Agência FAPESP – Dormir pouco pode aumentar os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares. Mas dormir muito também. A conclusão é de um estudo publicado na revista Sleep.
De acordo com a pesquisa, o risco foi 2,2 vezes maior nos 8% da população analisada que disse dormir cinco horas por noite ou menos, incluindo sonecas durante o dia, do que entre aqueles que dormiam sete horas.
Entre os 9% da população estudada que dormiam nove horas por dia ou mais, o risco de desenvolver algum tipo de doença cardiovascular também se mostrou elevado: 1,5 vez maior do que entre aqueles que dormiam sete horas.
Os resultados foram ajustados para levar em conta variáveis que poderiam ter influência, como idade, sexo, raça, tabagismo, consumo de álcool, índice de massa corporal, nível de atividade física, diabetes, hipertensão e depressão.
“Os resultados do estudo sugerem que a duração anormal do sono afeta adversamente a saúde cardiovascular. Perturbações no sono podem ser um fator de risco para doenças cardiovasculares mesmo entre pessoas aparentemente saudáveis”, disse Anoop Shankar, professor da Escola de Medicina da Universidade do Oeste da Virgínia, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores analisaram dados de 30.397 adultos que participaram do National Health Interview Survey de 2005, feito pelo Centro de Controle de Doenças, do governo norte-americano, que coletou informações sobre fatores demográficos e características socioeconômicas, de saúde e de estilo de vida da população.
A associação entre cinco horas ou menos de sono por dia com doenças cardiovasculares foi maior entre mulheres e entre adultos com menos de 60 anos.
Embora o número ideal de horas de sono diário varie de pessoa a pessoa, a Academia de Medicina do Sono dos Estados Unidos recomenda que a maioria dos adultos durma entre sete e oito horas por noite de modo a se sentir alerta e descansado durante o dia.
Segundo os autores do estudo, os mecanismos por trás da associação entre privação de sono e problemas cardiovasculares podem incluir distúrbios em funções endócrinas e metabólicas. Entre os efeitos negativos de dormir insuficientemente estão redução da sensibilidade à insulina, aumento na atividade simpática e elevação da pressão arterial. Esses efeitos aumentam o risco de endurecimento nas artérias.
Por outro lado, horas dormidas além do normal podem estar relacionadas com problemas que envolvem a qualidade do sono ou a respiração.
Os autores ressaltam que a natureza do estudo não permite determinar fatores causais. Mas, segundo eles, os resultados sugerem que questionários sobre a duração habitual do sono podem ser um aspecto importante da medicina preventiva.
O artigo Sleep duration and cardiovascular disease: results from the National Health Interview Survey, de Daniel Boyce e outros, pode ser lido na Sleep em www.journalsleep.org/ViewAbstract.aspx?pid=27857.
Blog de recolha e divulgação de artigos e opiniões de interesse generalizado na área de Saúde Pública, além de divulgação de noticiário variado na área cientifica, sobretudo , para além de analises criticas e construtivas aos Serviços Nacionais de Saúde. Artigos de opinião critica e construtiva sobre a temativa em analise, a responsabilidade do autor do Blog, e convidados.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
Cérebros estão sincronizados durante uma conversa
Os cérebros das pessoas envolvidas numa conversa ficam sincronizados, revela uma investigação feita na universidade norte-americana de Princeton e publicada no National Academy of Sciences Journal.
Essa sincronização faz com que as comunicações sejam mais efectivas e pode ser a justificação para a observação comum da imitação de expressões, gramática e até gestos e a postura entre pessoas que estão a conversar.
O investigador em psicologia Uri Hasson tentou perceber quais as zonas do cérebro que ficavam activas durante o ouvir e o falar.
Numa primeira etapa, uma aluna do cientista foi colocada num aparelho de ressonância magnética durante 15 minutos e começou a contar uma história dos seus tempos da escola secundária.
Depois, 11 voluntários também estiveram no mesmo aparelho e começaram a ouvir a história da aluna, que tinha sido gravada.
No estudo, percebeu-se que existia um elevado grau de sincronia entre as áreas cerebrais usadas pela primeira aluna e as das pessoas que ouviram a sua história.
A maior parte dessas zonas nos ouvintes "acendiam" entre um e três segundos após os da aluna, mas em algumas áreas isso acontecia antes, o que sugere que o cérebro antecipava o relato.
Melhor entendimento
A descoberta foi considerada surpreendente porque se acreditava que falar e ouvir usavam áreas do cérebro distintas.
“Quanto mais similares forem os nossos padrões cerebrais durante uma conversa, melhor as pessoas se compreendem”, afirmou Hasson.
Noutra etapa da investigação, os 11 voluntários que falam inglês ouviram uma história em russo, o que foi incompreensível para todos. As análises não revelaram qualquer sincronização.
Hasson informou que o próximo passo será desenvolver um método técnico para conseguir monitorizar, em simultâneo, os cérebros de duas pessoas conversando.
Com a devida venia ao Ciencia Hoje
Essa sincronização faz com que as comunicações sejam mais efectivas e pode ser a justificação para a observação comum da imitação de expressões, gramática e até gestos e a postura entre pessoas que estão a conversar.
O investigador em psicologia Uri Hasson tentou perceber quais as zonas do cérebro que ficavam activas durante o ouvir e o falar.
Numa primeira etapa, uma aluna do cientista foi colocada num aparelho de ressonância magnética durante 15 minutos e começou a contar uma história dos seus tempos da escola secundária.
Depois, 11 voluntários também estiveram no mesmo aparelho e começaram a ouvir a história da aluna, que tinha sido gravada.
No estudo, percebeu-se que existia um elevado grau de sincronia entre as áreas cerebrais usadas pela primeira aluna e as das pessoas que ouviram a sua história.
A maior parte dessas zonas nos ouvintes "acendiam" entre um e três segundos após os da aluna, mas em algumas áreas isso acontecia antes, o que sugere que o cérebro antecipava o relato.
Melhor entendimento
A descoberta foi considerada surpreendente porque se acreditava que falar e ouvir usavam áreas do cérebro distintas.
“Quanto mais similares forem os nossos padrões cerebrais durante uma conversa, melhor as pessoas se compreendem”, afirmou Hasson.
Noutra etapa da investigação, os 11 voluntários que falam inglês ouviram uma história em russo, o que foi incompreensível para todos. As análises não revelaram qualquer sincronização.
Hasson informou que o próximo passo será desenvolver um método técnico para conseguir monitorizar, em simultâneo, os cérebros de duas pessoas conversando.
Com a devida venia ao Ciencia Hoje
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Alimentos fibrosos contribuem para a limpeza dos dentes
Alimentos fibrosos, como os legumes e frutas cruas, já recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma alimentação balanceada, também contribuem para a limpeza dos dentes.
Por serem duros, eles são capazes de limpar a superfície dos dentes por meio do próprio atrito provocado pela mastigação, removendo resíduos e placa bacteriana. Maçã, pêra, melancia, kiwi, cenoura, pepino, acelga e aipo, assim como as nozes e castanhas, são alguns de alimentos "limpadores" ou "protetores" recomendados pelos cirurgiões-dentistas da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic aos pacientes atendidos em suas clínicas.
Eles ressaltam, no entanto, que esses alimentos contribuem na higiene não substituindo a limpeza com creme e fio dental, fundamental após todas as refeições. "As maçãs possuem um mecanismo de ação interessante: contêm polifenóis que estimulam a saliva e ajudam na limpeza dos dentes. Mas também, por serem ácidas, apresentam o risco do desenvolvimento de cárie. Assim a escova e o fio dental nunca devem ser dispensados", explica a professora Luciana Butini Oliveira.
Jornal Debate
Por serem duros, eles são capazes de limpar a superfície dos dentes por meio do próprio atrito provocado pela mastigação, removendo resíduos e placa bacteriana. Maçã, pêra, melancia, kiwi, cenoura, pepino, acelga e aipo, assim como as nozes e castanhas, são alguns de alimentos "limpadores" ou "protetores" recomendados pelos cirurgiões-dentistas da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic aos pacientes atendidos em suas clínicas.
Eles ressaltam, no entanto, que esses alimentos contribuem na higiene não substituindo a limpeza com creme e fio dental, fundamental após todas as refeições. "As maçãs possuem um mecanismo de ação interessante: contêm polifenóis que estimulam a saliva e ajudam na limpeza dos dentes. Mas também, por serem ácidas, apresentam o risco do desenvolvimento de cárie. Assim a escova e o fio dental nunca devem ser dispensados", explica a professora Luciana Butini Oliveira.
Jornal Debate
Artrite reumatóide aumenta risco cardíaco
A artrite reumatóide é uma doença inflamatória que afeta todo o corpo.
“Provoca dor, rigidez, inchaço e perda de movimento nas articulações. É uma doença auto-imune em que os tecidos que revestem as articulações sofrem com inflamações”, explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), que participou do Eular, European League against Rheumatism - Congresso Anual da Liga Européia contra o Reumatismo - evento que reuniu especialistas do mundo inteiro em Roma. Um trabalho dinamarquês apresentado durante o Eular 2010 sugere que o paciente com artrite reumatóide apresenta um risco seis vezes maior de sofrer um enfarte do miocárdio. Este risco é maior entre mulheres com menos de 50 anos. A artrite reumatóide é uma doença auto-imune que afeta cerca de 1,3 milhões de americanos.
De acordo com o Instituto Nacional de Artrite e Doenças Osteomusculares e de Pele, embora seja, muitas vezes, reconhecida como uma condição inflamatória que causa dor, inchaço, rigidez e perda de função das articulações, a artrite reumatóide também pode ter impacto em outras partes do corpo. Algumas pessoas com artrite reumatóide, por exemplo, desenvolvem anemia, dor de garganta, olhos secos, boca seca, vasculite, pleurisia e pericardite. “A artrite reumatóide é também um fator de risco conhecido para o endurecimento das artérias, que pode levar a ataques cardíacos e derrames dez anos mais cedo do que em pessoas que não têm artrite”, revela Sérgio Lanzotti.
“Provoca dor, rigidez, inchaço e perda de movimento nas articulações. É uma doença auto-imune em que os tecidos que revestem as articulações sofrem com inflamações”, explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), que participou do Eular, European League against Rheumatism - Congresso Anual da Liga Européia contra o Reumatismo - evento que reuniu especialistas do mundo inteiro em Roma. Um trabalho dinamarquês apresentado durante o Eular 2010 sugere que o paciente com artrite reumatóide apresenta um risco seis vezes maior de sofrer um enfarte do miocárdio. Este risco é maior entre mulheres com menos de 50 anos. A artrite reumatóide é uma doença auto-imune que afeta cerca de 1,3 milhões de americanos.
De acordo com o Instituto Nacional de Artrite e Doenças Osteomusculares e de Pele, embora seja, muitas vezes, reconhecida como uma condição inflamatória que causa dor, inchaço, rigidez e perda de função das articulações, a artrite reumatóide também pode ter impacto em outras partes do corpo. Algumas pessoas com artrite reumatóide, por exemplo, desenvolvem anemia, dor de garganta, olhos secos, boca seca, vasculite, pleurisia e pericardite. “A artrite reumatóide é também um fator de risco conhecido para o endurecimento das artérias, que pode levar a ataques cardíacos e derrames dez anos mais cedo do que em pessoas que não têm artrite”, revela Sérgio Lanzotti.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Sons de bebés facilitam diagnóstico de autismo
Investigadores americanos acreditam ser capazes de distinguir bebés autistas a partir dos sons que eles produzem, revela um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
Através de um método para a análise das vocalizações emitidas por 232 crianças com idades entre dez meses e quatro anos, os especialistas da Universidade do Kansas identificaram diferenças nos sons emitidos pelas que foram diagnosticadas como sendo autistas. A tecnologia permitiu diagnósticos correctos em 86 por cento dos casos.
Estudos anteriores indicam uma associação entre características vocais e autismo, mas, até então, o critério voz nunca tinha sido usado no diagnóstico desta condição. Os investigadores analisaram 1500 gravações com um dia de duração feitas através de aparelhos fixados nas roupas das crianças. Mais de três milhões de sons infantis foram usados na investigação e foram considerados 12 parâmetros específicos associados ao desenvolvimento vocal do bebé.
Entre eles, o mais importante foi a habilidade da criança em emitir sílabas bem formadas a partir de rápidos movimentos do maxilar e da língua. Nas crianças autistas até quatro anos de idade, o desenvolvimento nesse parâmetro é mais lento. "Essa tecnologia poderia ajudar pediatras a fazer testes de autismo para determinar se o bebé deve ser examinado por um especialista para diagnóstico", disse Steven Warren, da Universidade do Kansas, um dos investigadores envolvidos no estudo.
O mesmo explicou ainda que a nova técnica pode identificar sinais de autismo aos 18 meses de idade, sendo que actualmente, a média de idade das crianças diagnosticadas com a condição nos Estados Unidos é 5,7 anos. E quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais eficazes são os tratamentos, acrescentou o especialista.
Outro ponto forte da tecnologia é que se baseia em padrões sonoros ao invés de palavras e pode ser usada para testar crianças de qualquer país. "Pelo que sabemos, os aspectos físicos da fala humana são os mesmos em todas as pessoas", sublinhou Warren.
Através de um método para a análise das vocalizações emitidas por 232 crianças com idades entre dez meses e quatro anos, os especialistas da Universidade do Kansas identificaram diferenças nos sons emitidos pelas que foram diagnosticadas como sendo autistas. A tecnologia permitiu diagnósticos correctos em 86 por cento dos casos.
Estudos anteriores indicam uma associação entre características vocais e autismo, mas, até então, o critério voz nunca tinha sido usado no diagnóstico desta condição. Os investigadores analisaram 1500 gravações com um dia de duração feitas através de aparelhos fixados nas roupas das crianças. Mais de três milhões de sons infantis foram usados na investigação e foram considerados 12 parâmetros específicos associados ao desenvolvimento vocal do bebé.
Entre eles, o mais importante foi a habilidade da criança em emitir sílabas bem formadas a partir de rápidos movimentos do maxilar e da língua. Nas crianças autistas até quatro anos de idade, o desenvolvimento nesse parâmetro é mais lento. "Essa tecnologia poderia ajudar pediatras a fazer testes de autismo para determinar se o bebé deve ser examinado por um especialista para diagnóstico", disse Steven Warren, da Universidade do Kansas, um dos investigadores envolvidos no estudo.
O mesmo explicou ainda que a nova técnica pode identificar sinais de autismo aos 18 meses de idade, sendo que actualmente, a média de idade das crianças diagnosticadas com a condição nos Estados Unidos é 5,7 anos. E quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais eficazes são os tratamentos, acrescentou o especialista.
Outro ponto forte da tecnologia é que se baseia em padrões sonoros ao invés de palavras e pode ser usada para testar crianças de qualquer país. "Pelo que sabemos, os aspectos físicos da fala humana são os mesmos em todas as pessoas", sublinhou Warren.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Respiração cerebral
Agência FAPESP – Técnicas para controlar a respiração, como em ioga ou meditação, por exemplo, estão se tornando populares como alternativa para tentar relaxar e diminuir o estresse. Mas como é mesmo que o cérebro controla a respiração?
Segundo um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, são as células conhecidas como astrócitos que têm um papel central na regulação da respiração.
Astrócitos são células com formato de estrela (daí o nome) encontradas no cérebro e na medula espinhal. Até então, achava-se que fossem personagens passivos e secundários na fisiologia cerebral, mas Alexander Gourine, da University College London, e colegas encontraram evidências de que essas células multitarefas são protagonistas no controle químico-sensorial envolvido na respiração.
Os autores do estudo, publicado na edição on-line da revista Science, descobriram que os astrócitos cerebrais são capazes de perceber alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro.
Com essa capacidade, essas células podem ativar redes neuronais envolvidas na respiração, localizadas no cérebro, de modo a aumentar a respiração de acordo com a atividade e o metabolismo do organismo.
Os astrócitos fazem isso ao liberar trifosfato de adenosina (ATP), um mensageiro químico que estimula centros respiratórios no cérebro a aumentar a respiração para que a quantidade a mais de dióxido de carbono seja removida do sangue e eliminada pela expiração.
Os resultados do estudo, segundo seus autores, podem ajudar a entender melhor os mecanismos responsáveis por problemas respiratórios como asma, enfisema e até a sensação de fôlego curto causada pelo estresse ou por doenças cardiovasculares.
“A pesquisa identifica os astrócitos cerebrais como elementos fundamentais nos circuitos cerebrais que controlam funções vitais como a respiração e indica que eles são realmente as estrelas do cérebro”, disse Gourine.
O artigo Astrocytes Control Breathing Through pH-Dependent Release of ATP (doi: 10.1126/science.1190721), de Alexander Gourine e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
Segundo um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, são as células conhecidas como astrócitos que têm um papel central na regulação da respiração.
Astrócitos são células com formato de estrela (daí o nome) encontradas no cérebro e na medula espinhal. Até então, achava-se que fossem personagens passivos e secundários na fisiologia cerebral, mas Alexander Gourine, da University College London, e colegas encontraram evidências de que essas células multitarefas são protagonistas no controle químico-sensorial envolvido na respiração.
Os autores do estudo, publicado na edição on-line da revista Science, descobriram que os astrócitos cerebrais são capazes de perceber alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro.
Com essa capacidade, essas células podem ativar redes neuronais envolvidas na respiração, localizadas no cérebro, de modo a aumentar a respiração de acordo com a atividade e o metabolismo do organismo.
Os astrócitos fazem isso ao liberar trifosfato de adenosina (ATP), um mensageiro químico que estimula centros respiratórios no cérebro a aumentar a respiração para que a quantidade a mais de dióxido de carbono seja removida do sangue e eliminada pela expiração.
Os resultados do estudo, segundo seus autores, podem ajudar a entender melhor os mecanismos responsáveis por problemas respiratórios como asma, enfisema e até a sensação de fôlego curto causada pelo estresse ou por doenças cardiovasculares.
“A pesquisa identifica os astrócitos cerebrais como elementos fundamentais nos circuitos cerebrais que controlam funções vitais como a respiração e indica que eles são realmente as estrelas do cérebro”, disse Gourine.
O artigo Astrocytes Control Breathing Through pH-Dependent Release of ATP (doi: 10.1126/science.1190721), de Alexander Gourine e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
Evolução emprestada
Agência FAPESP – Por que adaptar seus genes se há uma alternativa muito mais rápida: emprestar as adaptações necessárias para sua sobrevivência de outro indivíduo?
Há mais de um século entende-se que um princípio básico da evolução é que animais e plantas podem se adaptar geneticamente de modo que tais mudanças ajudem em sua sobrevivência e reprodução. Agora, uma pesquisa destaca um mecanismo evolucionário até então desconhecido.
Estudos anteriores sempre indicaram que características que aumentam a capacidade de um animal de sobreviver e reproduzir eram conferidas por genes favoráveis, passados de uma geração a outra.
Em artigo publicado na edição da revista Science, John Jaenike, da Universidade de Rochester, e colegas descrevem um exemplo surpreendente de bactéria que infecta um animal, dando a esse último uma vantagem reprodutiva. E o invasor é passado para as crias, espalhando o benefício e garantindo a permanência da espécie.
A relação simbiótica entre hospedeiro e bactéria dá ao primeiro uma defesa especial contra algum risco em seu ambiente, que é transmitida pela população por meio de seleção natural, de forma similar à que ocorre com um gene favorável.
Segundo os autores do trabalho, o fenômeno foi identificado agora, mas não deve ser exclusivo aos organismos em questão e pode estar ocorrendo há muito tempo.
Os pesquisadores também apontam que, além de colocar em cena um importante mecanismo evolucionário, a descoberta poderá ajudar no desenvolvimento de métodos que usem bactérias como defesa contra doenças em humanos.
A descoberta foi feita em uma espécie de mosca, a Drosophila neotestacea, que é tornada estéril por nematelmintos, vermes parasíticos abundantes que atingem animais e plantas. Os nematelmintos invadem fêmeas jovens dessas moscas, evitando que elas possam reproduzir.
Mas quando uma fêmea de Drosophila neotestacea é infectada também por um gênero de bactéria conhecido como Spiroplasma, o crescimento dos vermes é afetado, impedindo-os de esterilizar a mosca.
Os pesquisadores também descobriram que, como resultado do impacto benéfico da ação da bactéria, essa está se espalhando pela América do Norte, aumentando rapidamente de frequência nas moscas à medida que passa de uma geração a outra.
Por meio da análise de exemplares da Drosophila neotestacea preservados na década de 1980, Jaenike e colegas calcularam que a bactéria estaria então presente em cerca de 10% das moscas. Em 2008, a frequência havia aumentado para 80%.
“Essas moscas estavam realmente sendo esmagadas pelos nematelmintos na década de 1980 e é impressionante ver como elas estão se dando bem melhor atualmente. A proliferação da Spiroplasma nos faz pensar na rapidez das ações evolucionárias que estão ocorrendo abaixo da superfície de tudo o que enxergamos lá fora”, disse Jaenike.
“Esses simbiontes transmissíveis são uma forma de um hospedeiro adquirir uma nova defesa muito rapidamente. Em vez de modificar seus próprios genes – que não são muito diversos, para começo de conversa –, o melhor pode ser simplesmente incorporar um novo organismo”, disse Nancy Moran, da Universidade Yale, em comentário sobre o estudo.
A descoberta pode ter consequências importantes para o controle de doenças em humanos. Nematelmintos transmitem diversas doenças graves, como elefantíase, e podem causar problemas como cegueira. Agora que se conhece uma evidência de defesa natural contra esses vermes, abre-se um caminho para usar esse fenômeno como estratégia contra tais invasores.
O artigo Adaptation via symbiosis: recent spread of a drosophila defensive symbiont (doi: 10.1126/science.1188235), de John Jaenike pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
Há mais de um século entende-se que um princípio básico da evolução é que animais e plantas podem se adaptar geneticamente de modo que tais mudanças ajudem em sua sobrevivência e reprodução. Agora, uma pesquisa destaca um mecanismo evolucionário até então desconhecido.
Estudos anteriores sempre indicaram que características que aumentam a capacidade de um animal de sobreviver e reproduzir eram conferidas por genes favoráveis, passados de uma geração a outra.
Em artigo publicado na edição da revista Science, John Jaenike, da Universidade de Rochester, e colegas descrevem um exemplo surpreendente de bactéria que infecta um animal, dando a esse último uma vantagem reprodutiva. E o invasor é passado para as crias, espalhando o benefício e garantindo a permanência da espécie.
A relação simbiótica entre hospedeiro e bactéria dá ao primeiro uma defesa especial contra algum risco em seu ambiente, que é transmitida pela população por meio de seleção natural, de forma similar à que ocorre com um gene favorável.
Segundo os autores do trabalho, o fenômeno foi identificado agora, mas não deve ser exclusivo aos organismos em questão e pode estar ocorrendo há muito tempo.
Os pesquisadores também apontam que, além de colocar em cena um importante mecanismo evolucionário, a descoberta poderá ajudar no desenvolvimento de métodos que usem bactérias como defesa contra doenças em humanos.
A descoberta foi feita em uma espécie de mosca, a Drosophila neotestacea, que é tornada estéril por nematelmintos, vermes parasíticos abundantes que atingem animais e plantas. Os nematelmintos invadem fêmeas jovens dessas moscas, evitando que elas possam reproduzir.
Mas quando uma fêmea de Drosophila neotestacea é infectada também por um gênero de bactéria conhecido como Spiroplasma, o crescimento dos vermes é afetado, impedindo-os de esterilizar a mosca.
Os pesquisadores também descobriram que, como resultado do impacto benéfico da ação da bactéria, essa está se espalhando pela América do Norte, aumentando rapidamente de frequência nas moscas à medida que passa de uma geração a outra.
Por meio da análise de exemplares da Drosophila neotestacea preservados na década de 1980, Jaenike e colegas calcularam que a bactéria estaria então presente em cerca de 10% das moscas. Em 2008, a frequência havia aumentado para 80%.
“Essas moscas estavam realmente sendo esmagadas pelos nematelmintos na década de 1980 e é impressionante ver como elas estão se dando bem melhor atualmente. A proliferação da Spiroplasma nos faz pensar na rapidez das ações evolucionárias que estão ocorrendo abaixo da superfície de tudo o que enxergamos lá fora”, disse Jaenike.
“Esses simbiontes transmissíveis são uma forma de um hospedeiro adquirir uma nova defesa muito rapidamente. Em vez de modificar seus próprios genes – que não são muito diversos, para começo de conversa –, o melhor pode ser simplesmente incorporar um novo organismo”, disse Nancy Moran, da Universidade Yale, em comentário sobre o estudo.
A descoberta pode ter consequências importantes para o controle de doenças em humanos. Nematelmintos transmitem diversas doenças graves, como elefantíase, e podem causar problemas como cegueira. Agora que se conhece uma evidência de defesa natural contra esses vermes, abre-se um caminho para usar esse fenômeno como estratégia contra tais invasores.
O artigo Adaptation via symbiosis: recent spread of a drosophila defensive symbiont (doi: 10.1126/science.1188235), de John Jaenike pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Galinha surgiu antes do ovo
O enigma sobre o que surgiu primeiro, se o ovo ou a galinha, foi esclarecido por investigadores das Universidades de Sheffield e Warwich, no Reino Unido.
De acordo com os resultados obtidos, a galinha apareceu antes, na medida em que a formação da casca do ovo depende de uma proteína que só é encontrada nos ovários deste tipo de ave. Assim sendo, o ovo só pôde existir depois de ter surgido a primeira galinha.
A proteína em questão - ovocledidin-17 (OC-17) - actua como um catalisador para acelerar o desenvolvimento e cristalização da casca, cuja estrutura rígida é necessária para abrigar a gema e os seus fluidos de protecção, enquanto o pinto se desenvolve.
Nesta investigação foi utilizado um super computador – HECToR - para visualizar de forma ampliada a formação de um ovo. Este indicou que a OC-17 é fundamental no inicio da formação da casca, pois transforma o carbonato de cálcio em cristais de calcita, que compõem a casa do ovo.
Segundo Colin Freeman, do Departamento de Engenharia Material da Universidade de Sheffield, "há muito tempo que se suspeita de que o ovo surgiu primeiro, mas agora há provas científicas de que a galinha foi sua precursora."
John Harding, outro cientista da mesma universidade, considera que o estudo poderá servir como base para outras investigações. "Entender como funciona a produção da casca de ovo é interessante, mas também pode ser uma pista para a concepção de novos materiais e processos", referiu.
"Ciencia Hoje"
De acordo com os resultados obtidos, a galinha apareceu antes, na medida em que a formação da casca do ovo depende de uma proteína que só é encontrada nos ovários deste tipo de ave. Assim sendo, o ovo só pôde existir depois de ter surgido a primeira galinha.
A proteína em questão - ovocledidin-17 (OC-17) - actua como um catalisador para acelerar o desenvolvimento e cristalização da casca, cuja estrutura rígida é necessária para abrigar a gema e os seus fluidos de protecção, enquanto o pinto se desenvolve.
Nesta investigação foi utilizado um super computador – HECToR - para visualizar de forma ampliada a formação de um ovo. Este indicou que a OC-17 é fundamental no inicio da formação da casca, pois transforma o carbonato de cálcio em cristais de calcita, que compõem a casa do ovo.
Segundo Colin Freeman, do Departamento de Engenharia Material da Universidade de Sheffield, "há muito tempo que se suspeita de que o ovo surgiu primeiro, mas agora há provas científicas de que a galinha foi sua precursora."
John Harding, outro cientista da mesma universidade, considera que o estudo poderá servir como base para outras investigações. "Entender como funciona a produção da casca de ovo é interessante, mas também pode ser uma pista para a concepção de novos materiais e processos", referiu.
"Ciencia Hoje"
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Vitamina D e risco de Parkinson
Agência FAPESP – Um novo estudo indicou que pessoas com níveis elevados de vitamina D podem ter menor risco de desenvolver doença de Parkinson. O trabalho foi publicado na edição de julho dos Archives of Neurology.
O papel da vitamina D na saúde óssea é conhecido, mas estudos anteriores apontaram a relação também com problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.
Paul Knekt, do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia, e colegas acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980.
Os participantes completaram questionários e foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioeconômicos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue para análise.
Em um período de 29 anos, até 2007, os pesquisadores observaram que 50 dos participantes desenvolveram doença de Parkinson. Após serem feitos os ajustes para fatores potencialmente relacionados (como atividade física e índice de massa corporal), os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis – os participantes foram divididos em quatro grupos com relação aos níveis da vitamina.
“Apesar dos níveis baixos de vitamina D em geral na população estudada, uma relação de dose e resposta foi encontrada. O estudo foi conduzido na Finlândia, onde há exposição restrita à luz solar e, portanto, tem como base uma população com níveis continuamente baixos da vitamina”, disse Knekt.
“De fato, o nível médio da vitamina D na população estudada é cerca da metade do nível considerado ideal, de 75 a 80 nanomoles por litro. Os resultados do estudo são consistentes com a hipótese de que uma deficiência crônica de vitamina D é um fator de risco para Parkinson”, destacou.
Segundo os pesquisadores, os mecanismos pelos quais os níveis da vitamina podem afetar o desenvolvimento da doença são desconhecidos, mas o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro por meio de atividades antioxidantes, da regulação de níveis de cálcio, da desintoxicação, da modulação do sistema imunológico e da melhoria na condução de eletricidade nos neurônios.
“O estudo reúne os primeiros dados promissores em humanos que sugerem que um estado inadequado de vitamina D está associado com o risco de desenvolver Parkinson, mas outras pesquisas são necessárias, tanto básicas como clínicas, para elucidar o papel, mecanismos e concentrações exatas”, disse Marian Leslie Evatt, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, em editorial na revista sobre o estudo.
O artigo de Knekt e outros pode ser lido no Archives of Neurology (doi:10.1001/archneurol.2010.120) em http://archneur.ama-assn.org/cgi/content/short/67/7/808.
O papel da vitamina D na saúde óssea é conhecido, mas estudos anteriores apontaram a relação também com problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.
Paul Knekt, do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia, e colegas acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980.
Os participantes completaram questionários e foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioeconômicos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue para análise.
Em um período de 29 anos, até 2007, os pesquisadores observaram que 50 dos participantes desenvolveram doença de Parkinson. Após serem feitos os ajustes para fatores potencialmente relacionados (como atividade física e índice de massa corporal), os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis – os participantes foram divididos em quatro grupos com relação aos níveis da vitamina.
“Apesar dos níveis baixos de vitamina D em geral na população estudada, uma relação de dose e resposta foi encontrada. O estudo foi conduzido na Finlândia, onde há exposição restrita à luz solar e, portanto, tem como base uma população com níveis continuamente baixos da vitamina”, disse Knekt.
“De fato, o nível médio da vitamina D na população estudada é cerca da metade do nível considerado ideal, de 75 a 80 nanomoles por litro. Os resultados do estudo são consistentes com a hipótese de que uma deficiência crônica de vitamina D é um fator de risco para Parkinson”, destacou.
Segundo os pesquisadores, os mecanismos pelos quais os níveis da vitamina podem afetar o desenvolvimento da doença são desconhecidos, mas o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro por meio de atividades antioxidantes, da regulação de níveis de cálcio, da desintoxicação, da modulação do sistema imunológico e da melhoria na condução de eletricidade nos neurônios.
“O estudo reúne os primeiros dados promissores em humanos que sugerem que um estado inadequado de vitamina D está associado com o risco de desenvolver Parkinson, mas outras pesquisas são necessárias, tanto básicas como clínicas, para elucidar o papel, mecanismos e concentrações exatas”, disse Marian Leslie Evatt, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, em editorial na revista sobre o estudo.
O artigo de Knekt e outros pode ser lido no Archives of Neurology (doi:10.1001/archneurol.2010.120) em http://archneur.ama-assn.org/cgi/content/short/67/7/808.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Por que as mulheres sofrem mais de infecção urinária?
A infecção do trato urinário é o segundo tipo mais comum de infecções no organismo – o primeiro é a gripe. Estudos revelam que uma em cada três mulheres sofrerá de infecção pelo menos uma vez na vida. “Isso acontece porque a uretra feminina é mais curta do que a masculina. O fato de estar localizada mais perto do reto facilita o acesso das bactérias ao trato urinário”, diz o urologista Alex Meller, do Hospital Santa Paula (SP).
Outros fatores predispõem a mulher a contrair infecção. “Mulheres com vida sexual ativa estão propensas à doença, principalmente aquelas que fazem uso de diafragma ou espermicidas. Gestantes e diabéticas também apresentam maior ocorrência da doença, assim como pacientes acima dos 65 anos que fazem uso de determinados medicamentos e de fraldas geriátricas”, diz o médico. Vontade freqüente de ir ao banheiro, sensação de pressão na bexiga, incontinência e ardência ao urinar são os sintomas mais comuns.
“Normalmente, a urina é estéril e livre de bactérias e fungos. Portanto, vale a pena prestar atenção na urina. Caso ela não esteja límpida e tenha um odor desagradável e forte, é importante procurar ajuda médica. Em algumas pessoas, a infecção também pode vir acompanhada de febre, náusea e vômito”, afirma o doutor Meller. A infecção geralmente é tratada com antibióticos específicos, prescritos por um especialista de acordo com as condições do paciente. A automedicação é altamente combatida também nesse caso, principalmente porque pode vir a aumentar a resistência do organismo aos princípios ativos.
Outros fatores predispõem a mulher a contrair infecção. “Mulheres com vida sexual ativa estão propensas à doença, principalmente aquelas que fazem uso de diafragma ou espermicidas. Gestantes e diabéticas também apresentam maior ocorrência da doença, assim como pacientes acima dos 65 anos que fazem uso de determinados medicamentos e de fraldas geriátricas”, diz o médico. Vontade freqüente de ir ao banheiro, sensação de pressão na bexiga, incontinência e ardência ao urinar são os sintomas mais comuns.
“Normalmente, a urina é estéril e livre de bactérias e fungos. Portanto, vale a pena prestar atenção na urina. Caso ela não esteja límpida e tenha um odor desagradável e forte, é importante procurar ajuda médica. Em algumas pessoas, a infecção também pode vir acompanhada de febre, náusea e vômito”, afirma o doutor Meller. A infecção geralmente é tratada com antibióticos específicos, prescritos por um especialista de acordo com as condições do paciente. A automedicação é altamente combatida também nesse caso, principalmente porque pode vir a aumentar a resistência do organismo aos princípios ativos.
Estresse dentro de casa é mais comum do que no trabalho
As pessoas ficam mais estressadas dentro da própria casa do que no trabalho. É o que aponta o mais amplo estudo sobre avaliação de risco cardiovascular já realizado no país, feito com base nos resultados do mutirão estadual do coração promovido em 2009 pela Secretaria de Estado da Saúde em parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
Cerca de 100 mil pessoas foram avaliadas nas cidades de São Paulo e de Campinas. Foi o primeiro estudo empírico em que o estresse foi considerado e avaliado como fator de risco. No Mutirão do Coração o estresse foi avaliado nos vários locais onde as pessoas convivem como trabalho, casa, locais sociais (clubes, bares, boates), além de ter considerado fatores como problemas financeiros e crença religiosa. E a casa foi apontado como o local de maior estresse pela população, superando até o mesmo o trabalho. Todas as pessoas que participaram do mutirão afirmaram ter passado por algum nível de estresse no último ano, com intensidades variando entre pouco, moderado, intenso e exagerado.
O resultado pode indicar um novo quesito para doenças cardiovasculares na modernidade, o estresse. Ainda segundo o estudo, 23,2% da população afirmou ter sofrido estresse em casa. Marido, filhos, cachorro ou a nova rotina feminina podem ser fatores determinantes para que as mulheres estejam desenvolvendo doenças cardiovasculares. 46,80% afirmaram que tiveram algum fator estressante no último ano: morte de familiar, perda de emprego, separação conjugal ou ruína financeira. Estresse intenso ou exagerado ocorreu em 23,2% dentro da própria casa; 15% dentro do trabalho; 10% dentro da sociedade e 25% de causa financeira. E as mulheres sofrem mais com o estresse dentro de casa: 28,34% delas revelaram estresse intenso ou exagerado. Entre os homens esse índice combinado cai para 13,07%. No trabalho, os níveis de estresse foram menores do que em casa.
Cerca de 100 mil pessoas foram avaliadas nas cidades de São Paulo e de Campinas. Foi o primeiro estudo empírico em que o estresse foi considerado e avaliado como fator de risco. No Mutirão do Coração o estresse foi avaliado nos vários locais onde as pessoas convivem como trabalho, casa, locais sociais (clubes, bares, boates), além de ter considerado fatores como problemas financeiros e crença religiosa. E a casa foi apontado como o local de maior estresse pela população, superando até o mesmo o trabalho. Todas as pessoas que participaram do mutirão afirmaram ter passado por algum nível de estresse no último ano, com intensidades variando entre pouco, moderado, intenso e exagerado.
O resultado pode indicar um novo quesito para doenças cardiovasculares na modernidade, o estresse. Ainda segundo o estudo, 23,2% da população afirmou ter sofrido estresse em casa. Marido, filhos, cachorro ou a nova rotina feminina podem ser fatores determinantes para que as mulheres estejam desenvolvendo doenças cardiovasculares. 46,80% afirmaram que tiveram algum fator estressante no último ano: morte de familiar, perda de emprego, separação conjugal ou ruína financeira. Estresse intenso ou exagerado ocorreu em 23,2% dentro da própria casa; 15% dentro do trabalho; 10% dentro da sociedade e 25% de causa financeira. E as mulheres sofrem mais com o estresse dentro de casa: 28,34% delas revelaram estresse intenso ou exagerado. Entre os homens esse índice combinado cai para 13,07%. No trabalho, os níveis de estresse foram menores do que em casa.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
SIDA: descobertos anticorpos que abrem caminho a vacina
Investigadores norte-americanos descobriram dois anticorpos capazes de bloquear, em laboratório, a maior parte dos tipos de vírus da imunodeficiência humana (VIH), abrindo caminho a uma vacina eficaz contra a SIDA, revela um trabalho hoje publicado.
Mais de um quarto de século sobre a identificação do VIH responsável por cerca de 30 milhões de mortos, a procura de uma vacina contra a infeção ainda não foi bem sucedida, apesar do esforço da comunidade científica internacional.
De acordo com os autores do trabalho que será publicado na sexta feira na revista Science, os dois anticorpos descobertos -- VRCO1 e VRCO2 -- mostraram um elevado potencial a impedir a infeção de células humanas para cerca de 90 por cento das variedades de VIH em circulação.
Os investigadores demonstraram igualmente o mecanismo biológico pelo qual os anticorpos bloqueiam o vírus.
“A descoberta destes antigenes com poderes excecionais na neutralização do VIH e a análise à forma como eles operam representam avanços que vão acelerar os nossos esforços para descobrir uma vacina capaz de proteger de forma abrangente contra o vírus da SIDA”, congratulou-se Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas norte-americano, que co-dirigiu as equipas de investigação.
Num comunicado citado pela agência noticiosa France Presse, o responsável salientou que a técnica usada pelas equipas de investigação para descobrir estes anticorpos “representa uma nova forma de abordagem que pode ser aplicada à conceção ou ao desenvolvimento de vacinas contra outras doenças infecciosas”.
Os virologistas descobriram estes anticorpos produzidos naturalmente pelo organismo no sangue de um seropositivo. Conseguiram depois isolá-los através de um novo instrumento molecular.
Após esta descoberta, os investigadores começaram a desenvolver os componentes de uma vacina que pode ensinar o sistema imunitário humano a produzir grandes quantidades de anticorpos semelhantes aos anticorpos VRCO1 e VCRO2.
Diário Digital / Lusa
Mais de um quarto de século sobre a identificação do VIH responsável por cerca de 30 milhões de mortos, a procura de uma vacina contra a infeção ainda não foi bem sucedida, apesar do esforço da comunidade científica internacional.
De acordo com os autores do trabalho que será publicado na sexta feira na revista Science, os dois anticorpos descobertos -- VRCO1 e VRCO2 -- mostraram um elevado potencial a impedir a infeção de células humanas para cerca de 90 por cento das variedades de VIH em circulação.
Os investigadores demonstraram igualmente o mecanismo biológico pelo qual os anticorpos bloqueiam o vírus.
“A descoberta destes antigenes com poderes excecionais na neutralização do VIH e a análise à forma como eles operam representam avanços que vão acelerar os nossos esforços para descobrir uma vacina capaz de proteger de forma abrangente contra o vírus da SIDA”, congratulou-se Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas norte-americano, que co-dirigiu as equipas de investigação.
Num comunicado citado pela agência noticiosa France Presse, o responsável salientou que a técnica usada pelas equipas de investigação para descobrir estes anticorpos “representa uma nova forma de abordagem que pode ser aplicada à conceção ou ao desenvolvimento de vacinas contra outras doenças infecciosas”.
Os virologistas descobriram estes anticorpos produzidos naturalmente pelo organismo no sangue de um seropositivo. Conseguiram depois isolá-los através de um novo instrumento molecular.
Após esta descoberta, os investigadores começaram a desenvolver os componentes de uma vacina que pode ensinar o sistema imunitário humano a produzir grandes quantidades de anticorpos semelhantes aos anticorpos VRCO1 e VCRO2.
Diário Digital / Lusa
sábado, 3 de julho de 2010
Pulmão eletrônico
Agência FAPESP – Um pulmão eletrônico acaba de ser desenvolvido por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. O grupo criou um dispositivo que simula o funcionamento de um pulmão em um microchip.
Do tamanho de uma moeda, o equipamento atua como se fosse um pulmão humano e é feito de partes do órgão e de vasos sanguíneos. A novidade está na edição da revista Science.
Por ser translúcido, o pulmão eletrônico oferece a oportunidade de estudar o funcionamento do órgão sem ter que invadir um organismo vivo. Por conta disso tem, segundo os autores do estudo, potencial de se tornar uma ferramenta importante para testar efeitos de toxinas presentes no ambiente ou de avaliar a eficácia e segurança de novos medicamentos.
“A capacidade do pulmão no chip de estimar a absorção de nanopartículas presentes no ar ou de imitar a resposta inflamatória a patógenos demonstra que o conceito de órgãos em chips poderá substituir estudos com animais no futuro”, disse Donald Ingber, fundador do Instituto Wyss, em Harvard, e um dos autores da pesquisa.
Segundo Ingber, os microssistemas a partir de tecidos produzidos até o momento são limitados mecânica ou biologicamente. “Não conseguimos entender realmente como a biologia funciona, a menos que nos coloquemos no contexto físico de células, tecidos e órgãos vivos”, disse Ingber.
Na respiração humana, o ar entra nos pulmões, preenche os microscópicos alvéolos (localizados nos finais dos bronquíolos) e transfere oxigênio por meio de uma membrana fina e permeável de células até a corrente sanguínea.
É essa membrana – formada por camadas de células pulmonares, matriz extracelular permeável e capilares – que faz o trabalho pesado do sistema respiratório. É também essa interface entre pulmão e sistema circulatório que reconhece invasores inalados, como bactérias ou toxinas, e ativa a resposta imunológica.
O pulmão eletrônico parte de uma nova abordagem na engenharia de tecidos ao inserir duas camadas de tecidos vivos – a fileira de alvéolos e os vasos sanguíneos em sua volta – em uma estrutura porosa e flexível.
O dispositivo consiste de uma membrana de silicone, porosa e flexível, coberta por células epiteliais de um lado e de células endoteliais do outro. Microcanais em torno da membrana permitem que o ar se desloque por ela. Ao aplicar um vácuo no dispositivo, a membrana se expande de modo semelhante ao que ocorre no tecido pulmonar real.
“Partimos do funcionamento da respiração humana, pela criação de um vácuo quando nosso pulmão se expande, que puxa o ar para os pulmões e faz com que as paredes dos sacos pulmonares se estiquem. O sistema de microengenharia que desenhamos usa os princípios básicos da natureza”, disse Dan Huh, outro autor do estudo.
Para determinar a eficiência do dispositivo, os pesquisadores testaram sua resposta ao inalar bactérias vivas (E. coli). Eles introduziram microrganismos no canal de ar do lado do pulmão no dispositivo e, ao mesmo tempo, aplicaram leucócitos pelo canal no lado dos vasos sanguíneos.
Como resultado, no dispositivo ocorreu uma resposta imunológica que fez com que os leucócitos se deslocassem pelo canal de ar e destruíssem as bactérias.
O artigo Reconstituting Organ-Level Lung Functions on a Chip, de Dan Huh e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
Do tamanho de uma moeda, o equipamento atua como se fosse um pulmão humano e é feito de partes do órgão e de vasos sanguíneos. A novidade está na edição da revista Science.
Por ser translúcido, o pulmão eletrônico oferece a oportunidade de estudar o funcionamento do órgão sem ter que invadir um organismo vivo. Por conta disso tem, segundo os autores do estudo, potencial de se tornar uma ferramenta importante para testar efeitos de toxinas presentes no ambiente ou de avaliar a eficácia e segurança de novos medicamentos.
“A capacidade do pulmão no chip de estimar a absorção de nanopartículas presentes no ar ou de imitar a resposta inflamatória a patógenos demonstra que o conceito de órgãos em chips poderá substituir estudos com animais no futuro”, disse Donald Ingber, fundador do Instituto Wyss, em Harvard, e um dos autores da pesquisa.
Segundo Ingber, os microssistemas a partir de tecidos produzidos até o momento são limitados mecânica ou biologicamente. “Não conseguimos entender realmente como a biologia funciona, a menos que nos coloquemos no contexto físico de células, tecidos e órgãos vivos”, disse Ingber.
Na respiração humana, o ar entra nos pulmões, preenche os microscópicos alvéolos (localizados nos finais dos bronquíolos) e transfere oxigênio por meio de uma membrana fina e permeável de células até a corrente sanguínea.
É essa membrana – formada por camadas de células pulmonares, matriz extracelular permeável e capilares – que faz o trabalho pesado do sistema respiratório. É também essa interface entre pulmão e sistema circulatório que reconhece invasores inalados, como bactérias ou toxinas, e ativa a resposta imunológica.
O pulmão eletrônico parte de uma nova abordagem na engenharia de tecidos ao inserir duas camadas de tecidos vivos – a fileira de alvéolos e os vasos sanguíneos em sua volta – em uma estrutura porosa e flexível.
O dispositivo consiste de uma membrana de silicone, porosa e flexível, coberta por células epiteliais de um lado e de células endoteliais do outro. Microcanais em torno da membrana permitem que o ar se desloque por ela. Ao aplicar um vácuo no dispositivo, a membrana se expande de modo semelhante ao que ocorre no tecido pulmonar real.
“Partimos do funcionamento da respiração humana, pela criação de um vácuo quando nosso pulmão se expande, que puxa o ar para os pulmões e faz com que as paredes dos sacos pulmonares se estiquem. O sistema de microengenharia que desenhamos usa os princípios básicos da natureza”, disse Dan Huh, outro autor do estudo.
Para determinar a eficiência do dispositivo, os pesquisadores testaram sua resposta ao inalar bactérias vivas (E. coli). Eles introduziram microrganismos no canal de ar do lado do pulmão no dispositivo e, ao mesmo tempo, aplicaram leucócitos pelo canal no lado dos vasos sanguíneos.
Como resultado, no dispositivo ocorreu uma resposta imunológica que fez com que os leucócitos se deslocassem pelo canal de ar e destruíssem as bactérias.
O artigo Reconstituting Organ-Level Lung Functions on a Chip, de Dan Huh e outros, pode ser lido na Science em www.sciencemag.org.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Hepatite C está relacionado a número de parceiros sexuais
O vírus da hepatite C (VHC), descoberto em 1989, já infectou cerca de 170 milhões de pessoas em todo o mundo, mas 40% dos eventos de transmissão não têm causa conhecida. Um novo estudo, liderado por pesquisadores brasileiros e realizado com amostras de sangue de pacientes do Estado de São Paulo, mostra pela primeira vez que fatores sociais podem ter um papel central nos padrões de disseminação do vírus.
O trabalho, publicado na edição da revista científica de acesso livre PLoS ONE, revela que os diversos genótipos do vírus entraram em território paulista em diferentes momentos e tiveram taxas de crescimento distintas. A pesquisa indica ainda que a transmissão está relacionada com a rede de contatos sociais entre os indivíduos, direcionando-se para grupos com determinado tipo de comportamento.
O trabalho é um dos resultados da Rede de Diversidade Genética Viral (VGDN), formada por dezenas de laboratórios espalhados pelo Estado que estudam as variedades genéticas de vírus.
De acordo com Paolo Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), autor principal do artigo e um dos coordenadores da VGDN, o estudo se baseou em sequências genéticas extraídas de amostras de sangue de 591 pacientes de cidades paulistas.
– O padrão predominante dos estudos de epidemiologia tem um viés clínico, mas procuramos entender qual é o papel da interação social na disseminação da doença. Um dos dados que tínhamos à disposição era o número de parceiros sexuais dos pacientes e, a partir daí, percebemos claramente que o número de contatos sexuais – que reflete a conectividade das pessoas nas malhas sociais – é claramente um fator fundamental para a transmissão do vírus –, disse Zanotto.
Estima-se que os portadores do VHC no Brasil correspondam a até 3,5% da população. Não existe vacina disponível para a hepatite C e o tratamento para a doença consiste em antivirais que têm baixa eficácia e provocam efeitos colaterais.
– Por isso é tão importante entender a dinâmica de transmissão do vírus e investir em prevenção –, disse Zanotto.
O estudo mostrou que o subtipo 1b do VHC é o mais antigo e avançou mais lentamente que os subtipos 1a e 3a, em múltiplas classes sociais e faixas etárias. Por outro lado, os subtipos 1a e 3b estão associados a pessoas mais jovens, infectadas mais recentemente, com taxas mais altas de transmissão sexual.
– A dinâmica da transmissão do VHC em São Paulo varia de acordo com o subtipo e é determinada por uma combinação de idade, exposição ao risco e características da rede social. Os fatores sociais têm um papel fundamental nas taxas e nos padrões de disseminação. A definição desses grupos de risco será fundamental para orientar políticas públicas de prevenção –, disse Zanotto.
Segundo o cientista, ao utilizar o número de contatos sexuais como indicador do tamanho da rede social em que os pacientes estão inseridos foi possível observar que os subtipos mais recentes do vírus circulam entre indivíduos com mais conexões, potencializando o número de pessoas expostas.
– Outro aspecto observado é que os pacientes com maior número de conexões praticam mais comportamentos de risco, como uso de drogas e sexo desprotegido. A associação entre a transmissão e a alta conectividade social e a transmissão do vírus não havia sido observada até agora porque a maior parte dos trabalhos se restringia a analisar dados provenientes de grupos de risco, mas nós optamos por uma amostra aleatória –, explicou.
Os diferentes subtipos do VHC entraram no Estado de São Paulo em diferentes momentos, segundo o estudo. O subtipo 1b infectava pessoas nascidas antes da década de 1930. Já o subtipo 3a entrou em cena no meio da década de 1950 e começou a se espalhar rapidamente.
– No passado, o vírus foi disseminado principalmente por transfusão de sangue contaminado. Mas em 1990 foram implantados os testes anti-VHC em bancos de sangue e ele continuou se espalhando. O uso de drogas injetáveis é certamente importante para a transmissão, como a transfusão sanguínea já foi. Mas constatamos que grande parte dos novos casos não envolve esta prática e o vírus continua se espalhando –, disse Zanotto.
O subtipo 1a teve seu crescimento acelerado por volta de 1990, mesmo com o fim da contaminação por transfusão de sangue e, segundo o estudo, já é o segundo subtipo mais comum, devendo superar em breve o subtipo 1b.
– O subtipo 1a está associado às pessoas jovens com muita conectividade sexual. Outras características comuns nesse grupo são o uso frequente de drogas, prática de sexo desprotegido, tatuagens e encarceramento –, afirmou.
O estudo detectou ainda uma correlação do crescimento acelerado dos subtipos mais recentes com a densidade populacional do Estado de São Paulo no período em que os vírus foram introduzidos.
– O aumento populacional favorece o maior número de conexões sociais. Como em qualquer rede social, essas conexões se estabelecem por associação preferencial. Isto é, as pessoas estabelecem mais relações com quem tem comportamentos parecidos. Por isso, têm mais chances de se conectar a indivíduos que já são muito conectados –, disse Zanotto.
O cientista explica que a distribuição do número de parceiros sexuais segue uma lei de potência que indica grande assimetrias nos padrões de conectividade entre os indivíduos.
– A maior parte das pessoas tem entre duas e cinco conexões nessa rede de contatos sexuais. Mas alguns indivíduos chegam a ter alguns milhares de conexões. Diferentes subtipos de vírus infectam esses diferentes grupos –, afirmou.
Segundo Zanotto, o estudo mostrou que as políticas de prevenção devem ser voltadas para os indivíduos que estão altamente conectados.
– Não podemos garantir que a conectividade sexual explique a disseminação da hepatite C, mas há uma clara correlação. Não sabemos se a sexualidade é um indicador, ou uma via de transmissão, mas onde há fumaça há fogo. Se o sexo não é o fator de transmissão, trata-se pelo menos de algum fator associado à grande conectividade sexual. O fato é que há uma clara estratificação comportamental nos padrões de transmissão –, disse.
O trabalho, publicado na edição da revista científica de acesso livre PLoS ONE, revela que os diversos genótipos do vírus entraram em território paulista em diferentes momentos e tiveram taxas de crescimento distintas. A pesquisa indica ainda que a transmissão está relacionada com a rede de contatos sociais entre os indivíduos, direcionando-se para grupos com determinado tipo de comportamento.
O trabalho é um dos resultados da Rede de Diversidade Genética Viral (VGDN), formada por dezenas de laboratórios espalhados pelo Estado que estudam as variedades genéticas de vírus.
De acordo com Paolo Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), autor principal do artigo e um dos coordenadores da VGDN, o estudo se baseou em sequências genéticas extraídas de amostras de sangue de 591 pacientes de cidades paulistas.
– O padrão predominante dos estudos de epidemiologia tem um viés clínico, mas procuramos entender qual é o papel da interação social na disseminação da doença. Um dos dados que tínhamos à disposição era o número de parceiros sexuais dos pacientes e, a partir daí, percebemos claramente que o número de contatos sexuais – que reflete a conectividade das pessoas nas malhas sociais – é claramente um fator fundamental para a transmissão do vírus –, disse Zanotto.
Estima-se que os portadores do VHC no Brasil correspondam a até 3,5% da população. Não existe vacina disponível para a hepatite C e o tratamento para a doença consiste em antivirais que têm baixa eficácia e provocam efeitos colaterais.
– Por isso é tão importante entender a dinâmica de transmissão do vírus e investir em prevenção –, disse Zanotto.
O estudo mostrou que o subtipo 1b do VHC é o mais antigo e avançou mais lentamente que os subtipos 1a e 3a, em múltiplas classes sociais e faixas etárias. Por outro lado, os subtipos 1a e 3b estão associados a pessoas mais jovens, infectadas mais recentemente, com taxas mais altas de transmissão sexual.
– A dinâmica da transmissão do VHC em São Paulo varia de acordo com o subtipo e é determinada por uma combinação de idade, exposição ao risco e características da rede social. Os fatores sociais têm um papel fundamental nas taxas e nos padrões de disseminação. A definição desses grupos de risco será fundamental para orientar políticas públicas de prevenção –, disse Zanotto.
Segundo o cientista, ao utilizar o número de contatos sexuais como indicador do tamanho da rede social em que os pacientes estão inseridos foi possível observar que os subtipos mais recentes do vírus circulam entre indivíduos com mais conexões, potencializando o número de pessoas expostas.
– Outro aspecto observado é que os pacientes com maior número de conexões praticam mais comportamentos de risco, como uso de drogas e sexo desprotegido. A associação entre a transmissão e a alta conectividade social e a transmissão do vírus não havia sido observada até agora porque a maior parte dos trabalhos se restringia a analisar dados provenientes de grupos de risco, mas nós optamos por uma amostra aleatória –, explicou.
Os diferentes subtipos do VHC entraram no Estado de São Paulo em diferentes momentos, segundo o estudo. O subtipo 1b infectava pessoas nascidas antes da década de 1930. Já o subtipo 3a entrou em cena no meio da década de 1950 e começou a se espalhar rapidamente.
– No passado, o vírus foi disseminado principalmente por transfusão de sangue contaminado. Mas em 1990 foram implantados os testes anti-VHC em bancos de sangue e ele continuou se espalhando. O uso de drogas injetáveis é certamente importante para a transmissão, como a transfusão sanguínea já foi. Mas constatamos que grande parte dos novos casos não envolve esta prática e o vírus continua se espalhando –, disse Zanotto.
O subtipo 1a teve seu crescimento acelerado por volta de 1990, mesmo com o fim da contaminação por transfusão de sangue e, segundo o estudo, já é o segundo subtipo mais comum, devendo superar em breve o subtipo 1b.
– O subtipo 1a está associado às pessoas jovens com muita conectividade sexual. Outras características comuns nesse grupo são o uso frequente de drogas, prática de sexo desprotegido, tatuagens e encarceramento –, afirmou.
O estudo detectou ainda uma correlação do crescimento acelerado dos subtipos mais recentes com a densidade populacional do Estado de São Paulo no período em que os vírus foram introduzidos.
– O aumento populacional favorece o maior número de conexões sociais. Como em qualquer rede social, essas conexões se estabelecem por associação preferencial. Isto é, as pessoas estabelecem mais relações com quem tem comportamentos parecidos. Por isso, têm mais chances de se conectar a indivíduos que já são muito conectados –, disse Zanotto.
O cientista explica que a distribuição do número de parceiros sexuais segue uma lei de potência que indica grande assimetrias nos padrões de conectividade entre os indivíduos.
– A maior parte das pessoas tem entre duas e cinco conexões nessa rede de contatos sexuais. Mas alguns indivíduos chegam a ter alguns milhares de conexões. Diferentes subtipos de vírus infectam esses diferentes grupos –, afirmou.
Segundo Zanotto, o estudo mostrou que as políticas de prevenção devem ser voltadas para os indivíduos que estão altamente conectados.
– Não podemos garantir que a conectividade sexual explique a disseminação da hepatite C, mas há uma clara correlação. Não sabemos se a sexualidade é um indicador, ou uma via de transmissão, mas onde há fumaça há fogo. Se o sexo não é o fator de transmissão, trata-se pelo menos de algum fator associado à grande conectividade sexual. O fato é que há uma clara estratificação comportamental nos padrões de transmissão –, disse.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Descoberta pode ajudar a evitar depressão pós-parto
Cientistas alemães acreditam ter encontrado a causa da melancolia que a maioria das mulheres sofre logo após o parto e esperam que a descoberta contribua para um possível tratamento da depressão pós-parto
Na primeira semana após dar à luz, cerca de 70% das mulheres sofrem do chamado baby blues, com queixas que vão desde alterações de humor e ansiedade até falta de apetite e irritabilidade.
Enquanto a maioria delas se recupera em pouco tempo, 13% das mães continuam apresentando os sintomas após os primeiros meses do nascimento do bebê, o que é considerado depressão pós-parto.
A condição é definida como um grande episódio de depressão que começa nas quatro semanas após o parto e é considerada um grande problema de saúde pública.
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Ciências Humanas Cognitivas e Cerebrais, de Leipzig, na Alemanha, descobriram que uma queda brusca dos níveis de estrógeno logo após o parto libera uma enzima no cérebro que bloqueia as substâncias químicas responsáveis pelo bem-estar.
Possível tratamento
O estudo, publicado na revista médica Archives of General Psychiatry, revela que na mesma proporção em que os níveis de estrógeno caem abruptamente nos três a quatro dias após o nascimento do bebê, existe um aumento da enzima monoamina oxidase A (MAO-A) no cérebro.
A enzima quebra os neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, que, além de serem responsáveis por transmitir os sinais entre as células nervosas, também influenciam nosso humor.
Se o funcionamento dos neurotransmissores é afetado, a pessoa inicialmente se sente triste e após certo tempo corre o risco de ficar deprimida.
A MAO-A foi encontrada em níveis 43% mais elevados em mulheres que acabaram de dar à luz do que em um grupo de mulheres que teve filhos há bastante tempo ou não tinha filhos.
Os níveis mais altos foram registrados no quinto dia após o parto, coincidindo com o dia em que o humor das mães está no ponto mais baixo.
Certas drogas podem ser usadas para diminuir os níveis desta enzima e aumentar os níveis das substâncias químicas quebradas por ela.
– Nossos resultados têm o potencial animador de prevenção da alteração de humor pós-parto. Isso pode ter um impacto na prevenção e no tratamento de depressão pós-parto no futuro –, afirmou a coordenadora da pesquisa, Julia Sacher.
Na primeira semana após dar à luz, cerca de 70% das mulheres sofrem do chamado baby blues, com queixas que vão desde alterações de humor e ansiedade até falta de apetite e irritabilidade.
Enquanto a maioria delas se recupera em pouco tempo, 13% das mães continuam apresentando os sintomas após os primeiros meses do nascimento do bebê, o que é considerado depressão pós-parto.
A condição é definida como um grande episódio de depressão que começa nas quatro semanas após o parto e é considerada um grande problema de saúde pública.
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Ciências Humanas Cognitivas e Cerebrais, de Leipzig, na Alemanha, descobriram que uma queda brusca dos níveis de estrógeno logo após o parto libera uma enzima no cérebro que bloqueia as substâncias químicas responsáveis pelo bem-estar.
Possível tratamento
O estudo, publicado na revista médica Archives of General Psychiatry, revela que na mesma proporção em que os níveis de estrógeno caem abruptamente nos três a quatro dias após o nascimento do bebê, existe um aumento da enzima monoamina oxidase A (MAO-A) no cérebro.
A enzima quebra os neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, que, além de serem responsáveis por transmitir os sinais entre as células nervosas, também influenciam nosso humor.
Se o funcionamento dos neurotransmissores é afetado, a pessoa inicialmente se sente triste e após certo tempo corre o risco de ficar deprimida.
A MAO-A foi encontrada em níveis 43% mais elevados em mulheres que acabaram de dar à luz do que em um grupo de mulheres que teve filhos há bastante tempo ou não tinha filhos.
Os níveis mais altos foram registrados no quinto dia após o parto, coincidindo com o dia em que o humor das mães está no ponto mais baixo.
Certas drogas podem ser usadas para diminuir os níveis desta enzima e aumentar os níveis das substâncias químicas quebradas por ela.
– Nossos resultados têm o potencial animador de prevenção da alteração de humor pós-parto. Isso pode ter um impacto na prevenção e no tratamento de depressão pós-parto no futuro –, afirmou a coordenadora da pesquisa, Julia Sacher.
Anticorpos e reparação de nervos
Agência FAPESP – Anticorpos não são importantes apenas para defender o organismo de patógenos invasores, como vírus ou bactérias – o que já seria bastante. Segundo uma nova pesquisa, os anticorpos, além de soldados, atuam como espécies de enfermeiros.
De acordo com um estudo feito por um grupo da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, os anticorpos também estão envolvidos no processo de reparação de nervos danificados. O trabalho foi publicado no site e na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A ausência de anticorpos no sistema nervoso central (formado por cérebro e medula espinhal) seria uma das principais razões por que os nervos danificados nessas áreas não são reparados naturalmente em humanos.
No trabalho, feito em camundongos, os pesquisadores mostram pela primeira vez que os anticorpos são críticos para a restauração de danos no sistema nervoso periférico, o tecido que se estende para fora do cérebro e da medula espinhal – como o nervo ciático, que é acessado por anticorpos circulantes.
O estudo também indicou que alguns (embora poucos) desses anticorpos atuam na reparação de nervos danificados. A descoberta abre caminhos para a investigação de possíveis tratamentos para problemas como danos na medula ou acidente vascular cerebral.
“Ninguém sabe por que, mas células no sistema nervoso central não são capazes de se regenerar após acidentes, enquanto células no sistema nervoso periférico se regeneram robustamente”, disse Ben Barres, chefe da cadeira de neurobiologia em Stanford e um dos autores do estudo.
Enquanto os anticorpos têm acesso limitado ao cérebro e à medula espinhal, eles entram sem dificuldade no sistema nervoso periférico.
Células nervosas conduzem impulsos eletroquímicos por longas distâncias por meio de projeções longas e tubulares chamadas axônios. Essas estruturas são tipicamente cobertas por uma camada isolante formada por uma substância gordurosa de múltiplas dobras cujo conjunto é denominado bainha de mielina – composto por fibras nervosas mielínicas.
“Após o dano a um nervo, a mielina degenerada se desloca da área do acidente e é rapidamente limpa no sistema nervoso periférico, mas não no central. No cérebro ou medula espinhal danificados, a mielina degenerada simplesmente continua ali pelo restante da vida do indivíduo. Mas em um dano no nervo ciático, para ficarmos em um exemplo, ela é eliminada em uma semana ou menos”, disse Barres.
No estudo, os autores empregaram camundongos modificados geneticamente para que não produzissem anticorpos e verificaram que não houve restauração de nervos nem remoção da mielina da área afetada. Ao injetar nos camundongos transgênicos anticorpos de animais normais, os cientistas observaram os dois processos.
“Observamos que os anticorpos se grudam na mielina degenerada, marcando-a para a ação dos macrófagos, células imunes vorazes responsáveis pela limpeza”, disse Mauricio Vargas, outro autor do estudo.
Os pesquisadores injetaram nos camundongos geneticamente modificados anticorpos que têm como alvo específico uma proteína que ocorre somente na mielina. O processo restaurou o reparo de terminações nervosas, o que não ocorreu quando administraram outros anticorpos, não associados com a mielina.
O artigo Endogenous antibodies promote rapid myelin clearance and effective axon regeneration after nerve injury (doi: 10.1073/pnas.1001948107), de Ben Barres e outros, poderá ser lido na PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1001948107.
De acordo com um estudo feito por um grupo da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, os anticorpos também estão envolvidos no processo de reparação de nervos danificados. O trabalho foi publicado no site e na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A ausência de anticorpos no sistema nervoso central (formado por cérebro e medula espinhal) seria uma das principais razões por que os nervos danificados nessas áreas não são reparados naturalmente em humanos.
No trabalho, feito em camundongos, os pesquisadores mostram pela primeira vez que os anticorpos são críticos para a restauração de danos no sistema nervoso periférico, o tecido que se estende para fora do cérebro e da medula espinhal – como o nervo ciático, que é acessado por anticorpos circulantes.
O estudo também indicou que alguns (embora poucos) desses anticorpos atuam na reparação de nervos danificados. A descoberta abre caminhos para a investigação de possíveis tratamentos para problemas como danos na medula ou acidente vascular cerebral.
“Ninguém sabe por que, mas células no sistema nervoso central não são capazes de se regenerar após acidentes, enquanto células no sistema nervoso periférico se regeneram robustamente”, disse Ben Barres, chefe da cadeira de neurobiologia em Stanford e um dos autores do estudo.
Enquanto os anticorpos têm acesso limitado ao cérebro e à medula espinhal, eles entram sem dificuldade no sistema nervoso periférico.
Células nervosas conduzem impulsos eletroquímicos por longas distâncias por meio de projeções longas e tubulares chamadas axônios. Essas estruturas são tipicamente cobertas por uma camada isolante formada por uma substância gordurosa de múltiplas dobras cujo conjunto é denominado bainha de mielina – composto por fibras nervosas mielínicas.
“Após o dano a um nervo, a mielina degenerada se desloca da área do acidente e é rapidamente limpa no sistema nervoso periférico, mas não no central. No cérebro ou medula espinhal danificados, a mielina degenerada simplesmente continua ali pelo restante da vida do indivíduo. Mas em um dano no nervo ciático, para ficarmos em um exemplo, ela é eliminada em uma semana ou menos”, disse Barres.
No estudo, os autores empregaram camundongos modificados geneticamente para que não produzissem anticorpos e verificaram que não houve restauração de nervos nem remoção da mielina da área afetada. Ao injetar nos camundongos transgênicos anticorpos de animais normais, os cientistas observaram os dois processos.
“Observamos que os anticorpos se grudam na mielina degenerada, marcando-a para a ação dos macrófagos, células imunes vorazes responsáveis pela limpeza”, disse Mauricio Vargas, outro autor do estudo.
Os pesquisadores injetaram nos camundongos geneticamente modificados anticorpos que têm como alvo específico uma proteína que ocorre somente na mielina. O processo restaurou o reparo de terminações nervosas, o que não ocorreu quando administraram outros anticorpos, não associados com a mielina.
O artigo Endogenous antibodies promote rapid myelin clearance and effective axon regeneration after nerve injury (doi: 10.1073/pnas.1001948107), de Ben Barres e outros, poderá ser lido na PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1001948107.
sábado, 19 de junho de 2010
Substituição de osso através de derretimento a laser
Em emergências médicas, uma perfuração no crânio é comummente tratada com implantes. Enquanto que as substituições de titânio mal conseguiam ser introduzidas na cavidade aberta, o novo tipo de implante degradável estimula o corpo e regenera-se automaticamente: encaixa perfeitamente e desaparece à mesma extensão que o osso cresce. A recente intervenção foi desenvolvida por uma equipa do Centro Médico da Universidade de Aachen, na Alemanha.
O nosso organismo consegue curar pequenas fracturas ósseas – mas com ferimentos maiores, é necessário alguma intervenção, como o uso de implantes, por exemplo. Em contraste, soluções a longo termo baseadas em implantes de titânio degradáveis estão prestes a substituir as peças que faltam no osso até que a fissura se feche. A sutura poderá demorar meses, ou mesmo anos, dependendo do tamanho do defeito, da idade e da saúde do paciente.
A novidade intensifica o processo de cura e emerge do projecto «Resobone» – uma iniciativa do ministério federal para a educação e investigação – e cada implante será adequado ao visado. Contrariamente aos ossos convencionais substituídos, este não é feito de massa e é poroso. Pequenos canais permeáveis, no implante, penetram alguns cem micrómetros. “Esta precisão encaixa perfeitamente na estrutura porosa, combinada com um novo biometerial, permite uma reconstrução total do osso que até aqui era impossível de realizar”, segundo disse Ralf Smeets, da University Medical Center of Aachen.
O canal poroso cria uma estrutura de treliça para onde a superfície óssea adjacente pode crescer. A estrutura base é constituída por poliláctico sintético, ou PLA (ácido poliláctico). A estrutura granulada de fosfato de tricálcio (TPC) armazenada assegura rigidez e estimula o processo natural de cura. O TCP e PLA já provaram ser degradáveis.
O organismo consegue catabolizar ambas as substâncias, tão rapidamente quanto o crescimento natural da estrutura óssea. Contudo, este material apenas poderá ser aplicado em locais não sujeitos a condições severas: substituirão falhas faciais, como ossos dos maxilares e cranianos. Actualmente, já corrigem fissuras de até 25 centímetros quadrados.
Estrutura degradável
A sua única estrutura é feita através de um processo industrial desenvolvido no Instituto de Fraunhofer for Laser Tecnologia ILT, em Aachen, para a criação de protótipos industriais. Um raio laser fino derrete cada camada pulverizada do material em estruturas que podem ser tão delicadas como 80 a 100 micrómetros.
A tomografia do paciente serve de modelo para o implante preciso. O processo é coordenado em sequências com bastante precisão para que o osso defeituoso possa ser produzido em poucas horas, e uma grande porção craniana, por exemplo, poderá ser feita durante uma noite.
Para além da rapidez, o processo tem reduzido substancialmente o número de cirurgias. Os médicos já não usam o osso pélvico do próprio paciente para fazer um implante. Ainda permite a realização de inúmeras operações complementares em crianças que não precisarão de para trocar de implantes a longo prazo, durante o crescimento. “Realizamos nossa meta: uma corrente fechada de produção de implantes ósseos individuais construídos com materiais degradáveis”, concluiu Höges.
O nosso organismo consegue curar pequenas fracturas ósseas – mas com ferimentos maiores, é necessário alguma intervenção, como o uso de implantes, por exemplo. Em contraste, soluções a longo termo baseadas em implantes de titânio degradáveis estão prestes a substituir as peças que faltam no osso até que a fissura se feche. A sutura poderá demorar meses, ou mesmo anos, dependendo do tamanho do defeito, da idade e da saúde do paciente.
A novidade intensifica o processo de cura e emerge do projecto «Resobone» – uma iniciativa do ministério federal para a educação e investigação – e cada implante será adequado ao visado. Contrariamente aos ossos convencionais substituídos, este não é feito de massa e é poroso. Pequenos canais permeáveis, no implante, penetram alguns cem micrómetros. “Esta precisão encaixa perfeitamente na estrutura porosa, combinada com um novo biometerial, permite uma reconstrução total do osso que até aqui era impossível de realizar”, segundo disse Ralf Smeets, da University Medical Center of Aachen.
O canal poroso cria uma estrutura de treliça para onde a superfície óssea adjacente pode crescer. A estrutura base é constituída por poliláctico sintético, ou PLA (ácido poliláctico). A estrutura granulada de fosfato de tricálcio (TPC) armazenada assegura rigidez e estimula o processo natural de cura. O TCP e PLA já provaram ser degradáveis.
O organismo consegue catabolizar ambas as substâncias, tão rapidamente quanto o crescimento natural da estrutura óssea. Contudo, este material apenas poderá ser aplicado em locais não sujeitos a condições severas: substituirão falhas faciais, como ossos dos maxilares e cranianos. Actualmente, já corrigem fissuras de até 25 centímetros quadrados.
Estrutura degradável
A sua única estrutura é feita através de um processo industrial desenvolvido no Instituto de Fraunhofer for Laser Tecnologia ILT, em Aachen, para a criação de protótipos industriais. Um raio laser fino derrete cada camada pulverizada do material em estruturas que podem ser tão delicadas como 80 a 100 micrómetros.
A tomografia do paciente serve de modelo para o implante preciso. O processo é coordenado em sequências com bastante precisão para que o osso defeituoso possa ser produzido em poucas horas, e uma grande porção craniana, por exemplo, poderá ser feita durante uma noite.
Para além da rapidez, o processo tem reduzido substancialmente o número de cirurgias. Os médicos já não usam o osso pélvico do próprio paciente para fazer um implante. Ainda permite a realização de inúmeras operações complementares em crianças que não precisarão de para trocar de implantes a longo prazo, durante o crescimento. “Realizamos nossa meta: uma corrente fechada de produção de implantes ósseos individuais construídos com materiais degradáveis”, concluiu Höges.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Obesidade prejudica vida sexual
Já se sabe que a obesidade é uma das maiores inimigas da saúde cardiovascular e da longevidade.
O Instituto Francês da Saúde e Investigação Médica alerta, num estudo recente, que os quilos a mais afectam significativamente a vida sexual.
Na investigação, publicada no British Medical Journal, os autores advertem que os médicos devem ter em conta que o excesso de peso pode ter um impacto nas relações.
Apesar dos efeitos da obesidade estarem largamente documentados, os investigadores franceses chegaram à conclusão que havia uma lacuna no que diz respeito à relação dos quilos a mais com a saúde sexual.
Para a investigação, submetera uma amostra de 10 170 indivíduos, dos 18 aos 69 anos, a um inquérito telefónico em que, além das características físicas, eram também questionados sobre os hábitos de vida, inclusive sexuais.
Dos participantes, 2 725 homens e 3 651 mulheres apresentaram um peso considerado normal, em que o Índice de Massa Corporal (IMC) variava entre 18,5 e 25. 1 488 homens e 1 010 mulheres sofriam de excesso de peso (IMC entre 25 e 30) e os restantes 350 homens e 411 mulheres apresentavam o IMC superior a 30, considerados obesos.
Peso condiciona saúde sexual
Na análise dos resultados, ficou claro que o número de mulheres que tinham tido relações sexuais nos últimos 12 meses era significativamente mais baixo nas participantes obesas.
Nathalie Bajos, investigadora
Entre as mulheres com excesso de peso também era mais comum considerar o sexo como uma parte pouco importante do equilíbrio pessoal, enquanto que os homens com uns quilos a mais tinham menos probabilidades do que os outros a terem mais de uma parceira sexual no último ano.
Além disto, os indivíduos com quilos a mais também tinham mais hipóteses de desenvolver uma disfunção eréctil.
Menos parceiros, mais gravidezes não desejadas
Uma das informações mais apelativas desta investigação é que a taxa de gravidez não desejada era quatro vezes mais alta entre as mulheres obesas. Chegou-se ainda à conclusão que estas participantes eram também menos propensas a utilizar métodos anticonceptivos ou a consultar serviços de contracepção.
“A pressão social sobre os corpos de mulheres e o seu peso é particularmente forte.
As mulheres obesas sofrem um risco duplo: têm mais dificuldade em encontrar parceiros sexuais e em gerir as consequências”, referiu Nathalie Bajos, líder da investigação, do Instituto Francês da Saúde e Investigação Médica.
Mulheres obesas têm quatro vezes mais probabilidades de gravidez indesejada
Pintura de Fernando Botero
Mulheres obesas têm quatro vezes mais probabilidades de gravidez indesejada
Pintura de Fernando Botero
Contudo, um editorial que acompanha a investigação adverte que é necessário olhar para estes dados com precaução antes de extrapolá-los para outras populações.
“O trabalho centra-se no uso de preservativos e anticonceptivos orais, ignorando outros contraceptivos de longa duração”, comentam os autores do artigo que reclamam mais estudos neste sentido.
“Se estes resultados se confirmarem, necessitamos de saber porque é que as mulheres obesas usam menos anticonceptivos e têm mais gravidezes não desejadas, além de terem menos parceiros sexuais. As respostas a estas perguntas serão provavelmente complexas, com aspectos biológicos, psicológicos e sociais que exigem um enfoque de qualidade”, realçam os autores do artigo.
O Instituto Francês da Saúde e Investigação Médica alerta, num estudo recente, que os quilos a mais afectam significativamente a vida sexual.
Na investigação, publicada no British Medical Journal, os autores advertem que os médicos devem ter em conta que o excesso de peso pode ter um impacto nas relações.
Apesar dos efeitos da obesidade estarem largamente documentados, os investigadores franceses chegaram à conclusão que havia uma lacuna no que diz respeito à relação dos quilos a mais com a saúde sexual.
Para a investigação, submetera uma amostra de 10 170 indivíduos, dos 18 aos 69 anos, a um inquérito telefónico em que, além das características físicas, eram também questionados sobre os hábitos de vida, inclusive sexuais.
Dos participantes, 2 725 homens e 3 651 mulheres apresentaram um peso considerado normal, em que o Índice de Massa Corporal (IMC) variava entre 18,5 e 25. 1 488 homens e 1 010 mulheres sofriam de excesso de peso (IMC entre 25 e 30) e os restantes 350 homens e 411 mulheres apresentavam o IMC superior a 30, considerados obesos.
Peso condiciona saúde sexual
Na análise dos resultados, ficou claro que o número de mulheres que tinham tido relações sexuais nos últimos 12 meses era significativamente mais baixo nas participantes obesas.
Nathalie Bajos, investigadora
Entre as mulheres com excesso de peso também era mais comum considerar o sexo como uma parte pouco importante do equilíbrio pessoal, enquanto que os homens com uns quilos a mais tinham menos probabilidades do que os outros a terem mais de uma parceira sexual no último ano.
Além disto, os indivíduos com quilos a mais também tinham mais hipóteses de desenvolver uma disfunção eréctil.
Menos parceiros, mais gravidezes não desejadas
Uma das informações mais apelativas desta investigação é que a taxa de gravidez não desejada era quatro vezes mais alta entre as mulheres obesas. Chegou-se ainda à conclusão que estas participantes eram também menos propensas a utilizar métodos anticonceptivos ou a consultar serviços de contracepção.
“A pressão social sobre os corpos de mulheres e o seu peso é particularmente forte.
As mulheres obesas sofrem um risco duplo: têm mais dificuldade em encontrar parceiros sexuais e em gerir as consequências”, referiu Nathalie Bajos, líder da investigação, do Instituto Francês da Saúde e Investigação Médica.
Mulheres obesas têm quatro vezes mais probabilidades de gravidez indesejada
Pintura de Fernando Botero
Mulheres obesas têm quatro vezes mais probabilidades de gravidez indesejada
Pintura de Fernando Botero
Contudo, um editorial que acompanha a investigação adverte que é necessário olhar para estes dados com precaução antes de extrapolá-los para outras populações.
“O trabalho centra-se no uso de preservativos e anticonceptivos orais, ignorando outros contraceptivos de longa duração”, comentam os autores do artigo que reclamam mais estudos neste sentido.
“Se estes resultados se confirmarem, necessitamos de saber porque é que as mulheres obesas usam menos anticonceptivos e têm mais gravidezes não desejadas, além de terem menos parceiros sexuais. As respostas a estas perguntas serão provavelmente complexas, com aspectos biológicos, psicológicos e sociais que exigem um enfoque de qualidade”, realçam os autores do artigo.
Genética influencia diferenças percebidas no nível de sal dos alimentos
Algumas pessoas sentem mais aversão a comidas com pouco sal do que outras. Segundo um novo estudo, é a genética que influencia algumas das diferenças percebidas nos níveis de sal dos alimentos.
A pesquisa, feita na Faculdade de Ciências da Agricultura da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, publicada na revista Physiology & Behavior.
Segundo os autores, os resultados são importantes porque esforços recentes para reduzir a quantidade de sal nos alimentos têm levado muita gente a considerar que alimentos com menos sal não são tão saborosos como os tradicionais.
Dietas com presença elevada de sal aumentam o risco de desenvolver problemas como pressão alta. Isso tem levado empresas do setor alimentício a trabalhar em conjunto com especialistas em saúde no sentido de produzir alimentos que tenham menos sal, mas que sejam considerados saborosos e tenham a aprovação dos consumidores.
O estudo de John Hayes e colegas envolveu 87 voluntários, que experimentaram produtos alimentícios com bastante sal, como batatas fritas e pretzels, durante um período de algumas semanas. Os participantes eram 45 homens e 42 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, saudáveis e não fumantes.
A intensidade de gosto foi medida por meio de uma escala, cujos níveis variavam entre “pouco perceptível” a “mais forte sensação”.
– A maioria das pessoas aprecia o gosto salgado. Entretanto, alguns consomem mais sal, ou porque gostam mais do que os outros ou porque, para eles, o sal é necessário para bloquear outros gostos não tão agradáveis nos alimentos –, disse Hayes.
– As pessoas que experimentam gostos com mais intensidade consomem mais sal do que as demais. Produtos do tipo snacks têm como seu principal atrativo o fato de serem salgados e, para essas pessoas, quanto mais sal melhor. Tais produtos parecem ser mais apreciados por aqueles que sentem gostos com mais intensidade –, indicou.
Segundo o cientista, uma pessoa que sente gosto com mais intensidade acha, por exemplo, pouco agradável um queijo com pouco teor de sal, por considerar muito evidenciado o caráter azedo do produto. Para esses, a maior quantidade de sal é importante para mascarar sabores não desejáveis.
Hayes conta que variações no gosto são tão comuns e pronunciadas como diferenças na cor do cabelo ou dos olhos, por exemplo. Atualmente, o norte-americano consome em média entre duas e três vezes a quantidade de sal diária recomendada por especialistas em saúde.
A pesquisa, feita na Faculdade de Ciências da Agricultura da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, publicada na revista Physiology & Behavior.
Segundo os autores, os resultados são importantes porque esforços recentes para reduzir a quantidade de sal nos alimentos têm levado muita gente a considerar que alimentos com menos sal não são tão saborosos como os tradicionais.
Dietas com presença elevada de sal aumentam o risco de desenvolver problemas como pressão alta. Isso tem levado empresas do setor alimentício a trabalhar em conjunto com especialistas em saúde no sentido de produzir alimentos que tenham menos sal, mas que sejam considerados saborosos e tenham a aprovação dos consumidores.
O estudo de John Hayes e colegas envolveu 87 voluntários, que experimentaram produtos alimentícios com bastante sal, como batatas fritas e pretzels, durante um período de algumas semanas. Os participantes eram 45 homens e 42 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, saudáveis e não fumantes.
A intensidade de gosto foi medida por meio de uma escala, cujos níveis variavam entre “pouco perceptível” a “mais forte sensação”.
– A maioria das pessoas aprecia o gosto salgado. Entretanto, alguns consomem mais sal, ou porque gostam mais do que os outros ou porque, para eles, o sal é necessário para bloquear outros gostos não tão agradáveis nos alimentos –, disse Hayes.
– As pessoas que experimentam gostos com mais intensidade consomem mais sal do que as demais. Produtos do tipo snacks têm como seu principal atrativo o fato de serem salgados e, para essas pessoas, quanto mais sal melhor. Tais produtos parecem ser mais apreciados por aqueles que sentem gostos com mais intensidade –, indicou.
Segundo o cientista, uma pessoa que sente gosto com mais intensidade acha, por exemplo, pouco agradável um queijo com pouco teor de sal, por considerar muito evidenciado o caráter azedo do produto. Para esses, a maior quantidade de sal é importante para mascarar sabores não desejáveis.
Hayes conta que variações no gosto são tão comuns e pronunciadas como diferenças na cor do cabelo ou dos olhos, por exemplo. Atualmente, o norte-americano consome em média entre duas e três vezes a quantidade de sal diária recomendada por especialistas em saúde.
Homossexual poderá ter parceiro como dependente em plano de saúde
A partir de agora casais do mesmo sexo poderão incluir o parceiro como dependente em seu plano de saúde. A mudança é um pleito antigo de casais homossexuais que muitas vezes eram obrigados a fazer dois planos de saúde para uma mesma família. A nova norma da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define como companheiro beneficiário de titular de plano privado de assistência à saúde tanto pessoas do sexo oposto como os do mesmo sexo.
A ANS publicou uma súmula normativa, no Diário Oficial da União, que obriga a todas as operadoras a adotarem as novas orientações. Segundo a agência, a alteração baseia-se no Código Civil Brasileiro e na Constituição Federal que cita como objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
A estudante de Ciências da Computação, Carina Ramires, de 30 anos, tem união estável há dois anos com Jéssica Gutierrez, de 36 anos. Ela conta que depois que saiu de seu emprego tentou ser dependente de Jéssica, mas o plano de saúde não autorizou.
“Fomos obrigadas a ter dois planos de saúde. Jéssica já tem como dependente minha filha e sua filha biológica, mas eu não pude ser incluída, mesmo tendo união estável. A mudança é muito importante. Somos uma família de fato”, afirma. Elas coordenam o Grupo de Mães e Pais de Lésbicas, Gays Bissexuais e Travestis (LGBT), em São Paulo.
O diretor de comunicação, da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde, Orency Francisco da Silva, disse que muitas operadoras já utilizam como beneficiários companheiros e companheiras do mesmo sexo.
“A grande maioria de nossas operadoras já trabalha desta forma. Não teremos um grande impacto em nos adaptar, mas só aceitaremos os casais que apresentem documentos comprovando a união estável”, ressalva. A associação atende a mais 5 milhões de beneficiários de 140 operadoras de plano de saúde do país.
A ANS publicou uma súmula normativa, no Diário Oficial da União, que obriga a todas as operadoras a adotarem as novas orientações. Segundo a agência, a alteração baseia-se no Código Civil Brasileiro e na Constituição Federal que cita como objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
A estudante de Ciências da Computação, Carina Ramires, de 30 anos, tem união estável há dois anos com Jéssica Gutierrez, de 36 anos. Ela conta que depois que saiu de seu emprego tentou ser dependente de Jéssica, mas o plano de saúde não autorizou.
“Fomos obrigadas a ter dois planos de saúde. Jéssica já tem como dependente minha filha e sua filha biológica, mas eu não pude ser incluída, mesmo tendo união estável. A mudança é muito importante. Somos uma família de fato”, afirma. Elas coordenam o Grupo de Mães e Pais de Lésbicas, Gays Bissexuais e Travestis (LGBT), em São Paulo.
O diretor de comunicação, da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde, Orency Francisco da Silva, disse que muitas operadoras já utilizam como beneficiários companheiros e companheiras do mesmo sexo.
“A grande maioria de nossas operadoras já trabalha desta forma. Não teremos um grande impacto em nos adaptar, mas só aceitaremos os casais que apresentem documentos comprovando a união estável”, ressalva. A associação atende a mais 5 milhões de beneficiários de 140 operadoras de plano de saúde do país.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Salgado ou sem sal?
Agência FAPESP – Algumas pessoas sentem mais aversão a comidas com pouco sal do que outras. Segundo um novo estudo, é a genética que influencia algumas das diferenças percebidas nos níveis de sal dos alimentos.
A pesquisa, feita na Faculdade de Ciências da Agricultura da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, publicada na revista Physiology & Behavior.
Segundo os autores, os resultados são importantes porque esforços recentes para reduzir a quantidade de sal nos alimentos têm levado muita gente a considerar que alimentos com menos sal não são tão saborosos como os tradicionais.
Dietas com presença elevada de sal aumentam o risco de desenvolver problemas como pressão alta. Isso tem levado empresas do setor alimentício a trabalhar em conjunto com especialistas em saúde no sentido de produzir alimentos que tenham menos sal, mas que sejam considerados saborosos e tenham a aprovação dos consumidores.
O estudo de John Hayes e colegas envolveu 87 voluntários, que experimentaram produtos alimentícios com bastante sal, como batatas fritas e pretzels, durante um período de algumas semanas. Os participantes eram 45 homens e 42 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, saudáveis e não fumantes.
A intensidade de gosto foi medida por meio de uma escala, cujos níveis variavam entre “pouco perceptível” a “mais forte sensação”.
“A maioria das pessoas aprecia o gosto salgado. Entretanto, alguns consomem mais sal, ou porque gostam mais do que os outros ou porque, para eles, o sal é necessário para bloquear outros gostos não tão agradáveis nos alimentos”, disse Hayes.
“As pessoas que experimentam gostos com mais intensidade consomem mais sal do que as demais. Produtos do tipo snacks têm como seu principal atrativo o fato de serem salgados e, para essas pessoas, quanto mais sal melhor. Tais produtos parecem ser mais apreciados por aqueles que sentem gostos com mais intensidade”, indicou.
Segundo o cientista, uma pessoa que sente gosto com mais intensidade acha, por exemplo, pouco agradável um queijo com pouco teor de sal, por considerar muito evidenciado o caráter azedo do produto. Para esses, a maior quantidade de sal é importante para mascarar sabores não desejáveis.
Hayes conta que variações no gosto são tão comuns e pronunciadas como diferenças na cor do cabelo ou dos olhos, por exemplo. Atualmente, o norte-americano consome em média entre duas e três vezes a quantidade de sal diária recomendada por especialistas em saúde.
A pesquisa, feita na Faculdade de Ciências da Agricultura da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, publicada na revista Physiology & Behavior.
Segundo os autores, os resultados são importantes porque esforços recentes para reduzir a quantidade de sal nos alimentos têm levado muita gente a considerar que alimentos com menos sal não são tão saborosos como os tradicionais.
Dietas com presença elevada de sal aumentam o risco de desenvolver problemas como pressão alta. Isso tem levado empresas do setor alimentício a trabalhar em conjunto com especialistas em saúde no sentido de produzir alimentos que tenham menos sal, mas que sejam considerados saborosos e tenham a aprovação dos consumidores.
O estudo de John Hayes e colegas envolveu 87 voluntários, que experimentaram produtos alimentícios com bastante sal, como batatas fritas e pretzels, durante um período de algumas semanas. Os participantes eram 45 homens e 42 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, saudáveis e não fumantes.
A intensidade de gosto foi medida por meio de uma escala, cujos níveis variavam entre “pouco perceptível” a “mais forte sensação”.
“A maioria das pessoas aprecia o gosto salgado. Entretanto, alguns consomem mais sal, ou porque gostam mais do que os outros ou porque, para eles, o sal é necessário para bloquear outros gostos não tão agradáveis nos alimentos”, disse Hayes.
“As pessoas que experimentam gostos com mais intensidade consomem mais sal do que as demais. Produtos do tipo snacks têm como seu principal atrativo o fato de serem salgados e, para essas pessoas, quanto mais sal melhor. Tais produtos parecem ser mais apreciados por aqueles que sentem gostos com mais intensidade”, indicou.
Segundo o cientista, uma pessoa que sente gosto com mais intensidade acha, por exemplo, pouco agradável um queijo com pouco teor de sal, por considerar muito evidenciado o caráter azedo do produto. Para esses, a maior quantidade de sal é importante para mascarar sabores não desejáveis.
Hayes conta que variações no gosto são tão comuns e pronunciadas como diferenças na cor do cabelo ou dos olhos, por exemplo. Atualmente, o norte-americano consome em média entre duas e três vezes a quantidade de sal diária recomendada por especialistas em saúde.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
O Melhor Ginecologista
Esse é pra todos aqueles que são MODERNOS e por isso são a favor do ABORTO!!!!!!!
Não deixem de ler, é rapidinho, em poucas linhas uma lição de vida!
O Melhor Ginecologista
Uma mulher chega apavorada ao consultório de seu ginecologista e diz:
- Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério.
Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente
Não quero filhos num tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre
um e outro...
O médico então perguntou:
-Muito bem. O que a senhora quer que eu faça?
A mulher respondeu:
- Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher:
- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema.
E é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.
Ele então completou:
- Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços.
Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer.
Se vamos matar, não há diferença entre um e outro.
Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...
Além do período do nojo, férias e subsídios de parto...
A mulher apavorou-se e disse:
- Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime..
Também acho minha senhora, mas pareceu-me tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la.
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.
O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!
Não deixem de ler, é rapidinho, em poucas linhas uma lição de vida!
O Melhor Ginecologista
Uma mulher chega apavorada ao consultório de seu ginecologista e diz:
- Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério.
Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente
Não quero filhos num tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre
um e outro...
O médico então perguntou:
-Muito bem. O que a senhora quer que eu faça?
A mulher respondeu:
- Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher:
- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema.
E é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.
Ele então completou:
- Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços.
Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer.
Se vamos matar, não há diferença entre um e outro.
Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...
Além do período do nojo, férias e subsídios de parto...
A mulher apavorou-se e disse:
- Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime..
Também acho minha senhora, mas pareceu-me tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la.
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.
O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!
terça-feira, 8 de junho de 2010
Prática de atividades físicas melhora desempenho sexual
A prática regular de atividades físicas pode melhorar o desempenho sexual, de acordo com especialistas da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.
Um estudo com 178 homens saudáveis com média de idade de 62 anos mostrou que aqueles que se exercitavam tinham significativamente maiores pontuações em um questionário de função sexual, comparados aos sedentários.
Os resultados indicam que os homens moderadamente ativos, que fazem, por exemplo, caminhadas de 30 minutos quatro vezes por semana, seriam 65% menos propensos a ter disfunção sexual do que aqueles que não fazem atividades físicas.
Os sedentários apresentaram média de 43 pontos em uma escala que avaliava a função sexual - incluindo fatores como capacidade de ereção, de alcançar um orgasmo, frequência e qualidade de ereção, função sexual geral e problemas sexuais, enquanto os moderadamente ativos tiveram 72 pontos e os muito ativos fizeram 70 pontos.
Os exercícios, além de ter um efeito benéfico na autoestima, podem aumentar o fluxo sanguíneo no pênis, facilitando a ereção.
"J.C."
Um estudo com 178 homens saudáveis com média de idade de 62 anos mostrou que aqueles que se exercitavam tinham significativamente maiores pontuações em um questionário de função sexual, comparados aos sedentários.
Os resultados indicam que os homens moderadamente ativos, que fazem, por exemplo, caminhadas de 30 minutos quatro vezes por semana, seriam 65% menos propensos a ter disfunção sexual do que aqueles que não fazem atividades físicas.
Os sedentários apresentaram média de 43 pontos em uma escala que avaliava a função sexual - incluindo fatores como capacidade de ereção, de alcançar um orgasmo, frequência e qualidade de ereção, função sexual geral e problemas sexuais, enquanto os moderadamente ativos tiveram 72 pontos e os muito ativos fizeram 70 pontos.
Os exercícios, além de ter um efeito benéfico na autoestima, podem aumentar o fluxo sanguíneo no pênis, facilitando a ereção.
"J.C."
segunda-feira, 7 de junho de 2010
No código ideológico do liberalismo a doença mental "é um anacronismo"
A visão da "loucura" no início do século XX, a relação da sociedade liberal com os que se chamavam de "alienados" foi a base da intervenção de Ana Leonor Pereira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no colóquio «Doentes e Cidadãos», organizado pelo «Ciência Hoje» e a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
No Casino da Figueira da Foz, a historiadora abordou como era vista a loucura pela burguesia vitoriosa em termos sociais e políticos. "O que fez da loucura um problema foi a falta de produtividade", pois esta era a base ideológica do liberalismo.
Na intervenção «Filosofia liberal e ética médica no internamento psiquiátrico no início do século XX», a investigadora explicou que o manicómio "foi concebido como forma a responder com eficácia" a alguns ideais do espírito burguês. O espírito de 1800 era um espírito progressistas em que a razão, a produtividade e a liberdade andavam lado a lado.
Assim, o mundo do "alienado" era visto como o mundo da "não-razão" e, desta forma, como o mundo do ócio, da não-produtividade e da não-liberdade. Todos estes conceitos são contrários à concepção burguesa do homem e da sociedade.
O internamento seria o lugar natural da loucura (porque não se pode tirar a liberdade a alguém que já não a tem) e significava também a possibilidade da sua abolição. Ali, o alienado "mostrava-se como tal" e recebia um "tratamento moral". Era esta a "fonte primeira do optimismo do médico alienista".
A disciplina institucional e policial e a vontade superior do médico-director do hospital (que nele tinha de morar) eram parte do quotidiano hospitalar.
Segundo o regulamento do Conde Ferreira, hospital psiquiátrico do Porto, o doente teria de se levantar às cinco da manhã. Havia o tempo da oração, do alimento, do trabalho, da recompensa e do castigo. Vestido com o seu fato hospitalar, o "alienado" era então inserido na "vida normal" que era "produzir".
De resto, "o trabalho, o coração da ideologia liberal, era considerado decisivo como fonte de auto-libertação da sua patologia". Tinha um poder "desalienante, gerador de lucidez".
A investigadora explicou ainda que os os alienados nobres eram considerados "incuráveis" porque o trabalho não se coadunava com a sua posição social.
"Luisa Marinho"
No Casino da Figueira da Foz, a historiadora abordou como era vista a loucura pela burguesia vitoriosa em termos sociais e políticos. "O que fez da loucura um problema foi a falta de produtividade", pois esta era a base ideológica do liberalismo.
Na intervenção «Filosofia liberal e ética médica no internamento psiquiátrico no início do século XX», a investigadora explicou que o manicómio "foi concebido como forma a responder com eficácia" a alguns ideais do espírito burguês. O espírito de 1800 era um espírito progressistas em que a razão, a produtividade e a liberdade andavam lado a lado.
Assim, o mundo do "alienado" era visto como o mundo da "não-razão" e, desta forma, como o mundo do ócio, da não-produtividade e da não-liberdade. Todos estes conceitos são contrários à concepção burguesa do homem e da sociedade.
O internamento seria o lugar natural da loucura (porque não se pode tirar a liberdade a alguém que já não a tem) e significava também a possibilidade da sua abolição. Ali, o alienado "mostrava-se como tal" e recebia um "tratamento moral". Era esta a "fonte primeira do optimismo do médico alienista".
A disciplina institucional e policial e a vontade superior do médico-director do hospital (que nele tinha de morar) eram parte do quotidiano hospitalar.
Segundo o regulamento do Conde Ferreira, hospital psiquiátrico do Porto, o doente teria de se levantar às cinco da manhã. Havia o tempo da oração, do alimento, do trabalho, da recompensa e do castigo. Vestido com o seu fato hospitalar, o "alienado" era então inserido na "vida normal" que era "produzir".
De resto, "o trabalho, o coração da ideologia liberal, era considerado decisivo como fonte de auto-libertação da sua patologia". Tinha um poder "desalienante, gerador de lucidez".
A investigadora explicou ainda que os os alienados nobres eram considerados "incuráveis" porque o trabalho não se coadunava com a sua posição social.
"Luisa Marinho"
Egas Moniz como pioneiro da sexologia portuguesa
Egas Moniz, o único Nobel da Medicina português, debruçou parte da sua carreira ao estudo da sexualidade. Foi sobre o volume «A Vida Sexual», publicado em 1906, que o psicólogo José Pacheco entreviu no âmbito da conferência «Doentes e Cidadãos».
"Apesar de hoje em dia aquela obra poder ser criticada de vários pontos de vista, para época foi uma 'ousadia' apresentar o tema à Universidade de Coimbra", diz.
Para o seu tempo «A Vida Sexual» era um livro "muito actualizado", considera o psicólogo. Não em questões como a homossexualidade, que ele considerava uma doença, mas noutras questões como a contracepção.
Egas Moniz, que escreve no prefácio que o livro é para "gente culta", foi amplamente "malhado" pelo seu neo-malthusianismo, ao apresentar uma lista de métodos anticoncepcionais. Equaciona também a possibilidade da mulheres inférteis, casadas ou viúvas (as solteira não teriam esse direito...) se poderem socorrer de esperma de outros homens.
O prémio Nobel defende também neste livro a "eugenia" - hoje em dia termo que não se utiliza por estar associado ao nazismo - mas que é um conceito que de várias forma de pratica hoje em grande escala.
«A Vida Sexual» era um livro "muito actualizado" para a época
O médico português "aplicou as concepções freudianas no tratamento de alguns casos de perturbação sexual. Aplicou as bases da psicanálise, misturando a hipnose com métodos de associação livre".
Fez o casamento entre sexologia e psicanálise. Por exemplo, na análise de «A Rosa do Adro», de Camilo Castelo Branco, abordou a necrofilia. Escreveu inúmeras biografias de médicos, de escritores, de pintores.
O médico esteve várias vezes indicados para o Nobel (pela angeografia) , mas só em 1949 o conseguiu. Mais tarde, existiu uma campanha para lhe retirar o Nobel, devido aos problemas levantados com o leucotomia.
Diziam que lhe deveria ser tirado prémio porque "inventou uma coisa terrível". Na verdade, explica José Pacheco, "inventou uma coisa de que outros abusaram, o que não invalida que a técnica em si fosse de um engenho fantástico".
"C.H." Luisa Marinho
"Apesar de hoje em dia aquela obra poder ser criticada de vários pontos de vista, para época foi uma 'ousadia' apresentar o tema à Universidade de Coimbra", diz.
Para o seu tempo «A Vida Sexual» era um livro "muito actualizado", considera o psicólogo. Não em questões como a homossexualidade, que ele considerava uma doença, mas noutras questões como a contracepção.
Egas Moniz, que escreve no prefácio que o livro é para "gente culta", foi amplamente "malhado" pelo seu neo-malthusianismo, ao apresentar uma lista de métodos anticoncepcionais. Equaciona também a possibilidade da mulheres inférteis, casadas ou viúvas (as solteira não teriam esse direito...) se poderem socorrer de esperma de outros homens.
O prémio Nobel defende também neste livro a "eugenia" - hoje em dia termo que não se utiliza por estar associado ao nazismo - mas que é um conceito que de várias forma de pratica hoje em grande escala.
«A Vida Sexual» era um livro "muito actualizado" para a época
O médico português "aplicou as concepções freudianas no tratamento de alguns casos de perturbação sexual. Aplicou as bases da psicanálise, misturando a hipnose com métodos de associação livre".
Fez o casamento entre sexologia e psicanálise. Por exemplo, na análise de «A Rosa do Adro», de Camilo Castelo Branco, abordou a necrofilia. Escreveu inúmeras biografias de médicos, de escritores, de pintores.
O médico esteve várias vezes indicados para o Nobel (pela angeografia) , mas só em 1949 o conseguiu. Mais tarde, existiu uma campanha para lhe retirar o Nobel, devido aos problemas levantados com o leucotomia.
Diziam que lhe deveria ser tirado prémio porque "inventou uma coisa terrível". Na verdade, explica José Pacheco, "inventou uma coisa de que outros abusaram, o que não invalida que a técnica em si fosse de um engenho fantástico".
"C.H." Luisa Marinho
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Uma viagem no tempo à saúde portuguesa de 1937
João Rui Pita apresenta a obra «Portugal Sanitário» de Fernando da Silva Correia
Durante «Doenças, instituições e terapêuticas à volta de 1910», João Rui Pita, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, fez o público de «Doentes e cidadãos» viajar no tempo.
O investigador levou-nos até ao ano de 1937 através de «Portugal Sanitário», uma obra que Fernando da Silva Correia apresentou na época à Faculdade de Medicina da primeira universidade portuguesa.
Trata-se de “uma caracterização bastante extensa e muito pormenorizada que reflecte sobre a saúde em Portugal na primeira metade do século XX, em particular nos anos vinte e trinta”, explica João Rui Pita durante a sua intervenção.
O higienista e médico municipal, mais tarde director do Instituto Central de Higiene do Hospital Ricardo Jorge, junta na obra aspectos geológicos, desportivos, climatológicos com as patologias portuguesas.
As 532 páginas de «Portugal Sanitário» mostram o estado de saúde em Portugal, num ano em que o país tinha quase sete milhões de habitantes e a maioria dos óbitos acontecia por “causa ignorada ou não definida”.
“Fernando da Silva Correia conhecia a realidade e as instituições do pais, e relacionava profissões com patologias, ou com a alimentação ou o consumo de água”, explica João Rui Pita.
As ilustrações, gráficos e mapas são uma constante ao longo da obra. Há estatísticas divididas por distritos sobre o número de médicos e parteiras, o número de hospitais, de camas e doentes.
Além de levar os dados ao pormenor, o médico académico da Universidade de Coimbra analisou exaustivamente a mortalidade no Portugal de 1937, concluindo que era “o país da Europa em que a taxa de mortalidade por mil habitantes é a maior”.
A tuberculose ocupava o primeiro lugar na lista negra, mas já nessa época vislumbrava-se o aumento de doenças cancerígenas.
Em 1937 havia 360 estabelecimentos hospitalares civis, militares, maternidades e sanatórios.
Doentes na história
Hoje, já não são os dados estatísticos que preenchem as ideias dos investigadores e pensa-se em “outras formas de escrever a história da medicina, enfermagem e farmácia”, adianta o orador.
João Rui Pita avança sobre a importância de incluir o doente nesse olhar sobre as praticas médicas, seja através “das associações ou de entrevistas aos doentes”, o investigador garante que “hoje os doentes são importantíssimos na execução desse projecto”.
"C.H." Barbara Gouveia
Durante «Doenças, instituições e terapêuticas à volta de 1910», João Rui Pita, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, fez o público de «Doentes e cidadãos» viajar no tempo.
O investigador levou-nos até ao ano de 1937 através de «Portugal Sanitário», uma obra que Fernando da Silva Correia apresentou na época à Faculdade de Medicina da primeira universidade portuguesa.
Trata-se de “uma caracterização bastante extensa e muito pormenorizada que reflecte sobre a saúde em Portugal na primeira metade do século XX, em particular nos anos vinte e trinta”, explica João Rui Pita durante a sua intervenção.
O higienista e médico municipal, mais tarde director do Instituto Central de Higiene do Hospital Ricardo Jorge, junta na obra aspectos geológicos, desportivos, climatológicos com as patologias portuguesas.
As 532 páginas de «Portugal Sanitário» mostram o estado de saúde em Portugal, num ano em que o país tinha quase sete milhões de habitantes e a maioria dos óbitos acontecia por “causa ignorada ou não definida”.
“Fernando da Silva Correia conhecia a realidade e as instituições do pais, e relacionava profissões com patologias, ou com a alimentação ou o consumo de água”, explica João Rui Pita.
As ilustrações, gráficos e mapas são uma constante ao longo da obra. Há estatísticas divididas por distritos sobre o número de médicos e parteiras, o número de hospitais, de camas e doentes.
Além de levar os dados ao pormenor, o médico académico da Universidade de Coimbra analisou exaustivamente a mortalidade no Portugal de 1937, concluindo que era “o país da Europa em que a taxa de mortalidade por mil habitantes é a maior”.
A tuberculose ocupava o primeiro lugar na lista negra, mas já nessa época vislumbrava-se o aumento de doenças cancerígenas.
Em 1937 havia 360 estabelecimentos hospitalares civis, militares, maternidades e sanatórios.
Doentes na história
Hoje, já não são os dados estatísticos que preenchem as ideias dos investigadores e pensa-se em “outras formas de escrever a história da medicina, enfermagem e farmácia”, adianta o orador.
João Rui Pita avança sobre a importância de incluir o doente nesse olhar sobre as praticas médicas, seja através “das associações ou de entrevistas aos doentes”, o investigador garante que “hoje os doentes são importantíssimos na execução desse projecto”.
"C.H." Barbara Gouveia
sábado, 5 de junho de 2010
Estudo completissimo sobre a ingestão de cerveja...
Já era tempo que fosse publicado um estudo sério e que se fossem desmistificando algumas crenças infundadas!
Estudo Científico sobre o Consumo de Cerveja
1. A CERVEJA MATA?
Pode. Há uns anos, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um camião levando-o a morte instantânea. Além disso, casos de enfarte do miocárdio em idosos teriam sido associados a publicidade a cervejas com modelos de belas mulheres...
2. O USO CONTINUADO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas .
3. A CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem whisky.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim. Está provado que nas operações STOP a polícia nunca faz o teste do balão às grávidas. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha recta, podem sempre atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. A CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não. Foi feita uma experiência com mais de 500 condutores: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos os reflexos foram alterados.
6. A CERVEJA ENVELHECE?
Sim. É bebida que envelhece muito depressa. Para se ter uma ideia, se se deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta, ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
7. A CERVEJA CONDICIONA NEGATIVAMENTE O RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Algumas universidades estão a aumentar os lucros com a venda de cerveja nas cantinas e bares.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas têm vindo a ser feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o empregado de mesa.
9. A CERVEJA ENGORDA?
Não. Tu é que engordas.
10. A CERVEJA CAUSA PERDA DE MEMÓRIA?
Que eu me lembre, não.
Estudo Científico sobre o Consumo de Cerveja
1. A CERVEJA MATA?
Pode. Há uns anos, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um camião levando-o a morte instantânea. Além disso, casos de enfarte do miocárdio em idosos teriam sido associados a publicidade a cervejas com modelos de belas mulheres...
2. O USO CONTINUADO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas .
3. A CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem whisky.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim. Está provado que nas operações STOP a polícia nunca faz o teste do balão às grávidas. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha recta, podem sempre atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. A CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não. Foi feita uma experiência com mais de 500 condutores: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos os reflexos foram alterados.
6. A CERVEJA ENVELHECE?
Sim. É bebida que envelhece muito depressa. Para se ter uma ideia, se se deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta, ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
7. A CERVEJA CONDICIONA NEGATIVAMENTE O RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Algumas universidades estão a aumentar os lucros com a venda de cerveja nas cantinas e bares.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas têm vindo a ser feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o empregado de mesa.
9. A CERVEJA ENGORDA?
Não. Tu é que engordas.
10. A CERVEJA CAUSA PERDA DE MEMÓRIA?
Que eu me lembre, não.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Teste de sangue permite detectar cancro do pulmão
Sistema imunitário liberta substâncias meses ou anos antes de o tumor aparecer no organismo
Investigadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, desenvolveram um novo teste de sangue que pode revolucionar o diagnóstico do cancro do pulmão, já que permite detectar a doença meses ou até anos antes de o tumor começar a crescer.
Este novo teste, desenvolvido em parceria com a empresa norte-americana Oncimmune e que será comercializado como Early CDT-Lung, consegue detectar as substâncias que o sistema imunitário liberta quando o cancro começa a aparecer no organismo.
Quando o paciente apresenta os primeiros sintomas da doença, o cancro do pulmão já está em etapas avançadas o que torna o tratamento bastante complicado. No entanto, este novo teste pode abrir portas a tratamentos em fases mais precoces.
Segundo John Robertson, líder da investigação, “as células cancerígenas possuem proteínas diferentes das células normais, uns compostos chamados antígenos, a que o sistema imunitário responde produzindo grandes quantidades de anticorpos”,
“É como se o corpo estivesse a gritar ‘eu tenho cancro’ muito tempo antes de o tumor poder ser detectado”, explicita o cientista.
O teste demonstrou ser eficaz em 40 por cento dos casos, mas os cientistas tencionam melhorar este número à medida que se consigam identificar mais proteínas cancerígenas.
“Começamos a entender a carcinogénese como nunca antes tínhamos conseguido perceber, analisando quais as proteínas incorrectas e como responde o sistemas imunitário”, adverte o cientista, que não descarta a possibilidade de o teste ser utilizado no diagnóstico de outros tipos de cancro.
Investigadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, desenvolveram um novo teste de sangue que pode revolucionar o diagnóstico do cancro do pulmão, já que permite detectar a doença meses ou até anos antes de o tumor começar a crescer.
Este novo teste, desenvolvido em parceria com a empresa norte-americana Oncimmune e que será comercializado como Early CDT-Lung, consegue detectar as substâncias que o sistema imunitário liberta quando o cancro começa a aparecer no organismo.
Quando o paciente apresenta os primeiros sintomas da doença, o cancro do pulmão já está em etapas avançadas o que torna o tratamento bastante complicado. No entanto, este novo teste pode abrir portas a tratamentos em fases mais precoces.
Segundo John Robertson, líder da investigação, “as células cancerígenas possuem proteínas diferentes das células normais, uns compostos chamados antígenos, a que o sistema imunitário responde produzindo grandes quantidades de anticorpos”,
“É como se o corpo estivesse a gritar ‘eu tenho cancro’ muito tempo antes de o tumor poder ser detectado”, explicita o cientista.
O teste demonstrou ser eficaz em 40 por cento dos casos, mas os cientistas tencionam melhorar este número à medida que se consigam identificar mais proteínas cancerígenas.
“Começamos a entender a carcinogénese como nunca antes tínhamos conseguido perceber, analisando quais as proteínas incorrectas e como responde o sistemas imunitário”, adverte o cientista, que não descarta a possibilidade de o teste ser utilizado no diagnóstico de outros tipos de cancro.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Excesso de histamina pode estar na origem das enxaquecas
No estudo realizado relatou-se em défice da enzima diaminoxidase, que metaboliza a molécula
Um défice elevado da enzima diaminoxidase (DAO), cuja função é metabolizar a histamina, pode ser a causa da enxaqueca. Este é o resultado de um estudo dirigido por Carmen Vidal, catedrática de Nutrição e Bromatologia (Universidade de Barcelona) em colaboração com Associação Espanhola de Doentes com Cefaleia, a Fundación Migraña e o Laboratório DR Healthcare.
Estima-se que 10 por cento da população sofra de enxaquecas, doença sobre a qual ainda pouco se sabe e que tem um tratamento difícil.
Na investigação agora realizada participaram 160 pessoas, divididas entre as que sofrem desta doença e as que não sofrem. Os resultados dizem que 96 por cento das que sofrem da doença têm níveis abaixo do normal da enzima diaminoxidase.
Este facto sugere que o excesso de histamina (molécula relacionada com os processos alérgicos e o sistema imunitário) pode ser uma das causas da doença.
Com este estudo pode começar a desenvolver-se medicamentos que compensem o défice da enzima e ajudem a degradar ou neutralizar a histamina. Outra solução, que muitas pessoas que sofrem da doença já conhecem, é controlar a dieta.
A histamina e o seu precursor – o aminoácido histidina – produzem-se no organismo mas também entram nele através dos alimentos. Peixe, queijo, vinho e enchidos têm uma grande concentração.
Um défice elevado da enzima diaminoxidase (DAO), cuja função é metabolizar a histamina, pode ser a causa da enxaqueca. Este é o resultado de um estudo dirigido por Carmen Vidal, catedrática de Nutrição e Bromatologia (Universidade de Barcelona) em colaboração com Associação Espanhola de Doentes com Cefaleia, a Fundación Migraña e o Laboratório DR Healthcare.
Estima-se que 10 por cento da população sofra de enxaquecas, doença sobre a qual ainda pouco se sabe e que tem um tratamento difícil.
Na investigação agora realizada participaram 160 pessoas, divididas entre as que sofrem desta doença e as que não sofrem. Os resultados dizem que 96 por cento das que sofrem da doença têm níveis abaixo do normal da enzima diaminoxidase.
Este facto sugere que o excesso de histamina (molécula relacionada com os processos alérgicos e o sistema imunitário) pode ser uma das causas da doença.
Com este estudo pode começar a desenvolver-se medicamentos que compensem o défice da enzima e ajudem a degradar ou neutralizar a histamina. Outra solução, que muitas pessoas que sofrem da doença já conhecem, é controlar a dieta.
A histamina e o seu precursor – o aminoácido histidina – produzem-se no organismo mas também entram nele através dos alimentos. Peixe, queijo, vinho e enchidos têm uma grande concentração.
Chá verde retarda envelhecimento cerebral
Cientistas portugueses comprovam que consumo de bebida pode diminuir danos neurológicos
Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que o consumo de chá verde atrasa o processo de envelhecimento cerebral, diminuindo os danos neurológicos e a perda de memória associada.
O estudo, liderado por José Paulo Andrade, investigador do Centro de Morfologia Experimental da FMUP, teve como objectivo “perceber o efeito do consumo regular de chá verde nas alterações provocadas pelo envelhecimento no hipocampo, uma região do cérebro envolvida na formação da memória”, refere a faculdade, em comunicado divulgado hoje.
A equipa estudou ratos velhos com 19 meses de idade, que ingeriram chá verde diariamente desde os 12 meses, comparando-os depois com ratos da mesma idade que não consumiram chá verde e com ratos mais jovens, que funcionaram como grupos de controlo.
Os resultados do estudo demonstraram que os animais que consumiram chá verde foram menos expostos ao stress oxidativo, acumularam menor quantidade de lipofuscina nas células do sistema nervoso central e obtiveram melhores resultados nos testes de aprendizagem e memória espacial relativamente aos grupos de controlo, refere a FMUP.
“Os investigadores acreditam que os efeitos neuroprotectores do chá verde na formação do hipocampo se devem à elevada concentração de catequinas nesta bebida. As catequinas pertencem ao grupo dos polifenóis e, entre outras acções, exercem uma forte actividade antioxidante”, salienta a faculdade.
Catequinas podem proteger hipocampo
Os ratos estudados beberam, por dia, uma quantidade equivalente ao consumo de aproximadamente meio litro de chá verde no homem, pelo que os autores aconselham o “consumo regular desta bebida quando incluída numa dieta normal e equilibrada”.
O coordenador do estudo reconheceu que “é sempre difícil extrapolar para o ser humano”, mas afirmou que “provavelmente há alguns efeitos benéficos no consumo de chá verde no ser humano”.
Açúcar anula efeitos
“É claro que tem de se ter uma dieta normal, equilibrada e saudável. Por exemplo, se se deitar muito açúcar, provavelmente o chá verde não vai ter efeitos, porque o açúcar vai ter efeitos pró-oxidantes, que vão anular os efeitos benéficos do chá verde”, realçou.
José Paulo Andrade referiu que este estudo constituiu a tese de doutoramento de Marco Assunção, defendida há dois meses e cujos resultados já foram publicados em “revistas de alto factor de impacto a nível internacional”.
Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que o consumo de chá verde atrasa o processo de envelhecimento cerebral, diminuindo os danos neurológicos e a perda de memória associada.
O estudo, liderado por José Paulo Andrade, investigador do Centro de Morfologia Experimental da FMUP, teve como objectivo “perceber o efeito do consumo regular de chá verde nas alterações provocadas pelo envelhecimento no hipocampo, uma região do cérebro envolvida na formação da memória”, refere a faculdade, em comunicado divulgado hoje.
A equipa estudou ratos velhos com 19 meses de idade, que ingeriram chá verde diariamente desde os 12 meses, comparando-os depois com ratos da mesma idade que não consumiram chá verde e com ratos mais jovens, que funcionaram como grupos de controlo.
Os resultados do estudo demonstraram que os animais que consumiram chá verde foram menos expostos ao stress oxidativo, acumularam menor quantidade de lipofuscina nas células do sistema nervoso central e obtiveram melhores resultados nos testes de aprendizagem e memória espacial relativamente aos grupos de controlo, refere a FMUP.
“Os investigadores acreditam que os efeitos neuroprotectores do chá verde na formação do hipocampo se devem à elevada concentração de catequinas nesta bebida. As catequinas pertencem ao grupo dos polifenóis e, entre outras acções, exercem uma forte actividade antioxidante”, salienta a faculdade.
Catequinas podem proteger hipocampo
Os ratos estudados beberam, por dia, uma quantidade equivalente ao consumo de aproximadamente meio litro de chá verde no homem, pelo que os autores aconselham o “consumo regular desta bebida quando incluída numa dieta normal e equilibrada”.
O coordenador do estudo reconheceu que “é sempre difícil extrapolar para o ser humano”, mas afirmou que “provavelmente há alguns efeitos benéficos no consumo de chá verde no ser humano”.
Açúcar anula efeitos
“É claro que tem de se ter uma dieta normal, equilibrada e saudável. Por exemplo, se se deitar muito açúcar, provavelmente o chá verde não vai ter efeitos, porque o açúcar vai ter efeitos pró-oxidantes, que vão anular os efeitos benéficos do chá verde”, realçou.
José Paulo Andrade referiu que este estudo constituiu a tese de doutoramento de Marco Assunção, defendida há dois meses e cujos resultados já foram publicados em “revistas de alto factor de impacto a nível internacional”.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Descoberta revoluciona conhecimento sobre células-tronco
Uma nova descoberta sobre o que são as células-tronco e como elas se comportam deverá ajudar os cientistas a cultivar células que efetivamente formem tecidos diferentes.
Um estudo realizado na Universidade de Edimburgo, na Escócia, mostrou que as células-tronco embrionárias não são um tipo único, mas são constituídas de células que se alternam entre precursores de diferentes tipos celulares.
A descoberta deverá ajudar os cientistas a capturar as células-tronco embrionárias exatamente no ponto certo, quando elas estão prontas para se diferenciar nas células que formam os tecidos que se deseja.
Comportamento oscilante
O estudo indica que as células-tronco embrionárias não são um único tipo de célula, como se pensava anteriormente, mas compreendem uma mistura de diferentes tipos celulares no embrião, capazes de se transformar de um tipo para outro e inclusive reverter a transformação.
Até agora, os cientistas acreditavam que as células-tronco embrionárias somente eram capazes de se tornar os precursores das células adultas, uma propriedade conhecida como pluripotência.
Mas os cientistas escoceses agora descobriram que elas também podem se transformar em células associadas com a placenta. Essas células - conhecidas como endoderme primitiva - formam o saco vitelino que fornece nutrientes para o embrião.
Ambiente embriônico
O estudo, publicado na revista PLoS Biology, mostra também que as células-tronco embrionárias são capazes não apenas de transformar-se, mas também de alternar entre as células que criam a endoderme primitiva e as células embrionárias, que irão formar os diversos tecidos do organismo.
Embora nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário as células alternem-se entre os dois tipos de células diferentes, os sinais recebidos das células ao redor, assim como do ambiente embriônico, lhes permite corrigir rapidamente a rota para tornar-se um tipo específico de célula.
No entanto, no laboratório as células-tronco embrionárias são cultivadas em um disco de Petri, longe de um ambiente embriônico e, como resultado, elas se mantêm em um estado no qual a sua identidade não se fixa.
Embrião artificial
Os cientistas esperam que uma melhor compreensão de como as células-tronco embrionárias mudam de um tipo para outro irá permitir criar um ambiente artificial que encoraje o crescimento de células de tipos específicos.
O Dr. Josh Brickman, coordenador da pesquisa, afirma: "Este estudo muda a nossa visão do que as células-tronco embrionárias realmente são e como elas se comportam. Saber que as células-tronco embrionárias podem alternar entre diferentes tipos de células vai nos ajudar a isolar células em um ponto específico no tempo, quando elas estão prontas para se tornarem células específicas. Isto vai melhorar nossa capacidade de produzir células específicas no laboratório."
Tara Womersley
Um estudo realizado na Universidade de Edimburgo, na Escócia, mostrou que as células-tronco embrionárias não são um tipo único, mas são constituídas de células que se alternam entre precursores de diferentes tipos celulares.
A descoberta deverá ajudar os cientistas a capturar as células-tronco embrionárias exatamente no ponto certo, quando elas estão prontas para se diferenciar nas células que formam os tecidos que se deseja.
Comportamento oscilante
O estudo indica que as células-tronco embrionárias não são um único tipo de célula, como se pensava anteriormente, mas compreendem uma mistura de diferentes tipos celulares no embrião, capazes de se transformar de um tipo para outro e inclusive reverter a transformação.
Até agora, os cientistas acreditavam que as células-tronco embrionárias somente eram capazes de se tornar os precursores das células adultas, uma propriedade conhecida como pluripotência.
Mas os cientistas escoceses agora descobriram que elas também podem se transformar em células associadas com a placenta. Essas células - conhecidas como endoderme primitiva - formam o saco vitelino que fornece nutrientes para o embrião.
Ambiente embriônico
O estudo, publicado na revista PLoS Biology, mostra também que as células-tronco embrionárias são capazes não apenas de transformar-se, mas também de alternar entre as células que criam a endoderme primitiva e as células embrionárias, que irão formar os diversos tecidos do organismo.
Embora nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário as células alternem-se entre os dois tipos de células diferentes, os sinais recebidos das células ao redor, assim como do ambiente embriônico, lhes permite corrigir rapidamente a rota para tornar-se um tipo específico de célula.
No entanto, no laboratório as células-tronco embrionárias são cultivadas em um disco de Petri, longe de um ambiente embriônico e, como resultado, elas se mantêm em um estado no qual a sua identidade não se fixa.
Embrião artificial
Os cientistas esperam que uma melhor compreensão de como as células-tronco embrionárias mudam de um tipo para outro irá permitir criar um ambiente artificial que encoraje o crescimento de células de tipos específicos.
O Dr. Josh Brickman, coordenador da pesquisa, afirma: "Este estudo muda a nossa visão do que as células-tronco embrionárias realmente são e como elas se comportam. Saber que as células-tronco embrionárias podem alternar entre diferentes tipos de células vai nos ajudar a isolar células em um ponto específico no tempo, quando elas estão prontas para se tornarem células específicas. Isto vai melhorar nossa capacidade de produzir células específicas no laboratório."
Tara Womersley
Etiquetas:
Comportamento das células-tronco,
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