo mercado, o dos anti-virais. Veja o que a Agencia Lusa divulga:
A gripe A fez disparar as vendas dos anti-virais Oseltamivir e Zanamivir, que passaram de 655 embalagens vendidas nos primeiros dez meses do ano passado para 150 mil no mesmo período deste ano, segundo dados da IMSHealth.
Dados da empresa, avançados à agência Lusa, indicam que, nos primeiros dez meses deste ano, os armazenistas venderam às farmácias 150 145 embalagens de Oseltamivir e Zanamivir, contra 655 vendidas nos mesmos meses de 2008.
Estes valores representam um aumento de 22 823 por cento no número de embalagens vendidas.
Diário Digital / Lusa
Quem já não se recorda das multidões nos Centros de Saúde, com a chegada do Outono, para requerer uma receita clinica para adquirir as vacinas.
Os médicos passavam receitas a esmo...
Esta historia da Gripe A, é sem duvida uma grande negociata a nível internacional, e Portugal é apenas um pequeno elo na imensa máquina de fabricar dinheiro para os laboratórios.
Obviamente que o Ministério da Saúde tem grande colaboração no assunto, pois este ano até retirou a ‘trabalheira’ aos médicos, e passou a negociar diretamente com os laboratórios, mas deixou ainda a porta aberta a um novo mercado, o dos anti-virais. Veja o que a Agencia Lusa divulga:
A gripe A fez disparar as vendas dos anti-virais Oseltamivir e Zanamivir, que passaram de 655 embalagens vendidas nos primeiros dez meses do ano passado para 150 mil no mesmo período deste ano, segundo dados da IMSHealth.
Dados da empresa, avançados à agência Lusa, indicam que, nos primeiros dez meses deste ano, os armazenistas venderam às farmácias 150 145 embalagens de Oseltamivir e Zanamivir, contra 655 vendidas nos mesmos meses de 2008.
Estes valores representam um aumento de 22 823 por cento no número de embalagens vendidas.
Diário Digital / Lusa
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Afinal as famosas Vacinas estão a ir para o lixo
Há Centros de Saúde que estão a deitar para o lixo doses de vacina contra a gripe A, a Pandemrix.
Os Centros de Saúdes da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, são disso exemplo, segundo afirma o CM, e sabe-se que é uma situação recorrente em outras unidades de saúde.
O desperdício é criticado pela má gestão e atitude dos pacientes que faltam à vacinação.
Contactado pelo CM, o Centro de Saúde de Alverca que engloba Póvoa de Santa Iria, Alverca e Vila Franca de Xira – confirmou o desperdício de vacinas, responsabilizando os utentes. "Pode acontecer com uma dose ou outra. É natural, quando os utentes não comparecem após confirmarem a convocatória. Se for ao final da tarde de uma sexta-feira, não é fácil encontrar-se substitutos", afirmou a enfermeira-chefe Paula Vasques da Costa. O número de doses que não são dadas aos utentes não está contabilizado. Os frascos de vacinas, depois de abertos, só podem ser conservados 24 horas. O desperdício de vacinas também é do conhecimento do presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Correia Azevedo. "Acontece um pouco por todos os centros de saúde, especialmente após a morte dos fetos de grávidas vacinadas", sustenta. O Ministério da Saúde admite que seja possível o desperdício, em casos pontuais, mas quanto as mortes não confirma nem desmente, apenas se cala, como os moucos...
A verdade é que contra este problema não existe solução aparente, e o País vai continuar a desperdiçar importantes recursos por mera responsabilidade dos utentes, segundo o Ministerio da Saude. Uma solução para minimizar a situação seria criar dias agendados e postos exclusivos de vacinação, mas isso obrigaria a um imenso desdobramento em termos físicos de pessoal, e recursos.
Afinal, contrariando algumas vozes mais pró senhor Pinto, existem casos confirmados de mortes após vacinação, nomeadamente em situações de gravidez, e quem o garante é um responsável pelo Sindicato dos Enfermeiros, isto porque os outros, funcionários do SNS tem que estar caladinhos respeitando religiosamente o CPA, que os manda estar calados, caladinhos e não piar por nada deste mundo, sob pena de lhes cortarem as asas e o pio...
A GRIPE VISTA À LUZ DOS NUMEROS
Cerca de 122.000 pessoas tiveram sintomas gripais até à data, registando o Ministério da Saúde 27.169 pacientes com gripe entre os dias 23 e 29 de Novembro, dados oficiais.
214.000 doses da vacina Pandemrix já recebidas por Portugal. Segundo a Direcção-Geral da Saúde, já foram vacinadas pelo menos 96 mil pessoas. Das 60 mil grávidas identificadas para levar a vacina, só cinco mil já foram alegadamente imunizadas.
Perante tudo isto, e o muito mais que ainda fica por dizer:
Tem toda a razão o Bastonario da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, que segue a máxima cá do nosso Tokarev: "Não é possível ir buscar as pessoas a casa para levarem a vacina".
E mais digo eu que quem não quer não pode ser obrigado a fazer a vontade a Senhora Ministra e Compª Ldª e muito menos aos laboratórios.
Uma coisa parece, no entanto; ser já mais do que certa:
O Estado já gastou o dinheiro com as vacinas, e por tanto os laboratórios já embolsaram a fatia e já não tem que se queixar. Agora é só uma questão de vacinar, ou de não vacinar e colocar as vacinas subjantes nos respectivos caixotes do lixo no final do ensaio.
Mas porque razão não se optou por doses únicas, em vez de frascos com varias doses... Será que não teria ficado mais barato, subtraindo as que vão para diretamente ao lixo, e que diga-se: não se contabiliza. Coisa estranha... se contabilizam as vacinas aplicadas, mas não se contabiliza as que foram parar ao lixo... onde andara a gestão desta santa gente...
Chama-se a isto uma gestão imaginada, mas não certificada e muito menos realizada. Quem paga os ($$$) disparates governamentais de falta de programação e execução... como sempre é o cidadão contribuinte... e o resto são tretas...
Quanto vai custar afinal a Portugal esta falhada campanha de vacinação...
Que resultados efectivos se podem recolher da vacinação que foi realizada, e quem pode garantir que com outro tipo de atuação os resultados não seriam iguais ou mesmo melhores...
Neste caso o mais importante não são os custos finais, mas sim a razão de ser final desses custos.
Alguém já parou para pensar um pouco, que desde á uns anos a esta parte, o Ministério junto com os laboratórios lançou uma serie de campanhas de vacinação muito parecidas, quase sempre no final do Verão, inicio do Outono, mas sem o potencial publicitário desta, e quem sabe os resultados finais da mesma.
Coisa estranha esta das campanhas de vacinação para a gripe, que entraram na moda, e se tornaram verdadeiro ganha pão de alguns... e morte de outros... pois que de vida, poucas provas cientificas comprovadas temos que evite coisa alguma...
Eu cá por mim nunca entrei nessa campanha, e estou muito bom.
Por enquanto claro...
Mas cada um sabe de si!
“João Massapina”
Os Centros de Saúdes da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, são disso exemplo, segundo afirma o CM, e sabe-se que é uma situação recorrente em outras unidades de saúde.
O desperdício é criticado pela má gestão e atitude dos pacientes que faltam à vacinação.
Contactado pelo CM, o Centro de Saúde de Alverca que engloba Póvoa de Santa Iria, Alverca e Vila Franca de Xira – confirmou o desperdício de vacinas, responsabilizando os utentes. "Pode acontecer com uma dose ou outra. É natural, quando os utentes não comparecem após confirmarem a convocatória. Se for ao final da tarde de uma sexta-feira, não é fácil encontrar-se substitutos", afirmou a enfermeira-chefe Paula Vasques da Costa. O número de doses que não são dadas aos utentes não está contabilizado. Os frascos de vacinas, depois de abertos, só podem ser conservados 24 horas. O desperdício de vacinas também é do conhecimento do presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Correia Azevedo. "Acontece um pouco por todos os centros de saúde, especialmente após a morte dos fetos de grávidas vacinadas", sustenta. O Ministério da Saúde admite que seja possível o desperdício, em casos pontuais, mas quanto as mortes não confirma nem desmente, apenas se cala, como os moucos...
A verdade é que contra este problema não existe solução aparente, e o País vai continuar a desperdiçar importantes recursos por mera responsabilidade dos utentes, segundo o Ministerio da Saude. Uma solução para minimizar a situação seria criar dias agendados e postos exclusivos de vacinação, mas isso obrigaria a um imenso desdobramento em termos físicos de pessoal, e recursos.
Afinal, contrariando algumas vozes mais pró senhor Pinto, existem casos confirmados de mortes após vacinação, nomeadamente em situações de gravidez, e quem o garante é um responsável pelo Sindicato dos Enfermeiros, isto porque os outros, funcionários do SNS tem que estar caladinhos respeitando religiosamente o CPA, que os manda estar calados, caladinhos e não piar por nada deste mundo, sob pena de lhes cortarem as asas e o pio...
A GRIPE VISTA À LUZ DOS NUMEROS
Cerca de 122.000 pessoas tiveram sintomas gripais até à data, registando o Ministério da Saúde 27.169 pacientes com gripe entre os dias 23 e 29 de Novembro, dados oficiais.
214.000 doses da vacina Pandemrix já recebidas por Portugal. Segundo a Direcção-Geral da Saúde, já foram vacinadas pelo menos 96 mil pessoas. Das 60 mil grávidas identificadas para levar a vacina, só cinco mil já foram alegadamente imunizadas.
Perante tudo isto, e o muito mais que ainda fica por dizer:
Tem toda a razão o Bastonario da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, que segue a máxima cá do nosso Tokarev: "Não é possível ir buscar as pessoas a casa para levarem a vacina".
E mais digo eu que quem não quer não pode ser obrigado a fazer a vontade a Senhora Ministra e Compª Ldª e muito menos aos laboratórios.
Uma coisa parece, no entanto; ser já mais do que certa:
O Estado já gastou o dinheiro com as vacinas, e por tanto os laboratórios já embolsaram a fatia e já não tem que se queixar. Agora é só uma questão de vacinar, ou de não vacinar e colocar as vacinas subjantes nos respectivos caixotes do lixo no final do ensaio.
Mas porque razão não se optou por doses únicas, em vez de frascos com varias doses... Será que não teria ficado mais barato, subtraindo as que vão para diretamente ao lixo, e que diga-se: não se contabiliza. Coisa estranha... se contabilizam as vacinas aplicadas, mas não se contabiliza as que foram parar ao lixo... onde andara a gestão desta santa gente...
Chama-se a isto uma gestão imaginada, mas não certificada e muito menos realizada. Quem paga os ($$$) disparates governamentais de falta de programação e execução... como sempre é o cidadão contribuinte... e o resto são tretas...
Quanto vai custar afinal a Portugal esta falhada campanha de vacinação...
Que resultados efectivos se podem recolher da vacinação que foi realizada, e quem pode garantir que com outro tipo de atuação os resultados não seriam iguais ou mesmo melhores...
Neste caso o mais importante não são os custos finais, mas sim a razão de ser final desses custos.
Alguém já parou para pensar um pouco, que desde á uns anos a esta parte, o Ministério junto com os laboratórios lançou uma serie de campanhas de vacinação muito parecidas, quase sempre no final do Verão, inicio do Outono, mas sem o potencial publicitário desta, e quem sabe os resultados finais da mesma.
Coisa estranha esta das campanhas de vacinação para a gripe, que entraram na moda, e se tornaram verdadeiro ganha pão de alguns... e morte de outros... pois que de vida, poucas provas cientificas comprovadas temos que evite coisa alguma...
Eu cá por mim nunca entrei nessa campanha, e estou muito bom.
Por enquanto claro...
Mas cada um sabe de si!
“João Massapina”
Mais planejamento e assistência reduziriam mortes de bebês em 50%
Se o mundo dobrasse a quantia que gasta hoje com planejamento familiar e assistência durante a gravidez em países em desenvolvimento, 70% das mortes de mães e 50% das mortes de bebês recém-nascidos poderiam ser evitadas, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas, ONU.
Investimentos direcionados também poderiam reduzir em dois terços o número de gravidezes indesejadas e de abortos realizados de forma perigosa, contribuindo também para uma redução na pobreza - diz o documento.
Produzido pelo Guttmacher Institute e UNFPA, o Fundo da População das Nações Unidas, o relatório diz que meio milhão de mães e 3,5 milhões de bebês recém-nascidos morrem todos os anos em países em desenvolvimento.
Segundo os especialistas, essas mortes poderiam ser facilmente evitadas.
– Investir em um punhado de serviços básicos de saúde, como planejamento familiar e assistência de rotina durante a gravidez e no parto, poderia salvar milhões de mulheres e bebês–, disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.
– Não é ciência espacial. São serviços básicos que podem ser oferecidos a baixos custos e localmente, suplementados por assistência de emergência quando necessário.
Cerca de US$ 12 bilhões são gastos anualmente no mundo em planejamento familiar e assistência à mãe e bebê - a maior parte desse dinheiro vem de países desenvolvidos e das próprias famílias.
O relatório sugere que o investimento total necessário para evitar milhões de mortes em países pobres seria pouco mais do que o dobro desse valor, cerca de US$ 24,6 bilhões.
Intitulado Adding It Up: The Costs and Benefits of Investing in Family Planning and Maternal and Newborn Health, ("Fazendo a Soma: Os Custos e Benefícios de se Investir em Planejamento Familiar e Saúde da Mãe e do Bebê", em tradução livre), o relatório também ressalta que o investimento em planejamento familiar aumenta a eficiência de cada dólar gasto com a oferta de assistência à mãe durante a gravidez e ao recém-nascido.
Ou seja, investir simultaneamente em planejamento familiar e em serviços para a mãe e bebê pode produzir os mesmos benefícios, gastando-se US$ 1,5 bilhão a menos, do que quando o investimento é feito apenas em assistência à mãe e ao recém-nascido.
O relatório quantifica os benefícios de se oferecer planejamento familiar e assistência à mãe e bebê.
O efeito potencializador da combinação, segundo o documento, é dramático: as mortes de 400 mil mães e 1,6 milhões de bebês seriam evitadas; o número de gravidezes indesejadas cairia mais de dois terços, abortos perigosos e complicações resultantes diminuiriam em 75%.
Tudo isso, segundo os especialistas, levaria a uma redução na pobreza e maior desenvolvimento econômico de países pobres.
– O investimento é modesto em relação aos vastos benefícios –, disse Thoraya Ahmed Obaid, diretora executiva da UNFPA.
Dinheiro gasto com planejamento familiar produz um aumento no uso de preservativos e tem, portanto, o efeito adicional de prevenir o alastramento do vírus HIV e de outras doenças transmitidas sexualmente, dizem os especialistas.
– O relatório mostra a melhor forma de se direcionar os recursos para alcançar os maiores ganhos. Investir nas mulheres tem benefícios enormes, não apenas para indivíduos e famílias, mas para a sociedade como um todo –, disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.
Investimentos direcionados também poderiam reduzir em dois terços o número de gravidezes indesejadas e de abortos realizados de forma perigosa, contribuindo também para uma redução na pobreza - diz o documento.
Produzido pelo Guttmacher Institute e UNFPA, o Fundo da População das Nações Unidas, o relatório diz que meio milhão de mães e 3,5 milhões de bebês recém-nascidos morrem todos os anos em países em desenvolvimento.
Segundo os especialistas, essas mortes poderiam ser facilmente evitadas.
– Investir em um punhado de serviços básicos de saúde, como planejamento familiar e assistência de rotina durante a gravidez e no parto, poderia salvar milhões de mulheres e bebês–, disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.
– Não é ciência espacial. São serviços básicos que podem ser oferecidos a baixos custos e localmente, suplementados por assistência de emergência quando necessário.
Cerca de US$ 12 bilhões são gastos anualmente no mundo em planejamento familiar e assistência à mãe e bebê - a maior parte desse dinheiro vem de países desenvolvidos e das próprias famílias.
O relatório sugere que o investimento total necessário para evitar milhões de mortes em países pobres seria pouco mais do que o dobro desse valor, cerca de US$ 24,6 bilhões.
Intitulado Adding It Up: The Costs and Benefits of Investing in Family Planning and Maternal and Newborn Health, ("Fazendo a Soma: Os Custos e Benefícios de se Investir em Planejamento Familiar e Saúde da Mãe e do Bebê", em tradução livre), o relatório também ressalta que o investimento em planejamento familiar aumenta a eficiência de cada dólar gasto com a oferta de assistência à mãe durante a gravidez e ao recém-nascido.
Ou seja, investir simultaneamente em planejamento familiar e em serviços para a mãe e bebê pode produzir os mesmos benefícios, gastando-se US$ 1,5 bilhão a menos, do que quando o investimento é feito apenas em assistência à mãe e ao recém-nascido.
O relatório quantifica os benefícios de se oferecer planejamento familiar e assistência à mãe e bebê.
O efeito potencializador da combinação, segundo o documento, é dramático: as mortes de 400 mil mães e 1,6 milhões de bebês seriam evitadas; o número de gravidezes indesejadas cairia mais de dois terços, abortos perigosos e complicações resultantes diminuiriam em 75%.
Tudo isso, segundo os especialistas, levaria a uma redução na pobreza e maior desenvolvimento econômico de países pobres.
– O investimento é modesto em relação aos vastos benefícios –, disse Thoraya Ahmed Obaid, diretora executiva da UNFPA.
Dinheiro gasto com planejamento familiar produz um aumento no uso de preservativos e tem, portanto, o efeito adicional de prevenir o alastramento do vírus HIV e de outras doenças transmitidas sexualmente, dizem os especialistas.
– O relatório mostra a melhor forma de se direcionar os recursos para alcançar os maiores ganhos. Investir nas mulheres tem benefícios enormes, não apenas para indivíduos e famílias, mas para a sociedade como um todo –, disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.
Importância do atendimento imediato
Agência FAPESP – Um homem de 53 anos jogava basquete quando perdeu subitamente a consciência. Um funcionário do clube onde o jogo se dava chamou a equipe médica do local. Enquanto esperava, ele realizou procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar e ainda aplicou choques com um desfibrilador externo automático do próprio clube.
No hospital, os médicos constataram que a vida do homem fora salva, em especial, pelo trabalho do funcionário do clube que havia sido treinado em suporte básico de vida.
O caso foi utilizado como exemplo em uma pesquisa feita por seis cardiologistas do Instituto do Coração de São Paulo (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que destaca a importância do treinamento somado a equipamentos adequados na hora de salvar vidas.
“Após uma fibrilação ventricular, cada minuto de espera diminui em 10% as chances de vida e, após quatro ou cinco minutos, há chances de resultar em sequelas neurológicas”, disse o cardiologista Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do InCor e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP. O trabalho foi publicado na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
A fibrilação ventricular é um tipo de parada cardíaca durante a qual o coração sofre um “caos elétrico” e não consegue bombear sangue para os demais órgãos. Um choque produzido por um aparelho médico, o desfibrilador, faz o coração retomar o ritmo adequado.
Por isso, o pronto atendimento no local da ocorrência é fundamental para o sucesso do procedimento. Porém, a falta de treinamento e de equipamentos adequados diminuem as chances de sucesso em menos de 5% em caso de paradas cardiorrespiratórias ocorridas fora dos hospitais, de acordo com dados citados no trabalho.
Investimentos e resultados
Em oposição, o artigo relata casos de sucesso em locais públicos que adquiriram desfibriladores e treinaram funcionários para as emergências cardíacas.
“No aeroporto de Chicago, o índice de sobrevida subiu para 55% e em cassinos de Las Vegas esse número chegou a 76%”, disse Timerman, citando exemplos de prédios norte-americanos que investiram no atendimento dessas ocorrências.
O médico alerta, no entanto, que é preciso seguir os passos preconizados pela American Heart Association: reconhecer prontamente a emergência e chamar o serviço médico, iniciar manobras de ressuscitação cardiorrespiratória, aplicar a desfibrilação com o equipamento adequado e continuar o tratamento com atendimento médico profissional imediato.
“Não basta ter qualidade em apenas uma etapa. Há casos em que temos um ótimo atendimento pré-hospitalar, mas um péssimo pós-hospitalar, e vice versa”, apontou.
Para os autores da pesquisa, o treinamento em suporte básico de vida é tão importante quanto a disponibilização dos desfibriladores. “Não é apenas a aquisição de equipamentos, mas sobretudo planejamento e treinamento com simulações que fazem com que as pessoas tomem a iniciativa de atendimento, demonstrando que morte súbita não é necessariamente morte biológica definitiva, mas situação potencialmente reversível”, concluíram.
Os outros autores do artigo são Maria Margarita Gonzalez, Flávio Rocha Brito Marques, Caio Brito Vianna, Carlos Alberto Eid e Gilson Soares Feitosa-Filho.
No hospital, os médicos constataram que a vida do homem fora salva, em especial, pelo trabalho do funcionário do clube que havia sido treinado em suporte básico de vida.
O caso foi utilizado como exemplo em uma pesquisa feita por seis cardiologistas do Instituto do Coração de São Paulo (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que destaca a importância do treinamento somado a equipamentos adequados na hora de salvar vidas.
“Após uma fibrilação ventricular, cada minuto de espera diminui em 10% as chances de vida e, após quatro ou cinco minutos, há chances de resultar em sequelas neurológicas”, disse o cardiologista Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do InCor e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP. O trabalho foi publicado na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
A fibrilação ventricular é um tipo de parada cardíaca durante a qual o coração sofre um “caos elétrico” e não consegue bombear sangue para os demais órgãos. Um choque produzido por um aparelho médico, o desfibrilador, faz o coração retomar o ritmo adequado.
Por isso, o pronto atendimento no local da ocorrência é fundamental para o sucesso do procedimento. Porém, a falta de treinamento e de equipamentos adequados diminuem as chances de sucesso em menos de 5% em caso de paradas cardiorrespiratórias ocorridas fora dos hospitais, de acordo com dados citados no trabalho.
Investimentos e resultados
Em oposição, o artigo relata casos de sucesso em locais públicos que adquiriram desfibriladores e treinaram funcionários para as emergências cardíacas.
“No aeroporto de Chicago, o índice de sobrevida subiu para 55% e em cassinos de Las Vegas esse número chegou a 76%”, disse Timerman, citando exemplos de prédios norte-americanos que investiram no atendimento dessas ocorrências.
O médico alerta, no entanto, que é preciso seguir os passos preconizados pela American Heart Association: reconhecer prontamente a emergência e chamar o serviço médico, iniciar manobras de ressuscitação cardiorrespiratória, aplicar a desfibrilação com o equipamento adequado e continuar o tratamento com atendimento médico profissional imediato.
“Não basta ter qualidade em apenas uma etapa. Há casos em que temos um ótimo atendimento pré-hospitalar, mas um péssimo pós-hospitalar, e vice versa”, apontou.
Para os autores da pesquisa, o treinamento em suporte básico de vida é tão importante quanto a disponibilização dos desfibriladores. “Não é apenas a aquisição de equipamentos, mas sobretudo planejamento e treinamento com simulações que fazem com que as pessoas tomem a iniciativa de atendimento, demonstrando que morte súbita não é necessariamente morte biológica definitiva, mas situação potencialmente reversível”, concluíram.
Os outros autores do artigo são Maria Margarita Gonzalez, Flávio Rocha Brito Marques, Caio Brito Vianna, Carlos Alberto Eid e Gilson Soares Feitosa-Filho.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Ácido fólico pode elevar risco de câncer
Um novo estudo mostra que altas doses de ácido fólico podem elevar risco de câncer, especialmente no pulmão.
O estudo foi conduzido na Noruega, onde os alimentos não são fortificados com ácido fólico, tornando possível comparar resultados entre pacientes tratados com suplementos e um grupo que recebeu placebos.
Pesquisadores acompanharam mais de 6 mil pacientes com doença cardíaca isquêmica, que haviam participado de dois experimentos clínicos aleatórios montados para avaliar se o tratamento de redução de homocisteína com ácido fólico e vitamina B12 reduzia a chance de doenças cardíacas. Os experimentos começaram em 1998 e terminaram em 2004 e 2005.
Publicado no Journal of the American Medical Association, o estudo monitorou os mesmos pacientes ao longo de 2007. Foi descoberto que 10% dos pacientes tratados com ácido fólico e vitamina B12 haviam desenvolvido câncer, frente a 8,4% dos que não haviam recebido o tratamento – um aumento de 21% no risco. A análise indicou que o risco adicional estava associado aos altos níveis de ácido fólico no sangue, e não à vitamina B12.
Embora evidências experimentais tenham indicado que a deficiência de ácido fólico pode causar o desenvolvimento do câncer, os autores do estudo sugeriram também ser possível que o excesso do ácido acelerasse o crescimento de tumores.
O papel do ácido fólico vai mudando conforme as etapas da vida. Na idade escolar, a sua carência pode levar à anemia nutricional. Nos adultos mais idosos, como o ácido fólico tem efeitos sobre o sistema nervoso central, o baixo consumo dessa vitamina ou os baixos níveis podem agravar problemas neuropsiquiátricos.
As principais fonte são espinafre, vegetais de folhas verdes, fígado, levedo de cerveja, cenoura e gema de ovo
O estudo foi conduzido na Noruega, onde os alimentos não são fortificados com ácido fólico, tornando possível comparar resultados entre pacientes tratados com suplementos e um grupo que recebeu placebos.
Pesquisadores acompanharam mais de 6 mil pacientes com doença cardíaca isquêmica, que haviam participado de dois experimentos clínicos aleatórios montados para avaliar se o tratamento de redução de homocisteína com ácido fólico e vitamina B12 reduzia a chance de doenças cardíacas. Os experimentos começaram em 1998 e terminaram em 2004 e 2005.
Publicado no Journal of the American Medical Association, o estudo monitorou os mesmos pacientes ao longo de 2007. Foi descoberto que 10% dos pacientes tratados com ácido fólico e vitamina B12 haviam desenvolvido câncer, frente a 8,4% dos que não haviam recebido o tratamento – um aumento de 21% no risco. A análise indicou que o risco adicional estava associado aos altos níveis de ácido fólico no sangue, e não à vitamina B12.
Embora evidências experimentais tenham indicado que a deficiência de ácido fólico pode causar o desenvolvimento do câncer, os autores do estudo sugeriram também ser possível que o excesso do ácido acelerasse o crescimento de tumores.
O papel do ácido fólico vai mudando conforme as etapas da vida. Na idade escolar, a sua carência pode levar à anemia nutricional. Nos adultos mais idosos, como o ácido fólico tem efeitos sobre o sistema nervoso central, o baixo consumo dessa vitamina ou os baixos níveis podem agravar problemas neuropsiquiátricos.
As principais fonte são espinafre, vegetais de folhas verdes, fígado, levedo de cerveja, cenoura e gema de ovo
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
“Morte tratada como ofensa”
"Mas que morte vivemos hoje?" Foi este o mote lançado pelo procurador Manuel Cardoso, á poucos dias, no debate ‘A Ética: a Vida na Morte’, promovido pela Comissão de Ética para a Saúde (CES) do Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco.
A dicotomia entre a vida e a morte e a responsabilidade partilhada do acto médico estiveram em destaque numa conferência que contou a presença do médico João Lobo Antunes, de Maria do Céu Machado (alta-comissária para a Saúde) e de Walter Osswald (presidente da Comissão de Bioética da Universidade do Porto). Os três consideram que a eutanásia e a morte assistida só devem ser discutidas "quando houver uma rede de cuidados paliativos".
O cirurgião Lobo Antunes verteu para os assistentes muitas dúvidas sobre alguns "dilemas éticos difíceis de resolver".
Salientou que o envelhecimento "é um grande problema de saúde", e que os médicos são hoje confrontados "com os genuinamente doentes e com os preocupados saudáveis". Para o especialista, o debate ético tem de ser feito "com muita responsabilidade", porque a medicina de hoje é "mais difícil, complicada, arriscada, perigosa e poderosa".
Maria do Céu Machado, pediatra, referiu-se à ética no início da vida e abordou casos reais de situações de crianças que nasceram com problemas de saúde e outras vítimas de maus tratos.
A Walter Osswald coube "valorizar" o conceito da morte. "No ano passado, 52 por cento das mortes ocorreram em ambiente hospitalar e, muitas delas, em situações miseráveis. Tapam as cortinas, tentam ocultar a morte. Trata-se dela como uma ofensa, de forma pornográfica", referiu o presidente da Comissão de Bioética e professor universitário, acrescentando que "as pessoas têm de se consciencializar que uma maneira de ter uma boa morte é ter uma boa vida."
Luís Oliveira
A dicotomia entre a vida e a morte e a responsabilidade partilhada do acto médico estiveram em destaque numa conferência que contou a presença do médico João Lobo Antunes, de Maria do Céu Machado (alta-comissária para a Saúde) e de Walter Osswald (presidente da Comissão de Bioética da Universidade do Porto). Os três consideram que a eutanásia e a morte assistida só devem ser discutidas "quando houver uma rede de cuidados paliativos".
O cirurgião Lobo Antunes verteu para os assistentes muitas dúvidas sobre alguns "dilemas éticos difíceis de resolver".
Salientou que o envelhecimento "é um grande problema de saúde", e que os médicos são hoje confrontados "com os genuinamente doentes e com os preocupados saudáveis". Para o especialista, o debate ético tem de ser feito "com muita responsabilidade", porque a medicina de hoje é "mais difícil, complicada, arriscada, perigosa e poderosa".
Maria do Céu Machado, pediatra, referiu-se à ética no início da vida e abordou casos reais de situações de crianças que nasceram com problemas de saúde e outras vítimas de maus tratos.
A Walter Osswald coube "valorizar" o conceito da morte. "No ano passado, 52 por cento das mortes ocorreram em ambiente hospitalar e, muitas delas, em situações miseráveis. Tapam as cortinas, tentam ocultar a morte. Trata-se dela como uma ofensa, de forma pornográfica", referiu o presidente da Comissão de Bioética e professor universitário, acrescentando que "as pessoas têm de se consciencializar que uma maneira de ter uma boa morte é ter uma boa vida."
Luís Oliveira
Morre o físico Marcelo Damy
Agência FAPESP – O físico Marcelo Damy de Souza Santos morreu no domingo (29/11), aos 95 anos. Estava internado havia cerca de um ano no Hospital Albert Einstein em São Paulo, após sofrer um acidente vascular cerebral. O enterro foi na segunda-feira, no cemitério Getsêmani, no bairro do Morumbi, em São Paulo.
Considerado um dos pilares do ensino e pesquisa de física no Brasil, ao lado de César Lattes, José Leite Lopes e Mário Schenberg, Damy nasceu em Campinas (SP), em 1914. Em 1933, ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para cursar engenharia elétrica. Acabou migrando para a física a convite do então professor da universidade, Gleb Wataghin, cujas aulas gostava de assistir como aluno ouvinte. Graduou-se na primeira turma do curso de física na USP.
Durante a graduação, começou a se interessar pelos fenômenos radioativos descobertos no início do século pelo casal Pierre e Marie Curie. Após a Segunda Guerra Mundial, o conhecimento da energia dos átomos consolidou-se em um novo ramo de estudo no qual Damy se destacaria, a física nuclear.
Também foi pioneiro no ensino de física experimental no Brasil. “Naquele tempo o professor estudava na véspera para no dia seguinte passar para os alunos”, disse em entrevista à revista Pesquisa FAPESP, criticando o ensino puramente teórico.
Outra de suas marcas era a engenhosidade. Um aparelho que desenvolveu durante a pós-graduação na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, obteve medidas de radiação cósmica em intervalos de tempo da ordem de 1 centésimo de 1 milionésimo de segundo, dez mil vezes mais sensível que os disponíveis até então. O aparelho proporcionou no Brasil a descoberta dos chuveiros penetrantes, um fenômeno dos raios cósmicos.
Damy foi professor do Instituto de Filosofia da USP, tendo auxiliado na instalação, em 1950, do Betatron, o primeiro acelerador de partículas a funcionar na América Latina. Desenvolveu também o primeiro reator nuclear brasileiro.
Foi um dos fundadores do Instituto de Energia Atômica, atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), e seu primeiro superintendente, de 1956 a 1961. Também foi presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) de 1961 a 1964.
Aposentado como professor emérito da USP, em 1968, auxiliou a consolidação da recém-criada Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) assumindo o cargo de diretor do Instituto de Física, o qual receberia o nome de seu ex-professor, Gleb Wataghin.
Trabalhou depois como professor titular de física nuclear da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e, a partir de 1988, passou a colaborar com trabalhos feitos no Ipen.
Foi colega de graduação de Schenberg, com o qual dividia a apertada sala de Wataghin, e professor de Lattes, o qual se notabilizaria mais tarde ao descobrir a partícula atômica méson pi.
Damy considerava o ensino de ciência uma atividade intimamente ligada à pesquisa. “Um bom professor é um pesquisador que gosta de contar as coisas que faz e que viu outros fazerem. Eu não conheço nenhum bom professor que não tenha sido, ou não seja ainda, um pesquisador,” disse.
Considerado um dos pilares do ensino e pesquisa de física no Brasil, ao lado de César Lattes, José Leite Lopes e Mário Schenberg, Damy nasceu em Campinas (SP), em 1914. Em 1933, ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para cursar engenharia elétrica. Acabou migrando para a física a convite do então professor da universidade, Gleb Wataghin, cujas aulas gostava de assistir como aluno ouvinte. Graduou-se na primeira turma do curso de física na USP.
Durante a graduação, começou a se interessar pelos fenômenos radioativos descobertos no início do século pelo casal Pierre e Marie Curie. Após a Segunda Guerra Mundial, o conhecimento da energia dos átomos consolidou-se em um novo ramo de estudo no qual Damy se destacaria, a física nuclear.
Também foi pioneiro no ensino de física experimental no Brasil. “Naquele tempo o professor estudava na véspera para no dia seguinte passar para os alunos”, disse em entrevista à revista Pesquisa FAPESP, criticando o ensino puramente teórico.
Outra de suas marcas era a engenhosidade. Um aparelho que desenvolveu durante a pós-graduação na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, obteve medidas de radiação cósmica em intervalos de tempo da ordem de 1 centésimo de 1 milionésimo de segundo, dez mil vezes mais sensível que os disponíveis até então. O aparelho proporcionou no Brasil a descoberta dos chuveiros penetrantes, um fenômeno dos raios cósmicos.
Damy foi professor do Instituto de Filosofia da USP, tendo auxiliado na instalação, em 1950, do Betatron, o primeiro acelerador de partículas a funcionar na América Latina. Desenvolveu também o primeiro reator nuclear brasileiro.
Foi um dos fundadores do Instituto de Energia Atômica, atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), e seu primeiro superintendente, de 1956 a 1961. Também foi presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) de 1961 a 1964.
Aposentado como professor emérito da USP, em 1968, auxiliou a consolidação da recém-criada Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) assumindo o cargo de diretor do Instituto de Física, o qual receberia o nome de seu ex-professor, Gleb Wataghin.
Trabalhou depois como professor titular de física nuclear da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e, a partir de 1988, passou a colaborar com trabalhos feitos no Ipen.
Foi colega de graduação de Schenberg, com o qual dividia a apertada sala de Wataghin, e professor de Lattes, o qual se notabilizaria mais tarde ao descobrir a partícula atômica méson pi.
Damy considerava o ensino de ciência uma atividade intimamente ligada à pesquisa. “Um bom professor é um pesquisador que gosta de contar as coisas que faz e que viu outros fazerem. Eu não conheço nenhum bom professor que não tenha sido, ou não seja ainda, um pesquisador,” disse.
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