domingo, 16 de novembro de 2008

NEUROTOXINA PODE SER CAUSA DA ELA

A Neurotoxina BMAA presente na relva dos campos de futebol pode ser a causa da esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que já afetou dezenas de futebolistas entre eles José António, antigo jogador do Leixões e Desportivo de Aves que se viu forçado a abandonar prematuramente os relvados devido ao agravamento do seu estado de saúde num curto espaço de tempo.
Vários factores relacionados com doping, esforço excessivo, uso abusivo de anti-inflamatórios, etc, já foram apontados como causas possíveis da doença, mas a ciência ainda não em uma conclusão definitiva.
Uma nova corrente de pesquisa sobre a origem da doença inclina-se para a possibilidade da neurotoxina sustentada esta semana por Jesus Mora, neurologista e director da unidade de ELA do Hospital Carlos III, de Madrid.
Segundo o especialista, a neurotoxina BMAA, produzida por algas azuis presentes em águas paradas e que se alimentam principalmente de fosfatos como os dos pesticidas, podem ter nos relvados de futebol um óptimo meio de desenvolvimento através das várias sessões de rega a que são sujeitos. As algas azuis e respectivas neurotoxinas também estão relacionadas com outras doenças neurodegenerativas como são os casos do Alzheimer e Parkinson.
Mas as neurotoxina, só por si, não explicam tudo. De acordo com Jesus Mora, outro factor fundamental para o desenvolvimento da doença será a condicionante genética de cada individuo, até porque a esclerose lateral amiotrófica é muito rara.
A patologia foi diagnosticada em mais de 40 jogadores em Itália nos últimos anos, proporção largamente superior à registada na população comum. Adriano Chio, responsável pelo Departamento de Neurologia da Universidade de Turim, analisou 7.325 futebolistas que jogaram na série A e B de Itália, entre 1970 e 2006, e concluiu que a média da doença entre os atletas é seis vezes superior à da população geral.
A ELA provoca uma paralisia dos músculos das pernas e dos braços, da boca e da garganta. Impossibilitando a fala e a deglutição, e no limite, a respiração. Apenas 20 por cento dos pacientes sobrevivem cinco anos, e cinco por cento dos casos são hereditários.


‘Luis Miguel Pereira’

2 comentários:

popelina disse...

Impressionante! E esse pesticida continua a ser autorizado???

João Massapina disse...

Obrigado pela participação.

Em resposta a sua questão; dizer que depois de me informar, lamentavelmente se tem que dizer que o pesticida continua a ser perfusamente utilizado.

Saudações