Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Um estudo epidemiológico realizado durante dois anos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) com crianças de João Pessoa (PB) sugere que os patógenos causadores da diarreia no Brasil estão mudando. A pesquisa mostrou que o mais prevalente dos agentes associados à doença é a bactéria Escherichia coli e não mais a Salmonella, que causava a maior parte dos casos há algumas décadas.
A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Diagnostic Microbiology and Infectious Disease, foi coordenada pela professora Marina Baquerizo Martinez, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas (FBC) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.
Segundo Marina, autora principal do artigo, o estudo analisou amostras de soro extraídas de 290 crianças com diarreia e 290 crianças saudáveis (grupo de controle). A Escherichia coli foi o patógeno mais prevalente associado à diarreia aguda, correspondendo a 47,4% dos microrganismos isolados. A variedade enteroagregativa foi a mais comum: 25%. Apenas 7,9% dos patógenos isolados eram Salmonella.
“Temos estudos feitos nas décadas de 1980, 1990 sobre a etiologia – ou fatores causais – da diarreia. Comparando o estudo feito na Paraíba com essa série histórica, podemos observar que na década de 2000 houve uma diferença acentuada em relação ao microrganismo que mais incide na população. Até agora, a Escherichia coli enteroagregativa não havia sido identificada no Brasil como agente principal”, disse Marina à Agência FAPESP.
Realizada entre 2004 e 2006, a pesquisa teve seus resultados aceitos para publicação em 2008, mas veiculados apenas em janeiro de 2010. Marina explica que, para estudos epidemiológicos, os dados podem ser considerados atuais.
“É importante fazer esse tipo de pesquisa porque, quando a criança com diarreia é atendida por um médico, o exame para identificação do agente causador da doença não faz parte da rotina. O estudo epidemiológico permite saber quais são os patógenos em circulação no país. Isso é relevante, pois o fator de virulência pode mudar muito”, disse a pesquisadora, que atualmente coordena três projetos de Auxílio à Pesquisa – Regular apoiados pela FAPESP.
De acordo com a professora, vários agentes emergentes têm sido identificados nos últimos anos, como o rotavírus. “Nas décadas de 1970 e 1980 o agente mais importante era a Salmonella. Mais tarde o rotavírus passou a ser um agente causador importante – tanto que a vacinação para esse microrganismo passou a ser oferecida na rede pública. Agora temos a prevalência da Escherichia coli”, explicou.
Os estudos epidemiológicos visando a identificar a virulência dos patógenos em circulação e as pesquisas sobre a etiologia mudaram, gradualmente, o tratamento da doença.
“Na década de 1980 muitas crianças eram internadas com diarreia causada por Salmonella. Hoje, graças a estudos sobre a etiologia da doença, foi possível tratá-la de forma mais global e passou-se a divulgar a necessidade de hidratar a criança o mais cedo possível. O resultado disso é que hoje as crianças não são mais internadas nesse caso”, explicou.
A pesquisadora afirma que o grupo se surpreendeu com a prevalência da Escherichia coli. “Achávamos que no Nordeste brasileiro a etiologia da diarreia permanecia a mesma, com predominância da Salmonella. Foi uma surpresa ver que a região tinha esses agentes atípicos como causa da diarreia aguda”, disse.
Questão de pobreza
O grupo liderado por Marina atualmente realiza um estudo da etiologia da diarreia no Hospital Universitário (HU) da USP, também com apoio da FAPESP.
“Estamos colhendo material para o projeto, que tem término previsto para março de 2011. A ideia é analisar a etiologia da diarreia em São Paulo para comparar com os dados dos estudos feitos na região nas décadas de 1980 e 1990”, disse.
A professora explica que a diarreia é uma doença infecciosa autolimitante – isto é, os sintomas desaparecem espontaneamente com o tempo. “Apenas em alguns casos muito graves há necessidade de tratamento e internação, por exemplo, quando as diarreias causadas por Salmonella geram febres muito altas e infecções no sangue”, afirmou.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a diarreia está entre as principais causas de mortalidade infantil, matando cerca de 2 milhões de crianças a cada ano em todo o mundo – especialmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, a doença também é uma das maiores causas de mortes de crianças.
“Em São Paulo o quadro é parecido com o dos países desenvolvidos. Mas temos incidência e mortalidade bastante altas tanto no Norte como no Nordeste. A diarreia é, principalmente, uma questão de pobreza”, disse Marina.
O artigo Etiology of childhood diarrhea in the northeast of Brazil: significant emergent diarrheal pathogens, de Marina Baquerizo Martinez e outros, pode ser lido na Diagnostic Microbiology and Infectious Disease em www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18508227.
Blog de recolha e divulgação de artigos e opiniões de interesse generalizado na área de Saúde Pública, além de divulgação de noticiário variado na área cientifica, sobretudo , para além de analises criticas e construtivas aos Serviços Nacionais de Saúde. Artigos de opinião critica e construtiva sobre a temativa em analise, a responsabilidade do autor do Blog, e convidados.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Mapeados genes ligados à gripe
Os genes humanos relacionados com o processo de replicação do vírus da gripe foram mapeados por cientistas alemães. De acordo com a revista Nature, a descoberta abre caminho para uma nova geração de drogas antivirais que atua nas células humanas, permitindo que o medicamento continue eficaz apesar das mutações virais.
A descoberta também traz esperança de tratamento para outras infecções, como a aids.
Usando a metodologia chamada RNA de interferência, que permite silenciar genes específicos, os pesquisadores procuraram identificar os genes existentes nas células do pulmão que são usados na reprodução do vírus influenza A.
O material genético do vírus foi injetado em culturas de células do pulmão. Os mais de 22 mil genes que formam o genoma humano foram silenciados um a um para descobrir quais são importantes para a replicação viral.
Os pesquisadores Identificaram 287 genes cruciais para o processo. Desses, 168 puderam ser silenciados temporariamente sem comprometer o funcionamento das células.
Dos 168 genes, 47 estão ligados à replicação do subtipo viral H1N1 endêmico, causador da gripe espanhola, 49 ao subtipo H1N1 pandêmico, que causa a gripe suína, e 72 aos dois subtipos.
A descoberta também traz esperança de tratamento para outras infecções, como a aids.
Usando a metodologia chamada RNA de interferência, que permite silenciar genes específicos, os pesquisadores procuraram identificar os genes existentes nas células do pulmão que são usados na reprodução do vírus influenza A.
O material genético do vírus foi injetado em culturas de células do pulmão. Os mais de 22 mil genes que formam o genoma humano foram silenciados um a um para descobrir quais são importantes para a replicação viral.
Os pesquisadores Identificaram 287 genes cruciais para o processo. Desses, 168 puderam ser silenciados temporariamente sem comprometer o funcionamento das células.
Dos 168 genes, 47 estão ligados à replicação do subtipo viral H1N1 endêmico, causador da gripe espanhola, 49 ao subtipo H1N1 pandêmico, que causa a gripe suína, e 72 aos dois subtipos.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Tumores estressados
Agência FAPESP – O estresse emite sinais que fazem com que células desenvolvam tumores, indica uma pesquisa feita por um grupo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, e publicado primeiramente no site da revista Nature.
O estudo descreve uma nova maneira pela qual o câncer age no organismo e aponta novos caminhos para combater a doença. Até agora, a maioria dos cientistas estimava que uma célula precisava de mais de uma mutação que causa câncer para que os tumores se desenvolvessem.
O grupo liderado por Tian Xu, professor e vice-presidente do conselho de genética de Yale, mostrou que mutações que causam câncer podem atuar em conjunto para promover o desenvolvimento de tumores mesmo quando localizados em diferentes células em um mesmo tecido.
“A má notícia é que é muito mais fácil para um tecido acumular mutações em células diferentes do que em uma mesma célula”, disse Xu, que também é pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes e da Universidade Fudan, na China.
O grupo trabalhou com moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster) para analisar as atividades de dois genes conhecidos pelo envolvimento no desenvolvimento de tumores no home. O primeiro é o chamado RAS, que já se mostrou implicado em 30% dos cânceres. O outro é o gene scribble (“rascunho”), que contribui para o desenvolvimento de tumores quando sofre mutação.
O grupo de Xu anteriormente havia demonstrado que uma combinação dos dois genes na mesma célula desencadeava a formação de tumores malignos. Mas, agora, os pesquisadores verificaram que as mutações não precisam coexistir na mesma célula para isso.
Uma célula com apenas a mutação RAS é capaz de se desenvolver em um tumor maligno se auxiliada por uma célula próxima que contenha um gene scribble defeituoso.
Em seguida, os pesquisadores observaram que condições estressantes, como uma ferida, podem disparar o desenvolvimento do câncer. Por exemplo, células RAS se desenvolveram em tumores quando um ferimento foi induzido em um tecido.
O mecanismo por trás do fenômeno, segundo os pesquisadores, é um processo de sinalização conhecido como JNK, que é ativado por condições de estresse.
“O problema é que diversas condições podem disparar a sinalização de estresse, seja o estresse físico ou emocional, infecções ou inflamações”, ressaltou Xu.
Mas, apesar de o estudo indicar que é ainda mais fácil do que se estimava para que o câncer se desenvolva, ele também, de acordo com os autores, ajuda a identificar novos alvos para o desenvolvimento de novas formas de prevenção e tratamento da doença.
O artigo Interaction between RasV12 and scribbled clones induces tumour growth and invasion (DOI: 10.1038/nature08702), de Tian Xu e outros, pode ser lido na Nature em www.nature.com.
O estudo descreve uma nova maneira pela qual o câncer age no organismo e aponta novos caminhos para combater a doença. Até agora, a maioria dos cientistas estimava que uma célula precisava de mais de uma mutação que causa câncer para que os tumores se desenvolvessem.
O grupo liderado por Tian Xu, professor e vice-presidente do conselho de genética de Yale, mostrou que mutações que causam câncer podem atuar em conjunto para promover o desenvolvimento de tumores mesmo quando localizados em diferentes células em um mesmo tecido.
“A má notícia é que é muito mais fácil para um tecido acumular mutações em células diferentes do que em uma mesma célula”, disse Xu, que também é pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes e da Universidade Fudan, na China.
O grupo trabalhou com moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster) para analisar as atividades de dois genes conhecidos pelo envolvimento no desenvolvimento de tumores no home. O primeiro é o chamado RAS, que já se mostrou implicado em 30% dos cânceres. O outro é o gene scribble (“rascunho”), que contribui para o desenvolvimento de tumores quando sofre mutação.
O grupo de Xu anteriormente havia demonstrado que uma combinação dos dois genes na mesma célula desencadeava a formação de tumores malignos. Mas, agora, os pesquisadores verificaram que as mutações não precisam coexistir na mesma célula para isso.
Uma célula com apenas a mutação RAS é capaz de se desenvolver em um tumor maligno se auxiliada por uma célula próxima que contenha um gene scribble defeituoso.
Em seguida, os pesquisadores observaram que condições estressantes, como uma ferida, podem disparar o desenvolvimento do câncer. Por exemplo, células RAS se desenvolveram em tumores quando um ferimento foi induzido em um tecido.
O mecanismo por trás do fenômeno, segundo os pesquisadores, é um processo de sinalização conhecido como JNK, que é ativado por condições de estresse.
“O problema é que diversas condições podem disparar a sinalização de estresse, seja o estresse físico ou emocional, infecções ou inflamações”, ressaltou Xu.
Mas, apesar de o estudo indicar que é ainda mais fácil do que se estimava para que o câncer se desenvolva, ele também, de acordo com os autores, ajuda a identificar novos alvos para o desenvolvimento de novas formas de prevenção e tratamento da doença.
O artigo Interaction between RasV12 and scribbled clones induces tumour growth and invasion (DOI: 10.1038/nature08702), de Tian Xu e outros, pode ser lido na Nature em www.nature.com.
Pacientes com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz
É comum para quem sofre de enxaqueca a vontade de, ao ter um ataque, querer se refugiar em um quarto silencioso e escuro. Embora há tempos se saiba que a luz piora o quadro dessa cefaleia, os motivos por que isso ocorre são desconhecidos.
Agora, um grupo de cientistas nos Estados Unidos identificou um mecanismo que ocorre na sensibilidade à luz durante as crises de enxaqueca tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.
Os resultados da pesquisa, divulgados neste domingo na edição on-line da revista Nature Neuroscience, ajudam a compreender melhor os mecanismos por trás do problema ainda sem cura e que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o estudo, cerca de 85% dos indivíduos com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz. A fotofobia faz com que muitos evitem atividades como dirigir ou até mesmo ler e trabalhar.
– Alguns pacientes chegam até mesmo a usar óculos escuros durante à noite –, disse um dos autores do estudo, Rami Burstein, professor do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Escola Médica Harvard.
Foi a constatação de que a fotofobia atinge, entre os pacientes com enxaqueca, até mesmo as pessoas cegas que levou o grupo a investigar a hipótese de que os sinais transmitidos pela retina por meio dos nervos ópticos intensificariam as dores.
Os pesquisadores examinaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Os voluntários no primeiro grupo eram totalmente cegos devido a doenças como câncer na retina ou glaucoma. Como eles não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, tinham dificuldade de manter ciclos normais de sono.
O segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas como retinite pigmentosa. Embora não fossem capazes de perceber imagens, podiam detectar a presença de luz e manter ritmos normais de dormir e ficar acordado.
– Enquanto os pacientes no primeiro grupo não experimentaram piora em suas dores de cabeça a partir da exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação nas dores, particularmente na exposição à luz nos comprimentos de onda azul e cinza –, disse Burstein.
– Isso indicou que o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, porque em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro –, afirmou.
Os cientistas levaram os resultados ao laboratório, onde realizaram uma série de experimentos em modelos animais da enxaqueca. Após injetarem melanopsinas (fotopigmentos) nos olhos de ratos, eles traçaram o caminho dos sinais pelos nervos ópticos até o cérebro, onde descobriram um grupo de neurônios que se tornaram eletricamente ativos durante as crises de enxaqueca.
– Quando pequenos eletrodos foram inseridos nesses ‘neurônios da enxaqueca’ descobrimos que a luz estava disparando um fluxo de sinais elétricos que estava convergindo nas melanopsinas. Isso aumentava a sua atividade em segundos –, disse Burstein.
Mesmo quando a luz era apagada, os neurônios permaneciam ativos.
– Isso ajuda a explicar por que pacientes contam que suas crise se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram de 20 a 30 minutos depois que passam para ambientes escuros –, disse.
Para os autores do estudo, a descoberta fornece novas rotas para abordar o problema da fotofobia em portadores de enxaqueca.
– Clinicamente, a pesquisa monta um cenário para identificar maneiras de bloquear o caminho da dor de modo que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto –, apontou.
Agora, um grupo de cientistas nos Estados Unidos identificou um mecanismo que ocorre na sensibilidade à luz durante as crises de enxaqueca tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.
Os resultados da pesquisa, divulgados neste domingo na edição on-line da revista Nature Neuroscience, ajudam a compreender melhor os mecanismos por trás do problema ainda sem cura e que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o estudo, cerca de 85% dos indivíduos com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz. A fotofobia faz com que muitos evitem atividades como dirigir ou até mesmo ler e trabalhar.
– Alguns pacientes chegam até mesmo a usar óculos escuros durante à noite –, disse um dos autores do estudo, Rami Burstein, professor do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Escola Médica Harvard.
Foi a constatação de que a fotofobia atinge, entre os pacientes com enxaqueca, até mesmo as pessoas cegas que levou o grupo a investigar a hipótese de que os sinais transmitidos pela retina por meio dos nervos ópticos intensificariam as dores.
Os pesquisadores examinaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Os voluntários no primeiro grupo eram totalmente cegos devido a doenças como câncer na retina ou glaucoma. Como eles não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, tinham dificuldade de manter ciclos normais de sono.
O segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas como retinite pigmentosa. Embora não fossem capazes de perceber imagens, podiam detectar a presença de luz e manter ritmos normais de dormir e ficar acordado.
– Enquanto os pacientes no primeiro grupo não experimentaram piora em suas dores de cabeça a partir da exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação nas dores, particularmente na exposição à luz nos comprimentos de onda azul e cinza –, disse Burstein.
– Isso indicou que o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, porque em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro –, afirmou.
Os cientistas levaram os resultados ao laboratório, onde realizaram uma série de experimentos em modelos animais da enxaqueca. Após injetarem melanopsinas (fotopigmentos) nos olhos de ratos, eles traçaram o caminho dos sinais pelos nervos ópticos até o cérebro, onde descobriram um grupo de neurônios que se tornaram eletricamente ativos durante as crises de enxaqueca.
– Quando pequenos eletrodos foram inseridos nesses ‘neurônios da enxaqueca’ descobrimos que a luz estava disparando um fluxo de sinais elétricos que estava convergindo nas melanopsinas. Isso aumentava a sua atividade em segundos –, disse Burstein.
Mesmo quando a luz era apagada, os neurônios permaneciam ativos.
– Isso ajuda a explicar por que pacientes contam que suas crise se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram de 20 a 30 minutos depois que passam para ambientes escuros –, disse.
Para os autores do estudo, a descoberta fornece novas rotas para abordar o problema da fotofobia em portadores de enxaqueca.
– Clinicamente, a pesquisa monta um cenário para identificar maneiras de bloquear o caminho da dor de modo que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto –, apontou.
Íons em aparelhos dentários
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – Aparelhos ortodônticos que enferrujam durante o tratamento podem soltar metais e íons (partículas eletricamente carregadas) na boca do paciente.
Intrigado com um trabalho científico feito na Itália que apontava possíveis riscos ao DNA provocado por esses íons, o professor Daniel Araki Ribeiro, do campus de Santos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), resolveu pesquisar o assunto.
Com o apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, Ribeiro acompanhou voluntários durante o período médio de um tratamento ortodôntico, por cerca de 18 meses.
Durante esse tempo, o pesquisador coletou amostras de células da mucosa bucal dos pacientes por meio de raspagem. “O fato de esses metais serem liberados e acumularem em células do nosso corpo já é um problema bem grave à saude humana, mas nosso estudo verificou que os DNAs colhidos do material analisado não tinham sofrido alterações”, disse Ribeiro à Agência FAPESP.
Os metais que sofrem corrosão dentro do organismo podem soltar íons capazes de atingir o núcleo das células e lesionar o DNA. Como consequência, o DNA lesionado poderia provocar doenças degenerativas tais como o câncer.
“Nenhum dentista deixa aparelhos oxidados na boca do paciente, mas o risco de corrosão é grande, principalmente em materiais mais baratos”, disse Ribeiro, explicando que a saliva cria um microambiente favorável à oxidação de metais.
Além do trabalho de análise nos pacientes (in vivo), também foram realizadas experiências diretamente em células em placas in vitro. Sete marcas de aparelhos foram mergulhadas em uma solução corrosiva. Após a oxidação, parte do líquido foi jogada em cima das células.
Assim como as amostras bucais dos pacientes, os testes das células in vitro mostraram DNAs incólumes. O estudo in vitro também não mostrou danos genéticos.
O trabalho de pesquisa, que se encerrou no fim de 2009, gerou dois artigos científicos que já foram aceitos pelo American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics e devem ser publicados ainda este ano.
Agência FAPESP – Aparelhos ortodônticos que enferrujam durante o tratamento podem soltar metais e íons (partículas eletricamente carregadas) na boca do paciente.
Intrigado com um trabalho científico feito na Itália que apontava possíveis riscos ao DNA provocado por esses íons, o professor Daniel Araki Ribeiro, do campus de Santos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), resolveu pesquisar o assunto.
Com o apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, Ribeiro acompanhou voluntários durante o período médio de um tratamento ortodôntico, por cerca de 18 meses.
Durante esse tempo, o pesquisador coletou amostras de células da mucosa bucal dos pacientes por meio de raspagem. “O fato de esses metais serem liberados e acumularem em células do nosso corpo já é um problema bem grave à saude humana, mas nosso estudo verificou que os DNAs colhidos do material analisado não tinham sofrido alterações”, disse Ribeiro à Agência FAPESP.
Os metais que sofrem corrosão dentro do organismo podem soltar íons capazes de atingir o núcleo das células e lesionar o DNA. Como consequência, o DNA lesionado poderia provocar doenças degenerativas tais como o câncer.
“Nenhum dentista deixa aparelhos oxidados na boca do paciente, mas o risco de corrosão é grande, principalmente em materiais mais baratos”, disse Ribeiro, explicando que a saliva cria um microambiente favorável à oxidação de metais.
Além do trabalho de análise nos pacientes (in vivo), também foram realizadas experiências diretamente em células em placas in vitro. Sete marcas de aparelhos foram mergulhadas em uma solução corrosiva. Após a oxidação, parte do líquido foi jogada em cima das células.
Assim como as amostras bucais dos pacientes, os testes das células in vitro mostraram DNAs incólumes. O estudo in vitro também não mostrou danos genéticos.
O trabalho de pesquisa, que se encerrou no fim de 2009, gerou dois artigos científicos que já foram aceitos pelo American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics e devem ser publicados ainda este ano.
Fazer sexo diariamente pode garantir uma vida mais saudável
Não é novidade para ninguém que sexo é bom e faz bem. Mas alguns estudos e experimentos práticos estão sugerindo que além de excelente para o humor e disposição dos praticantes, fazer sexo com frequência pode influenciar na saúde das pessoas. Uma matéria publicada no site da CNN listou vários estudos científicos que confirmam essa possibilidade, constatando desde estabilização da pressão arterial até manutenção dos níveis hormonais, que resultaria em menos stress.
Os pesquisadores não conseguiram ainda chegar a um consenso sobre quais práticas sexuais surtiriam o melhor efeito na vida das pessoas. Existem controvérsias se o sexo sem penetração também resultaria nos mesmo benefícios, mas outros estudos sugerem que sim. O fato é que estas pesquisas poderiam abrir espaço para que se eliminasse o tabu muitas vezes ainda existente quando se fala no assunto.
Teve até casal que tentou comprovar na prática que as pesquisas tem fundamento. Uma instrutora de ioga e seu marido se propuseram um divertido desafio: transariam todos os dias do mês de dezembro para dispersar as tensões de duas mudanças a que se propuseram: ele deixaria de fumar e ela pararia de comer chocolate. Ao final do mês, além do resultado desejado, a dupla ainda constatou uma melhora no ânimo dos dois, sem contar que passaram a dormir melhor e se sentiam com mais energia. O casal ficou tão empolgado com os efeitos do sexo diário que se propuseram a repetir o desafio em janeiro.
Uma excelente resolução de ano novo! Mas se você estiver em dúvida se realmente funciona, faça o teste também!
Fonte: MaurenMotta.com
Os pesquisadores não conseguiram ainda chegar a um consenso sobre quais práticas sexuais surtiriam o melhor efeito na vida das pessoas. Existem controvérsias se o sexo sem penetração também resultaria nos mesmo benefícios, mas outros estudos sugerem que sim. O fato é que estas pesquisas poderiam abrir espaço para que se eliminasse o tabu muitas vezes ainda existente quando se fala no assunto.
Teve até casal que tentou comprovar na prática que as pesquisas tem fundamento. Uma instrutora de ioga e seu marido se propuseram um divertido desafio: transariam todos os dias do mês de dezembro para dispersar as tensões de duas mudanças a que se propuseram: ele deixaria de fumar e ela pararia de comer chocolate. Ao final do mês, além do resultado desejado, a dupla ainda constatou uma melhora no ânimo dos dois, sem contar que passaram a dormir melhor e se sentiam com mais energia. O casal ficou tão empolgado com os efeitos do sexo diário que se propuseram a repetir o desafio em janeiro.
Uma excelente resolução de ano novo! Mas se você estiver em dúvida se realmente funciona, faça o teste também!
Fonte: MaurenMotta.com
Dificuldade para engolir pode ser sinal de doença grave
Se você sente dificuldade moderada, ou até mesmo leve, de engolir substâncias líquidas ou sólidas, procure um médico. A recomendação é do gastroenterologista Rubens Sallum, diretor do Serviço de Cirurgia do Esôfago do Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria da Saúde. É que em alguns casos, isso pode ser o alerta de algo mais sério, por isso é fundamental diagnosticar o problema e investigar a sua causa.
A disfagia (dificuldade de engolir) é um sintoma comum em doenças graves como o megaesôfago e câncer de esôfago. Segundo o médico, muitas vezes, os pacientes procuram tratamento tardio para esses males.
– Se o paciente subestimar o sintoma por dois ou três meses isso pode ser crucial para o tratamento. Quando o médico é procurado, a situação já se agravou – alerta, ressaltando que assim que o sintoma é reconhecido é recomendável rapidamente procurar um médico e, quando necessário, fazer uma endoscopia.
Os tumores no revestimento do esôfago e na região que faz a junção do esôfago com o estômago quando diagnosticados em estágio inicial têm alto percentual de cura. Segundo o médico, a taxa pode chegar a 90%. Quando a doença é tratada em estágios mais avançados, os índices de cura podem chegar em 60%, mas dependem de modernas técnicas de tratamento.
– Em alguns casos, é necessário fazer uma cirurgia radical de retirada do esôfago (esofagectomia), mas para oferecermos essa operação é fundamental diagnosticarmos a doença em estágio menos avançado – informa Rubens Sallum.
No megaesôfago, a musculatura no final do esôfago para de abrir normalmente impedindo a passagem de alimentos, o que leva a uma dilatação do esôfago. Uma das consequências é a dificuldade de engolir alimentos, podendo gerar alteração do estado nutricional do paciente.
O especialista do HC recomenda aos fumantes, alcoólatras e aqueles que já sofreram alguma agressão no esôfago (como, por exemplo, quem ingeriu soda cáustica no passado) para que façam regularmente o exame de endoscopia.
A disfagia (dificuldade de engolir) é um sintoma comum em doenças graves como o megaesôfago e câncer de esôfago. Segundo o médico, muitas vezes, os pacientes procuram tratamento tardio para esses males.
– Se o paciente subestimar o sintoma por dois ou três meses isso pode ser crucial para o tratamento. Quando o médico é procurado, a situação já se agravou – alerta, ressaltando que assim que o sintoma é reconhecido é recomendável rapidamente procurar um médico e, quando necessário, fazer uma endoscopia.
Os tumores no revestimento do esôfago e na região que faz a junção do esôfago com o estômago quando diagnosticados em estágio inicial têm alto percentual de cura. Segundo o médico, a taxa pode chegar a 90%. Quando a doença é tratada em estágios mais avançados, os índices de cura podem chegar em 60%, mas dependem de modernas técnicas de tratamento.
– Em alguns casos, é necessário fazer uma cirurgia radical de retirada do esôfago (esofagectomia), mas para oferecermos essa operação é fundamental diagnosticarmos a doença em estágio menos avançado – informa Rubens Sallum.
No megaesôfago, a musculatura no final do esôfago para de abrir normalmente impedindo a passagem de alimentos, o que leva a uma dilatação do esôfago. Uma das consequências é a dificuldade de engolir alimentos, podendo gerar alteração do estado nutricional do paciente.
O especialista do HC recomenda aos fumantes, alcoólatras e aqueles que já sofreram alguma agressão no esôfago (como, por exemplo, quem ingeriu soda cáustica no passado) para que façam regularmente o exame de endoscopia.
Autoimunidade precoce
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – As doenças autoimunes são consideradas muito comuns, atingindo entre 5% e 7% da população mundial, mas ainda representam uma série de grandes desafios para a medicina. Uma das opções mais promissoras para fazer avançar o conhecimento sobre os processos complexos envolvidos com esse grupo de doenças – que inclui as tireoidites, o vitiligo, o lúpus, o diabetes mellitus tipo 1 e artrites em geral – é o estudo da autoimunidade em crianças.
Aproveitando os casos catalogados no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que tem registros de 1.200 crianças com doenças autoimunes, um grupo de pesquisadores paulistas estudará as bases moleculares e celulares da autoimunidade em crianças.
O projeto temático, que acaba de ser iniciado, é financiado pela FAPESP e coordenado por Magda Carneiro-Sampaio, professora do Departamento de Pediatria da FMUSP. Magda é também Presidente do Conselho Diretor do Instituto da Criança, onde está sendo desenvolvido o projeto em colaboração com o Instituto do Coração (Incor) e com o Hospital do Coração (HCor).
De acordo com Magda, a autoimunidade – distúrbio que leva as defesas do organismo a uma autoagressão e é a base das doenças autoimunes – é mais prevalente entre adultos. “Mas acreditamos que a manifestação de doenças autoimunes em crianças é determinada por um forte fator genético. A partir dessa hipótese, resolvemos apostar na investigação da autoimunidade de início precoce, já que temos acesso a uma grande população de crianças com doenças autoimunes”, disse Magda à Agência FAPESP.
Segundo a professora, muitas das crianças apresentam mais de uma doença autoimune ao mesmo tempo, o que reforça a hipótese do fator genético. “O que o projeto tem de novo é que estamos investigando as doenças autoimunes de modo geral e não apenas uma delas”, declarou.
Magda explica que o projeto tem três linhas mestras, sendo que a primeira delas é a investigação da relação entre imunodeficiência e autoimunidade. “Há evidências de que algumas imunodeficiências favorecem a manifestação da autoimunidade. A partir daí queremos chegar a estudar a questão genética”, disse ela.
A segunda linha de pesquisa é o estudo do timo, órgão pouco conhecido, de acordo com Magda, mas que tem uma relação crítica com as doenças autoimunes. “Os linfócitos que nos autoagridem deveriam ser selecionados para serem destruídos no timo. Por isso muitos cientistas consideram que as doenças autoimunes são, no fundo, defeitos do timo. É crucial entender melhor esse órgão”, declarou.
A terceira linha tratará, de acordo com Magda, da questão da genética das doenças autoimunes. “Escolhemos duas doenças – o lúpus e a hepatite autoimune na criança – para realizar um estudo genômico”, disse.
Além dessas linhas, há outros subprojetos dentro do temático, segundo ela. “Um deles, por exemplo, prevê a formação de um grande banco de dados relacionados a todos esses grupos de doença. Um outro tratará da qualidade de vida das crianças portadoras de doenças autoimunes, estudando questões como a displidemia e impactos sobre os ossos e dentes”, explicou.
Oportunidade de pós-doutorado
Para auxiliar o desenvolvimento dos trabalhos na linha de pesquisas sobre o timo, o Projeto Temático está selecionando um pesquisador com formação em imunologia e biologia celular e tecidual para uma bolsa de pós-doutorado. Mais informações sobre a vaga estão publicadas no site FAPESP – Oportunidades, em www.oportunidades.fapesp.br/pt/102.
Segundo Magda, o profissional selecionado, que terá a bolsa por 24 meses prorrogáveis por mais 12 meses, trabalhará com os estudos funcionais do timo humano. “Quando precisamos avaliar o funcionamento do fígado, podemos fazer um exame de sangue. No caso do rim, podemos fazer exames de ureia e de creatinina, por exemplo. Mas ainda não há parâmetros consagrados para o estudo do timo. Por isso é fundamental investir nessa linha de estudo funcional do órgão”, disse a professora.
Segundo ela, os trabalhos serão iniciados com o estudo do timo em crianças que não têm doenças autoimunes, para estabelecer um padrão normal. Em seguida, a pesquisa passará para o segmento das crianças com cardiopatias congênitas.
“Os bebês têm um timo muito grande e ele fica bem na frente do coração. Assim por questões cirúrgicas, as crianças com cardiopatias congênitas precisam ter o timo extraído. Com isso, vamos poder não só analisar os padrões relacionados com as funções tímicas, mas, com o timo extraído dessas crianças, vamos também ter acesso ao tecido tímico para os estudos. Além disso, vamos poder estudar o que acontece com as crianças sem timo”, declarou.
Agência FAPESP – As doenças autoimunes são consideradas muito comuns, atingindo entre 5% e 7% da população mundial, mas ainda representam uma série de grandes desafios para a medicina. Uma das opções mais promissoras para fazer avançar o conhecimento sobre os processos complexos envolvidos com esse grupo de doenças – que inclui as tireoidites, o vitiligo, o lúpus, o diabetes mellitus tipo 1 e artrites em geral – é o estudo da autoimunidade em crianças.
Aproveitando os casos catalogados no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que tem registros de 1.200 crianças com doenças autoimunes, um grupo de pesquisadores paulistas estudará as bases moleculares e celulares da autoimunidade em crianças.
O projeto temático, que acaba de ser iniciado, é financiado pela FAPESP e coordenado por Magda Carneiro-Sampaio, professora do Departamento de Pediatria da FMUSP. Magda é também Presidente do Conselho Diretor do Instituto da Criança, onde está sendo desenvolvido o projeto em colaboração com o Instituto do Coração (Incor) e com o Hospital do Coração (HCor).
De acordo com Magda, a autoimunidade – distúrbio que leva as defesas do organismo a uma autoagressão e é a base das doenças autoimunes – é mais prevalente entre adultos. “Mas acreditamos que a manifestação de doenças autoimunes em crianças é determinada por um forte fator genético. A partir dessa hipótese, resolvemos apostar na investigação da autoimunidade de início precoce, já que temos acesso a uma grande população de crianças com doenças autoimunes”, disse Magda à Agência FAPESP.
Segundo a professora, muitas das crianças apresentam mais de uma doença autoimune ao mesmo tempo, o que reforça a hipótese do fator genético. “O que o projeto tem de novo é que estamos investigando as doenças autoimunes de modo geral e não apenas uma delas”, declarou.
Magda explica que o projeto tem três linhas mestras, sendo que a primeira delas é a investigação da relação entre imunodeficiência e autoimunidade. “Há evidências de que algumas imunodeficiências favorecem a manifestação da autoimunidade. A partir daí queremos chegar a estudar a questão genética”, disse ela.
A segunda linha de pesquisa é o estudo do timo, órgão pouco conhecido, de acordo com Magda, mas que tem uma relação crítica com as doenças autoimunes. “Os linfócitos que nos autoagridem deveriam ser selecionados para serem destruídos no timo. Por isso muitos cientistas consideram que as doenças autoimunes são, no fundo, defeitos do timo. É crucial entender melhor esse órgão”, declarou.
A terceira linha tratará, de acordo com Magda, da questão da genética das doenças autoimunes. “Escolhemos duas doenças – o lúpus e a hepatite autoimune na criança – para realizar um estudo genômico”, disse.
Além dessas linhas, há outros subprojetos dentro do temático, segundo ela. “Um deles, por exemplo, prevê a formação de um grande banco de dados relacionados a todos esses grupos de doença. Um outro tratará da qualidade de vida das crianças portadoras de doenças autoimunes, estudando questões como a displidemia e impactos sobre os ossos e dentes”, explicou.
Oportunidade de pós-doutorado
Para auxiliar o desenvolvimento dos trabalhos na linha de pesquisas sobre o timo, o Projeto Temático está selecionando um pesquisador com formação em imunologia e biologia celular e tecidual para uma bolsa de pós-doutorado. Mais informações sobre a vaga estão publicadas no site FAPESP – Oportunidades, em www.oportunidades.fapesp.br/pt/102.
Segundo Magda, o profissional selecionado, que terá a bolsa por 24 meses prorrogáveis por mais 12 meses, trabalhará com os estudos funcionais do timo humano. “Quando precisamos avaliar o funcionamento do fígado, podemos fazer um exame de sangue. No caso do rim, podemos fazer exames de ureia e de creatinina, por exemplo. Mas ainda não há parâmetros consagrados para o estudo do timo. Por isso é fundamental investir nessa linha de estudo funcional do órgão”, disse a professora.
Segundo ela, os trabalhos serão iniciados com o estudo do timo em crianças que não têm doenças autoimunes, para estabelecer um padrão normal. Em seguida, a pesquisa passará para o segmento das crianças com cardiopatias congênitas.
“Os bebês têm um timo muito grande e ele fica bem na frente do coração. Assim por questões cirúrgicas, as crianças com cardiopatias congênitas precisam ter o timo extraído. Com isso, vamos poder não só analisar os padrões relacionados com as funções tímicas, mas, com o timo extraído dessas crianças, vamos também ter acesso ao tecido tímico para os estudos. Além disso, vamos poder estudar o que acontece com as crianças sem timo”, declarou.
Água que atrai mosquito
Agência FAPESP – Estudo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontou uma relação direta entre a composição físico-química da água e a infestação por larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
O trabalho foi realizado entre julho e agosto de 2009 em Potim, município do Vale do Paraíba onde foi constatado o maior Índice de Breteau (valor que define a quantidade de insetos em fase de desenvolvimento encontrada nas habitações humanas) no Estado de São Paulo.
Pesquisadores da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão da Secretaria responsável pelo auxílio aos municípios no trabalho de controle da dengue, ficaram intrigados pelo fato de que as ações de combate ao mosquito não estavam surtindo o efeito desejado e que a infestação permanecia alta, chegando a atingir 25,85 em 2003 e 19,2 na última medição feita pelo município. O índice recomendado é inferior a 1.
Além disso, foi detectado que as caixas d’água das residências de Potim, abastecidas pela prefeitura local por meio de coleta de água em poços profundos, que recebe cloração e fluoração, apresentavam altos índices de positividade em relação à presença de larvas do Aedes aegypti, enquanto nas moradias que usavam água de poços rasos ou cacimbas esse problema não existia.
Para desvendar o mistério, os pesquisadores realizaram um experimento em laboratório usando três gaiolas com 50 fêmeas e 100 machos do Aedes aegypti. Colocaram, em cada uma delas, recipientes com 100 ml de água coletada em Potim e em Taubaté, além de água destilada, utilizada como controle. Os recipientes foram mudados de local em sentido horário durante 31 dias e as soluções de água trocadas a cada 24 horas. Além disso, foram realizados exames semanais de análise físico-química das amostras de água coletada.
Os resultados apontaram que, durante o período de um mês, foram depositados pelo mosquito 3,6 vezes mais ovos nos recipientes com água de Potim do que na de Taubaté e 3,2 vezes mais em relação ao recipiente de controle. Enquanto a água de Potim apresentou índice de atividade de oviposição de 0,54, a de Taubaté registrou índice negativo de -0,03.
Na análise físico-química, a concentração de nitrogênio amoniacal da água de Potim ficou em 1,93 mg/l (o máximo permitido em portaria do Ministério da Saúde é 1,5 mg/l), enquanto a de Taubaté foi inferior a 0,03 mg/l.
“O estudo indicou que a alta concentração de nitrogênio amoniacal atraiu o Aedes aegypti para a oviposição. A volatilização dessa substância provavelmente foi o atrativo químico responsável pela orientação do voo das fêmeas grávidas em direção aos recipientes onde colocaram seus ovos”, disse Gisela Rita Alvarenga Marques, pesquisadora da Sucen responsável pelo estudo.
Segundo ela, o resultado da pesquisa aponta a necessidade de os municípios com captação de água de poços profundos mudarem a forma de abastecimento por intermédio da implantação de estações de tratamento de água de superfície, visando a oferecer água de melhor qualidade para a população e reduzindo os riscos de proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Mais informações: www.saude.sp.gov.br
O trabalho foi realizado entre julho e agosto de 2009 em Potim, município do Vale do Paraíba onde foi constatado o maior Índice de Breteau (valor que define a quantidade de insetos em fase de desenvolvimento encontrada nas habitações humanas) no Estado de São Paulo.
Pesquisadores da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão da Secretaria responsável pelo auxílio aos municípios no trabalho de controle da dengue, ficaram intrigados pelo fato de que as ações de combate ao mosquito não estavam surtindo o efeito desejado e que a infestação permanecia alta, chegando a atingir 25,85 em 2003 e 19,2 na última medição feita pelo município. O índice recomendado é inferior a 1.
Além disso, foi detectado que as caixas d’água das residências de Potim, abastecidas pela prefeitura local por meio de coleta de água em poços profundos, que recebe cloração e fluoração, apresentavam altos índices de positividade em relação à presença de larvas do Aedes aegypti, enquanto nas moradias que usavam água de poços rasos ou cacimbas esse problema não existia.
Para desvendar o mistério, os pesquisadores realizaram um experimento em laboratório usando três gaiolas com 50 fêmeas e 100 machos do Aedes aegypti. Colocaram, em cada uma delas, recipientes com 100 ml de água coletada em Potim e em Taubaté, além de água destilada, utilizada como controle. Os recipientes foram mudados de local em sentido horário durante 31 dias e as soluções de água trocadas a cada 24 horas. Além disso, foram realizados exames semanais de análise físico-química das amostras de água coletada.
Os resultados apontaram que, durante o período de um mês, foram depositados pelo mosquito 3,6 vezes mais ovos nos recipientes com água de Potim do que na de Taubaté e 3,2 vezes mais em relação ao recipiente de controle. Enquanto a água de Potim apresentou índice de atividade de oviposição de 0,54, a de Taubaté registrou índice negativo de -0,03.
Na análise físico-química, a concentração de nitrogênio amoniacal da água de Potim ficou em 1,93 mg/l (o máximo permitido em portaria do Ministério da Saúde é 1,5 mg/l), enquanto a de Taubaté foi inferior a 0,03 mg/l.
“O estudo indicou que a alta concentração de nitrogênio amoniacal atraiu o Aedes aegypti para a oviposição. A volatilização dessa substância provavelmente foi o atrativo químico responsável pela orientação do voo das fêmeas grávidas em direção aos recipientes onde colocaram seus ovos”, disse Gisela Rita Alvarenga Marques, pesquisadora da Sucen responsável pelo estudo.
Segundo ela, o resultado da pesquisa aponta a necessidade de os municípios com captação de água de poços profundos mudarem a forma de abastecimento por intermédio da implantação de estações de tratamento de água de superfície, visando a oferecer água de melhor qualidade para a população e reduzindo os riscos de proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Mais informações: www.saude.sp.gov.br
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Cubanos só recebem 500 euros
Cada médico cubano contratado pelo Estado português recebe apenas 500 euros por mês dos cerca de 2500 euros de salário pago pelo Ministério da Saúde através do governo de Cuba. Quinze euros vão para as famílias e o restante, cerca de 2000 euros, vão directos para os cofres do Estado cubano, ou seja, 80 por cento do salário vai para o regime de Havana. Cabe às autarquias muitos dos encargos com estes médicos, como rendas de casa, transportes e facturas de água e de luz.
O Governo português está satisfeito com o negócio, porque resolveu o problema da falta de médicos, e Cuba recebe divisas. A situação choca os clínicos portugueses, mas os visados não se queixam e remetem-se ao silêncio.
Inicialmente os médicos cubanos recebiam 300 euros, o equivalente ao que recebem no seu país, mas o custo de vida em Portugal obrigou Cuba a pagar-lhes 500 euros mensais.
Para muitos médicos portugueses, as condições dos cubanos são desumanas. Carlos Santos, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), declarou ao CM que o assunto já motivou a reclamações às Autoridades Regionais de Saúde do Alentejo e Algarve, regiões que acolhem a maioria dos 44 médicos cubanos, em Portugal desde Agosto de 2009.
A maioria destes médicos não quer falar à imprensa por "não estar autorizada", segundo confidenciou ao CM um dos clínicos.
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, nega ao CM que haja discriminação. "O Estado português paga em iguais condições aos médicos cubanos como a qualquer outro médico de família estrangeiro ou português a fazer 40 horas semanais. E paga horas extra se forem feitas." Quanto ao magro rendimento, Pizarro sublinha que "o Governo português não tem nada a ver com a forma como o pagamento da remuneração é feita por Cuba aos médicos."
Aqueles médicos têm habitação e transporte garantidos pelos municípios das regiões onde estão colocados. A Câmara de Alpiarça, por exemplo, suporta uma despesa de 350 euros pela renda da casa onde habitam os dois médicos cubanos que ali prestam serviço. E paga ainda as facturas da água, electricidade, gás, televisão e internet.
A braços com sete mil utentes sem médico de família, a autarquia viu-se obrigada a aceitar os encargos para não correr o risco de os profissionais cubanos serem colocados em outros concelhos.
ESTRANGEIROS
Médicos estrangeiros registados na Ordem dos Médicos que exercem ou exerceram no País.
Espanhóis: 1948
Brasileiros: 621
Angolanos: 161
Alemães: 130
Ucranianos: 119
Guineenses: 107
Cubanos: 81
Italianos: 74
Cabo-verdianos: 71
Moldavos: 56
Russos: 54
Franceses: 47
São-tomenses: 43
Holandeses: 42
Romenos: 29
Ingleses: 27
Venezuelanos: 26
Moçambicanos: 23
Belgas: 19
Uruguaios: 17
Americanos: 16
Polacos: 15
Búlgaros: 12
Argentinos: 11
Austríacos: 7
Checos: 8
Húngaros: 5
Suecos: 5
Gregos: 4
Letónios: 3
Finlandeses: 2
Sul-africano: 1
Norueguês: 1
Cipriota: 1
Esloveno: 1
Lituano: 1
Chinês: 1
Irlandês: 1
Luxemburguês: 1
CASAL ELOGIA INFORMÁTICA
O casal Jorge Sobriño, de 42 anos, e Mercedez Garcia, de 36, está colocado no Centro de Saúde de Alpiarça. Cinco meses passados, ambos dizem-se "muito satisfeitos"e "adaptados" à vida na povoação. Apesar de garantir que a medicina familiar está mais avançada em Cuba, Jorge Sobriño ficou "agradado com as boas condições" que encontrou em Portugal, elogiandoo sistema informático e o acesso imediato às informações sobreos pacientes. Cada um serve mais de dois mil utentes e chegam a dar trinta consultas por dia.
EXAMES PARA DAREM CONSULTA
Para exercerem medicina em Portugal, os médicos cubanos fizeram um exame preparado pela Ordem dos Médicos, ainda em Cuba,e mais dois exames no Porto, um de medicina e outro de línguas, aquando da sua chegada a Portugal, a 8 de Agosto. Além de Portugal, os únicos dois países da Europa que estabeleceram protocolos com Cuba são Itália e Suíça. Fonte do Ministério da Saúde admitiu aoCM que "este foi um bom negócio para Portugal e que está a dar bons resultados", estranhando a polémica à volta desta contratação.
MINISTÉRIO DA SAÚDE AVALIA TRABALHO DE SEIS MESES
O Ministério da Saúde vai fazer uma avaliação aos médicos cubanos no final de Fevereiro, seis meses após o início das suas funções, em Agosto de 2009. A garantia foi dada ao CM pelo secretário de Estado Adjuntoe da Saúde, Manuel Pizarro: "Será uma avaliação para saber como os médicos se sentem, se estão adaptados. Iremos ouvir os doentes e as direcções das unidades de saúde onde estão colocados." O governante não descarta novas contratações para os próximos anos.
PROTOCOLO: 3 ANOS DE TRABALHO
O contrato de trabalho dos 44 médicos cubanos foi estabelecido mediante um protocolo entre os dois governos, português e cubano, e tem um prazo de três anos
GARANTIA: MENOS CONTRATOS
O Ministério da Saúde garante que se Portugal já tiver resolvido o problema da falta de médicos dentro de três anos então não haverá mais contratações temporária de estrangeiros
PAÍS: COLOCADOS NO INTERIOR
O grupo de 44 médicos cubanos foi contratado para suprir as necessidades das zonas do País mais carenciadas – 24 estão no Alentejo, 18 no Algarve e dois médicos trabalham no Ribatejo
Cristina Serra/J.N.P.
O Governo português está satisfeito com o negócio, porque resolveu o problema da falta de médicos, e Cuba recebe divisas. A situação choca os clínicos portugueses, mas os visados não se queixam e remetem-se ao silêncio.
Inicialmente os médicos cubanos recebiam 300 euros, o equivalente ao que recebem no seu país, mas o custo de vida em Portugal obrigou Cuba a pagar-lhes 500 euros mensais.
Para muitos médicos portugueses, as condições dos cubanos são desumanas. Carlos Santos, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), declarou ao CM que o assunto já motivou a reclamações às Autoridades Regionais de Saúde do Alentejo e Algarve, regiões que acolhem a maioria dos 44 médicos cubanos, em Portugal desde Agosto de 2009.
A maioria destes médicos não quer falar à imprensa por "não estar autorizada", segundo confidenciou ao CM um dos clínicos.
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, nega ao CM que haja discriminação. "O Estado português paga em iguais condições aos médicos cubanos como a qualquer outro médico de família estrangeiro ou português a fazer 40 horas semanais. E paga horas extra se forem feitas." Quanto ao magro rendimento, Pizarro sublinha que "o Governo português não tem nada a ver com a forma como o pagamento da remuneração é feita por Cuba aos médicos."
Aqueles médicos têm habitação e transporte garantidos pelos municípios das regiões onde estão colocados. A Câmara de Alpiarça, por exemplo, suporta uma despesa de 350 euros pela renda da casa onde habitam os dois médicos cubanos que ali prestam serviço. E paga ainda as facturas da água, electricidade, gás, televisão e internet.
A braços com sete mil utentes sem médico de família, a autarquia viu-se obrigada a aceitar os encargos para não correr o risco de os profissionais cubanos serem colocados em outros concelhos.
ESTRANGEIROS
Médicos estrangeiros registados na Ordem dos Médicos que exercem ou exerceram no País.
Espanhóis: 1948
Brasileiros: 621
Angolanos: 161
Alemães: 130
Ucranianos: 119
Guineenses: 107
Cubanos: 81
Italianos: 74
Cabo-verdianos: 71
Moldavos: 56
Russos: 54
Franceses: 47
São-tomenses: 43
Holandeses: 42
Romenos: 29
Ingleses: 27
Venezuelanos: 26
Moçambicanos: 23
Belgas: 19
Uruguaios: 17
Americanos: 16
Polacos: 15
Búlgaros: 12
Argentinos: 11
Austríacos: 7
Checos: 8
Húngaros: 5
Suecos: 5
Gregos: 4
Letónios: 3
Finlandeses: 2
Sul-africano: 1
Norueguês: 1
Cipriota: 1
Esloveno: 1
Lituano: 1
Chinês: 1
Irlandês: 1
Luxemburguês: 1
CASAL ELOGIA INFORMÁTICA
O casal Jorge Sobriño, de 42 anos, e Mercedez Garcia, de 36, está colocado no Centro de Saúde de Alpiarça. Cinco meses passados, ambos dizem-se "muito satisfeitos"e "adaptados" à vida na povoação. Apesar de garantir que a medicina familiar está mais avançada em Cuba, Jorge Sobriño ficou "agradado com as boas condições" que encontrou em Portugal, elogiandoo sistema informático e o acesso imediato às informações sobreos pacientes. Cada um serve mais de dois mil utentes e chegam a dar trinta consultas por dia.
EXAMES PARA DAREM CONSULTA
Para exercerem medicina em Portugal, os médicos cubanos fizeram um exame preparado pela Ordem dos Médicos, ainda em Cuba,e mais dois exames no Porto, um de medicina e outro de línguas, aquando da sua chegada a Portugal, a 8 de Agosto. Além de Portugal, os únicos dois países da Europa que estabeleceram protocolos com Cuba são Itália e Suíça. Fonte do Ministério da Saúde admitiu aoCM que "este foi um bom negócio para Portugal e que está a dar bons resultados", estranhando a polémica à volta desta contratação.
MINISTÉRIO DA SAÚDE AVALIA TRABALHO DE SEIS MESES
O Ministério da Saúde vai fazer uma avaliação aos médicos cubanos no final de Fevereiro, seis meses após o início das suas funções, em Agosto de 2009. A garantia foi dada ao CM pelo secretário de Estado Adjuntoe da Saúde, Manuel Pizarro: "Será uma avaliação para saber como os médicos se sentem, se estão adaptados. Iremos ouvir os doentes e as direcções das unidades de saúde onde estão colocados." O governante não descarta novas contratações para os próximos anos.
PROTOCOLO: 3 ANOS DE TRABALHO
O contrato de trabalho dos 44 médicos cubanos foi estabelecido mediante um protocolo entre os dois governos, português e cubano, e tem um prazo de três anos
GARANTIA: MENOS CONTRATOS
O Ministério da Saúde garante que se Portugal já tiver resolvido o problema da falta de médicos dentro de três anos então não haverá mais contratações temporária de estrangeiros
PAÍS: COLOCADOS NO INTERIOR
O grupo de 44 médicos cubanos foi contratado para suprir as necessidades das zonas do País mais carenciadas – 24 estão no Alentejo, 18 no Algarve e dois médicos trabalham no Ribatejo
Cristina Serra/J.N.P.
Proteção pós-AVC
Agência FAPESP – Bloquear a função de uma enzima-chave no cérebro com uma forma específica de vitamina E pode prevenir a morte de neurônios após um acidente vascular cerebral (AVC), indica uma nova pesquisa.
Um grupo de cientistas nos Estados Unidos, em estudo com células cerebrais de camundongos, descobriu que o tipo de vitamina E conhecido como tocotrienol bloqueou a liberação de ácidos graxos pela enzima, responsáveis pela morte de neurônios.
Coordenado por Chandan Sen, professor e vice-presidente do conselho de pesquisa do Departamento de Cirurgia da Universidade do Estado de Ohio, o grupo tem estudado há uma década como essa forma particular e menos comum de vitamina E pode proteger o cérebro em modelos celulares e animais.
O novo estudo, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) do governo norte-americano, foi publicado na edição on-line e sairá em breve na edição impressa do periódico Journal of Neurochemistry.
“Nosso trabalho indica que as diferentes formas naturais de vitamina E têm funções distintas. O pouco estudado tocotrienol é capaz de se direcionar a caminhos específicos de modo a evitar a morte de neurônios e proteger o cérebro após um AVC. Identificamos um novo alvo para o tocotrienol que explica como as células nervosas são protegidas”, disse Sen.
A vitamina E ocorre naturalmente em oito formas diferentes. A mais conhecida pertence a uma variedade chamada tocoferol. O tocotrienol (ou TCT) não é abundante na dieta norte-americana nem na brasileira, mas pode ser encontrada na forma de suplemento. No Sudeste Asiático é comum, extraído do óleo de palma, da cevada ou do arroz.
Sen e colegas administraram tocotrienol a células que já tinham sido expostas a glutamato (tipo de aminoácido) em excesso. A presença da vitamina diminuiu a liberação de ácidos graxos em 60% em comparação a células expostas apenas ao glutamato.
Os pesquisadores relacionaram os efeitos do tocotrienol a várias substâncias que são ativadas no cérebro após um AVC e concluíram que uma enzima específica poderia servir como um alvo terapêutico importante. A enzima é conhecida como cPLA2.
Em seguida ao trauma causado pela interrupção do fluxo sanguíneo associado com um AVC, uma quantidade excessiva de glutamato é liberada no cérebro. O glutamato é um neurotransmissor que, em pequenas quantidades, tem papel importante no aprendizado e na memória. Mas seu excesso desencadeia uma sequência de reações que leva à morte de neurônios, efeito devastador de um AVC.
Apesar de a cPLA2 existir naturalmente no organismo, tanto de camundongos como do homem, os cientistas verificaram que o bloqueio de sua função não é danoso. Camundongos geneticamente modificados de modo a não ativar a enzima tiveram expectativa de vida semelhante à de outras cobaias, mas com menor risco de ter AVC.
Os pesquisadores também destacam que a quantidade de tocotrienol necessária para atingir os efeitos desejados é pequena, cerca de dez vezes menos do que a quantia comumente encontrada em humanos que consomem regularmente esse tipo de vitamina E.
O artigo Nanomolar vitamin E alpha-tocotrienol inhibits glutamate-induced activation of phospholipase A2 and causes neuroprotection (10.1111/j.1471-4159.2009.06550.x), de Chandan Sen e outros, pode ser lido no Journal of Neurochemistry em www3.interscience.wiley.com/journal/123217269/abstract .
Um grupo de cientistas nos Estados Unidos, em estudo com células cerebrais de camundongos, descobriu que o tipo de vitamina E conhecido como tocotrienol bloqueou a liberação de ácidos graxos pela enzima, responsáveis pela morte de neurônios.
Coordenado por Chandan Sen, professor e vice-presidente do conselho de pesquisa do Departamento de Cirurgia da Universidade do Estado de Ohio, o grupo tem estudado há uma década como essa forma particular e menos comum de vitamina E pode proteger o cérebro em modelos celulares e animais.
O novo estudo, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) do governo norte-americano, foi publicado na edição on-line e sairá em breve na edição impressa do periódico Journal of Neurochemistry.
“Nosso trabalho indica que as diferentes formas naturais de vitamina E têm funções distintas. O pouco estudado tocotrienol é capaz de se direcionar a caminhos específicos de modo a evitar a morte de neurônios e proteger o cérebro após um AVC. Identificamos um novo alvo para o tocotrienol que explica como as células nervosas são protegidas”, disse Sen.
A vitamina E ocorre naturalmente em oito formas diferentes. A mais conhecida pertence a uma variedade chamada tocoferol. O tocotrienol (ou TCT) não é abundante na dieta norte-americana nem na brasileira, mas pode ser encontrada na forma de suplemento. No Sudeste Asiático é comum, extraído do óleo de palma, da cevada ou do arroz.
Sen e colegas administraram tocotrienol a células que já tinham sido expostas a glutamato (tipo de aminoácido) em excesso. A presença da vitamina diminuiu a liberação de ácidos graxos em 60% em comparação a células expostas apenas ao glutamato.
Os pesquisadores relacionaram os efeitos do tocotrienol a várias substâncias que são ativadas no cérebro após um AVC e concluíram que uma enzima específica poderia servir como um alvo terapêutico importante. A enzima é conhecida como cPLA2.
Em seguida ao trauma causado pela interrupção do fluxo sanguíneo associado com um AVC, uma quantidade excessiva de glutamato é liberada no cérebro. O glutamato é um neurotransmissor que, em pequenas quantidades, tem papel importante no aprendizado e na memória. Mas seu excesso desencadeia uma sequência de reações que leva à morte de neurônios, efeito devastador de um AVC.
Apesar de a cPLA2 existir naturalmente no organismo, tanto de camundongos como do homem, os cientistas verificaram que o bloqueio de sua função não é danoso. Camundongos geneticamente modificados de modo a não ativar a enzima tiveram expectativa de vida semelhante à de outras cobaias, mas com menor risco de ter AVC.
Os pesquisadores também destacam que a quantidade de tocotrienol necessária para atingir os efeitos desejados é pequena, cerca de dez vezes menos do que a quantia comumente encontrada em humanos que consomem regularmente esse tipo de vitamina E.
O artigo Nanomolar vitamin E alpha-tocotrienol inhibits glutamate-induced activation of phospholipase A2 and causes neuroprotection (10.1111/j.1471-4159.2009.06550.x), de Chandan Sen e outros, pode ser lido no Journal of Neurochemistry em www3.interscience.wiley.com/journal/123217269/abstract .
sábado, 16 de janeiro de 2010
Fazer sexo diariamente pode garantir uma vida mais saudável
Não é novidade para ninguém que sexo é bom e faz bem. Mas alguns estudos e experimentos práticos estão sugerindo que além de excelente para o humor e disposição dos praticantes, fazer sexo com frequência pode influenciar na saúde das pessoas. Uma matéria publicada no site da CNN listou vários estudos científicos que confirmam essa possibilidade, constatando desde estabilização da pressão arterial até manutenção dos níveis hormonais, que resultaria em menos stress.
Os pesquisadores não conseguiram ainda chegar a um consenso sobre quais práticas sexuais surtiriam o melhor efeito na vida das pessoas. Existem controvérsias se o sexo sem penetração também resultaria nos mesmo benefícios, mas outros estudos sugerem que sim. O fato é que estas pesquisas poderiam abrir espaço para que se eliminasse o tabu muitas vezes ainda existente quando se fala no assunto.
Teve até casal que tentou comprovar na prática que as pesquisas tem fundamento. Uma instrutora de ioga e seu marido se propuseram um divertido desafio: transariam todos os dias do mês de dezembro para dispersar as tensões de duas mudanças a que se propuseram: ele deixaria de fumar e ela pararia de comer chocolate. Ao final do mês, além do resultado desejado, a dupla ainda constatou uma melhora no ânimo dos dois, sem contar que passaram a dormir melhor e se sentiam com mais energia. O casal ficou tão empolgado com os efeitos do sexo diário que se propuseram a repetir o desafio em janeiro.
Uma excelente resolução de ano novo! Mas se você estiver em dúvida se realmente funciona, faça o teste também!
Fonte: MaurenMotta.com
Os pesquisadores não conseguiram ainda chegar a um consenso sobre quais práticas sexuais surtiriam o melhor efeito na vida das pessoas. Existem controvérsias se o sexo sem penetração também resultaria nos mesmo benefícios, mas outros estudos sugerem que sim. O fato é que estas pesquisas poderiam abrir espaço para que se eliminasse o tabu muitas vezes ainda existente quando se fala no assunto.
Teve até casal que tentou comprovar na prática que as pesquisas tem fundamento. Uma instrutora de ioga e seu marido se propuseram um divertido desafio: transariam todos os dias do mês de dezembro para dispersar as tensões de duas mudanças a que se propuseram: ele deixaria de fumar e ela pararia de comer chocolate. Ao final do mês, além do resultado desejado, a dupla ainda constatou uma melhora no ânimo dos dois, sem contar que passaram a dormir melhor e se sentiam com mais energia. O casal ficou tão empolgado com os efeitos do sexo diário que se propuseram a repetir o desafio em janeiro.
Uma excelente resolução de ano novo! Mas se você estiver em dúvida se realmente funciona, faça o teste também!
Fonte: MaurenMotta.com
Tratamento preventivo pode evitar transmissão de HIV
Tomar um antiretroviral antes e depois da exposição ao vírus reduz o contágio
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) continua a propagar-se por todo o mundo, principalmente por via sexual. Apesar dos avanços nos tratamentos, prevenir a infecção continua a ser um dos grandes pontos pendentes.
A utilização de fármacos antes da exposição ao vírus é considerada uma das mais prometedoras estratégias para combater a dessiminação o do vírus, mesmo depois do constante fracasso dos microbicidas, dos géis vaginais e de uma vacina eficaz.
Um novo estudo em macacos demonstrou que a terapêutica intermitente antes de entrar em contacto com o HIV é eficaz.
Os investigadores, dos CDC (Centros de Controlo e Prevenção de doenças dos EUA), expuseram os macacos a um vírus da imunodeficiência símia (SHIV) modificado de modo a ser o mais parecido com o HIV. A diferentes grupos deram diferentes doses de antiretrovirais, em alturas também distintas para testar qual a combinação que oferecia melhor protecção.
Os resultados, publicados na ‘Science Translational Medicine', mostram que os animais que receberam uma dose do fármaco Truvada (tenofovir/emtricitabina) um, três ou sete dias antes da exposição ao vírus e uma segunda dose duas horas depois foram os que melhor ficaram protegidos da infecção.
O risco de contrair o vírus reduziu de 10 a 16 vezes
Segundo explicou ao El Mundo, J.Gerardo García-Lerma, do Departamento de Prevenção de HIV dos CDC, “a profilaxia de pré-exposição não é um conceito novo e está a ser estudo em vários ensaios clínicos em 20 mil voluntários de todo o mundo. A característica destes ensaios é que todos avaliam tratamentos diários. A novidade no nosso trabalho é que partirmos da hipótese de que talvez não fossem necessárias terapêuticas diárias e que se poderia prevenir a infecção também com tratamentos intermitentes e simplificados que consistem apenas na toma de duas pílulas: uma antes da exposição ao vírus e outra depois”.
Esta investigação mostrou que a hipótese era correcta e que, alem da combinação mais eficaz acima citada, fazer o tratamento duas horas antes ou duas horas depois também diminui o contágio até quatro vezes.
“Mesmo sendo dados preliminares, são de destacar”, afirma o investigador espanhol que explica que para esta estratégia dar o salto para os humanos “ainda temos que esperar para conhecer a eficácia dos tratamentos e se há efeitos secundários”. García-Lerma assegura que “ao longo deste ano vamos ter os primeiros resultados e, a partir daí, desenvolveremos a estratégia”.
O mesmo cientista conclui que este método “pode ser útil apenas em certos grupos de alto risco, como homens homossexuais, utilizadores de droga por via injectável e mulheres em situação de risco”.
A terapêutica preventiva é uma medida um pouco drástica, mas para o investigador dos CDC, “a severidade da epidemia da SIDA – que afecta 3,4 milhões de pessoas em todo o mundo – requer o estudo de novos métodos de prevenção que possam complementar as estratégias já existentes”.
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) continua a propagar-se por todo o mundo, principalmente por via sexual. Apesar dos avanços nos tratamentos, prevenir a infecção continua a ser um dos grandes pontos pendentes.
A utilização de fármacos antes da exposição ao vírus é considerada uma das mais prometedoras estratégias para combater a dessiminação o do vírus, mesmo depois do constante fracasso dos microbicidas, dos géis vaginais e de uma vacina eficaz.
Um novo estudo em macacos demonstrou que a terapêutica intermitente antes de entrar em contacto com o HIV é eficaz.
Os investigadores, dos CDC (Centros de Controlo e Prevenção de doenças dos EUA), expuseram os macacos a um vírus da imunodeficiência símia (SHIV) modificado de modo a ser o mais parecido com o HIV. A diferentes grupos deram diferentes doses de antiretrovirais, em alturas também distintas para testar qual a combinação que oferecia melhor protecção.
Os resultados, publicados na ‘Science Translational Medicine', mostram que os animais que receberam uma dose do fármaco Truvada (tenofovir/emtricitabina) um, três ou sete dias antes da exposição ao vírus e uma segunda dose duas horas depois foram os que melhor ficaram protegidos da infecção.
O risco de contrair o vírus reduziu de 10 a 16 vezes
Segundo explicou ao El Mundo, J.Gerardo García-Lerma, do Departamento de Prevenção de HIV dos CDC, “a profilaxia de pré-exposição não é um conceito novo e está a ser estudo em vários ensaios clínicos em 20 mil voluntários de todo o mundo. A característica destes ensaios é que todos avaliam tratamentos diários. A novidade no nosso trabalho é que partirmos da hipótese de que talvez não fossem necessárias terapêuticas diárias e que se poderia prevenir a infecção também com tratamentos intermitentes e simplificados que consistem apenas na toma de duas pílulas: uma antes da exposição ao vírus e outra depois”.
Esta investigação mostrou que a hipótese era correcta e que, alem da combinação mais eficaz acima citada, fazer o tratamento duas horas antes ou duas horas depois também diminui o contágio até quatro vezes.
“Mesmo sendo dados preliminares, são de destacar”, afirma o investigador espanhol que explica que para esta estratégia dar o salto para os humanos “ainda temos que esperar para conhecer a eficácia dos tratamentos e se há efeitos secundários”. García-Lerma assegura que “ao longo deste ano vamos ter os primeiros resultados e, a partir daí, desenvolveremos a estratégia”.
O mesmo cientista conclui que este método “pode ser útil apenas em certos grupos de alto risco, como homens homossexuais, utilizadores de droga por via injectável e mulheres em situação de risco”.
A terapêutica preventiva é uma medida um pouco drástica, mas para o investigador dos CDC, “a severidade da epidemia da SIDA – que afecta 3,4 milhões de pessoas em todo o mundo – requer o estudo de novos métodos de prevenção que possam complementar as estratégias já existentes”.
Pacientes com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz
É comum para quem sofre de enxaqueca a vontade de, ao ter um ataque, querer se refugiar em um quarto silencioso e escuro. Embora há tempos se saiba que a luz piora o quadro dessa cefaleia, os motivos por que isso ocorre são desconhecidos.
Agora, um grupo de cientistas nos Estados Unidos identificou um mecanismo que ocorre na sensibilidade à luz durante as crises de enxaqueca tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.
Os resultados da pesquisa, divulgados neste domingo na edição on-line da revista Nature Neuroscience, ajudam a compreender melhor os mecanismos por trás do problema ainda sem cura e que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o estudo, cerca de 85% dos indivíduos com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz. A fotofobia faz com que muitos evitem atividades como dirigir ou até mesmo ler e trabalhar.
– Alguns pacientes chegam até mesmo a usar óculos escuros durante à noite –, disse um dos autores do estudo, Rami Burstein, professor do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Escola Médica Harvard.
Foi a constatação de que a fotofobia atinge, entre os pacientes com enxaqueca, até mesmo as pessoas cegas que levou o grupo a investigar a hipótese de que os sinais transmitidos pela retina por meio dos nervos ópticos intensificariam as dores.
Os pesquisadores examinaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Os voluntários no primeiro grupo eram totalmente cegos devido a doenças como câncer na retina ou glaucoma. Como eles não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, tinham dificuldade de manter ciclos normais de sono.
O segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas como retinite pigmentosa. Embora não fossem capazes de perceber imagens, podiam detectar a presença de luz e manter ritmos normais de dormir e ficar acordado.
– Enquanto os pacientes no primeiro grupo não experimentaram piora em suas dores de cabeça a partir da exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação nas dores, particularmente na exposição à luz nos comprimentos de onda azul e cinza –, disse Burstein.
– Isso indicou que o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, porque em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro –, afirmou.
Os cientistas levaram os resultados ao laboratório, onde realizaram uma série de experimentos em modelos animais da enxaqueca. Após injetarem melanopsinas (fotopigmentos) nos olhos de ratos, eles traçaram o caminho dos sinais pelos nervos ópticos até o cérebro, onde descobriram um grupo de neurônios que se tornaram eletricamente ativos durante as crises de enxaqueca.
– Quando pequenos eletrodos foram inseridos nesses ‘neurônios da enxaqueca’ descobrimos que a luz estava disparando um fluxo de sinais elétricos que estava convergindo nas melanopsinas. Isso aumentava a sua atividade em segundos –, disse Burstein.
Mesmo quando a luz era apagada, os neurônios permaneciam ativos.
– Isso ajuda a explicar por que pacientes contam que suas crise se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram de 20 a 30 minutos depois que passam para ambientes escuros –, disse.
Para os autores do estudo, a descoberta fornece novas rotas para abordar o problema da fotofobia em portadores de enxaqueca.
– Clinicamente, a pesquisa monta um cenário para identificar maneiras de bloquear o caminho da dor de modo que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto –, apontou.
Agora, um grupo de cientistas nos Estados Unidos identificou um mecanismo que ocorre na sensibilidade à luz durante as crises de enxaqueca tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.
Os resultados da pesquisa, divulgados neste domingo na edição on-line da revista Nature Neuroscience, ajudam a compreender melhor os mecanismos por trás do problema ainda sem cura e que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o estudo, cerca de 85% dos indivíduos com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz. A fotofobia faz com que muitos evitem atividades como dirigir ou até mesmo ler e trabalhar.
– Alguns pacientes chegam até mesmo a usar óculos escuros durante à noite –, disse um dos autores do estudo, Rami Burstein, professor do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Escola Médica Harvard.
Foi a constatação de que a fotofobia atinge, entre os pacientes com enxaqueca, até mesmo as pessoas cegas que levou o grupo a investigar a hipótese de que os sinais transmitidos pela retina por meio dos nervos ópticos intensificariam as dores.
Os pesquisadores examinaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Os voluntários no primeiro grupo eram totalmente cegos devido a doenças como câncer na retina ou glaucoma. Como eles não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, tinham dificuldade de manter ciclos normais de sono.
O segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas como retinite pigmentosa. Embora não fossem capazes de perceber imagens, podiam detectar a presença de luz e manter ritmos normais de dormir e ficar acordado.
– Enquanto os pacientes no primeiro grupo não experimentaram piora em suas dores de cabeça a partir da exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação nas dores, particularmente na exposição à luz nos comprimentos de onda azul e cinza –, disse Burstein.
– Isso indicou que o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, porque em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro –, afirmou.
Os cientistas levaram os resultados ao laboratório, onde realizaram uma série de experimentos em modelos animais da enxaqueca. Após injetarem melanopsinas (fotopigmentos) nos olhos de ratos, eles traçaram o caminho dos sinais pelos nervos ópticos até o cérebro, onde descobriram um grupo de neurônios que se tornaram eletricamente ativos durante as crises de enxaqueca.
– Quando pequenos eletrodos foram inseridos nesses ‘neurônios da enxaqueca’ descobrimos que a luz estava disparando um fluxo de sinais elétricos que estava convergindo nas melanopsinas. Isso aumentava a sua atividade em segundos –, disse Burstein.
Mesmo quando a luz era apagada, os neurônios permaneciam ativos.
– Isso ajuda a explicar por que pacientes contam que suas crise se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram de 20 a 30 minutos depois que passam para ambientes escuros –, disse.
Para os autores do estudo, a descoberta fornece novas rotas para abordar o problema da fotofobia em portadores de enxaqueca.
– Clinicamente, a pesquisa monta um cenário para identificar maneiras de bloquear o caminho da dor de modo que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto –, apontou.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Sobrepeso aumenta risco cardíaco mesmo sem colesterol elevado
O excesso de peso em pessoas aparentemente saudáveis --com níveis satisfatórios de colesterol, triglicérides, glicemia e pressão arterial-- é um fator independente de risco para doenças cardiovasculares, segundo um estudo da Universidade de Uppsala, na Suécia, publicado no periódico "Circulation". A conclusão contraria o conceito de que há um subgrupo de "gordinhos saudáveis".
O estudo, que acompanhou mais de 1.700 homens de meia-idade por 30 anos, é o mais longo trabalho sobre a relação entre obesidade e risco de doenças do coração já realizado.
Até então, os dados mostravam que pessoas com sobrepeso ou obesas que não apresentavam síndrome metabólica não tinham risco cardiovascular maior. Na pesquisa, a síndrome foi definida pela presença de ao menos três de cinco fatores: hipertensão arterial, intolerância à glicose, colesterol alto, colesterol HDL ("bom") baixo e circunferência abdominal acima dos limites normais.
"Classicamente, imaginava-se que o excesso de peso por si só não aumentava diretamente o risco cardiovascular. O novo estudo coloca esse conceito em dúvida", diz Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do InCor (Instituto do Coração).
Uma das hipóteses para explicar a relação direta entre o excesso de peso e as doenças cardiovasculares é a atividade pró-inflamatória do tecido gorduroso. "As gorduras liberam substâncias que, no fígado, são transformadas em agentes inflamatórios e vão para a corrente sanguínea, podendo agredir os vasos do coração e do cérebro. Também liberam substâncias que, nos músculos, bloqueiam a ação da insulina, favorecendo o diabetes", diz Santos.
Para Daniel Magnoni, chefe do serviço de nutrologia do HCor (Hospital do Coração), "não dá para falar em "gordinho saudável", já que o excesso de peso predispõe ao desenvolvimento de diversas outras doenças, não apenas as do coração".
Em relação ao aumento do risco cardiovascular, Magnoni aponta que, além do IMC (índice de massa corpórea) utilizado no estudo para caracterizar sobrepeso e obesidade, seria preciso avaliar fatores como a prática de atividade física, o consumo regular de frutas e verduras e o nível de estresse, que não foram considerados no estudo. No entanto, os pesquisadores suecos fizeram os ajustes para idade, hábito de fumar e níveis de colesterol LDL ("ruim").
Mesmo ajustando esses fatores, foi observado que homens com sobrepeso sem síndrome metabólica têm um risco 52% maior de sofrer infarto, derrame ou insuficiência cardíaca. Nos obesos sem a síndrome, o risco foi 95% maior. Os dados ressaltam a importância de tratar o sobrepeso independentemente da existência de outros fatores de risco, mas não minimizam a importância da síndrome metabólica: a pesquisa também mostrou que, com a síndrome, o risco aumenta para 74% nos homens com sobrepeso e para 155% nos obesos.
Heno Lopes, coordenador do Ambulatório de Síndrome Metabólica do InCor, não se surpreende com esses resultados. "A obesidade tem relação direta com o aumento da pressão arterial, dos triglicérides e a resistência à insulina, por isso o risco do ganho de peso sempre foi valorizado", afirma.
O fato de existirem obesos que não desenvolvem doenças cardiovasculares não minimiza o risco para a população em geral. "Por alguma razão que ainda desconhecemos, há indivíduos com algum fator cardioprotetor, mas esses são a exceção, não a regra", diz Lopes.
Fonte: Folha Online
O estudo, que acompanhou mais de 1.700 homens de meia-idade por 30 anos, é o mais longo trabalho sobre a relação entre obesidade e risco de doenças do coração já realizado.
Até então, os dados mostravam que pessoas com sobrepeso ou obesas que não apresentavam síndrome metabólica não tinham risco cardiovascular maior. Na pesquisa, a síndrome foi definida pela presença de ao menos três de cinco fatores: hipertensão arterial, intolerância à glicose, colesterol alto, colesterol HDL ("bom") baixo e circunferência abdominal acima dos limites normais.
"Classicamente, imaginava-se que o excesso de peso por si só não aumentava diretamente o risco cardiovascular. O novo estudo coloca esse conceito em dúvida", diz Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do InCor (Instituto do Coração).
Uma das hipóteses para explicar a relação direta entre o excesso de peso e as doenças cardiovasculares é a atividade pró-inflamatória do tecido gorduroso. "As gorduras liberam substâncias que, no fígado, são transformadas em agentes inflamatórios e vão para a corrente sanguínea, podendo agredir os vasos do coração e do cérebro. Também liberam substâncias que, nos músculos, bloqueiam a ação da insulina, favorecendo o diabetes", diz Santos.
Para Daniel Magnoni, chefe do serviço de nutrologia do HCor (Hospital do Coração), "não dá para falar em "gordinho saudável", já que o excesso de peso predispõe ao desenvolvimento de diversas outras doenças, não apenas as do coração".
Em relação ao aumento do risco cardiovascular, Magnoni aponta que, além do IMC (índice de massa corpórea) utilizado no estudo para caracterizar sobrepeso e obesidade, seria preciso avaliar fatores como a prática de atividade física, o consumo regular de frutas e verduras e o nível de estresse, que não foram considerados no estudo. No entanto, os pesquisadores suecos fizeram os ajustes para idade, hábito de fumar e níveis de colesterol LDL ("ruim").
Mesmo ajustando esses fatores, foi observado que homens com sobrepeso sem síndrome metabólica têm um risco 52% maior de sofrer infarto, derrame ou insuficiência cardíaca. Nos obesos sem a síndrome, o risco foi 95% maior. Os dados ressaltam a importância de tratar o sobrepeso independentemente da existência de outros fatores de risco, mas não minimizam a importância da síndrome metabólica: a pesquisa também mostrou que, com a síndrome, o risco aumenta para 74% nos homens com sobrepeso e para 155% nos obesos.
Heno Lopes, coordenador do Ambulatório de Síndrome Metabólica do InCor, não se surpreende com esses resultados. "A obesidade tem relação direta com o aumento da pressão arterial, dos triglicérides e a resistência à insulina, por isso o risco do ganho de peso sempre foi valorizado", afirma.
O fato de existirem obesos que não desenvolvem doenças cardiovasculares não minimiza o risco para a população em geral. "Por alguma razão que ainda desconhecemos, há indivíduos com algum fator cardioprotetor, mas esses são a exceção, não a regra", diz Lopes.
Fonte: Folha Online
Por que a luz piora a enxaqueca
Agência FAPESP – É comum para quem sofre de enxaqueca a vontade de, ao ter um ataque, querer se refugiar em um quarto silencioso e escuro. Embora há tempos se saiba que a luz piora o quadro dessa cefaleia, os motivos por que isso ocorre são desconhecidos.
Agora, um grupo de cientistas nos Estados Unidos identificou um mecanismo que ocorre na sensibilidade à luz durante as crises de enxaqueca tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.
Os resultados da pesquisa, divulgados na edição on-line da revista Nature Neuroscience, ajudam a compreender melhor os mecanismos por trás do problema ainda sem cura e que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o estudo, cerca de 85% dos indivíduos com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz. A fotofobia faz com que muitos evitem atividades como dirigir ou até mesmo ler e trabalhar. “Alguns pacientes chegam até mesmo a usar óculos escuros durante à noite”, disse um dos autores do estudo, Rami Burstein, professor do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Escola Médica Harvard.
Foi a constatação de que a fotofobia atinge, entre os pacientes com enxaqueca, até mesmo as pessoas cegas que levou o grupo a investigar a hipótese de que os sinais transmitidos pela retina por meio dos nervos ópticos intensificariam as dores.
Os pesquisadores examinaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Os voluntários no primeiro grupo eram totalmente cegos devido a doenças como câncer na retina ou glaucoma. Como eles não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, tinham dificuldade de manter ciclos normais de sono.
O segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas como retinite pigmentosa. Embora não fossem capazes de perceber imagens, podiam detectar a presença de luz e manter ritmos normais de dormir e ficar acordado.
“Enquanto os pacientes no primeiro grupo não experimentaram piora em suas dores de cabeça a partir da exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação nas dores, particularmente na exposição à luz nos comprimentos de onda azul e cinza”, disse Burstein.
“Isso indicou que o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, porque em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro”, afirmou.
Os cientistas levaram os resultados ao laboratório, onde realizaram uma série de experimentos em modelos animais da enxaqueca. Após injetarem melanopsinas (fotopigmentos) nos olhos de ratos, eles traçaram o caminho dos sinais pelos nervos ópticos até o cérebro, onde descobriram um grupo de neurônios que se tornaram eletricamente ativos durante as crises de enxaqueca.
“Quando pequenos eletrodos foram inseridos nesses ‘neurônios da enxaqueca’ descobrimos que a luz estava disparando um fluxo de sinais elétricos que estava convergindo nas melanopsinas. Isso aumentava a sua atividade em segundos”, disse Burstein.
Mesmo quando a luz era apagada, os neurônios permaneciam ativos. “Isso ajuda a explicar por que pacientes contam que suas crise se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram de 20 a 30 minutos depois que passam para ambientes escuros”, disse.
Para os autores do estudo, a descoberta fornece novas rotas para abordar o problema da fotofobia em portadores de enxaqueca. “Clinicamente, a pesquisa monta um cenário para identificar maneiras de bloquear o caminho da dor de modo que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto”, apontou.
O artigo A neural mechanism for exacerbation of headache by light (DOI: 10.1038/nn.2475), de Rami Burstein e outros, pode ser lidos na Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.
Agora, um grupo de cientistas nos Estados Unidos identificou um mecanismo que ocorre na sensibilidade à luz durante as crises de enxaqueca tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.
Os resultados da pesquisa, divulgados na edição on-line da revista Nature Neuroscience, ajudam a compreender melhor os mecanismos por trás do problema ainda sem cura e que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o estudo, cerca de 85% dos indivíduos com enxaqueca são extremamente sensíveis à luz. A fotofobia faz com que muitos evitem atividades como dirigir ou até mesmo ler e trabalhar. “Alguns pacientes chegam até mesmo a usar óculos escuros durante à noite”, disse um dos autores do estudo, Rami Burstein, professor do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e da Escola Médica Harvard.
Foi a constatação de que a fotofobia atinge, entre os pacientes com enxaqueca, até mesmo as pessoas cegas que levou o grupo a investigar a hipótese de que os sinais transmitidos pela retina por meio dos nervos ópticos intensificariam as dores.
Os pesquisadores examinaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Os voluntários no primeiro grupo eram totalmente cegos devido a doenças como câncer na retina ou glaucoma. Como eles não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, tinham dificuldade de manter ciclos normais de sono.
O segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas como retinite pigmentosa. Embora não fossem capazes de perceber imagens, podiam detectar a presença de luz e manter ritmos normais de dormir e ficar acordado.
“Enquanto os pacientes no primeiro grupo não experimentaram piora em suas dores de cabeça a partir da exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação nas dores, particularmente na exposição à luz nos comprimentos de onda azul e cinza”, disse Burstein.
“Isso indicou que o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, porque em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro”, afirmou.
Os cientistas levaram os resultados ao laboratório, onde realizaram uma série de experimentos em modelos animais da enxaqueca. Após injetarem melanopsinas (fotopigmentos) nos olhos de ratos, eles traçaram o caminho dos sinais pelos nervos ópticos até o cérebro, onde descobriram um grupo de neurônios que se tornaram eletricamente ativos durante as crises de enxaqueca.
“Quando pequenos eletrodos foram inseridos nesses ‘neurônios da enxaqueca’ descobrimos que a luz estava disparando um fluxo de sinais elétricos que estava convergindo nas melanopsinas. Isso aumentava a sua atividade em segundos”, disse Burstein.
Mesmo quando a luz era apagada, os neurônios permaneciam ativos. “Isso ajuda a explicar por que pacientes contam que suas crise se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram de 20 a 30 minutos depois que passam para ambientes escuros”, disse.
Para os autores do estudo, a descoberta fornece novas rotas para abordar o problema da fotofobia em portadores de enxaqueca. “Clinicamente, a pesquisa monta um cenário para identificar maneiras de bloquear o caminho da dor de modo que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto”, apontou.
O artigo A neural mechanism for exacerbation of headache by light (DOI: 10.1038/nn.2475), de Rami Burstein e outros, pode ser lidos na Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
RIM DE CAMA
Após receber rim, homem descobre que doador era amante de sua mulher!
Um homem em Cingapura, que estava com problemas de saúde e precisava de um transplante de rim, acabou recebendo o órgão do amante de sua mulher. Além de saber que o doador saia secretamente com sua mulher, ele descobriu que o amante era o pai biológico de seu filho, segundo reportagem do site de notícias “Asia One”.
*****
O doador já tinha todo um histórico de compatibilidade com a família do receptor, pois a sua esposa estava bastante acostumada a receber o orgão dele e de se doar por inteiro para o mesmo. Acredita-se que o rim seja o terceiro orgão recebido pelo marido traído, afinal ele já possuía um implante de um par de chifres. Aliás o que é apenas um rim para quem já doou milhões de espermatozóides?
Um homem em Cingapura, que estava com problemas de saúde e precisava de um transplante de rim, acabou recebendo o órgão do amante de sua mulher. Além de saber que o doador saia secretamente com sua mulher, ele descobriu que o amante era o pai biológico de seu filho, segundo reportagem do site de notícias “Asia One”.
*****
O doador já tinha todo um histórico de compatibilidade com a família do receptor, pois a sua esposa estava bastante acostumada a receber o orgão dele e de se doar por inteiro para o mesmo. Acredita-se que o rim seja o terceiro orgão recebido pelo marido traído, afinal ele já possuía um implante de um par de chifres. Aliás o que é apenas um rim para quem já doou milhões de espermatozóides?
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Sequências mais rápidas
Agência FAPESP – Um método para sequenciar genomas mais rapidamente e com menor custo está sendo desenvolvido por cientistas dos Estados Unidos e de Israel. A pesquisa foi descrita na revista Nature Nanotechnology.
A novidade reduz a quantidade de DNA necessária para o sequenciamento e elimina a fase de amplificação de DNA, que é cara, demorada e sujeita a erros, apontam os autores do estudo.
A técnica apresentada pelo grupo, liderado por Amit Meller, professor do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade de Boston, consiste em detectar moléculas de DNA à medida que elas passam por nanoporos de silício.
Campos elétricos são usados para “alimentar” longas fitas de DNA por meio de poros com 4 nanômetros de largura, de forma análoga a passar um fio por uma agulha de costura. Medidas de correntes elétricas são usadas para detectar cada molécula de DNA à medida que ela passa pelos nanoporos.
“A fase atual da pesquisa indica que podemos detectar quantidades muito menores de amostras de DNA do que se estimava. Quando começarem a implementar o sequenciamento de genomas ou a obtenção de perfis genômicos com o uso de nanoporos, nossa abordagem poderá ser empregada de modo a reduzir grandemente o número de cópias usadas para as medidas”, disse Meller.
Atualmente, o sequenciamento de genomas usa a amplificação de DNA para fazer bilhões de cópias moleculares de modo a produzir uma amostra grande o suficiente para ser analisada. Além do tempo e do custo desse processo, algumas das moléculas – como fotocópias de fotocópias – não saem perfeitas.
O sistema de Meller e colegas usa campos elétricos em torno das entradas dos nanoporos de modo a atrair fitas extensas de DNA, com carga elétrica negativa, e passá-las pelos orifícios para que possam ser detectadas. Como o DNA é atraído para os nanoporos a distância, poucas cópias da molécula são necessárias para que a análise possa ser feita.
“As tecnologias atuais de amplificação de DNA limitam o tamanho da molécula a ser utilizada a menos de mil pares de base. Como nosso método não usa a amplificação, ele não apenas reduz o custo, o tempo e a taxa de erros como também permite que a análise seja feita em fitas extensas de DNA, muito maiores do que as usadas atualmente”, afirmou Meller.
O artigo Electrostatic Focusing of Unlabelled DNA into Nanoscale Pores Using a Salt Gradient de Amit Meller e outros, pode ser lido na Nature Nanotechnology em http://dx.doi.org/10.1038/natureNNANO.2009.379.
A novidade reduz a quantidade de DNA necessária para o sequenciamento e elimina a fase de amplificação de DNA, que é cara, demorada e sujeita a erros, apontam os autores do estudo.
A técnica apresentada pelo grupo, liderado por Amit Meller, professor do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade de Boston, consiste em detectar moléculas de DNA à medida que elas passam por nanoporos de silício.
Campos elétricos são usados para “alimentar” longas fitas de DNA por meio de poros com 4 nanômetros de largura, de forma análoga a passar um fio por uma agulha de costura. Medidas de correntes elétricas são usadas para detectar cada molécula de DNA à medida que ela passa pelos nanoporos.
“A fase atual da pesquisa indica que podemos detectar quantidades muito menores de amostras de DNA do que se estimava. Quando começarem a implementar o sequenciamento de genomas ou a obtenção de perfis genômicos com o uso de nanoporos, nossa abordagem poderá ser empregada de modo a reduzir grandemente o número de cópias usadas para as medidas”, disse Meller.
Atualmente, o sequenciamento de genomas usa a amplificação de DNA para fazer bilhões de cópias moleculares de modo a produzir uma amostra grande o suficiente para ser analisada. Além do tempo e do custo desse processo, algumas das moléculas – como fotocópias de fotocópias – não saem perfeitas.
O sistema de Meller e colegas usa campos elétricos em torno das entradas dos nanoporos de modo a atrair fitas extensas de DNA, com carga elétrica negativa, e passá-las pelos orifícios para que possam ser detectadas. Como o DNA é atraído para os nanoporos a distância, poucas cópias da molécula são necessárias para que a análise possa ser feita.
“As tecnologias atuais de amplificação de DNA limitam o tamanho da molécula a ser utilizada a menos de mil pares de base. Como nosso método não usa a amplificação, ele não apenas reduz o custo, o tempo e a taxa de erros como também permite que a análise seja feita em fitas extensas de DNA, muito maiores do que as usadas atualmente”, afirmou Meller.
O artigo Electrostatic Focusing of Unlabelled DNA into Nanoscale Pores Using a Salt Gradient de Amit Meller e outros, pode ser lido na Nature Nanotechnology em http://dx.doi.org/10.1038/natureNNANO.2009.379.
Tratamento de baixo custo substitui cirurgia de tireoide
Um tratamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros poderá ajudar populações em todo o mundo que sofrem de bócio, o inchaço da glândula tireoide causado pela carência crônica de iodo no organismo.
A equipe liderada pelo endocrinologista Geraldo Medeiros-Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), apresentou um tratamento relativamente barato em substituição à cirurgia tradicional para a retirada da tireoide.
O custo menor é um fator importante, considerando que a incidência de bócio se concentra principalmente em regiões mais carentes do planeta. O caráter social da pesquisa chamou a atenção da revista Nature Reviews Endocrinology, que destaca o trabalho brasileiro em sua edição de janeiro.
– A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, 2 bilhões de pessoas sofram de deficiência de iodo e de 20 milhões a 50 milhões apresentem bócios com nódulos. É impraticável operar tanta gente –, disse Medeiros-Neto, que coordena o projeto Metilação do gene simportador sódio-iodo em tumores de tireoide.
Em 2001, sua equipe percorreu 12 Estados brasileiros e registrou casos de bócio entre 5% e 10% da população acima de 50 anos. A partir de dados obtidos pelo levantamento, o grupo estima que cerca de 2,5 milhões de brasileiros sofram da doença, um número muito grande para que a cirurgia possa ser adotada como única terapia. A solução foi procurar métodos mais viáveis de tratamento.
Na primeira etapa do trabalho, os pesquisadores adotaram a administração oral de iodo radioativo como meio de reverter a doença.
– No entanto, percebemos que a absorção desse metaloide pela tireoide era muito pequena –, disse Medeiros, explicando que doses mais altas provocavam efeitos colaterais indesejáveis por causa da elevada radiação ao corpo todo.
Como solução, a equipe ministrou o iodo radioativo precedido por uma injeção do hormônio recombinante de TSH, que estimula a glândula a absorver o radioiodo. Após o acompanhamento de 42 pacientes nos três anos seguintes à terapia, houve uma redução de 60% do volume dos bócios e mesmo o desaparecimento completo do “inchaço” em alguns casos.
Um dos pontos fortes do novo tratamento é o custo, estimado em menos de R$ 300 por paciente. Os pesquisadores devem agora aperfeiçoar a técnica de modo a melhorar os resultados.
– Sabemos que o paciente deve evitar consumir sal iodado precedendo o tratamento. O tratamento também pode levar ao hipotireoidismo, ou seja, a tireoide deixa de funcionar –, explicou Medeiros-Neto. Nesse caso, o resultado é similar ao de uma cirurgia de extração da glândula, porém, o objetivo era o de manter a tireoide ativa e em condições normais.
Na população mais jovem o problema é diferente. Desde o fim da década de 1990 a legislação estipulou a inclusão de iodo no sal de cozinha, o que aumentou o consumo do elemento químico. Diferentemente da população mais velha, os mais jovens deixaram para trás a deficiência de iodo. Mas, com o tempo, o que se verificou foi o excesso.
Em diversas regiões do país, os pesquisadores da FMUSP identificaram em jovens com idades de 6 a 14 anos níveis de iodo na urina superiores ao valor considerado normal.
A ingestão de iodo em excesso durante um período prolongado pode provocar entre adultos jovens o aumento das doenças autoimunes da tireóide, que se manifestam quando o próprio organismo passa a fabricar anticorpos que destroem a glândula.
Por conta disso, as pesquisas deverão auxiliar a aferir o teor de iodo presente no sal de cozinha brasileiro. A legislação de 1998 determinou a adição de 40 a 100 miligramas de iodo para cada quilo de sal e, em 2003, essa faixa foi ajustada para entre 20 e 60 miligramas/kg de sal.
No entanto, de acordo com os trabalhos feitos pelos pesquisadores, entre 20 e 40 miligramas do mineral por quilo de sal de cozinha já seriam suficientes para evitar o bócio sem provocar um aumento perigoso nas taxas de iodo no organismo.
Esses resultados serão levados à Comissão Interinstitucional para o Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo do Ministério da Saúde, da qual Medeiros-Neto faz parte
A equipe liderada pelo endocrinologista Geraldo Medeiros-Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), apresentou um tratamento relativamente barato em substituição à cirurgia tradicional para a retirada da tireoide.
O custo menor é um fator importante, considerando que a incidência de bócio se concentra principalmente em regiões mais carentes do planeta. O caráter social da pesquisa chamou a atenção da revista Nature Reviews Endocrinology, que destaca o trabalho brasileiro em sua edição de janeiro.
– A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, 2 bilhões de pessoas sofram de deficiência de iodo e de 20 milhões a 50 milhões apresentem bócios com nódulos. É impraticável operar tanta gente –, disse Medeiros-Neto, que coordena o projeto Metilação do gene simportador sódio-iodo em tumores de tireoide.
Em 2001, sua equipe percorreu 12 Estados brasileiros e registrou casos de bócio entre 5% e 10% da população acima de 50 anos. A partir de dados obtidos pelo levantamento, o grupo estima que cerca de 2,5 milhões de brasileiros sofram da doença, um número muito grande para que a cirurgia possa ser adotada como única terapia. A solução foi procurar métodos mais viáveis de tratamento.
Na primeira etapa do trabalho, os pesquisadores adotaram a administração oral de iodo radioativo como meio de reverter a doença.
– No entanto, percebemos que a absorção desse metaloide pela tireoide era muito pequena –, disse Medeiros, explicando que doses mais altas provocavam efeitos colaterais indesejáveis por causa da elevada radiação ao corpo todo.
Como solução, a equipe ministrou o iodo radioativo precedido por uma injeção do hormônio recombinante de TSH, que estimula a glândula a absorver o radioiodo. Após o acompanhamento de 42 pacientes nos três anos seguintes à terapia, houve uma redução de 60% do volume dos bócios e mesmo o desaparecimento completo do “inchaço” em alguns casos.
Um dos pontos fortes do novo tratamento é o custo, estimado em menos de R$ 300 por paciente. Os pesquisadores devem agora aperfeiçoar a técnica de modo a melhorar os resultados.
– Sabemos que o paciente deve evitar consumir sal iodado precedendo o tratamento. O tratamento também pode levar ao hipotireoidismo, ou seja, a tireoide deixa de funcionar –, explicou Medeiros-Neto. Nesse caso, o resultado é similar ao de uma cirurgia de extração da glândula, porém, o objetivo era o de manter a tireoide ativa e em condições normais.
Na população mais jovem o problema é diferente. Desde o fim da década de 1990 a legislação estipulou a inclusão de iodo no sal de cozinha, o que aumentou o consumo do elemento químico. Diferentemente da população mais velha, os mais jovens deixaram para trás a deficiência de iodo. Mas, com o tempo, o que se verificou foi o excesso.
Em diversas regiões do país, os pesquisadores da FMUSP identificaram em jovens com idades de 6 a 14 anos níveis de iodo na urina superiores ao valor considerado normal.
A ingestão de iodo em excesso durante um período prolongado pode provocar entre adultos jovens o aumento das doenças autoimunes da tireóide, que se manifestam quando o próprio organismo passa a fabricar anticorpos que destroem a glândula.
Por conta disso, as pesquisas deverão auxiliar a aferir o teor de iodo presente no sal de cozinha brasileiro. A legislação de 1998 determinou a adição de 40 a 100 miligramas de iodo para cada quilo de sal e, em 2003, essa faixa foi ajustada para entre 20 e 60 miligramas/kg de sal.
No entanto, de acordo com os trabalhos feitos pelos pesquisadores, entre 20 e 40 miligramas do mineral por quilo de sal de cozinha já seriam suficientes para evitar o bócio sem provocar um aumento perigoso nas taxas de iodo no organismo.
Esses resultados serão levados à Comissão Interinstitucional para o Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo do Ministério da Saúde, da qual Medeiros-Neto faz parte
Câncer e Alzheimer
Agência FAPESP – Pessoas com doença de Alzheimer podem ter menos risco de desenvolver câncer. E pacientes com câncer teriam chances menores de desenvolver Alzheimer. A relação entra as doenças foi descrita em artigo publicado no site da revista Neurology, publicação da Academia Norte-Americana de Neurologia.
“Descobrir as ligações entre essas duas condições poderá nos ajudar a compreendê-las melhor e a abrir novas avenidas para possíveis tratamentos”, disse Catherine Roe, da Escola de Medicina da Universidade Washington em Saint Louis, um dos autores do estudo.
Os pesquisadores analisaram 3.020 pacientes com mais de 65 anos que foram acompanhados por uma média de cinco anos cada um de modo a verificar se desenvolviam demência e por uma média de oito anos para observar o desenvolvimento de tumores.
No início do estudo, 164 pessoas (5,4%) estavam diagnosticadas com Alzheimer e 522 (17,3%) com câncer. Durante a pesquisa, 478 pessoas desenvolveram demência, característica associada à doença de Alzheimer, e em 378 houve nova manifestação de câncer invasivo.
De acordo com o estudo, para aqueles que tinham Alzheimer no início da pesquisa, o risco de desenvolver câncer foi reduzido em 69% em comparação com aqueles que não tinham Alzheimer.
Para indivíduos caucasianos que tinham câncer no começo do estudo, o risco de desenvolver Alzheimer foi reduzido em 43% em relação àqueles que não tinham diagnóstico de câncer. Os resultados, segundo os pesquisadores, não foram evidentes para grupos minoritários.
“Descobrir as ligações entre essas duas condições poderá nos ajudar a compreendê-las melhor e a abrir novas avenidas para possíveis tratamentos”, disse Catherine Roe, da Escola de Medicina da Universidade Washington em Saint Louis, um dos autores do estudo.
Os pesquisadores analisaram 3.020 pacientes com mais de 65 anos que foram acompanhados por uma média de cinco anos cada um de modo a verificar se desenvolviam demência e por uma média de oito anos para observar o desenvolvimento de tumores.
No início do estudo, 164 pessoas (5,4%) estavam diagnosticadas com Alzheimer e 522 (17,3%) com câncer. Durante a pesquisa, 478 pessoas desenvolveram demência, característica associada à doença de Alzheimer, e em 378 houve nova manifestação de câncer invasivo.
De acordo com o estudo, para aqueles que tinham Alzheimer no início da pesquisa, o risco de desenvolver câncer foi reduzido em 69% em comparação com aqueles que não tinham Alzheimer.
Para indivíduos caucasianos que tinham câncer no começo do estudo, o risco de desenvolver Alzheimer foi reduzido em 43% em relação àqueles que não tinham diagnóstico de câncer. Os resultados, segundo os pesquisadores, não foram evidentes para grupos minoritários.
Terapia para o bócio nodular
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – Um tratamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros poderá ajudar populações em todo o mundo que sofrem de bócio, o inchaço da glândula tireoide causado pela carência crônica de iodo no organismo.
A equipe liderada pelo endocrinologista Geraldo Medeiros-Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), apresentou um tratamento relativamente barato em substituição à cirurgia tradicional para a retirada da tireoide.
O custo menor é um fator importante, considerando que a incidência de bócio se concentra principalmente em regiões mais carentes do planeta. O caráter social da pesquisa chamou a atenção da revista Nature Reviews Endocrinology, que destaca o trabalho brasileiro em sua edição de janeiro.
A revista comenta os resultados da pesquisa conforme descritos no artigo High prevalence of side effects after recombinant human thyrotropin-stimulated radioiodine treatment with 30 mCi in patients with multinodular goiter and subclinical/clinical hyperthyroidism, publicado na revista Thyroid (19, 945–951 – 2009).
“A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, 2 bilhões de pessoas sofram de deficiência de iodo e de 20 milhões a 50 milhões apresentem bócios com nódulos. É impraticável operar tanta gente”, disse Medeiros-Neto, que coordena o projeto “Metilação do gene simportador sódio-iodo em tumores de tireoide”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
Em 2001, sua equipe percorreu 12 Estados brasileiros e registrou casos de bócio entre 5% e 10% da população acima de 50 anos. A partir de dados obtidos pelo levantamento, o grupo estima que cerca de 2,5 milhões de brasileiros sofram da doença, um número muito grande para que a cirurgia possa ser adotada como única terapia. A solução foi procurar métodos mais viáveis de tratamento.
Na primeira etapa do trabalho, os pesquisadores adotaram a administração oral de iodo radioativo como meio de reverter a doença. “No entanto, percebemos que a absorção desse metaloide pela tireoide era muito pequena”, disse Medeiros, explicando que doses mais altas provocavam efeitos colaterais indesejáveis por causa da elevada radiação ao corpo todo.
Como solução, a equipe ministrou o iodo radioativo precedido por uma injeção do hormônio recombinante de TSH, que estimula a glândula a absorver o radioiodo. Após o acompanhamento de 42 pacientes nos três anos seguintes à terapia, houve uma redução de 60% do volume dos bócios e mesmo o desaparecimento completo do “inchaço” em alguns casos.
Um dos pontos fortes do novo tratamento é o custo, estimado em menos de R$ 300 por paciente. Os pesquisadores devem agora aperfeiçoar a técnica de modo a melhorar os resultados.
“Sabemos que o paciente deve evitar consumir sal iodado precedendo o tratamento. O tratamento também pode levar ao hipotireoidismo, ou seja, a tireoide deixa de funcionar”, explicou Medeiros-Neto. Nesse caso, o resultado é similar ao de uma cirurgia de extração da glândula, porém, o objetivo era o de manter a tireoide ativa e em condições normais.
Menos iodo no sal
Na população mais jovem o problema é diferente. Desde o fim da década de 1990 a legislação estipulou a inclusão de iodo no sal de cozinha, o que aumentou o consumo do elemento químico. Diferentemente da população mais velha, os mais jovens deixaram para trás a deficiência de iodo. Mas, com o tempo, o que se verificou foi o excesso.
Em diversas regiões do país, os pesquisadores da FMUSP identificaram em jovens com idades de 6 a 14 anos níveis de iodo na urina superiores ao valor considerado normal.
A ingestão de iodo em excesso durante um período prolongado pode provocar entre adultos jovens o aumento das doenças autoimunes da tireóide, que se manifestam quando o próprio organismo passa a fabricar anticorpos que destroem a glândula.
Por conta disso, as pesquisas feitas pelo grupo na FMUSP deverão auxiliar a aferir o teor de iodo presente no sal de cozinha brasileiro. A legislação de 1998 determinou a adição de 40 a 100 miligramas de iodo para cada quilo de sal e, em 2003, essa faixa foi ajustada para entre 20 e 60 miligramas/kg de sal.
No entanto, de acordo com os trabalhos feitos pelos pesquisadores, entre 20 e 40 miligramas do mineral por quilo de sal de cozinha já seriam suficientes para evitar o bócio sem provocar um aumento perigoso nas taxas de iodo no organismo.
Esses resultados serão levados à Comissão Interinstitucional para o Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo do Ministério da Saúde, da qual Medeiros-Neto faz parte.
O artigo Hyperthyroidism and radioiodine, que comenta o estudo brasileiro, pode ser lido na Nature Reviews Endocrinology (doi:10.1038/nrendo.2009.234) em www.nature.com/nrendo.
Agência FAPESP – Um tratamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros poderá ajudar populações em todo o mundo que sofrem de bócio, o inchaço da glândula tireoide causado pela carência crônica de iodo no organismo.
A equipe liderada pelo endocrinologista Geraldo Medeiros-Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), apresentou um tratamento relativamente barato em substituição à cirurgia tradicional para a retirada da tireoide.
O custo menor é um fator importante, considerando que a incidência de bócio se concentra principalmente em regiões mais carentes do planeta. O caráter social da pesquisa chamou a atenção da revista Nature Reviews Endocrinology, que destaca o trabalho brasileiro em sua edição de janeiro.
A revista comenta os resultados da pesquisa conforme descritos no artigo High prevalence of side effects after recombinant human thyrotropin-stimulated radioiodine treatment with 30 mCi in patients with multinodular goiter and subclinical/clinical hyperthyroidism, publicado na revista Thyroid (19, 945–951 – 2009).
“A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, 2 bilhões de pessoas sofram de deficiência de iodo e de 20 milhões a 50 milhões apresentem bócios com nódulos. É impraticável operar tanta gente”, disse Medeiros-Neto, que coordena o projeto “Metilação do gene simportador sódio-iodo em tumores de tireoide”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
Em 2001, sua equipe percorreu 12 Estados brasileiros e registrou casos de bócio entre 5% e 10% da população acima de 50 anos. A partir de dados obtidos pelo levantamento, o grupo estima que cerca de 2,5 milhões de brasileiros sofram da doença, um número muito grande para que a cirurgia possa ser adotada como única terapia. A solução foi procurar métodos mais viáveis de tratamento.
Na primeira etapa do trabalho, os pesquisadores adotaram a administração oral de iodo radioativo como meio de reverter a doença. “No entanto, percebemos que a absorção desse metaloide pela tireoide era muito pequena”, disse Medeiros, explicando que doses mais altas provocavam efeitos colaterais indesejáveis por causa da elevada radiação ao corpo todo.
Como solução, a equipe ministrou o iodo radioativo precedido por uma injeção do hormônio recombinante de TSH, que estimula a glândula a absorver o radioiodo. Após o acompanhamento de 42 pacientes nos três anos seguintes à terapia, houve uma redução de 60% do volume dos bócios e mesmo o desaparecimento completo do “inchaço” em alguns casos.
Um dos pontos fortes do novo tratamento é o custo, estimado em menos de R$ 300 por paciente. Os pesquisadores devem agora aperfeiçoar a técnica de modo a melhorar os resultados.
“Sabemos que o paciente deve evitar consumir sal iodado precedendo o tratamento. O tratamento também pode levar ao hipotireoidismo, ou seja, a tireoide deixa de funcionar”, explicou Medeiros-Neto. Nesse caso, o resultado é similar ao de uma cirurgia de extração da glândula, porém, o objetivo era o de manter a tireoide ativa e em condições normais.
Menos iodo no sal
Na população mais jovem o problema é diferente. Desde o fim da década de 1990 a legislação estipulou a inclusão de iodo no sal de cozinha, o que aumentou o consumo do elemento químico. Diferentemente da população mais velha, os mais jovens deixaram para trás a deficiência de iodo. Mas, com o tempo, o que se verificou foi o excesso.
Em diversas regiões do país, os pesquisadores da FMUSP identificaram em jovens com idades de 6 a 14 anos níveis de iodo na urina superiores ao valor considerado normal.
A ingestão de iodo em excesso durante um período prolongado pode provocar entre adultos jovens o aumento das doenças autoimunes da tireóide, que se manifestam quando o próprio organismo passa a fabricar anticorpos que destroem a glândula.
Por conta disso, as pesquisas feitas pelo grupo na FMUSP deverão auxiliar a aferir o teor de iodo presente no sal de cozinha brasileiro. A legislação de 1998 determinou a adição de 40 a 100 miligramas de iodo para cada quilo de sal e, em 2003, essa faixa foi ajustada para entre 20 e 60 miligramas/kg de sal.
No entanto, de acordo com os trabalhos feitos pelos pesquisadores, entre 20 e 40 miligramas do mineral por quilo de sal de cozinha já seriam suficientes para evitar o bócio sem provocar um aumento perigoso nas taxas de iodo no organismo.
Esses resultados serão levados à Comissão Interinstitucional para o Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo do Ministério da Saúde, da qual Medeiros-Neto faz parte.
O artigo Hyperthyroidism and radioiodine, que comenta o estudo brasileiro, pode ser lido na Nature Reviews Endocrinology (doi:10.1038/nrendo.2009.234) em www.nature.com/nrendo.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Proposta para rede oncológica nacional implicará fecho de muitos serviços
Muitos serviços que hoje recebem doentes com tumores malignos podem fechar se a proposta para a organização das unidades que tratam cancro em Portugal avançar nos termos em que está definida, noticia o jornal Público.
A Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas estabeleceu uma série de requisitos mínimos para a prestação de cuidados em Oncologia num documento há dias colocado em discussão pública e que conduzirá à concentração das unidades que tratam cancro, um pouco à semelhança do que foi feito com os blocos de parto.
Para que uma unidade de Oncologia possa funcionar deve contar com um volume mínimo de 500 novos casos por ano e só os hospitais com pelo menos mil novos doentes/ano poderão ter serviço de Oncologia. Os centros oncológicos terão de ter uma casuística superior a dois mil casos/ano, diz o documento que está em discussão pública até ao final deste mês.
Na opinião do presidente do colégio da especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, Jorge Espírito Santo, este é precisamente o único ponto a contestar num documento que, de resto, "é excelente".
"O que destoa em absoluto [nesta proposta] são os limiares mínimos estabelecidos para os serviços de Oncologia e que inviabilizarão a existência de muitos [dos que hoje estão a funcionar no país]. Nem sei onde foram buscar estes números", diz o especialista, que está convencido de que esta exigência vai ser alterada. E se a "falha" for corrigida, o documento "representa verdadeiramente o princípio da rede oncológica nacional", frisa.
O deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo critica igualmente os limites estabelecidos: "Se forem concretizados naqueles termos, vão implicar um engarrafamento dos serviços em Lisboa, Porto e Coimbra". Tal como está, "a proposta vai obrigar ao encerramento de vários serviços que hoje tratam cancro, o que me parece muito perigoso", acrescenta.
O problema vai ser debatido durante a audição do coordenador nacional para as doenças oncológicas, na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do BE.
Para além dos requisitos relativamente ao volume de novos casos, o documento estabelece um número mínimo de intervenções cirúrgicas por ano para que uma unidade possa operar.
Jorge Espírito Santo concorda com a necessidade de estabelecer restrições deste tipo, mas defende que deve ser a Ordem dos Médicos a definir os critérios. De resto, acha a proposta muito boa, até porque "incorpora os conceitos que os especialistas vêm defendendo há muitos anos".
A dispersão dos locais onde se operam tumores malignos em Portugal tem sido posta em causa há muito tempo. No último relatório sobre a actividade em cirurgia oncológica (2008), sublinhava-se que, apesar de metade das operações ser feita em nove hospitais públicos, havia mais cinco dezenas de unidades por onde se dispersavam os restantes doentes. E uma grande parte dispunha de "poucos recursos tecnológicos" e de "muito pouca experiência no tratamento do cancro".
Em cada ano, surgem cerca de 40 mil novos doentes oncológicos em Portugal.
A Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas estabeleceu uma série de requisitos mínimos para a prestação de cuidados em Oncologia num documento há dias colocado em discussão pública e que conduzirá à concentração das unidades que tratam cancro, um pouco à semelhança do que foi feito com os blocos de parto.
Para que uma unidade de Oncologia possa funcionar deve contar com um volume mínimo de 500 novos casos por ano e só os hospitais com pelo menos mil novos doentes/ano poderão ter serviço de Oncologia. Os centros oncológicos terão de ter uma casuística superior a dois mil casos/ano, diz o documento que está em discussão pública até ao final deste mês.
Na opinião do presidente do colégio da especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, Jorge Espírito Santo, este é precisamente o único ponto a contestar num documento que, de resto, "é excelente".
"O que destoa em absoluto [nesta proposta] são os limiares mínimos estabelecidos para os serviços de Oncologia e que inviabilizarão a existência de muitos [dos que hoje estão a funcionar no país]. Nem sei onde foram buscar estes números", diz o especialista, que está convencido de que esta exigência vai ser alterada. E se a "falha" for corrigida, o documento "representa verdadeiramente o princípio da rede oncológica nacional", frisa.
O deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo critica igualmente os limites estabelecidos: "Se forem concretizados naqueles termos, vão implicar um engarrafamento dos serviços em Lisboa, Porto e Coimbra". Tal como está, "a proposta vai obrigar ao encerramento de vários serviços que hoje tratam cancro, o que me parece muito perigoso", acrescenta.
O problema vai ser debatido durante a audição do coordenador nacional para as doenças oncológicas, na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do BE.
Para além dos requisitos relativamente ao volume de novos casos, o documento estabelece um número mínimo de intervenções cirúrgicas por ano para que uma unidade possa operar.
Jorge Espírito Santo concorda com a necessidade de estabelecer restrições deste tipo, mas defende que deve ser a Ordem dos Médicos a definir os critérios. De resto, acha a proposta muito boa, até porque "incorpora os conceitos que os especialistas vêm defendendo há muitos anos".
A dispersão dos locais onde se operam tumores malignos em Portugal tem sido posta em causa há muito tempo. No último relatório sobre a actividade em cirurgia oncológica (2008), sublinhava-se que, apesar de metade das operações ser feita em nove hospitais públicos, havia mais cinco dezenas de unidades por onde se dispersavam os restantes doentes. E uma grande parte dispunha de "poucos recursos tecnológicos" e de "muito pouca experiência no tratamento do cancro".
Em cada ano, surgem cerca de 40 mil novos doentes oncológicos em Portugal.
Ponto G é imaginação das mulheres, diz estudo
Estudo do King’s College, de Londres, concluiu que não há provas da existência do chamado ponto G - suposto aglomerado de terminações nervosas próximo ao clitóris que, quando estimulado, provocaria elevados níveis de excitação sexual e orgasmos. Ele foi descrito pela primeira vez pelo cientista alemão Ernst Gräfenberg, em 1950. O trabalho foi divulgado pela BBC.
O estudo analisou entrevistas de 1.804 mulheres e, para os cientistas, o ponto G não passa de imaginação, "estimulada por revistas e terapias sexuais". As entrevistadas tinham entre 23 e 83 anos e eram gêmeas idênticas ou não idênticas.
Das 56% mulheres que declararam ter o ponto G, a maioria era jovem e sexualmente mais ativa do que a média. Os pesquisadores, no entanto, esperavam que, no caso de uma das mulheres relatar ter o ponto G, a probabilidade de sua irmã ter a mesma resposta seria mais alta, mas isso não ocorreu.
"Esse é o maior estudo já realizado sobre o assunto e mostra, de forma conclusiva, que a ideia do ponto G é subjetiva", afirmou Tim Spector, coautor do estudo. Para os pesquisadores, os resultados podem ajudar quem sofre por não encontrar o ponto G.
No entanto, o estudo foi considerado "falho" por Beverley Whipple, que ajudou a popularizar o conceito do ponto G nos anos 70. A pesquisadora destacou que gêmeas normalmente não têm o mesmo parceiro e que o estudo não analisou as opiniões de lésbicas e bissexuais, que se utilizam de diferentes técnicas sexuais. (AE)
O estudo analisou entrevistas de 1.804 mulheres e, para os cientistas, o ponto G não passa de imaginação, "estimulada por revistas e terapias sexuais". As entrevistadas tinham entre 23 e 83 anos e eram gêmeas idênticas ou não idênticas.
Das 56% mulheres que declararam ter o ponto G, a maioria era jovem e sexualmente mais ativa do que a média. Os pesquisadores, no entanto, esperavam que, no caso de uma das mulheres relatar ter o ponto G, a probabilidade de sua irmã ter a mesma resposta seria mais alta, mas isso não ocorreu.
"Esse é o maior estudo já realizado sobre o assunto e mostra, de forma conclusiva, que a ideia do ponto G é subjetiva", afirmou Tim Spector, coautor do estudo. Para os pesquisadores, os resultados podem ajudar quem sofre por não encontrar o ponto G.
No entanto, o estudo foi considerado "falho" por Beverley Whipple, que ajudou a popularizar o conceito do ponto G nos anos 70. A pesquisadora destacou que gêmeas normalmente não têm o mesmo parceiro e que o estudo não analisou as opiniões de lésbicas e bissexuais, que se utilizam de diferentes técnicas sexuais. (AE)
Plantas contra tuberculose
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – A tuberculose figura no rol das chamadas doenças negligenciadas, ainda que um terço da população mundial esteja infectada pelo bacilo de Koch, seu agente causador, e que a doença mate quase 2 milhões de pessoas anualmente.
Após mais de 50 anos sem o surgimento de novas drogas contra a tuberculose, uma substância extraída do óleo da copaíba (Copaifera sp), planta originária da Amazônia, poderá vir a ser a base de um fitomedicamento a ser usado no tratamento da doença.
O princípio ativo, identificado e isolado, mostrou ser eficaz e apresentou atividade antibacteriana em testes in vitro – feitos em macrófagos (células que fagocitam elementos estranhos ao corpo) infectados – e in vivo, em camundongos.
O estudo, conduzido pela equipe de Maria das Graças Henriques, do Laboratório de Farmacologia Aplicada do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz, encontra-se na etapa chamada de toxicologia aguda. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores do Departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.
Reconhecida como planta medicinal, a copaíba começou a ser pesquisada por sua ação anti-inflamatória. “Isolamos um dos princípios presentes e vimos que ele tinha atividade contra a tuberculose. Fizemos isso por curiosidade, uma vez que estávamos pensando no processo inflamatório da tuberculose”, contou a pesquisadora.
A partir daí, o grupo passou a investigar se a substância mataria a bactéria causadora da doença. “Vimos que sim”, contou Maria das Graças. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores administraram doses por via oral da substância em camundongos e coletaram o material do pulmão dos animais para então fazer um teste bacteriológico.
A equipe pretende, até o fim de 2010, finalizar o dossiê pré-clinico e, então, pedir autorização para começar os testes em humanos, divididos em fase 1 (em torno de 20 voluntários sadios), fase 2 (pacientes geralmente adultos jovens) e fase 3 (testes em centros médicos).
O problema é a resistência existente em relação a fitoterápicos no tratamento da tuberculose. “Tem de haver um controle rígido da matéria-prima. Pode haver mudança na quantidade de matéria-prima presente em cada planta. Muitas vezes, a quantidade da substância que encontramos em uma planta de uma determinada região não é a mesma que encontramos em outra região. As condições climáticas e do ambiente influem e por isso nem se pensa em fitoterápicos para tratamento da tuberculose”, explicou a pesquisadora.
Ela lembra que medicamentos para a tuberculose têm que ser baratos, já que a doença atinge principalmente a população de baixa renda. No Brasil, o controle é feito pelo governo federal, que distribui medicamentos gratuitamente pela rede pública.
A saída para driblar os obstáculos e tornar o medicamento economicamente viável seria encontrar uma maneira de isolar a substância ativa ou de sintetizá-la. “Fitomedicamentos são usados para o câncer, por exemplo, mas são caros. Para a tuberculose, a situação tem que ser diferente, mesmo porque até os testes clínicos são mais difíceis de serem feitos no caso dessa doença, já que temos que rastrear o paciente por meses”, disse Maria das Graças.
“Financiar a parte clínica exige alto investimento, infraestrutura e grande conhecimento técnico”, ressaltou. Por estar um pouco mais adiantada em termos de viabilidade, uma outra substância vem sendo pesquisada por sua equipe, também visando ao tratamento da tuberculose: a chalmugra.
Utilizada na primeira metade do século 20 contra a hanseníase – doença provocada por bactérias da mesma família do bacilo de Koch – a chalmugra, planta da Mata Atlântica, apresentou atividade antibacteriana promissora nos testes realizados.
“Começamos a trabalhar com a chalmugra (Carpotroche brasiliensis) em um resgate histórico e confirmamos sua ação antibacteriana”, disse a bióloga Fátima Vergara, integrante da equipe responsável pelos estudos.
Agência FAPESP – A tuberculose figura no rol das chamadas doenças negligenciadas, ainda que um terço da população mundial esteja infectada pelo bacilo de Koch, seu agente causador, e que a doença mate quase 2 milhões de pessoas anualmente.
Após mais de 50 anos sem o surgimento de novas drogas contra a tuberculose, uma substância extraída do óleo da copaíba (Copaifera sp), planta originária da Amazônia, poderá vir a ser a base de um fitomedicamento a ser usado no tratamento da doença.
O princípio ativo, identificado e isolado, mostrou ser eficaz e apresentou atividade antibacteriana em testes in vitro – feitos em macrófagos (células que fagocitam elementos estranhos ao corpo) infectados – e in vivo, em camundongos.
O estudo, conduzido pela equipe de Maria das Graças Henriques, do Laboratório de Farmacologia Aplicada do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz, encontra-se na etapa chamada de toxicologia aguda. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores do Departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.
Reconhecida como planta medicinal, a copaíba começou a ser pesquisada por sua ação anti-inflamatória. “Isolamos um dos princípios presentes e vimos que ele tinha atividade contra a tuberculose. Fizemos isso por curiosidade, uma vez que estávamos pensando no processo inflamatório da tuberculose”, contou a pesquisadora.
A partir daí, o grupo passou a investigar se a substância mataria a bactéria causadora da doença. “Vimos que sim”, contou Maria das Graças. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores administraram doses por via oral da substância em camundongos e coletaram o material do pulmão dos animais para então fazer um teste bacteriológico.
A equipe pretende, até o fim de 2010, finalizar o dossiê pré-clinico e, então, pedir autorização para começar os testes em humanos, divididos em fase 1 (em torno de 20 voluntários sadios), fase 2 (pacientes geralmente adultos jovens) e fase 3 (testes em centros médicos).
O problema é a resistência existente em relação a fitoterápicos no tratamento da tuberculose. “Tem de haver um controle rígido da matéria-prima. Pode haver mudança na quantidade de matéria-prima presente em cada planta. Muitas vezes, a quantidade da substância que encontramos em uma planta de uma determinada região não é a mesma que encontramos em outra região. As condições climáticas e do ambiente influem e por isso nem se pensa em fitoterápicos para tratamento da tuberculose”, explicou a pesquisadora.
Ela lembra que medicamentos para a tuberculose têm que ser baratos, já que a doença atinge principalmente a população de baixa renda. No Brasil, o controle é feito pelo governo federal, que distribui medicamentos gratuitamente pela rede pública.
A saída para driblar os obstáculos e tornar o medicamento economicamente viável seria encontrar uma maneira de isolar a substância ativa ou de sintetizá-la. “Fitomedicamentos são usados para o câncer, por exemplo, mas são caros. Para a tuberculose, a situação tem que ser diferente, mesmo porque até os testes clínicos são mais difíceis de serem feitos no caso dessa doença, já que temos que rastrear o paciente por meses”, disse Maria das Graças.
“Financiar a parte clínica exige alto investimento, infraestrutura e grande conhecimento técnico”, ressaltou. Por estar um pouco mais adiantada em termos de viabilidade, uma outra substância vem sendo pesquisada por sua equipe, também visando ao tratamento da tuberculose: a chalmugra.
Utilizada na primeira metade do século 20 contra a hanseníase – doença provocada por bactérias da mesma família do bacilo de Koch – a chalmugra, planta da Mata Atlântica, apresentou atividade antibacteriana promissora nos testes realizados.
“Começamos a trabalhar com a chalmugra (Carpotroche brasiliensis) em um resgate histórico e confirmamos sua ação antibacteriana”, disse a bióloga Fátima Vergara, integrante da equipe responsável pelos estudos.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sono adequado reduz depressão em adolescentes
Dormir cedo protege adolescentes da depressão e de pensamentos suicidas, segundo sugere uma pesquisa divulgada, pelo Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova York. Os cientistas analisaram adolescentes entre 12 e 18 anos e concluiram que os que vão dormir após a meia-noite tem 24% mais chances de ter depressão do que os que dormem antes das 22hs.
Entre os que dormem menos de cinco horas por noite, a chance de depressão é 71% maior do que entre os que descansam oito horas. A pesquisa, que analisou dados de 15,5 mil adolescentes coletados na década de 90, foi publicada na revista especializada Sleep. Um em cada 15 dos jovens analisados estava deprimido.
Suicídio
Além do risco mais alto de depressão, aqueles que iam dormir após a meia-noite tinham 20% mais chances de pensar em suicídio do que os que dormiam antes das 22hs. Entre os adolescentes que repousavam menos de cinco horas por noite, o risco de pensamentos suicidas era 48% maior. A depressão e os pensamentos suicidas também foram mais frequentes em meninas, jovens mais velhos e entre os que tinham uma percepção menor de quanto seus pais se preocupavam com eles.
A maioria dos pais dos adolescentes analisados pelo estudo havia determinado que seus filhos fossem dormir antes das 22hs. Um quarto deles permitia que os filhos dormissem depois da meia-noite. Em média, os jovens dormiam sete horas e 53 minutos por noite, menos do que as nove horas recomendadas para a faixa etária.
Exercícios físicos
O coordenador do estudo, James Gangwisch, disse que apesar da possibilidade de que adolescentes deprimidos tenham dificuldade para dormir, a ligação entre a hora determinada pelos pais e a depressão sugere que a falta de sono tem um papel no desenvolvimento da condição. Segundo ele, a falta de sono afeta as respostas emocionais do cérebro e leva a um estado de irritação que dificulta lidar com as dificuldades do dia-a-dia. Essa irritação pode afetar o julgamento, a concentração e o controle dos impulsos.
– A quantidade adequada de sono pode então ser uma medida preventiva contra a depressão e um tratamento para a depressão – disse.
Sarah Brennan, presidente da organização de saúde mental YoungMinds, disse que "sono suficiente, boa comida e exercícios regulares são essenciais para se manter emocionalmente saudável".
– Quase 80 mil crianças e adolescentes sofrem de depressão (na Grã-Bretanha), mas nós ainda estamos falhando em dar aos nossos jovens a ajuda e apoio para lidar com ela e preveni-la – concluiu.
Entre os que dormem menos de cinco horas por noite, a chance de depressão é 71% maior do que entre os que descansam oito horas. A pesquisa, que analisou dados de 15,5 mil adolescentes coletados na década de 90, foi publicada na revista especializada Sleep. Um em cada 15 dos jovens analisados estava deprimido.
Suicídio
Além do risco mais alto de depressão, aqueles que iam dormir após a meia-noite tinham 20% mais chances de pensar em suicídio do que os que dormiam antes das 22hs. Entre os adolescentes que repousavam menos de cinco horas por noite, o risco de pensamentos suicidas era 48% maior. A depressão e os pensamentos suicidas também foram mais frequentes em meninas, jovens mais velhos e entre os que tinham uma percepção menor de quanto seus pais se preocupavam com eles.
A maioria dos pais dos adolescentes analisados pelo estudo havia determinado que seus filhos fossem dormir antes das 22hs. Um quarto deles permitia que os filhos dormissem depois da meia-noite. Em média, os jovens dormiam sete horas e 53 minutos por noite, menos do que as nove horas recomendadas para a faixa etária.
Exercícios físicos
O coordenador do estudo, James Gangwisch, disse que apesar da possibilidade de que adolescentes deprimidos tenham dificuldade para dormir, a ligação entre a hora determinada pelos pais e a depressão sugere que a falta de sono tem um papel no desenvolvimento da condição. Segundo ele, a falta de sono afeta as respostas emocionais do cérebro e leva a um estado de irritação que dificulta lidar com as dificuldades do dia-a-dia. Essa irritação pode afetar o julgamento, a concentração e o controle dos impulsos.
– A quantidade adequada de sono pode então ser uma medida preventiva contra a depressão e um tratamento para a depressão – disse.
Sarah Brennan, presidente da organização de saúde mental YoungMinds, disse que "sono suficiente, boa comida e exercícios regulares são essenciais para se manter emocionalmente saudável".
– Quase 80 mil crianças e adolescentes sofrem de depressão (na Grã-Bretanha), mas nós ainda estamos falhando em dar aos nossos jovens a ajuda e apoio para lidar com ela e preveni-la – concluiu.
Sensações da pele afetam audição, diz estudo
Uma pesquisa publicada recentemente pela revista Nature, diz que sensações na pele podem ter um papel importante na maneira como seres humanos escutam uns aos outros.
Com testes em voluntários, o estudo descobriu que "sopros" de ar inaudíveis, emitidos junto com certos sons, influenciam o que a pessoa acreditava estar ouvindo.
De acordo com o site da BBC, a pesquisa realizada no Canadá já está comprovado que sinais visuais emitidos pelo rosto de uma pessoa falando pode melhorar ou interferir na maneira como outra escuta o que está sendo dito.
Mas com sua descoberta, os cientistas da Universidade de British Columbia em Vancouver acreditam que podem ajudar a desenvolver novas maneiras de melhorar a audição de pessoas deficientes.
Com testes em voluntários, o estudo descobriu que "sopros" de ar inaudíveis, emitidos junto com certos sons, influenciam o que a pessoa acreditava estar ouvindo.
De acordo com o site da BBC, a pesquisa realizada no Canadá já está comprovado que sinais visuais emitidos pelo rosto de uma pessoa falando pode melhorar ou interferir na maneira como outra escuta o que está sendo dito.
Mas com sua descoberta, os cientistas da Universidade de British Columbia em Vancouver acreditam que podem ajudar a desenvolver novas maneiras de melhorar a audição de pessoas deficientes.
Nova ferramenta contra a tuberculose
Por Thiago Romero
Agência FAPESP – Pesquisadores do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, desenvolveram e validaram um teste molecular para o diagnóstico da tuberculose de alta complexidade, em especial a tuberculose infantil e a tuberculose extrapulmonar.
O teste funciona com a identificação do IS6110, um elemento genético da bactéria causadora da doença, o Mycobacterium tuberculosis. O objetivo é detectar, de maneira precoce, os casos de tuberculose em que a presença do bacilo no organismo é muito baixa, gerando um tipo da doença que pode ocorrer nos gânglios linfáticos, ossos, articulações, fígado, pele e sistema nervoso central.
Ao ser validado em amostras de sangue de 117 crianças de ambos os sexos, com idades entre seis meses e 14 anos, atendidas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Hospital Barão de Lucena e no Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip) – todos no Recife –, o novo método apresentou especificidade de 100%, ou seja, capacidade de descartar a presença do M. tuberculosis em indivíduos saudáveis. Apresenta também 92,6% de sensibilidade, ou a capacidade de confirmar a presença do bacilo.
A eficácia do teste molecular foi comprovada por meio do método conhecido como Nested-PCR, que amplifica, em crianças com suspeita de tuberculose, um trecho específico do DNA da bactéria em milhares de vezes. De acordo com a coordenadora do trabalho e chefe do Laboratório de Imunoepidemiologia do CPqAM, Haiana Schindler, o método molecular que acaba de ser validado é capaz de detectar uma quantidade de DNA menor que a existente em uma célula bacteriana.
"Com o teste, a presença de apenas um bacilo pode ser suficiente para indicar, em cerca de 24 horas, se o paciente está infectado", disse ela à Agência FAPESP. "A tuberculose é particularmente difícil de ser diagnosticada em crianças. O quadro clínico clássico geralmente é ausente, sendo mais comum a presença de sintomas não específicos."
Por conta disso, atualmente o diagnóstico laboratorial da tuberculose infantil apresenta diversas dificuldades: as imagens radiológicas pulmonares nem sempre são conclusivas e o teste conhecido como Mantoux pode ser de difícil interpretação devido, sobretudo, à vacinação prévia das crianças com a vacina BCG. Além disso, a cultura de sangue tem baixa sensibilidade e requer muito tempo para obtenção do resultado, uma vez que o bacilo Mycobacterium tuberculosis necessita de oito a dez semanas para se multiplicar.
Segundo Haiana, que também é professora do Departamento Materno Infantil da UFPE, hoje o procedimento mais comum, devido à dificuldade das crianças menores em expectorar, é a cultura de lavado gástrico nos suspeitos de tuberculose pulmonar, que detecta a presença do bacilo em cerca de 40% dos casos.
"Já pelo teste molecular, a detecção do M. tuberculosis pode ser obtida com sensibilidade de uma cópia de DNA alvo em uma única célula bacteriana, extraída de amostras clínicas de naturezas variadas. Esse novo método detecta a presença do material genético específico da microbactéria presente na tuberculose-doença, com sintomas, e também na tuberculose-infecção, ainda sem os sintomas", explicou.
Amplificação de seqüências de DNA
A técnica da Fiocruz para o diagnóstico rápido da tuberculose é baseada na reação em cadeia da polimerase (PCR). A amplificação específica de seqüências de ácidos nucléicos por meio da PCR, que permite a síntese enzimática in vitro de seqüências de DNA, também tem sido empregada no diagnóstico de várias doenças infecciosas.
"Para o controle da tuberculose é importante o diagnóstico precoce e, como existem falhas nos métodos rotineiros utilizados atualmente, a necessidade de um teste rápido, sensível e prático levou ao desenvolvimento desse novo teste diagnóstico molecular", explicou Haiana.
Se entre as vantagens do novo teste estão a alta sensibilidade, especificidade e rapidez na obtenção do resultado, a pesquisadora aponta que uma das desvantagens pode ser o custo mais elevado, apesar de os pesquisadores da Fiocruz ainda não terem realizado estudos de custos.
"A vantagem é que, quando comparada com os gastos da saúde com outros exames laboratoriais, dias de internação, medicamentos e outras seqüelas ocasionadas por falta de diagnóstico precoce, os benefícios desse novo teste poderão compensar a sua implantação nos principais serviços de referência do Brasil", afirmou.
Atualmente, o teste molecular só está sendo utilizado em contexto de pesquisa. "Estamos trabalhando no desenvolvimento e validação de um kit de diagnóstico para ser implantado nos principais centros e instituições de referência da tuberculose no Brasil em casos de difícil elucidação. Para isso, a relação custo-benefício do método já está sendo avaliada", disse a pesquisadora do Departamento de Imunologia do CPqAM.
A intenção é fazer com que a utilização do teste molecular, associada aos métodos tradicionais, contribua para um diagnóstico mais preciso em qualquer fase da doença, permitindo o tratamento precoce e o controle da sua transmissão. A tuberculose infantil é um problema de saúde pública que atinge 1,3 milhão de crianças por ano no Brasil.
Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas estejam infectadas pela Mycobacterium tuberculosis no Brasil, o que resulta na 16ª posição entre os 22 países com mais alta carga de tuberculose do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os casos notificados no país, 10% acometem menores de 15 anos.
Agência FAPESP – Pesquisadores do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, desenvolveram e validaram um teste molecular para o diagnóstico da tuberculose de alta complexidade, em especial a tuberculose infantil e a tuberculose extrapulmonar.
O teste funciona com a identificação do IS6110, um elemento genético da bactéria causadora da doença, o Mycobacterium tuberculosis. O objetivo é detectar, de maneira precoce, os casos de tuberculose em que a presença do bacilo no organismo é muito baixa, gerando um tipo da doença que pode ocorrer nos gânglios linfáticos, ossos, articulações, fígado, pele e sistema nervoso central.
Ao ser validado em amostras de sangue de 117 crianças de ambos os sexos, com idades entre seis meses e 14 anos, atendidas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Hospital Barão de Lucena e no Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip) – todos no Recife –, o novo método apresentou especificidade de 100%, ou seja, capacidade de descartar a presença do M. tuberculosis em indivíduos saudáveis. Apresenta também 92,6% de sensibilidade, ou a capacidade de confirmar a presença do bacilo.
A eficácia do teste molecular foi comprovada por meio do método conhecido como Nested-PCR, que amplifica, em crianças com suspeita de tuberculose, um trecho específico do DNA da bactéria em milhares de vezes. De acordo com a coordenadora do trabalho e chefe do Laboratório de Imunoepidemiologia do CPqAM, Haiana Schindler, o método molecular que acaba de ser validado é capaz de detectar uma quantidade de DNA menor que a existente em uma célula bacteriana.
"Com o teste, a presença de apenas um bacilo pode ser suficiente para indicar, em cerca de 24 horas, se o paciente está infectado", disse ela à Agência FAPESP. "A tuberculose é particularmente difícil de ser diagnosticada em crianças. O quadro clínico clássico geralmente é ausente, sendo mais comum a presença de sintomas não específicos."
Por conta disso, atualmente o diagnóstico laboratorial da tuberculose infantil apresenta diversas dificuldades: as imagens radiológicas pulmonares nem sempre são conclusivas e o teste conhecido como Mantoux pode ser de difícil interpretação devido, sobretudo, à vacinação prévia das crianças com a vacina BCG. Além disso, a cultura de sangue tem baixa sensibilidade e requer muito tempo para obtenção do resultado, uma vez que o bacilo Mycobacterium tuberculosis necessita de oito a dez semanas para se multiplicar.
Segundo Haiana, que também é professora do Departamento Materno Infantil da UFPE, hoje o procedimento mais comum, devido à dificuldade das crianças menores em expectorar, é a cultura de lavado gástrico nos suspeitos de tuberculose pulmonar, que detecta a presença do bacilo em cerca de 40% dos casos.
"Já pelo teste molecular, a detecção do M. tuberculosis pode ser obtida com sensibilidade de uma cópia de DNA alvo em uma única célula bacteriana, extraída de amostras clínicas de naturezas variadas. Esse novo método detecta a presença do material genético específico da microbactéria presente na tuberculose-doença, com sintomas, e também na tuberculose-infecção, ainda sem os sintomas", explicou.
Amplificação de seqüências de DNA
A técnica da Fiocruz para o diagnóstico rápido da tuberculose é baseada na reação em cadeia da polimerase (PCR). A amplificação específica de seqüências de ácidos nucléicos por meio da PCR, que permite a síntese enzimática in vitro de seqüências de DNA, também tem sido empregada no diagnóstico de várias doenças infecciosas.
"Para o controle da tuberculose é importante o diagnóstico precoce e, como existem falhas nos métodos rotineiros utilizados atualmente, a necessidade de um teste rápido, sensível e prático levou ao desenvolvimento desse novo teste diagnóstico molecular", explicou Haiana.
Se entre as vantagens do novo teste estão a alta sensibilidade, especificidade e rapidez na obtenção do resultado, a pesquisadora aponta que uma das desvantagens pode ser o custo mais elevado, apesar de os pesquisadores da Fiocruz ainda não terem realizado estudos de custos.
"A vantagem é que, quando comparada com os gastos da saúde com outros exames laboratoriais, dias de internação, medicamentos e outras seqüelas ocasionadas por falta de diagnóstico precoce, os benefícios desse novo teste poderão compensar a sua implantação nos principais serviços de referência do Brasil", afirmou.
Atualmente, o teste molecular só está sendo utilizado em contexto de pesquisa. "Estamos trabalhando no desenvolvimento e validação de um kit de diagnóstico para ser implantado nos principais centros e instituições de referência da tuberculose no Brasil em casos de difícil elucidação. Para isso, a relação custo-benefício do método já está sendo avaliada", disse a pesquisadora do Departamento de Imunologia do CPqAM.
A intenção é fazer com que a utilização do teste molecular, associada aos métodos tradicionais, contribua para um diagnóstico mais preciso em qualquer fase da doença, permitindo o tratamento precoce e o controle da sua transmissão. A tuberculose infantil é um problema de saúde pública que atinge 1,3 milhão de crianças por ano no Brasil.
Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas estejam infectadas pela Mycobacterium tuberculosis no Brasil, o que resulta na 16ª posição entre os 22 países com mais alta carga de tuberculose do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os casos notificados no país, 10% acometem menores de 15 anos.
Mutações que causam esquizofrenia
Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de Colúmbia, em Nova York, identificaram no genoma de pacientes com esquizofrenia mutações genéticas espontâneas que representam, no mínimo, 10% dos casos em que não há histórico familiar da doença.
Em artigo publicado na revista Nature Genetics, são descritas mutações específicas em indivíduos com esquizofrenia que não estão presentes nos pais biológicos que não sofrem com o transtorno. A descoberta poderá auxiliar no entendimento da prevalência de esquizofrenia nessa população, apesar das baixas taxas de fertilidade e fecundidade das pessoas com esquizofrenia.
De acordo com o estudo, indivíduos com forma não-familiar de esquizofrenia têm cerca de oito vezes mais chances de ter mutações em seus genomas do que aqueles sem a doença. Os cientistas mapearam o genoma de 152 pessoas com esquizofrenia e seus pais biológicos e, para identificar o número de mutações, compararam os resultados com o genoma de 159 outras sem esquizofrenia.
Eles encontraram mutações em 15 indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia – tanto ganho como perda de genes –, que não estavam presentes nos cromossomos dos pais. Apenas duas mutações foram encontradas nos indivíduos sem o transtorno.
"Já conhecemos a causa de cerca de 10% dos casos esporádicos de esquizofrenia, que não é mais uma grande caixa-preta como costumava ser", disse Maria Karayiorgou, professora de psiquiatria do Centro Médico da universidade norte-americana.
"A identificação desses genes permite saber como os caminhos do desenvolvimento cerebral podem estar envolvidos com o início da doença. Com isso, poderemos descobrir melhores maneiras de tratar esse problema devastador", afirmou.
Uma das novas mutações encontradas em mais de uma pessoa com a doença foi uma supressão em uma região do cromossomo 2. Também foram identificadas mudanças no número de cópias em vários outros cromossomos. Em estudo anterior, os autores haviam fornecido pistas de que a perda de genes na região cromossômica 22q11.2 é responsável pela introdução de casos esporádicos de esquizofrenia.
"Tínhamos demonstrado que a região 22q11.2 está envolvida com a esquizofrenia e temos progredido na compreensão de seus mecanismos biológicos", explica Joseph Gogos, professor de fisiologia e neurociência da Universidade de Colúmbia. "Agora, temos um novo conjunto de mutações para investigarmos. Quanto mais dados tivermos sobre a base biológica da doença, mais informações poderemos fornecer para os pacientes."
Segundo os pesquisadores, esse tipo de pesquisa tem potencial para melhorar os tratamentos de distúrbios cerebrais e, até mesmo, contribuir para sua prevenção. Um dos objetivos é poder informar ao paciente a existência de uma mutação específica como a possível causadora biológica da doença, para adequar tratamentos individuais.
A esquizofrenia afeta aproximadamente 1% da população mundial, sendo que cerca de 40% da doença pode ser herdada e os outros 60% aparecem esporadicamente em indivíduos sem histórico familiar do problema.
O artigo Strong association of de novo copy number mutations with sporadic schizophrenia, de Maria Karayiorgou, Joseph Gogos e outros, pode ser lido na Nature em www.nature.com/ng.
Em artigo publicado na revista Nature Genetics, são descritas mutações específicas em indivíduos com esquizofrenia que não estão presentes nos pais biológicos que não sofrem com o transtorno. A descoberta poderá auxiliar no entendimento da prevalência de esquizofrenia nessa população, apesar das baixas taxas de fertilidade e fecundidade das pessoas com esquizofrenia.
De acordo com o estudo, indivíduos com forma não-familiar de esquizofrenia têm cerca de oito vezes mais chances de ter mutações em seus genomas do que aqueles sem a doença. Os cientistas mapearam o genoma de 152 pessoas com esquizofrenia e seus pais biológicos e, para identificar o número de mutações, compararam os resultados com o genoma de 159 outras sem esquizofrenia.
Eles encontraram mutações em 15 indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia – tanto ganho como perda de genes –, que não estavam presentes nos cromossomos dos pais. Apenas duas mutações foram encontradas nos indivíduos sem o transtorno.
"Já conhecemos a causa de cerca de 10% dos casos esporádicos de esquizofrenia, que não é mais uma grande caixa-preta como costumava ser", disse Maria Karayiorgou, professora de psiquiatria do Centro Médico da universidade norte-americana.
"A identificação desses genes permite saber como os caminhos do desenvolvimento cerebral podem estar envolvidos com o início da doença. Com isso, poderemos descobrir melhores maneiras de tratar esse problema devastador", afirmou.
Uma das novas mutações encontradas em mais de uma pessoa com a doença foi uma supressão em uma região do cromossomo 2. Também foram identificadas mudanças no número de cópias em vários outros cromossomos. Em estudo anterior, os autores haviam fornecido pistas de que a perda de genes na região cromossômica 22q11.2 é responsável pela introdução de casos esporádicos de esquizofrenia.
"Tínhamos demonstrado que a região 22q11.2 está envolvida com a esquizofrenia e temos progredido na compreensão de seus mecanismos biológicos", explica Joseph Gogos, professor de fisiologia e neurociência da Universidade de Colúmbia. "Agora, temos um novo conjunto de mutações para investigarmos. Quanto mais dados tivermos sobre a base biológica da doença, mais informações poderemos fornecer para os pacientes."
Segundo os pesquisadores, esse tipo de pesquisa tem potencial para melhorar os tratamentos de distúrbios cerebrais e, até mesmo, contribuir para sua prevenção. Um dos objetivos é poder informar ao paciente a existência de uma mutação específica como a possível causadora biológica da doença, para adequar tratamentos individuais.
A esquizofrenia afeta aproximadamente 1% da população mundial, sendo que cerca de 40% da doença pode ser herdada e os outros 60% aparecem esporadicamente em indivíduos sem histórico familiar do problema.
O artigo Strong association of de novo copy number mutations with sporadic schizophrenia, de Maria Karayiorgou, Joseph Gogos e outros, pode ser lido na Nature em www.nature.com/ng.
Frio afecta coração e respiração
O organismo humano não está preparado para enfrentar temperaturas baixas, que afectam várias funções básicas, nomeadamente a nível respiratório e cardíaco. A troca de oxigénio por dióxido de carbono processa-se idealmente a 21 graus Célsius. Muito abaixo disso, as reacções ficam mais lentas e a absorção de oxigénio pelos músculos é prejudicada, o que conduz ao aumento do esforço. Também a nível cardíaco, e dado que o sangue ‘foge’ da pele e das extremidades para manter o calor no interior do corpo, há alterações: aumenta o retorno venoso do coração, que bombeia mais lentamente, originando quebra da frequência cardíaca e maior pressão sanguínea. Motivos suficientes para não brincar com o frio.
"O principal problema é a hipotermia, quando a temperatura do corpo baixa mais do que é normal, o que afecta os sistemas e órgãos", sublinha a médica de clínica geral Filipa Mafra, apontando os efeitos associados de prostração e desconcentração.
O ar frio irrita as mucosas das vias respiratórias ao mesmo tempo que confere vida (mais) longa aos vírus, criando o cenário ideal para a propagação das infecções, acrescenta. Proteger a boca e o nariz com um cachecol, de modo a aquecer o ar antes que entre no organismo, ajuda a prevenir a irritação das mucosas e a mantê-las actuantes na primeira linha de defesa contra as infecções. Sem ajuda, o organismo reage ao frio, nomeadamente por meio da contracção dos vasos sanguíneos – vasoconstrição –, bem como de arrepios e do ‘bater de dentes’, pequenas contracções musculares que, queimando hidratos de carbono, gorduras e calorias, resultam na produção de calor.
A sensação de frio depende não só da temperatura, como também da velocidade do ar, ou seja, do vento. Segundo o meteorologista Anthímio de Azevedo, ventos de dez quilómetros/hora associados a temperaturas de zero graus produzem uma sensação térmica de dois graus negativos. Se o ar se desloca 40 quilómetros horários, os zero graus transformam-se em 13 negativos.
PORMENORES
GRUPOS DE RISCO
Crianças e idosos são especialmente susceptíveis devido à menor percepção do frio e do calor pelos respectivos sistemas reguladores da temperatura. Ou seja, como não se apercebem dos extremos, são mais vulneráveis.
CAMADAS DE ROUPA
Vestindo várias peças de roupa em vez de uma única muito quente, evita-se a transpiração, que gera arrefecimento. Por outro lado, entre as várias camadas gera-se uma espécie de caixa de ar que protege do frio.
ÁGUA DE BANHO
O duche deve iniciar-se com água quente, progressivamente arrefecida até ficar quase fria. Por meio da vasodilatação, que implica afluxo de sangue à superfície da pele, o organismo produz calor e prepara-se para enfrentar a saída do duche. Se a água se mantiver sempre à mesma temperatura, não há maneira de evitar o choque térmico após o banho.
"AS PESSOAS VÃO PERDENDO FACULDADES DE DEFESA": Américo Borges Médico de clínica geral e do INEM
Correio da Manhã – Quais são os sintomas da hipotermia?
Américo Borges – Tremores no corpo e perdas momentâneas de consciência. Quando o organismo atinge temperaturas abaixo dos 34 graus, entra em estado hipotérmico.
– É possível uma pessoa não se aperceber desse estado?
– Depende. Se for na sequência de um acidente em que a pessoa fica inconsciente, não há nada a fazer. Se for em consequência de uma situação de desorientação, pode entrar em hipotermia e não ter noção. O que acontece é que vai perdendo faculdades de defesa.
– Que cautelas se deve ter quando se vai para um local de risco como a serra da Estrela?
– É essencial usar roupa conveniente: mais que uma camisola interior, collants, tecidos de algodão e lã, casacos de penas.
– Quando tempo é que uma pessoa pode aguentar em estado de hipotermia?
– Depende do organismo de cada um. Pode-se aguentar largas horas ou até dias. O importante é que as pessoas nessa situação sejam assistidas o mais rápido possível sob pena de sofrer grandes e graves consequências para a saúde.
"DESIDRATAÇÃO TAMBÉM TEVE MUITA INFLUÊNCIA"
João Garcia atingiu o pico do Evereste, a montanha mais alta do Mundo, entre o Nepal e o Tibete, a 18 de Maio de 1999. Na descida, o colega de escalada e amigo, o belga Pascal Debrouwer, caiu numa ravina e morreu. João Garcia sofreu queimaduras no corpo. Foi internado num hospital de Saragoça, em Espanha, onde lhe foram amputados alguns dedos das mãos e pés, bem como parte do nariz.
O caso do alpinista português é especial – não há quem não sinta frio, mas são muito poucos os que arriscam expor-se a temperaturas de 40 graus abaixo de zero para conquistar os pontos em que a terra está mais perto do céu. Fazem-no com equipamento térmico, que, explica o alpinista, "não produz, mas permite reter o calor que o corpo vai gerando". Mais do que ao frio, João Garcia atribui à desidratação a falta de irrigação sanguínea das extremidades que ditou as amputações a que foi sujeito. "Lá em cima, o ar está rarefeito, cada vez mais seco e não temos garrafinhas de água mineral para ir bebendo e repondo a água que perdemos. Há gelo, mas não podemos estar constantemente a derretê-lo. O sangue fica mais espesso e não chega às extremidades. Devíamos hidratar mais naquelas condições, mas não é possível", sublinha o alpinista, notando que num dos últimos acampamentos "até ao cume e regresso foram vinte horas de esforço ininterrupto". Mas, como cá em baixo as circunstâncias são diferentes, João Garcia não perde a oportunidade de recomendar a quem mais sofre com o frio a "ingestão frequente de líquidos também durante o Inverno para que mantenham, nomeadamente, as mãos e os pés bem irrigados e mais quentes".
PERFIL
João Garcia nasceu em 1968 em Lisboa. Tinha 16 anos quando escalou a sua primeira montanha, a serra da Estrela. Nos Alpes deu asas à paixão. Uma comissão de serviço no quartel-general das Forças Aliadas na Bélgica entre 1990 e 1993 permitiu que se familiarizasse com os Alpes. Foi o início do caminho que, em 1999, faria de João Garcia o primeiro português a pisar o cume do Evereste. Nessa expedição sofreu vários ferimentos devido ao frio.
NOTAS
LÍQUIDOS
No Inverno a sensação de sede é menor, mas isso não dispensa a ingestão líquidos, fundamental para a hidratação
PROTECÇÃO
Proteger a boca e o nariz – e assim aquecer o ar antes da entrada – protege as mucosas do sistema respiratório
DESINFECÇÃO
O frio é um aliado dos vírus – por isso, quando aquele aperta, é importante reforçar a desinfecção
Isabel Ramos / L.O.
"O principal problema é a hipotermia, quando a temperatura do corpo baixa mais do que é normal, o que afecta os sistemas e órgãos", sublinha a médica de clínica geral Filipa Mafra, apontando os efeitos associados de prostração e desconcentração.
O ar frio irrita as mucosas das vias respiratórias ao mesmo tempo que confere vida (mais) longa aos vírus, criando o cenário ideal para a propagação das infecções, acrescenta. Proteger a boca e o nariz com um cachecol, de modo a aquecer o ar antes que entre no organismo, ajuda a prevenir a irritação das mucosas e a mantê-las actuantes na primeira linha de defesa contra as infecções. Sem ajuda, o organismo reage ao frio, nomeadamente por meio da contracção dos vasos sanguíneos – vasoconstrição –, bem como de arrepios e do ‘bater de dentes’, pequenas contracções musculares que, queimando hidratos de carbono, gorduras e calorias, resultam na produção de calor.
A sensação de frio depende não só da temperatura, como também da velocidade do ar, ou seja, do vento. Segundo o meteorologista Anthímio de Azevedo, ventos de dez quilómetros/hora associados a temperaturas de zero graus produzem uma sensação térmica de dois graus negativos. Se o ar se desloca 40 quilómetros horários, os zero graus transformam-se em 13 negativos.
PORMENORES
GRUPOS DE RISCO
Crianças e idosos são especialmente susceptíveis devido à menor percepção do frio e do calor pelos respectivos sistemas reguladores da temperatura. Ou seja, como não se apercebem dos extremos, são mais vulneráveis.
CAMADAS DE ROUPA
Vestindo várias peças de roupa em vez de uma única muito quente, evita-se a transpiração, que gera arrefecimento. Por outro lado, entre as várias camadas gera-se uma espécie de caixa de ar que protege do frio.
ÁGUA DE BANHO
O duche deve iniciar-se com água quente, progressivamente arrefecida até ficar quase fria. Por meio da vasodilatação, que implica afluxo de sangue à superfície da pele, o organismo produz calor e prepara-se para enfrentar a saída do duche. Se a água se mantiver sempre à mesma temperatura, não há maneira de evitar o choque térmico após o banho.
"AS PESSOAS VÃO PERDENDO FACULDADES DE DEFESA": Américo Borges Médico de clínica geral e do INEM
Correio da Manhã – Quais são os sintomas da hipotermia?
Américo Borges – Tremores no corpo e perdas momentâneas de consciência. Quando o organismo atinge temperaturas abaixo dos 34 graus, entra em estado hipotérmico.
– É possível uma pessoa não se aperceber desse estado?
– Depende. Se for na sequência de um acidente em que a pessoa fica inconsciente, não há nada a fazer. Se for em consequência de uma situação de desorientação, pode entrar em hipotermia e não ter noção. O que acontece é que vai perdendo faculdades de defesa.
– Que cautelas se deve ter quando se vai para um local de risco como a serra da Estrela?
– É essencial usar roupa conveniente: mais que uma camisola interior, collants, tecidos de algodão e lã, casacos de penas.
– Quando tempo é que uma pessoa pode aguentar em estado de hipotermia?
– Depende do organismo de cada um. Pode-se aguentar largas horas ou até dias. O importante é que as pessoas nessa situação sejam assistidas o mais rápido possível sob pena de sofrer grandes e graves consequências para a saúde.
"DESIDRATAÇÃO TAMBÉM TEVE MUITA INFLUÊNCIA"
João Garcia atingiu o pico do Evereste, a montanha mais alta do Mundo, entre o Nepal e o Tibete, a 18 de Maio de 1999. Na descida, o colega de escalada e amigo, o belga Pascal Debrouwer, caiu numa ravina e morreu. João Garcia sofreu queimaduras no corpo. Foi internado num hospital de Saragoça, em Espanha, onde lhe foram amputados alguns dedos das mãos e pés, bem como parte do nariz.
O caso do alpinista português é especial – não há quem não sinta frio, mas são muito poucos os que arriscam expor-se a temperaturas de 40 graus abaixo de zero para conquistar os pontos em que a terra está mais perto do céu. Fazem-no com equipamento térmico, que, explica o alpinista, "não produz, mas permite reter o calor que o corpo vai gerando". Mais do que ao frio, João Garcia atribui à desidratação a falta de irrigação sanguínea das extremidades que ditou as amputações a que foi sujeito. "Lá em cima, o ar está rarefeito, cada vez mais seco e não temos garrafinhas de água mineral para ir bebendo e repondo a água que perdemos. Há gelo, mas não podemos estar constantemente a derretê-lo. O sangue fica mais espesso e não chega às extremidades. Devíamos hidratar mais naquelas condições, mas não é possível", sublinha o alpinista, notando que num dos últimos acampamentos "até ao cume e regresso foram vinte horas de esforço ininterrupto". Mas, como cá em baixo as circunstâncias são diferentes, João Garcia não perde a oportunidade de recomendar a quem mais sofre com o frio a "ingestão frequente de líquidos também durante o Inverno para que mantenham, nomeadamente, as mãos e os pés bem irrigados e mais quentes".
PERFIL
João Garcia nasceu em 1968 em Lisboa. Tinha 16 anos quando escalou a sua primeira montanha, a serra da Estrela. Nos Alpes deu asas à paixão. Uma comissão de serviço no quartel-general das Forças Aliadas na Bélgica entre 1990 e 1993 permitiu que se familiarizasse com os Alpes. Foi o início do caminho que, em 1999, faria de João Garcia o primeiro português a pisar o cume do Evereste. Nessa expedição sofreu vários ferimentos devido ao frio.
NOTAS
LÍQUIDOS
No Inverno a sensação de sede é menor, mas isso não dispensa a ingestão líquidos, fundamental para a hidratação
PROTECÇÃO
Proteger a boca e o nariz – e assim aquecer o ar antes da entrada – protege as mucosas do sistema respiratório
DESINFECÇÃO
O frio é um aliado dos vírus – por isso, quando aquele aperta, é importante reforçar a desinfecção
Isabel Ramos / L.O.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Os 12 mandamentos do médico do S.U.S.
1. Se você não sabe o que o paciente tem , dê Voltaren ;
2. Se você não entende o que viu , dê Benzetacil ;
3. Apertou a barriga e fez "ahhnnn", dê Buscopan ;
4. Caiu e passou mal , dê Gardenal ;
5. Tá com uma dor bem grandona , dê Dipirona ;
6. Se você não sabe o que é bom , dê Decadron ;
7. Vomitou tudo que ingeriu , dê Plasil ;
8. A pressão subiu ? Dê Captopril ;
9. Se a pressão deu mais uma grande subida , dê Furosemida ;
10. Chegou morrendo de choro , ponha no soro ;
11. Arritmia doidona , dê Amiodarona ;
12. Pelo não, pelo sim, dê Rocefin ...
P.S.: Se nada der certo, não tem neurose : diga que é só uma virose !!!
O PIOR É QUE É VERDADE!!!!
2. Se você não entende o que viu , dê Benzetacil ;
3. Apertou a barriga e fez "ahhnnn", dê Buscopan ;
4. Caiu e passou mal , dê Gardenal ;
5. Tá com uma dor bem grandona , dê Dipirona ;
6. Se você não sabe o que é bom , dê Decadron ;
7. Vomitou tudo que ingeriu , dê Plasil ;
8. A pressão subiu ? Dê Captopril ;
9. Se a pressão deu mais uma grande subida , dê Furosemida ;
10. Chegou morrendo de choro , ponha no soro ;
11. Arritmia doidona , dê Amiodarona ;
12. Pelo não, pelo sim, dê Rocefin ...
P.S.: Se nada der certo, não tem neurose : diga que é só uma virose !!!
O PIOR É QUE É VERDADE!!!!
Diabetes em expansão
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Um estudo de base populacional realizado em São Carlos (SP) mostra que a prevalência de diabetes mellitus chega a 13,5% entre os habitantes da cidade do interior paulista. O número sugere um aumento na prevalência da doença em relação a estudos anteriores feitos no Brasil.
O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi publicado na revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 220 milhões de pessoas são portadoras da doença, que causa cerca de 5% de todas as mortes no mundo a cada ano. Aproximadamente 80% dos diabéticos vivem em países de baixa e média renda.
De acordo com a autora principal do estudo, Angela Leal, professora do Departamento de Medicina da UFSCar, os dados são coerentes com a tendência mundial de aumento da prevalência de diabetes em todo o mundo.
“Um estudo multicêntrico nacional realizado no final da década de 1980 mostrava que a prevalência no país era de 7,6%. Outra pesquisa, realizada em 2003 na região de Ribeirão Preto, no interior paulista, mostrou que a prevalência era de 12%. O estudo feito em São Carlos indica que a prevalência continua crescendo”, disse Angela à Agência FAPESP.
A professora explicou que há poucos estudos epidemiológicos desse tipo, pois sua execução requer uma metodologia específica e participação de grande número de indivíduos, com amostras selecionadas minuciosamente. “É preciso que a metodologia seja muito rigorosa para que o estudo seja robusto e os dados possam ser extrapolados para o resto da população”, afirmou.
O estudo, que teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi feito com uma amostra de 1.116 indivíduos de 30 a 79 anos de idade, habitantes da área urbana de São Carlos. A pesquisa fez parte da dissertação de mestrado de Paula Lima Bosi, do Departamento de Fisioterapia da UFSCar, orientada por Angela.
“A diabetes mellitus está avançando em todo o mundo. Considera-se que há uma pandemia e que essa prevalência continuará aumentando, em especial nos países em desenvolvimento. No passado, já se considerou que a diabetes era uma doença de ricos, mas atualmente está claro que ela ganha espaço entre as populações mais carentes”, declarou Angela.
Segundo a professora, esse tipo de estudo é importante para dimensionar o problema no país e, eventualmente, orientar políticas públicas. Ela afirma que a doença tem um grande impacto negativo no sistema público de saúde, já que o paciente frequentemente deixa de ser produtivo, necessitando do tratamento com diálise.
“Trata-se de uma doença complexa, não apenas pelo grande número de pessoas atingido, mas porque ela traz complicações crônicas, comprometendo olhos, rins, coração e membros inferiores, por exemplo”, disse.
Os dados, segundo Angela, foram coletados por meio de visitas domiciliares, no período de agosto de 2007 a junho de 2008. Os pacientes que participaram do estudo tiveram o sangue colhido com um glicosímetro. Os voluntários também foram examinados e responderam um questionário que checava os dados sociodemográficos, agregando dados sobre condições de saúde, constituição da dieta e hábitos de atividade física.
“Os indivíduos que não apresentaram níveis de glicose suficientes para serem diagnosticados como diabéticos eram submetidos a um teste de tolerância à glicose, que tem maior sensibilidade. Embora não sejam diabéticas, algumas pessoas apresentam índices elevados demais para serem consideradas normais e são classificadas como indivíduos com tolerância à glicose diminuída”, explicou.
Angela afirmou que o estudo utilizou um plano de amostragem probabilística em múltiplos estágios estratificado em duas variáveis: renda familiar e grau de escolaridade do chefe da família. “Com isso, constatamos que a prevalência aumenta conforme diminui a escolaridade do indivíduo”, afirmou. Os pesquisadores também mediram a altura, a circunferência abdominal e o peso dos indivíduos.
“Dos 1.116 voluntários, 862 foram classificados como possuindo tolerância normal à glicose. Outros 69 ficaram no grupo dos indivíduos com tolerância à glicose diminuída. Os portadores de diabetes mellitus foram 185. Após ajuste por idade das taxas de prevalência a partir dos dados populacionais de São Carlos, concluímos que a prevalência de diabetes é de 13,5% e a de tolerância à glicose diminuída é de 5%”, afirmou.
Segundo Angela, atualmente o grupo está finalizando um trabalho semelhante para detectar a prevalência de síndrome metabólica na mesma região. “A síndrome metabólica inclui hiperglicemia – com diabetes ou não –, hipertensão arterial e aumento da circunferência da cintura. É um complexo de fatores”, disse Angela.
Para ler o artigo Prevalência de diabetes melito e tolerância à glicose diminuída na população urbana de 30 a 79 anos da cidade de São Carlos, São Paulo, de Paula Lima Bosi e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP),
Agência FAPESP – Um estudo de base populacional realizado em São Carlos (SP) mostra que a prevalência de diabetes mellitus chega a 13,5% entre os habitantes da cidade do interior paulista. O número sugere um aumento na prevalência da doença em relação a estudos anteriores feitos no Brasil.
O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi publicado na revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 220 milhões de pessoas são portadoras da doença, que causa cerca de 5% de todas as mortes no mundo a cada ano. Aproximadamente 80% dos diabéticos vivem em países de baixa e média renda.
De acordo com a autora principal do estudo, Angela Leal, professora do Departamento de Medicina da UFSCar, os dados são coerentes com a tendência mundial de aumento da prevalência de diabetes em todo o mundo.
“Um estudo multicêntrico nacional realizado no final da década de 1980 mostrava que a prevalência no país era de 7,6%. Outra pesquisa, realizada em 2003 na região de Ribeirão Preto, no interior paulista, mostrou que a prevalência era de 12%. O estudo feito em São Carlos indica que a prevalência continua crescendo”, disse Angela à Agência FAPESP.
A professora explicou que há poucos estudos epidemiológicos desse tipo, pois sua execução requer uma metodologia específica e participação de grande número de indivíduos, com amostras selecionadas minuciosamente. “É preciso que a metodologia seja muito rigorosa para que o estudo seja robusto e os dados possam ser extrapolados para o resto da população”, afirmou.
O estudo, que teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi feito com uma amostra de 1.116 indivíduos de 30 a 79 anos de idade, habitantes da área urbana de São Carlos. A pesquisa fez parte da dissertação de mestrado de Paula Lima Bosi, do Departamento de Fisioterapia da UFSCar, orientada por Angela.
“A diabetes mellitus está avançando em todo o mundo. Considera-se que há uma pandemia e que essa prevalência continuará aumentando, em especial nos países em desenvolvimento. No passado, já se considerou que a diabetes era uma doença de ricos, mas atualmente está claro que ela ganha espaço entre as populações mais carentes”, declarou Angela.
Segundo a professora, esse tipo de estudo é importante para dimensionar o problema no país e, eventualmente, orientar políticas públicas. Ela afirma que a doença tem um grande impacto negativo no sistema público de saúde, já que o paciente frequentemente deixa de ser produtivo, necessitando do tratamento com diálise.
“Trata-se de uma doença complexa, não apenas pelo grande número de pessoas atingido, mas porque ela traz complicações crônicas, comprometendo olhos, rins, coração e membros inferiores, por exemplo”, disse.
Os dados, segundo Angela, foram coletados por meio de visitas domiciliares, no período de agosto de 2007 a junho de 2008. Os pacientes que participaram do estudo tiveram o sangue colhido com um glicosímetro. Os voluntários também foram examinados e responderam um questionário que checava os dados sociodemográficos, agregando dados sobre condições de saúde, constituição da dieta e hábitos de atividade física.
“Os indivíduos que não apresentaram níveis de glicose suficientes para serem diagnosticados como diabéticos eram submetidos a um teste de tolerância à glicose, que tem maior sensibilidade. Embora não sejam diabéticas, algumas pessoas apresentam índices elevados demais para serem consideradas normais e são classificadas como indivíduos com tolerância à glicose diminuída”, explicou.
Angela afirmou que o estudo utilizou um plano de amostragem probabilística em múltiplos estágios estratificado em duas variáveis: renda familiar e grau de escolaridade do chefe da família. “Com isso, constatamos que a prevalência aumenta conforme diminui a escolaridade do indivíduo”, afirmou. Os pesquisadores também mediram a altura, a circunferência abdominal e o peso dos indivíduos.
“Dos 1.116 voluntários, 862 foram classificados como possuindo tolerância normal à glicose. Outros 69 ficaram no grupo dos indivíduos com tolerância à glicose diminuída. Os portadores de diabetes mellitus foram 185. Após ajuste por idade das taxas de prevalência a partir dos dados populacionais de São Carlos, concluímos que a prevalência de diabetes é de 13,5% e a de tolerância à glicose diminuída é de 5%”, afirmou.
Segundo Angela, atualmente o grupo está finalizando um trabalho semelhante para detectar a prevalência de síndrome metabólica na mesma região. “A síndrome metabólica inclui hiperglicemia – com diabetes ou não –, hipertensão arterial e aumento da circunferência da cintura. É um complexo de fatores”, disse Angela.
Para ler o artigo Prevalência de diabetes melito e tolerância à glicose diminuída na população urbana de 30 a 79 anos da cidade de São Carlos, São Paulo, de Paula Lima Bosi e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP),
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